“Caso encerrado”, diz Vaticano sobre a brincadeira dos preservativos


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O Vaticano não pretende cancelar a visita oficial de Bento XVI ao Reino Unido depois de um polémico documento anexado a um memorando do governo ter vindo a público este fim-de-semana. O porta-voz da Santa Sé Federico Lombardi diz que o caso está “encerrado” depois de o ministério britânico dos Negócios Estrangeiros ter pedido desculpa pela brincadeira parva.

Sabe-se agora que o documento que tinha como título “a visita ideal teria” é da autoria de um jovem funcionário do ministério, depois de uma brainstorm onde participaram alguns quadros. A brincadeira interna chegou a público através do diário Sunday Telegraph.

Na nota sugeria como iniciativas para a visita papal o lançamento de uma marca de preservativos, a bênção de um casamento gay e a inauguração de uma clínica de interrupções voluntárias da gravidez.

Considerada “ingénua e desrespeitadora” pelo governo, a lista motivou uma reunião diplomática de emergência. Bento XVI visita o Reino Unido em Setembro.

Governo britânico desculpa-se ao Vaticano por ridicularizar Papa num documento

O governo britânico pediu hoje desculpa ao Vaticano pelaredação de um documento oficial interno em que sugere assinalar a visita do Papa ao Reino Unido com a abertura de uma clínica deaborto e o lançamento de uma marca papal de preservativos.

O documento, a que teve acesso o “The Sunday Telegraph, foi intitulado “A visita ideal seria…” e sugeria também o lançamentode uma linha telefónica de ajuda para menores vítimas deabusos de sacerdotes pedófilos.

O texto foi enviado a funcionários do governo e a Downing Street, residência oficial do primeiro ministro britânico,Gordon Brown, na sequência da visita de Estado do papa Bento XVI agendada para o próximo mês de setembro.

Muitas das propostas sobre a viagem parecem ridicularizar ensinamentos da Igreja Católica sobre assuntos como o aborto, a homosexualidade, os métodos anticoncecionais e os problemas que enfrenta atualmente o Vaticano face às denuncias em vários países de abusos de sacerdotes pedófilos, segundo aquele semanário.

Após o acesso pela imprensa do documento, o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico veio pedir publicamente desculpas e anunciou hoje que o responsável pela elaboração do texto foi transferido para outras funções no ministério.

Aparentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, ficou “chocado” com o conteúdo do documento, enquanto o embaixador britânico para o Vaticano, Francis Campbell, se reuniu com representantes da Santa Sé para expressar o sentimento de Governo britânico.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o documento foi elaborado por um pequeno grupo de jovens funcionários que trabalham na visita papal.

Entre outras coisas, o relatório sugeria que o Papa cantasse com a Rainha Elizabeth II para arrecadar fundos para instituições de caridade e que celebridades como a cantora Susan Boyle participassem nas comemorações da viagem Papal.

“Está claro que se trata de um documento tonto, que de maneira nenhuma reflete a política ou os pontos de vista do governo do Reino Unido e do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Está claro que muitas das ideias contidas no documento são imprudentes, ingénuas e desrespeitadoras”, afirmou o ministério em comunicado.

“O ministério dos Negócios Estrangeiros lamenta muito este incidente e está profundamente arrependido pela ofensa causada. Valorizamos muito a relação próxima e produtiva entre o Reino Unido e a Santa Sé e queremos aprofundar ainda mais com a visita do Papa Bento XVI no final do ano”, acrescentou.

O Papa, que vai estar em solo britânico entre 16 e 19 de setembro, vai visitar algumas cidades do país e beatificar o Cardeal John Newman.

Esta é a primeira visita de um pontífice ao Reino Unido desde a deslocação ao país de João Paulo II em 1982.

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