Secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, disse que a absolvição de Bida pegou o país inteiro de surpresa e poderá ampliar a insegurança no Pará.
O secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, criticou a defesa de direitos humanos que levam à impunidade
Brasília. O vice-presidente da CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil), d. Luiz Soares Vieira, disse ontem que a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, pode encorajar novos crimes no Pará.
´A impunidade incentiva crimes cada vez maiores. As pessoas vão ficando cada vez mais encorajadas, mais ousadas´, afirmou.
Bida foi acusado de ser o mandante do assassinato da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, e foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Belém, na terça-feira. A promotoria já anunciou que vai recorrer da decisão.
O secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, disse que a absolvição de Bida pegou o país inteiro de surpresa. Ele pediu uma reforma urgente do Judiciário brasileiro e criticou a dependência do sistema jurídico brasileiro de provas testemunhais nas decisões.
´É um exemplo de como temos que caminhar para uma reforma do Judiciário. A condenação de determinados crimes ainda depende muito de testemunhas´, disse.
Ele citou o caso da morte da menina Isabella em que provas periciais incriminaram o pai e a madrasta da garota. ´A imensa maioria dos assassinatos não dispõe dessa capacidade técnica´, asseverou.
Direitos Humanos
De acordo com d. Barbosa, o tema da Campanha da Fraternidade de 2009 será ´Fraternidade e Segurança Pública´. Ele criticou ainda a defesa de direitos humanos que levam à impunidade. ´Claro que mesmo o preso tem a sua dignidade e não deve ser tratado como bicho, mas o respeito aos direitos humanos não significa impunidade´, completou o secretário-geral.
Dom Luiz lembrou que pelo menos três bispos estão sob constantes ameaças no Pará: d. Erwin Kraütler, d. José Luiz Azcona Hermoso e d. Flávio Giovenale. Dom Erwin é escoltado diariamente por seis policiais que se revezam. ´Dom Erwin está sendo condenado à morte por ter feito críticas às agressões ao meio ambiente na Amazonas. Ele está defendendo a lei e quem se coloca ao lado da lei é jurado de morte´, diz.
Questionado sobre a opinião da CNBB sobre a elaboração de um dossiê pela Casa Civil sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso, d. Luiz respondeu: ´Tudo o que é ilegal não presta´. Ele acrescentou que o mundo passa por uma crise ética que é pior do que a crise econômica e a fome.
IMPUNIDADE
Freira prevê mais sangue derramado
Washington, EUA. A irmã Joan Krimm, que foi amiga de infância da freira Dorothy Stang, afirma que a decisão da Justiça do Pará de absolver o fazendeiro Bida, da acusação de mandante do assassinato da religiosa causará ´mais derramamento de sangue´.
Joan Krimm conviveu com Dorothy Stang em Dayton (Ohio), nos Estados Unidos, entrou para a ordem de Notre Dame de Namur juntamente com ela e serviu como missionária ao lado da religiosa em Coroatá, no Maranhão.
´A vida de qualquer um que trabalha pelo pobres na região está em perigo´, disse a freira. ´As pessoas estão com medo, e muitos já sabem que correm riscos, como o bispo local e o pastor, que estão ambos marcados para morrer.´
Bida havia sido julgado condenado na primeira vez em que foi julgado, em maio de 2007. Na ocasião, ele havia sido considerado culpado e sentenciado a 30 anos de prisão.
Segundo ela, a decisão do tribunal de Belém causou surpresa, ´Fiquei surpresa porque, da primeira vez, Bida foi condenado por unanimidade, por 7 votos a 0´, afirmou. ´Mas, por outro lado, não me surpreendo porque nenhum fazendeiro, madeireiro ou mandante de assassinatos na região foi condenado,´ analisou.
´O fato de que os três mudaram por completo seus depoimentos diz alguma coisa´, acrescentou Krimm, em referência a Bida, ao pistoleiro Rayfran das Neves, o Fogoió, e o homem acusado de intermediar o crime, Amair Feijoli da Cunha, o Tato.
Da primeira vez que foi a júri, Neves afirmou ter feito os disparos contra Stang, mas acrescentou que a arma pertencia a Bida. No julgamento desta semana, o pistoleiro mudou sua versão, acrescentando que a arma pertencia a ele.
fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=536445
CNBB CRITICA DESTRUIÇÃO E GRILAGEM NA AMAZÔNIA
Belém. O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer, abriu ontem na ilha do Combu, em Belém, a Campanha da Fraternidade deste ano, que tem a Amazônia e seu povo como tema, criticando a destruição da região pelo desmatamento ilegal, grilagem e conflitos de terra. ‘‘É uma insensatez, é falta grave de responsabilidade e de fraternidade’’, disse Scherer, para quem somente a fraternidade ‘‘promove a partilha e a sustentabilidade da vida na floresta’’.
Campanha
Ele explicou que a campanha não se volta somente para a questão ambiental, mas principalmente para os seres humanos que habitam a região, como indígenas, caboclos, quilombolas, nativos ou migrantes, populações ribeirinhas e gente das pequenas e grandes cidades da Amazônia.
Essas pessoas são a referência da fraternidade a ser despertada e aprofundada na região. ‘‘O povo da Amazônia é vítima, com freqüência, de esquecimento, discriminação e graves conflitos´, observou Scherer. Na ocupação da terra e na exploração dos recursos naturais, muitas vezes, segundo o padre, impera a lei da selva, a lei do mais forte, por causa da ‘‘ausência, ou da ineficiência’’ do Estado e de suas instituições. Uma mensagem escrita pelo papa Bento XVI foi lida. No documento, o papa convida todos os brasileiros a uma ´mudança de vida´ no sentido de assumir o ´compromisso´ de um maior cuidado com ´os povos e toda a natureza, em especial a da Amazônia´. O coordenador-executivo da campanha, padre José Carlos Tofolli, da CNBB, disse que a mensagem é um convite para ´refletirmos sobre o bioma que é a floresta amazônica, bioma que é o grande berço de vida e que a gente tem que aprender a cuidar melhor para que, inclusive, os povos que nela habitam possam ter uma vida mais digna´. O secretário da CNBB na Região Norte, dom Flávio Giovenale, acredita que a campanha poderá despertar a atenção do País para a preservação da Amazônia. Segundo dados do Instituto de Pesquisa do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 17% da região já está desmatada.
Crime ambiental
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que o governo federal está fazendo sua parte, combatendo os crimes ambientais. ´Já foram criadas 48 unidades de proteção ambiental e hoje temos mais de 20 milhões de hectares protegidos por lei´, resumiu Marina. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, lembrou o assassinato da missionária Dorothy Stang, dois anos atrás, afirmando que não permitirá que a polícia seja cúmplice de grileiros e violadores dos direitos humanos. ´A Polícia não mais baterá em lavradores, agora ela irá protegê-los´, garantiu Ana Júlia.
Enquanto o lançamento da campanha acontecia, nove organizações de base da Igreja Católica divulgavam manifesto, protestando contra a participação da Companhia Vale do Rio Doce como patrocinadora do evento. Em nota, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), pastorais da mulher, do menor, juventude rural, migrantes e o grito dos excluídos criticavam a organização da campanha pela ´ausência do povo´, e ´convites restritos´, mas se detinha em ataques à Companhia Vale.
fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=408759
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