O Brasil reúne em seu território 20% da água doce de todo o planeta, mas, aparentemente, esse número pode ser ainda maior. De acordo com a agência Estado, Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão, que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros.
Os dois cursos de água ainda têm o mesmo sentido de fluxo, ou seja, de oeste para leste, mas suas características são bem diferentes.
A descoberta foi possível graças a informações fornecidas pela Petrobrás, durante operação de busca de petróleo. Através dos dados, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
O caso foi aprofundado no doutorado da professora Elizabeth, sob orientação de Hamza. O trabalho foi apresentado na semana passada, no 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro.
Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
O fluxo subterrâneo tem apenas 2% do volume do Rio Amazonas, mas possui vazão maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas. A largura do rio Hamza varia de 200 a 400 quilômetros, mas suas águas correm muito letamente, porque não há um túnel por onde possan escoar livremente. Aos poucos, elas vencem a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.
Interessante recordar que, há dois anos, cientistas italianos descobriram um rio subterrâneo que corre embaixo de Roma, mais extenso que o Tibre – o terceiro maior da Itália, com 392 quilômetros. Assim como o brasileiro, o rio subterrâneo italiano foi encontrado graças a dados de perfuração de poços de petróleo.
No Brasil, outra reserva de água subterrânea é o Aquífero Guarani, com 45 milhões de litros. A maior parte fica no Brasil, mas ele também se estende no Paraguai, Uruguai e Argentina.
Fonte: Rádio Vaticano
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