50 anos de liberdade?


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Uma prática honesta da regulação da natalidade exige, acima de tudo, que os esposos adquiram sólidas convicções acerca dos valores da vida e da família e que tendam a alcançar um perfeito domínio de si mesmos. [...] Mas, esta disciplina, própria da pureza dos esposos, longe de ser nociva ao amor conjugal, confere-lhe pelo contrário um valor humano bem mais elevado. (Papa Paulo VI – Humanae Vitae, 21)

A edição especial da VEJA dedicada às mulheres neste mês de junho traz uma reportagem sobre os 50 anos da liberdade da mulher, que cita, já no início, uma frase da escritora americana Pearl S. Buck (Nobel de Literatura de 1938), que define a pílula anticoncepcional como “um objeto pequeno – mas que pode ter um efeito mais devastador em nossa sociedade que a bomba atômica”, e mostra também essa descoberta como “um dos mais monumentais movimentos dos tempos recentes, o gradual divórcio entre sexo e reprodução” (Djerassi), onde a gravidez agora está nas mãos da mulher, pois casar e ter filhos tornou-se uma opção, não uma obrigação, um ato voluntário, deliberado.

Analisando esse “pequeno objeto” como uma bomba de substâncias derivadas de hormônios femininos sintetizados em laboratório, a pílula anticoncepcional impede a liberação dos óvulos para uma possível fecundação e implantação no útero, devido aos altos níveis dessas substâncias no organismo. Portanto, como bem define a reportagem, há uma separação definitiva da relação sexual e da reprodução, trazendo mudanças físicas, biológicas e comportamentais relevantes. Boa parte desses comprimidos provoca uma considerável diminuição da libido sexual – do desejo e atração pela relação sexual –, além de dores de cabeça, náuseas e aumento de peso, bem como a dificuldade verificada para se engravidar após anos de uso da pílula, devido à grande quantidade de hormônios presente no organismo. Um estudo realizado pela British Medical Journal verificou que mulheres que tomaram a pílula por mais de 8 anos correm um alto risco (22%) de desenvolverem todas as formas de câncer, em particular o uterino.

Além de todos os aspectos biológicos, pensemos também sob a luz da fé. Em inúmeras passagens da Bíblia, desde o Antigo Testamento, Deus demonstra, com seu amor e misericórdia, o desejo de formar sólidas alianças com o seu povo, trazendo sempre vida nova como fruto dessa aliança. Isso se percebe em Noé, na imagem do dilúvio, que representa uma passagem da vida de pecado à vida feliz com Deus (Gn 6-9); em Móises, que livrou o povo da escravidão do Egito e o conduziu à vida nova na terra prometida (Êxodo 3); e também nos escritos dos profetas, que culminam com a vinda de Jesus Cristo, em quem todos somos novas criaturas (cf. 2Cor 5, 17). As alianças que Deus faz com seu povo são sempre atos que trazem novas formas de viver, uma vida nova. O matrimônio deve ser considerado, assim, uma das mais belas alianças de Deus com a humanidade, que permite ao homem participar da obra da criação. Foi, por isso, elevado por Cristo à dignidade de sacramento, pois traz como fruto dessa aliança a forma mais concreta e visível dessa vida nova: a vida humana nascente. Desse modo, fica claro que a reprodução deve ser, necessariamente, fruto da aliança e união de amor de Deus com esposos e do amor mútuo entre eles.

Por todas essas razões, o anticoncepcional é uma forma egoísta que o homem encontrou de romper sua aliança com Deus, é a “separação entre a relação sexual e a reprodução”, é o “amor” sem a reprodução. Do mesmo modo, a reprodução assistida ou inseminação artificial é a reprodução sem o “amor”. No entanto, um amor que não gera frutos não pode ser amor de verdade; infelizmente, é assim que hoje cerca de 80 milhões de mulheres optaram por viver sua “liberdade”, aprisionadas nos seus próprios desejos, e o seu corpo (e não a razão) é livre para escolher quando engravidar, ou até mesmo se esquivar da grande graça e dom de Deus que é ser mãe, colaboradora da santidade, da redenção, da vida, do amor.

É responsabilidade nossa mudar essa história! Decidamo-nos, pois, hoje, a lutar pela vida vivida, pela aliança incorruptível de Deus com a humanidade, pelo matrimonio santo, pelo amor incondicional de Deus por nós!

Jesus esteja em vossas almas!

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Fonte: Vamos pro céu!

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