No fim do século passado, um grupo de mulheres cristãs norte-americanas, lideradas por Elizabeth Cady Stanton, começaram a se reunir periodicamente para estudar todas passagens bíblicas onde havia referência à mulher, a fim de relê-las e interpretá-las à luz da nova consciência que a mulher tinha de si mesma.Nesses encontros nasceu a Woman’s Bible(A Bíblia da Mulher), editada em duas partes, respectivamente em 1895 e 1898, uma obra que abalou o mundo protestante americano.
A Elaboração da Bíblia da Mulher foi o ponto de partida para a elaboração da chamada: Teologia Feminista.
Na Igreja Católica fundou-se a “Aliança Internacional Joana D’Arc”, instituída na Grã-Bretanha
em 1911. Foi um dos primeiros movimentos no meio católico e propunha-se a “assegurar a igualdade dos homens e das mulheres em todos os campos”. As associadas da Aliança usavam como lema de reconhecimento a fórmula: “Pedi a Deus: Ela vos ouvirá!” O uso polêmico do feminino “Ela” a propósito de Deus sublinhava que Deus não é nem masculino nem feminino.
O movimento teológico feminino em crescente ascensão se impôs também à teologia da Igreja católica: Por ocasião do Concílio Vaticano II, quando um grupo de mulheres, chefiadas por Gertrud Heinzelman, dirigia-se publicamente aos padres conciliares com o livro-manifesto, onde o tema principal era: — “Não estamos mais dispostas a calar”. A Editora do volume, argumentando a partir de sua condição de jurista, se exprimia na introdução da obra da seguinte forma:
“Se o batismo faculta ao homem receber os sete sacramentos, mas faculta à mulher receber apenas seis sacramentos, então o batismo não opera com a mesma eficácia no sentido de tornar o homem e a mulher membros da Igreja.”
Simone de Beauvoir dedica um capítulo, de um livro publicado por ela, ao estudo da relação entre cristianismo e mulher, que se abre com estas palavras: “A ideologia cristã contribuiu não pouco para a escravidão da mulher”. Mary Daly no fim de seu livro,“A Igreja e o segundo sexo” (1968), exprisse a convicção de que, apesar dos condicionamentos e dos desvios da história eclesiástica,” o Evangelho permanece sempre uma mensagem de esperança para cada homem ou mulher”. E, pegando a onda do Concílio Vaticano II recém-celebrado, propunha um vasto programa de reforma da doutrina e da prática da Igreja, que formulava em termos de “exorcismo cultural” frente ao sexismo(amenizando a palavra: machismo) da Igreja e da sociedade: “A cristandade, e particularmente a Igreja Católica, ainda não enfrentou a tarefa que lhe compete, ou seja, exorcisar o demônio dos preconceitos sexuais permanecendo até mesmo a reboque do mundo”.
”A mulher é a representante e o arquétipo de todo o gênero humano: representa a humanidade que pertence a todos os seres humanos, quer homens quer mulheres. Por outro lado, porém, o evento de Nazaré põe em relevo uma forma de união com o Deus vivo que pode pertencer somente à mulher, Maria: a união entre mãe e filho. A Virgem de Nazaré torna-se, de fato, a Mãe de Deus.” _Papa João Paulo II_A Encíclica da Dignidade da Mulher_
O Feminismo nos Quadrinhos
Emily,a estranha, é uma menina de 13 anos que adora gatos pretos e vive em um mundo mágico onde os animais podem falar, fantasmas aparentemente esquisitos se manifestam e pessoas consideradas estranhas se sentem à vontade. Emily é um simbolo feminista, com uma frase que sempre usa: Se manda quero ficar sozinha!
ENTREVISTA
Vamos ouvir Ivone Gebara, religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho, doutora em Filosofia e Ciências Religiosas. Ela é uma das expoentes da Teologia Feminista (TF) brasileira. Filha de pais imigrantes libaneses e sírios, com 22 anos entrou para o convento, nos anos da efervescência daquela que foi chamada a “opção pelos pobres” da Igreja Católica. Morando em Recife, participou intensamente, ao lado de Dom Hélder Câmara, da organização das Comunidades Eclesiais de Base e da elaboração da Teologia da Libertação (TL). Entrevista retirada da Revista de Estudos Feministas.
Maria José Rosado-Nunes(MJ): Quais são a seu ver os temas emergentes e mais relevantes que estão no centro da reflexão da Teologia Feminista contemporânea, ou das teologias feministas, e se você está de acordo com este plural?
Ivone Gebara(IG): Penso que no centro da reflexão das teologias feministas está uma intencionalidade de base que se expressa na afirmação da dignidade feminina através de múltiplas formas. Essas teologias são marcadas pelos contextos diferentes em que nascem e por algumas problemáticas diferentes, dependendo do objetivo imediato perseguido.
Costumo chamar esses objetivos específicos ou imediatos de intencionalidades específicas, visto que partem da preocupação de grupos específicos como as mulheres negras, indígenas, lésbicas, trabalhadoras do campo, empregadas domésticas, etc. É a partir daí que se pode falar das diferentes teologias feministas. Nem sempre essas teologias são escritas, mas elas se expressam na vida cotidiana e nos múltiplos encontros de mulheres. Somos nós as assessoras que muitas vezes escrevemos sobre elas.
É bom lembrar que algumas teólogas trabalham o resgate das mulheres na Bíblia, outras, as imagens de Deus, a teologia antiga e a contemporânea, porém, sempre direcionada à sua intencionalidade específica. Além disso, podemos encontrar teologias feministas que fazem um trabalho de des-construção da teologia patriarcal a partir de diferentes temáticas, seguindo de certa forma as divisões clássicas dos estudos teológicos.
No atual momento penso que é urgente pensarmos nas diferentes formas de manipulação religiosa do corpo feminino. Essa manipulação não se faz necessariamente a partir dos representantes das hierarquias religiosas, mas também através de políticos, através da medicina e do direito.
MJ: Essas questões estão presentes também na Teologia Feminista brasileira? Ou emergem outras? A TF brasileira também pode ser dita no plural?
IG: De certa forma essas questões também estão presentes, sobretudo nas teólogas que ensinam em faculdades e instituições teológicas. A teologia norte-americana e a européia foram fonte de inspiração e de reflexão de conteúdos novos para todas nós. Entretanto, há algo de específico na Teologia Feminista do Brasil e de alguns países latino-americanos. Esse específico situa-se em uma dupla perspectiva:
a) a Teologia Feminista no Brasil, na grande maioria das vezes, se desenvolve à margem das instituições religiosas. Mesmo se as teólogas são marcadas por uma pertença institucional, sua teologia não é necessariamente dirigida a esta ou aquela igreja;
b) grande parte das teólogas feministas brasileiras alia seu trabalho acadêmico e produção intelectual a uma militância nos movimentos sociais. Essa militância ocorre, sobretudo, na forma de assessoria aos movimentos populares ou na forma de cursos regulares dados, por exemplo, ao MST, ao movimento de trabalhadoras rurais, movimento de domésticas, grupos de mulheres da periferia, grupos de consciência negra, quadros sindicais femininos, etc. Essa inserção social e política da teologia feminista nos movimentos de base vem permitindo uma abordagem interdisciplinar a partir de vivências concretas, assim como um desenvolvimento exterior às instituições oficiais de reprodução das igrejas. Começamos a perceber que a busca de espiritualidade e de coerência ética não se situa apenas no interior das instituições da religião. Nesse sentido, também a Teologia Feminista no Brasil se expressa de forma plural, e é este pluralismo que faz sua riqueza e originalidade.
MJ: As teorias feministas tiveram um desenvolvimento intenso nos últimos anos. No caso do Brasil, também o movimento feminista intensificou sua atuação, ganhando um lugar destacado entre os movimentos sociais. Como essas teorias e o movimento de mulheres desafiam e/ou articulam-se com a/as Teologia/s Feminista/s?
IG: Creio que a Teologia Feminista no Brasil começa a se desenvolver de forma mais original a partir do momento em que se articula às questões levantadas pelo movimento feminista. Nosso público não se restringe aos freqüentadores assíduos das igrejas e nem aos seminaristas e religiosos, mas abre-se para os que se debatem com as grandes questões levantadas na sociedade atual e que têm um referencial religioso cristão ou outro. A meu ver, essas questões têm a ver, em grande parte, com a violência contra as mulheres nas suas múltiplas facetas; tem a ver com o controle da sexualidade feminina, com as questões relativas à reprodução, com a questão da laicidade do Estado e outras questões afins.
Quando as teologias feministas se articulam aos movimentos feministas e fazem de suas questões as questões cotidianas vividas pelas mulheres, se dá uma espécie de ruptura em relação às questões tradicionais da teologia e à sua forma de abordagem. Mais uma vez, essa maneira de fazer teologia não é institucional, no sentido de não ser assumida oficialmente pelas igrejas. Desenvolve-se à margem e por isso muitas vezes é difícil manter sua reprodução e crescimento, visto o caráter asistemático em que se apresenta. Nesse sentido, talvez precisaríamos criar formas de atuação mais organizadas para garantir uma vivência e uma teoria teológica que acompanhe o avanço dos movimentos feministas.
MJ: Quais foram ou ainda são os pontos de maiores contatos e enriquecimento entre a Teologia da
Libertação e a Teologia Feminista? Como a Teologia Feminista articula as reivindicações feministas com aquelas de justiça social, uma vez que as preocupações com a questão social estão na origem da TF?
IG: Os pontos de maior contato estão na perspectiva ética encontrada nos textos do Evangelho. A Teologia da Libertação se estruturou em torno da opção pelos pobres, dos oprimidos, como critério para a reconstrução do mundo, como base para o processo de salvação. Essa matriz ética presente nos profetas e profetizas e na tradição de Jesus é retomada igualmente pela Teologia Feminista. Entretanto, a maior parte das teologias feministas separa-se de certa forma da teologia masculina da libertação quando se trata da manutenção da dogmática patriarcal, das imagens de Deus masculinas e de um conceito de salvação estreito que inclui apenas a pessoa individual de Jesus de Nazaré.
MJ: Você poderia fazer um balanço da Teologia da Libertação? Como você a avalia hoje?
IG: A Teologia da Libertação, embora aborde problemas éticos e esse particular mantém sua atualidade no presente, não deixa de ser a expressão de um momento histórico particular vivido na América Latina. Trata-se das décadas 1970 e 1980, período de luta contra as ditaduras militares e de afirmação de vários movimentos políticos e sociais com o apoio das igrejas cristãs. O cenário mundial e as referências ao socialismo histórico da época davam a base teórica para afirmar a possibilidade de estabelecer relações sociais mais justas. Davam igualmente um referencial histórico socialista a partir do qual ‘se imaginava’ que o povo que vivia no bloco socialista experimentava a justiça social em seu cotidiano.
Entretanto, com a mudança do contexto internacional a partir de 1990, isto é, do final da guerra fria, do final da União Soviética, da queda do muro de Berlim e do estabelecimento da cultura e da economia globalizada, as referências sociais e também as teologias mudaram. Assim, nesse novo contexto, as teologias da libertação perdem seu referencial histórico ou, em outros termos, perdem uma certa referência histórica de sociedades justas e igualitárias. Havia, como acenei anteriormente, uma espécie de ‘crença’ de que nos países soviéticos havia mais justiça e que bastava nos aproximarmos desse modelo para que conseguíssemos os mesmos resultados. É bom termos presente que o discurso sobre a justiça social não incluía a justiça e a igualdade de gênero.
Hoje, penso que as teologias da libertação no Brasil vivem na memória dos que a iniciaram e de outras pessoas que delas viveram. Entretanto, da maneira como foram formuladas e vividas nos anos 1980, não penso que têm força atual e futuro promissor. A Teologia Feminista, sem dúvida, inspirou-se na Teologia da Libertação em muitos aspectos, como afirmei anteriormente, porém, dados os diferentes temas que trabalha e as alianças com o movimento feminista, ela tem se afastado da ortodoxia da TL.
MJ: Qual é o lugar do corpo e da sexualidade na Teologia Feminista no Brasil?
IG: A partir do corpo e da sexualidade feminina é que se expressa a opressão e a dominação de gênero ou do gênero masculino. Não se pode fazer Teologia Feminista sem falar dos corpos femininos e especificamente da sexualidade feminina. Esse é o lugar a partir do qual começa a opressão e também o lugar a partir do qual se afirma a autonomia feminina. É a partir daí que se marca a posse masculina sobre as mulheres. Por isso, ultimamente tenho insistido muito no fato de que uma abordagem feminista a partir das relações de gênero deve explicitar a questão da dominação a partir da sexualidade. Essa dominação se expressa através de uma divisão injusta do trabalho social e doméstico, através de uma legislação que acaba mantendo não apenas os privilégios de classe e de etnia, mas os privilégios de gênero. Manifesta-se, igualmente, nas questões de descriminalização e legalização do aborto, como se os homens, ou a sociedade que representam, tivessem a última palavra sobre nossas decisões e escolhas. As teologias ou, mais especificamente, as igrejas seguem a mesma lógica de dominação. Afirmando-se a partir dos princípios que respeitam a vida, não percebem a contradição histórica de seus argumentos e a reprodução da dominação patriarcal em relação às mulheres.
MJ: Qual é o lugar que você daria a essas duas questões?
IG: Penso que esses dois lugares devem ter um tratamento privilegiado no atual contexto teológico. E isso porque é a partir desse lugar que se dá a desigualdade econômica, política, social, cultural e religiosa em relação às mulheres. É a partir da genitalidade feminina que se constroem as diferentes simbologias e significados sociais em relação ao corpo feminino. É a partir da genitalidade que se expressam os processos de socialização desde o mundo familiar até as crenças religiosas. Portanto, é a partir dessa realidade biológica culturalizada que é nosso ser sexuado que a cultura e as diferentes instituições sociais não apenas consideram as mulheres como seres de segunda categoria, mas organizam a política, a economia, as leis sociais, a religião de forma a sempre priorizar as iniciativas masculinas e os valores considerados masculinos.
Não se trata aqui de destacar a sexualidade ou a genitalidade do conjunto da pessoa humana. Trata-se, sim, de denunciar a forma pela qual o mundo patriarcal nos trata. Diminuem-se nossos direitos, embora se continue a falar da igualdade de direitos humanos ou da igualdade entre pessoas humanas. E a partir daí se afirma a nossa diferença para, a partir dela, afirmar-se a nossa inferioridade nas várias situações e instituições. Por isso, a afirmação da diferença, embora seja um passo importante, não pode ser feita em detrimento da luta pela justiça e igualdade e na linha do estabelecimento de outras formas de relação entre mulheres e homens.
MJ: Como teóloga, o que você acha da multiplicidade de religiões e movimentos religiosos que caracterizam a atualidade?
IG: A atual multiplicidade de religiões e movimentos religiosos, longe de ser a expressão de uma diversidade positiva, representa, a meu ver, uma certa mercantilização do religioso a serviço do retrocesso político mundial, do retrocesso da democracia e do retrocesso do pensamento. Trata-se de uma enfermidade global na qual estamos, e o religioso parece fornecer aparentes saídas imediatas. Há uma volta aos demônios, às possessões, às magias e aos anjos do bem, como se a racionalidade conquistada no passado não pudesse mais explicar as tragédias pessoais e sociais que assolam nossa terra. Temos a impressão de que cresce no meio das pessoas o sentimento de abandono, de falta de sentido, cresce a desvalorização dos que não respondem aos padrões elitistas estabelecidos. Então, a projeção em forças supranaturais, em entidades metafísicas se impõe como saída. Por isso se pode dizer que o recurso às forças ocultas acompanha a lógica de dominação do Império norte americano e de seus satélites.
Tenho consciência da complexidade dessa questão. A pista que abordei é uma entre as muitas que poderiam servir para analisar o fenômeno religioso em nosso tempo.
MJ: Ivone, qual balanço você faria da condição das mulheres na Igreja Católica hoje? Você vê possibilidades reais de mudanças favoráveis às mulheres na Igreja?
IG: Do jeito que está a instituição religiosa católica romana e do jeito como se anunciam as políticas religiosas no futuro próximo, as mulheres que buscam afirmar direitos, as que lutam por uma cidadania em bases igualitárias, as que desejam uma outra ordem social e política, parecem não ter chances na Igreja institucional. Cada vez mais ela está se tornando para elas uma referência mínima. Representa uma pertença que existiu no passado, representa influências recebidas, mas não é mais o lugar de referência de sentido e de compromisso com a transformação das relações injustas. A Igreja Católica, como outras igrejas cristãs, não são mais para muitas mulheres os lugares de expressão e de alimento de seu compromisso cristão. Nossa pertença a essas instituições é cada vez mais complexa e problemática. Muitas vezes mantém-se por um fio tênue, visto que, quer queiramos, quer não, o cristianismo se tornou um fenômeno cultural mundial e tem um papel político que não podemos deixar de levar em conta.
MJ: Como você explica a forte presença feminina nas igrejas, uma vez que as mulheres parecem ocupar um lugar tão desfavorável?
IG: A forte presença feminina é devida à fragilização crescente das mulheres pelo sistema capitalista atual, altamente desagregador. Muitas buscam no consolo imediato que uma celebração religiosa pode dar alguma força para enfrentar os problemas do dia-a-dia. Entretanto, esse consolo imediato, na maioria das vezes, reduz as mulheres a seu papel doméstico e reforça a reprodução de um modelo de dominação masculina a dominação dos pastores ou padres. Nessa perspectiva, é bom lembrarmos de novo que, sendo as teologias feministas não aceitas institucionalmente, não temos um lugar alternativo para oferecer às mulheres serviços de que elas necessitam. Além disso, como não temos reconhecimento público institucional, para a maioria das mulheres necessitadas de consolo religioso é na “casa de Deus”, no prédio, na igreja que se vai buscar o que se precisa.
As teologias feministas nunca entraram na elaboração da catequese, nas liturgias, na simbologia cristã oficial. Por isso têm um papel secundário na vida da maioria das mulheres, sobretudo quando as mulheres estão necessitadas de amparo e ajuda.
MJ: O que as mulheres pobres com as quais você convive e trabalha sabem ou pensam de Teologia Feminista?
IG: Creio que as mulheres pobres que vivem nos bairros periféricos sabem muito pouco de teologia do ponto de vista teórico. Entretanto, algumas são capazes de discernir o quanto as igrejas têm dado pouco lugar às mulheres, sobretudo em relação a seus problemas específicos. Outras mulheres vivem tomadas pela luta pela sobrevivência e poucos espaços têm para refletir sobre as causas de suas diferentes opressões. Continuam clamando por Deus e esperando a sua ajuda sem se preocupar com outras questões. Muitas vezes, em diferentes assessorias fico impressionada com a consciência política de mulheres pobres tanto do meio rural quanto do meio urbano que, através da organização a que pertencem, chegaram a um nível de análise da realidade da vida humana absolutamente impressionante. A maioria delas está mais inclinada a transformar as relações sociais e a investir pouco para mudar as igrejas. Muitas acham que não vale a pena. Acredito, entretanto, que haja uma diversidade muito grande de comportamentos nesse particular e que desconheço a maioria deles.
MJ: Enfim, sua trajetória de vida intensa e nem sempre fácil nos traz uma pergunta: como você concilia sua vocação pessoal, sua experiência religiosa e sua fé com as estruturas e os homens de Igreja que nem sempre a compreenderam e reconheceram?
IG: Confesso que no momento não busco nem compreensão e nem reconhecimento dos homens de Igreja. Não penso que isso seja tão importante. Da mesma forma, minha pertença à instituição católica romana e a uma congregação religiosa não são mais coisas vitais em minha vida. Essa pertença tem seu relativo valor como a pertença a outros grupos. É parte de minha história e eu não seria eu sem essa história.
Cada uma de nós está em algum lugar ou em muitos lugares atuando conforme as suas convicções. Cada lugar é marcado pela ambigüidade, por contradições e por diferentes limites. No momento não encontro razões para deixar esses lugares, visto que em outros poderia estar sofrendo das mesmas ou de outras contradições e pressões. O importante é que não me impeçam de pensar e de tentar afirmar nossa vocação à liberdade através de coisas pequenas e grandes que constituem o nosso dia-a-dia.
Este é o meu presente; o amanhã será do amanhã. Para hoje me bastam a luz do sol que brilha intensa nestas terras nordestinas e a memória de tantas pessoas queridas que povoam a minha existência.
Oração à São Miguel Arcanjo
São Miguel Arcanjo,
defendei-nos neste combate;
sede nosso auxílio contra as maldades
e ciladas do demônio,
instante e humildemente vos pedimos
que Deus sobre ele impere e vós,
Príncipe da milícia celeste,
com esse poder divino
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que vagueiam pelo mundo para perdição das almas.
Amém.
Mais Reportagens:
- O milagre do castelo de Lourdes
- Igreja e igrejas: a doutrina católica
- Vídeo comentário do II Domingo da Páscoa Ano B 15/04/12
- O princípio “Solo Christus” visto por um ex-protestante
- Absurdo! Itália Quer Cobrar De Igrejas e Hospitais.
- Divina Misericórdia
- O mês de Maria em Molokai
- A Igreja dedica amor aos homossexuais?











Tweet Isto
Compartilhar no Facebook
Salvar no delicious
Assinar Feed





A mulher foi criada, assim como o homem,à sua imagem e semelhança. Portanto, ela tem os mesmos direitos que o homem, o mesmo valor, a mesma dignidade, a mesma importância,etc.
Diante de Deus, o homem não existe sem a mulher e nem a mulher existe sem o homem.
Viva as mulheres!!!Que elas ocupem cada vez mais espaço nas igrejas. Que seja superado o preconceito e o machismo em nosso meio.
É raro, mas existem homens feministas!!!
Deus tenha misericórdia!
o católico que vê o feminismo com bons olhos,deve imediatamente retira-se da igreja.a igreja é para os fieis sinceros e verdadeiros,não para os hereges.
in corde jesu semper.
Gostei do texto, mas não compreendi o título.
Porquê você considera a teologia feminista diabólica? Se for por causa da luta pela descriminalização do aborto, te dou uma boa opção: Contiuemos a criminalizar o aborto, só que dividindo a pena pelo crime entre a mãe e o pai da criança. Que tal?