“A primeira cautela é que compreendas que não viestes para o convento senão para que todos te instruam e exercitem. E,assim, para te livrares das pertubações que te podem oferecer a índole e o trato dos religiosos e tirar proveito de todos os acontecimentos, convém pensar que todos os que se encontram no convento são agentes encarregados de te exercitar,como o são na realidade: que uns te hão de aperfeiçoar por palavras,outros por obras,outros pensando mal de ti e que tudo hás de estar sujeito,como a estátua o está ao que a lavra,pinta e doura. E se não observares esta norma,não conseguirás vencer tua sensualidade e sentimentos,nem saberás conviver em harmonia no convento com os religiosos,nem alcançarás a santa paz, nem te livrarás de muitos tropeços e males.” (são João da Cruz)
As palavras em negrito podemos substituir por palavras que se encaixem com lugares e pessoas na nossa vida,mas esse pensamento do santo sempre será profundo e verdadeiro.Principalmente na vida daqueles que buscam a perfeição em DEUS para DEUS. São João da Cruz faz este alerta com muita propriedade,e tem o auxílio de santa Teresa D’ávila(a grande reformadora carmelita),mas nosso enfoque principal será em outra grande santa: santa Terezinha do menino Jesus (santa Terezinha de Liseux,pra quem preferir).
A santa sabia o que a esperava no carmelo de Liseux,mas seu desejo de servir a DEUS não foi abalado pela já anunciada dificuldade de convivência com suas futuras irmãs,pelo contrário a santa tinha as palavras de são João da Cruz guardadas no fundo de seu coração.E estas palavras seriam um impulso para ainda mais agradar ao SENHOR.
“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim.No mundo,passais por aflições; mas tende bom ânimo;eu venci o mundo.”(Jo 16:33)
Resalva, são João da Cruz,”…convém que procure assimilar perfeitamente,e gravar no coração a seguinte verdade: que não veio ao convento senão para que o aperfeiçoem e exercitem na virtude, e a semelhança da pedra que deve ser polida e lavrada antes de ser assentada no edifício.
E,assim, procure considerar a todos os que se encontram no convento como outros tantos agentes que DEUS aí colocou especialmente para o desbaratarem e polirem na mortificação.Uns hão de aperfeiçoá-lo por meio da palavra,dizendo aquilo que não quisera ouvir;outros,pelas ações,fazendo contra ele o que não quisera sofrer;outros mortificarão com a própria maneira de ser,mostrando-se sempre molesto e pesado,tanto no porte como na atitude;outro ainda, através do pensamento,dando a entender ou a expressar que eles não o apreciam nem o amam.
E deve estar disposto a sofrer todas essas mortificações e aborrecimentos com paciência interior, calando por amor de DEUS,considerando que não veio a Religião a não ser para que assim o lapidassem e o tornassem digno do céu. Se não fosse para isso,mais valeria ter permanecido no século,correndo ao encontro dos prazeres,honrarias,prestígios e buscando as próprias comodidades.”
Os atritros, as incompreensões, os malentendidos, as indelicadezas , simples descuidos ou pequenas e grandes malícias, calúnias, desgostos, maledicências, despeitos ou despeitozinhos fazem parte do calendário quotidiano. Isto acontece mesmo com a boa vontade de todos e de cada um.
“Ser bom para os que nos fazem bem,é prudência humana, nada para DEUS.” (santa Terezinha)
Quem entra para a vida em DEUS para DEUS,não pode pretender nada; deve construir tudo e tudo purificar como se purifica o ouro no fogo.
“Na vida religiosa a alma,à semelhança de um carvalho novo,está comprimida em todos os lados por sua regra (…) Mas acha luz quando ela olha o CÉU; lá somente pode repousar sua vista. Não deve ter medo de lançar-se mais adiante nesta direção.” (santa Terezinha)
Para Terezinha esta dificuldade era um bem muito precioso, não perdia uma única oportunidade de apropriar-se dele.”Encontrei a vida religiosa tal qual a imaginara.Nenhum sacrifício me espantou. No entanto, vós o sabeis meus primeiros passos toparam mais em espinhos do que em rosas!…Sim o sofrimento estendeu-me os braços e lancei-me neles com amor…(…) JESUS deu-me a entender que pela cruz queria dar-me almas, e meu atrativo pelo sofrimento crescia na proporção que o sofrimento se avolumava. Durante cinco anos meu caminho foi esse. Nada,porém, traía exteriormente meu sofrimento, tanto mais doloroso,quanto unicamente conhecido por mim.”
“Vinde para para morrer por Cristo, e não para viver folgadamente por Cristo.”(santa Teresa Dávila)
Ainda sobre esta mortificação interior fala a reformadora do Carmelo:
“Torna mais meritórias e prefeitas as demais obras e nos ajuda a praticá-las com mais suavidade e descanso (…) Tudo,ou ao menos quase tudo,depende do esquecimento de nós mesmas e de nossas comodidades.”(santa Teresa D’ávila)
A palavra Carmelo siguinifica:Jardim.Imaginamos,logo, um belo lugar com muitas flores pássaros à cantar,enfim, tudo cor de rosa.
“De longe, parece muito róseo fazer algum bem às almas,levá-las a amar a DEUS,moldá-las,enfim,de acordo com seus pontos de vista e idéias pessoais.De perto,é tudo ao contrário.O róseo desvanece… Percebe-se que fazer algum bem,sem a ajuda de DEUS,é coisa quase tão impossível,quanto fazer o sol brilhar na calada da noite…Percebe-se a absoluta necessidade de se pôr de lado seus gostos,suas concepções pessoais e guiar as almas pelo caminho que JESUS lhes traçou,sem tentar fazê-las andar pelo seu caminho individual.” (santa Terezinha)
Fala a santa sobre um período difícil de sua vida,quando foi designada para ser mestra das noviças no Carmelo.Período este que a dificuldade de convivência foi rotina.Ainda sobre esta experiência fala:
“…Instruindo as outras,muito aprendera.Verifiquei ,primeiramente,que todas as almas têm mais ou menos os mesmos combates,mas diferenciam-se de tal maneira,que sem dificuldade compreendo a opnião do Padre Pichon: ‘Há diferença muito maior entre almas,do que entre fisionomias.’Por isso,é impossível haver-me com todas da mesma forma.Com algumas,percebo que tenho de diminuir-me,de não recear humilhar-me,revelando meus combates,minhas derrotas. Ao verem que tenho as mesmas fraquezas que elas,minhas irmãzinhas me confesam,por sua vez,as faltas de que se recriminam e folgam de que as compreenda de própria experiência.
Com outras,percebi que,para lhes fazer algum bem,preciso pelo contrário,usar de muita firmeza e nunca me desdizer de alguma afirmação. Curvar-se não seria,então,ato de humildade,mas fraqueza.”
A Santa narra uma experiência que viveu com uma irmã de Carmelo:
“Na comunidade,existe uma irmã que possui o dom de desagradar-me em todas as coisas.Seus modos,suas palavras,seu gênio,pareciam-me muito desagradáveis.Trata-se,todavia,de uma santa religiosa,que será muito agradável ao Bom DEUS.Por esta razão,não querendo ceder a antipatia natural que experimentava,pensei comigo que a caridade não consistiria em sentimentos,mas em atitudes.Dediquei-me então,a fazer pela irmã o que faria pela pessoa a quem mais amasse.Todas as vezes que me encontrava com ela,por ela rezava ao Bom DEUS,oferecendo-lhe todas as suas virtudes e seus méritos.Bem senti que isto agradava a JESUS,pois não existe artista que se desgoste de receber elogios por suas obras.E JESUS,plasmador das almas,regozija-se quando a gente não se prende ao exterior,mas penetra até o santuário íntimo que escolheu para sua mansão,e admira-lhe a formosura.Não me restringia a rezar muito pela irmã que ocasionava tantos combates.Fazia por lhe prestar todos os obséquios possíveis,e quando tinha tentação de responder-lhe de modo desagradável,contentava-me de lhe esboçar o mais amável sorriso,forcejando por desviar a conversa,pois a Imitação de Cristo diz que ‘mais vale deixar cada qual com o seu modo de pensar,do que obstinar-se em contestá-lo.’
Às vezes,também,quando não estava no recreio(quero dizer,em hora de tarefas),e tinha contatos de serviço com a irmã,punha-me em fuga como desertor,logo que minhas lutas se tornavam por demais violentas.Como ignorasse,absolutamente,o que eu por ela sentia,nunca suspeitou os motivos de meu proceder,e continuou na convicção de que seu temperamento me era agradável.Um dia,no recreio,com um ar de muita satisfação,disse-me mais ou menos essas palavras:’Podereis dizer-me,minha irmã Tereza do Menino JESUS,o que tanto vos atrai para mim,vejo-vos sorrir todas as vezes que me olhais’.Ah! o que me atraía,era JESUS escondido no fundo de sua alma…JESUS que adoça o que há de mais amargo…”(santa Terezinha)
A santa lembra também do caso de uma irmã,que durante a oração,recitando o rosário,movia as contas de tal modo a produzir um pequeno “barulho” que a fazia suar e a obrigava,sem saber,à oração de sofrimento.Outra irmã ,na lavanderia,sem sequer o saber,lhe”expirrava água suja no rosto,todas as vezes que levantava os lenços na tábua de bater.”Tanto uma como a outra colocavam em dura prova sua paciência e o exercício da Caridade Fraterna.
Não podemos cair na tentação de ver nossos irmãos como nossos inimigos,pois:
“Respondeu-lhe JESUS: Amarás o SENHOR teu DEUS,de todo o teu coração,de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.Este é o grande e primeiro mandamento.O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”(Mt 22:37-39)
“O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o comprimento da lei é o amor.”(Rm 13:10)
“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma,exceto o amor com que vos ameis uns aos outros;pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.”(Rm13:8)
“Se,pois,ao trazeres ao altar a tua oferta,ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,deixa perante o altar a tua oferta,vai primeiro reconciliar-te com teu irmão;e,então,voltando,faze a tua oferta.”(Mt 5:23-24)
“Novo mandamento vos dou:que vos ameis uns aos outros;assim como eu vos amei,que também vos ameis uns aos outros.”(Jo 13:34)
“Porque vos digo que,se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus,jamais entrareis no Reino dos Céus.”(Mt 5:20)
“Ora se sabeis estas coisas,bem-aventurados sois se as praticardes.”(Jo 13:17)
Devemos orar e agradecer a DEUS por todos os momentos que a convivência se torna uma cruz,devemos orar a DEUS e agradecer por nossos irmão que muitas vezes nos são pesados,pois,são instrumentos de DEUS na nossa santificação pessoal.”Vai alta a noite, e vem chegando o dia.Deixemos pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.”(Rm 13:12)
“Portanto,acolhei-vos uns aos outros,como também Cristo nos acolheu para a glória de DEUS.” (Rm 15:7)
“Rovo-vos,irmãos,pelo Nome de nosso Senhor JESUS CRISTO,que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões;antes,sejais inteiramente unidos,na mesma disposição mental e no mesmo parecer.”(1Cor 1:10)
Não confundamos amor com apego são duas coisas completamente diferentes.Lembremos que o homem assemelha-se com aquilo que ama,pois o próprio amor tem esse ‘poder’.O desejo arrasta para aquilo que é desejado.Por isso o amor deve ser aprendido a ser usado.Terezinha narra uma outra experiência com uma irmã a qual apresentava “sintomas” de apego por ela,decidida a libertar a irmã,a santa resolve esclarecer a situação,ela nos narra a coversa que tiveram:
“Refletindo um dia sobre a permissão que nos destes,de conversarmos juntas,conforme rezam nossas santas Constituições,para mais nos inflamar-mos no amor de nosso Esposo,pensei com tristeza que nossas conversas não atingiam a desejada finalidade.Então,o Bom DEUS fez-me sentir que o momento era chegado.Já não precisava haver receio de falar,como também devia acabar com conversas que se assemelhavam às amigas no mundo.(…)Pedi ao Bom DEUS me pusesse na boca palavras mansas e convincentes,ou melhor,falasse Ele mesmo em meu lugar.(…)com voz lacriminosa lhe dizia tudo o que pensava a respeito dela,mas em termos tão delicados,e testemunhando-lhe tanta afeição,que suas lágrimas logo se misturarma com as minhas.Ela conveio,com muita humildade,que tudo quanto eu dizia era exato.Prometeu-lhe começar vida nova,pedindo-me como uma graça que sempre a advertisse de suas faltas.(…)nossa afeição se tornara toda espiritual,e nada tinha de humana.Em nós se averiguou a passagem da Escritura:’o irmão que é ajudado pelo irmão,é como uma cidade fortificada.’”
Mas como alcançar tal grau de amor verdadeiro?
“Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes,crede que recebestes,e será assim convosco.”(Mc 11:24)
“Sem oração o homem não pode fazer o bem.”(santo Agostinho)
É através da oração que alcançamos tal graça,estamos acostumados a pedir bens materiais a DEUS ,porque não pedirmos o mais essencial:armas para nossa santa luta.Neste momento a dificuldade torna-se o mal que gerou o bem.Aproxima-nos do Mestre.Através da oração no Nome de JESUS“pelo qual temos ousadia e acesso com confiança,mediante a fé Nele.”(Ef 3:12) da qual alcançamos a graça da caridade fraterna,um dos pilares defendidos por santa Teresa D’ávila para se alcançar a perfeição cristã a saber:Fé;Esperança e a mesma Caridade Fraterna.
Caridade tão sonhada por santa Terezinha e buscada por toda a sua vida com todo o empenho possível. Graça inspirada por sua comunhão constante com Cristo,em sua oração livre de interresses pessoais e de sua busca de não mais pertencer a si mesma,mas a todos,pela salvação da almas e pelo bem da igreja.
Terezinha recorda “A prática da caridade nem sempre me foi tão grata.”Mas não nos esqueçamos,nem nos desanimemos com a dificuldade de tal prática,”porque estreita é a porta,e apertado,o caminho que conduz para a vida,e são poucos os que acertam com ela.”(Mt 7:14)
A própria Terezinha declara:
“Quero praticar a caridade,escreveu(…).Quero ser amável com todo mundo– de modo particular,com as irmãs menos amáveis — para alegrar JESUS e correponder ao conselho que nos dá no Evangelho.”(santa Terezinha)
“Nos recreios,nas licenças,devo procurar a companhia das irmãs que me são menos agradáveis,exercer para com essas almas melindradas o ofício do Bom Samaritano.Por vezes,uma palavra,um sorriso amável é quanto basta para desanuviar uma alma entristecida.”(santa Terezinha)
Lembremos sempre das palavras de são Paulo:
“Rovo-vos,pois,eu o prisioneiro no SENHOR que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão,com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do ESPÍRITO no vínculo da paz.” (Ef 4:1-3)
LOUVADO SEJA O NOME DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO:
PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!
PS: Ao escrever esta matéria percebi(eu o reporter)que estou muito longe deste ideal de santo convívio,aproveito a oportunidade para pedir desculpas à todas as pessoas as quais fui,enfim,o contrário de santa Terezinha do Menino JESUS.Agradeço a DEUS pela inspiração de escrever esta matéria.Orarei por aquelas pessoas que ao lerem,sentirem-se tocadas a ser mehores no convívio,no tratar,no agir,no falar,no pensar,enfim a serem pessoas melhores para a maior Glória de DEUS,pois se houve este desejo de melhora,este mesmo desejo veio a boa vontade,tenho absoluta certeza,do ESPÍRITO SANTO de DEUS.Que no Santíssimo Nome de JESUS,desde agora,pelo Poder Infinito e Incomensurável do ESPÍRITO SANTO seja conservado e potencializado e santificado dentro de cada um de nós,este mesmo desejo,de melhorar e progredir nesta graça de sermos estes que conhecem à DEUS e conhecendo-O sejamos Amor como Ele é Amor.Amém!
Mais Reportagens:
- Anima Christi: uma oração dificilmente superável
- As Misericórdias de Deus – O Conforto que Deus Supre nas Horas de Angústia e Dor
- Propaganda do novo Axe causa polêmica por anjos cairem do céu
- A Devoção a Nossa Senhora das Graças
- Papa pede orações para Igrejas Católicas Orientais e pela África
- A Igreja Católica nunca errou e jamais vai errar (Mãe santa e inerrante)
- O Diabo pode possuir quem se afasta de Deus – Parte 3
- Minha filha, por que me persegues?






Tweet Isto
Compartilhar no Facebook
Salvar no delicious
Assinar Feed
