Crônica: Tocante Olhar


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Maria

Estava Ela caminhando entre um aglomerado de pessoas que se agitavam e esta Senhora não poderia estar diferente, era seu Filho que estava ali, bem à sua frente, em cena real, vivenciando um filme triste, pesado, com inevitável angústia de um corpo frágil que tanto sofria.

Este moço forte, sereno, com alma amável, possuía um incrível ardor para o bem, mas as pessoas de seu tempo, a quem Ele tanto amava, simplesmente O rejeitavam, O repudiavam, não se afeiçoavam a Seus testemunhos, muito menos às

Suas obras de curas, libertações e milagres. O condenaram a um sofrimento de carne e alma, insuportável à qualquer ser vivente… ainda mais quando se é inocente!

A tal Mulher andava em silêncio partilhando com o Filho uma mesma serenidade. Esta era a forma mais concreta que encontrara para participar do momento que não permitiam palavras aliviadoras, nem mesmo substituições … Esta Mulher suava frio, sentia o sabor amargo na boca que secara por perder o banhar das salivas, a garganta sufocada parecia estar com um nó no caminho, o coração pulsava exageradamente apressado como se quisesse que o tempo terminasse a cada passo, os olhos se avermelhavam por fluírem constantemente acúmulos de lagrimas que lhe escorriam ao rosto… este fio de águas percorriam até o queixo e dali caíam ao solo e se misturavam ao duro.

Em particular, a mãe e seu filho estavam entre uma multidão indiferente que sorriam alegremente a uma vitória aparente, pois saciavam seus caprichos na dor de um somente Homem. O povo abrigava no coração ardente uma falsa paz passageira, um efêmero êxtase anestesiante que os impediam de ter real consciência dos anseios de suas almas. A coerência fugia às mentes com apegos inseridos em corpos insaciados e compulsivamente agiam com alegria frente ao Corpo que chorava, se aliviavam frente ao Corpo martirizado, justificavam seus anseios nas decisões tomadas pelo Corpo corajoso, ficavam cada vez mais leves frente ao Corpo que gradualmente se entulhava, a paz os alcançavam enquanto acompanhavam o Corpo atormentado em constantes alucinações advindas das intrigas do corpo a Corpo onde a justiça se fazia imaginária e real, falsa e verdadeira, insana e sabedora, desumana e compassiva, escravizante e libertadora…

Santa História onde uma única Vida centraliza uma procissão de outras vidas que A acompanham com diferente ardores; um único Objetivo frente ás convergências existentes nos átrios dos corações humanos; um único Coração lancetado para jorrar pelos demais; um único Organismo a ser flagelado para desfazer o vício dos sacrifícios desonestos; um único Ser odiado para que os outros fossem amados em espírito e verdade; um único Ressuscitado para que todos sejam eternos… assim foi JESUS.

Maria, Mãe de Deus, é a tal Mulher que sempre soube olhar o Filho que teve e Nele compreender a Sua linda finalidade.

Hoje Ela também nos ensina a compreender como olhar este Homem e assumir uma vida de vitórias a partir de nossas escolhas, decisões, iniciativas, verdades. O nosso livre arbítrio é para devolver aos céus o direito concreto sobre nossa existência e assim respeitarmos a vida como ela realmente deve ser respeitada, sem invenções extrapoladas e anseios exagerados. O Humano de Cristo nos ensina a viver o humano do homo sapiens

14-09-08NiverVovoAndreMaria 047 (53)

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