A depressão somente vem da falta de sentido na vida?


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Quem é deprimido é desencantado com a vida e consigo mesmo. Não acredita mais na possibilidade de viver, pois se desanima da sua própria existência. Cai em um fatalismo de si achar o último dos últimos, depreciando tudo o que lhe pertence. Geralmente, são pessoas que se apoiaram muito em algo ou colocaram alguém ou alguma coisa como centro de sua vida. Quando não se teve mais esse único apoio, caíram no vazio do precipício de si mesmo.
A depressão seria simplesmente a falta de sentido na vida?
O sentido que se dá à vida consiste no valor dado ao caminho que se escolheu.
Um trabalho, uma faculdade, um concurso público, um padrão de consumo, um casamento, o cuidado com alguém, enfim, esses podem ser caminhos, podem ser sentidos.
Escolher um sentido para se caminhar ordena, de fato, aquele que caminha.
No entanto, para muitas pessoas, o caminho escolhido toma por completo a vida, o tempo, o raciocínio, os sentimentos.
É aí que a falta de sentido inicia-se de uma forma sorrateira e quase imperceptível. É também aí que a depressão toma espaço de uma maneira obscura nas pessoas.
“Não tenho tempo para nada”, “só vivo para isso”, “minha vida só é isso agora”… E tudo vira automático, as coisas ficam normais, o cansaço naturaliza-se.
O caminho deixou de ser caminho e se tornou centro, em torno do qual a pessoa gira, gira, gira, como uma máquina que só se movimenta e não reflete, não pensa e somente se obstina.
A depressão pode vir da falta de sentido na vida, diz os profissionais. No entanto, posso dizer que a depressão é o resultado da perda da direção dos sentidos dados à vida, no momento que aquilo que se escolheu viver humanamente se colocou no centro da própria vida.
Depressão é desalento, desamparo, desesperança. Sensações surgidas a partir de um vazio criado. Quem se apóia em vazios na vida preenche-se do nada. Desalentar-se, desamparar-se, desesperançar-se é exatamente descobrir que o caminho que se tinha dedicado por completo não provocou uma alegria esperada, a satisfação de uma felicidade plena.
Os caminhos escolhidos nesse mundo em que vivemos prometem esse nível de felicidade. Mas, nunca alcançada, visto que a plenitude da satisfação do que é prometido esbarra-se com a idéia de que “você pode mais”. O mundo oferece uma satisfação escorregadia que você sempre tem que correr atrás, senão fica para trás.
Esses são também vazios que podemos cair por toda a nossa vida. Somente percebemos esse automatismo quando o não fazer sentido começa a ser percebido.
Quem nunca pensou além dessa vida material será mais suscetível de colocar as coisas desse mundo no centro de sua existência.
Quem nunca colocou Deus no centro de seus pensamentos será, um dia, depressivo. O vazio se revelará e todos os falsos apoios caíram.
A depressão não é somente a falta de sentido na vida, mas o lugar errado que se colocaram os sentidos dados à vida. Se tudo não parte de Deus, tudo chegará ao nada e acabará em vazios.
Podemos dá razões à nossa existência, mas a única realmente necessária é o nosso encontro com Deus. Só sentiremos alegria plena e felicidade verdadeira. Sensações que a depressão nunca irá proporcionar.
Psicóloga Fátima Bertini

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2 Comentários

  1. Valdo Moraes disse:

    O verdadeiro cristão não é imune às tristezas, desânimos, desalentos da vida, no entanto ele crer firmemente que é filho de um Deus Todo Poderoso, para o qual nada é impossível, que nada foge de Seu controle e, estas certezas dão ao verdadeiro cristão, uma visão, uma pespectiva mais otimista das situações que a vida os apresenta.

  2. martha rodrigues disse:

    Gostei muito da sua opinião sobre depressão. Concordo e acrescento. Que tanto o que fica parado como o que agita demais tendem á depressão. O que leva a vida na brincadeira, como o que leva a vida à serio demais. Os que trabalham, trabalham e não tem tempo pra familia, ou para se divertir, como os que não trabalham, e os que se dedicam demais a sua propria familia (mulher e filhos) esquecendo-se dos demais familiares, ou os que se dedicam demais a sua religiosidade e nao pensam em mais nada, ou os egoístas que só pensam em si mesmos. Todo exagero é perigoso e levam a doenças da alma, o demais ou o de menos, tudo é muito perigoso. O bom é o equilibrio, e este nós temos às vezes dificuldade em alcançar.

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