
“ O afastamento ruinoso de Deus é o ponto de partida de todos os envenenamentos do homem; a sua superação é a condição fundamental para a paz do mundo. Só o homem reconciliado com Deus pode também se reconciliar consigo mesmo e estar de acordo, e somente o homem que estiver reconciliado com Deus e consigo mesmo pode construir a paz à sua volta e em toda a vastidão do mundo”
(Bento XVI, Jesus de Nazaré, Edit. Planeta, pag. 88).
No livro que estou atualmente lendo do Papa Bento XVI – Jesus de Nazaré – ,quis deter-me nesta passagem que chamou-me particular atenção. O Papa diz isto no capítulo do Sermão da Montanha, falando sobre o sétimo mandamento no qual Jesus diz: “Bem-aventurados os construrores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). É verdade que no mundo hodierno os homens cada dia mais afastam-se de Deus, em diverssos âmbitos que o possam atingir. Às vezes afastam-se por causa da ciência; às vezes por causa de problemas familiares; às vezes por alguém que faleceu de uma forma trágica e acabam por culpar a Deus, e vários outros.
Mas o afastamento de Deus, a ausência dele em nossa vida, não é uma ação sua, não parte dele tal pensamento, senão de nós mesmos. E quando nós nos afastamos dele ficamos vulneráveis a qualquer tempestade, ficamos desprotegidos. E se Deus é o Deus da paz, por conseguinte, acabamos ficando desprovidos da paz, criamos barreiras e difundimos a guerra. Por isso o apóstolo insiste: “Imploro-vos por amor de Deus: deixai-vos reconciliar-vos com Deus” (2Cor 5,20). Que o apóstolo que dizer com isso?
Enquanto o ser humano não estiver plenamente reconciliado com Deus – e vale aqui ressaltar qua a necessidade da reconciliação deriva-se do fato de que Adão pecou, e pelo pecado os laços do homem com Deus foram “rompidos” – não poderá ele ter paz verdadeira, não poderá transcender verdadeiramente, mas ficará preso a uma ilusão que se desfará com a vicissitude dos tempos. Como escrevi aqui em um outro artigo: “o homem tem sede de transcendencia e não aceita submeter-se aos desígnios salvíficos do Senhor. Mas este seu desejo [de transcender] só pode ser alcançado quando ele reconhecer que Deus está acima de tudo e de todos, e que ele deve cuvar-se a esta verdade”.
Também não pode o homem que não reconcilia-se com Deus reconciliar-se com o próximo. Não pode ser perdoado e nem pode perdoar, pois o autor do perdão é o próprio Deus. E ninguém melhor do que Ele pode conceder o verdadeiro perdão.
É necessário reconhecer em Deus a Onipotencia, a Onipresença e a Onisciência, daquele que tudo sabe e que pode conceder ao homem a verdadeira felicidade. E só Ele pode concedê-la. É ânseio de Deus e tarefa entregue ao homem de fazer com que haja paz na terra. Antes de se exigir paz na terra é necessário que o ser humano busque a paz com Deus; e só a partir daí vem os critérios preliminares. O homem se apegou aos bens efêmeros, finitos e mutáveis a ponto de esquecer-se da própria alma. Sua autossuficiencia, prepotência e egoísmo serão desfeitos no advento definitivo do Senhor quando Ele julgará a todos com igualdade; só assim ele descobrirá a inutilidade do seu egoísmo.
A paz não se alcançará enquanto todos estiverem disputando pelo poder terreno. Não. Ela dar-se-á apenas quando os homens reconhecerem que a necessidade de Deus supera todos os ânseios e poderes terrenos. Onde Deus é excluído no ângulo da visão do homem também a paz falha a guerra, a violência, impera com imprevisível crueldade. E isto não está obscurecido da realidade atual; do contrário, faz-se presente de forma cada vez mais visível.
Que nós, como o salmista, possamos clamar: “É tua face, Senhor, que eu procuro. Não me escondas a tua face, não afastes teu servo com ira” (Sl 27,8-9).
Que Maria nos ajude nesta caminhada, para que possamos usar os métodos científicos e os bens materiais para nos aproximarmos de Deus.
Ian Farias
Blog: http://creionaigreja.blogspot.com/
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