Domingo é “Dia do Senhor”, e não só tempo livre, diz Papa Bento XVI.


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Em 2007, o Papa Bento XVI disse que o domingo é o “Dia do Senhor”, denunciou que este dia se transformou em “fim de semana” na sociedade ocidental, e afirmou que, embora o tempo livre seja necessário, “se não tiver um centro, que é o encontro com Deus, acaba sendo um tempo perdido”.
Bento XVI fez essa declaração na homilia da missa celebrada na Catedral de São Estevão, em Viena. Milhares de pessoas cerca de 15 mil,  a maioria na praça e nas ruas adjacentes, sob uma incessante chuva.
O sumo-pontífice começou a homilia lembrando a frase dos primeiros cristãos: “Sem o dia do Senhor, não podemos viver”. Bento XVI afirmou que as palavras continuam em vigor, já que o homem precisa de um “centro, uma ordem interna e uma relação com Aquele que sustenta nossa vida”.
Segundo o papa, sem isso a vida está vazia, pois o domingo não é só um dia de preceito para os cristãos, mas uma necessidade.
Bento XVI, que durante sua estada na Áustria falou dos problemas que afetam a sociedade ocidental, acrescentou hoje que a “vida desvairada” de hoje “não dá tranqüilidade às pessoas” e acaba “perdida”.
“Em nossa sociedade ocidental, o domingo se transformou em fim de semana, em tempo livre. O tempo livre, especialmente com a pressa com que se vive, é certamente uma coisa necessária”, disse.
No entanto, “se esse tempo não tem um centro interior, do qual saia uma orientação, acaba por ser um tempo perdido, que não nos reforça nem nos muda”, acrescentou.
O papa disse que o domingo tem que ser um dia de gratidão e de alegria pela criação e que, na época atual, “na qual as intervenções do homem colocam o mundo em perigo”, é necessário mais do que nunca dar dimensão a esse dia da semana.
O Dia de Domingo
O domingo, por fundamentação bíblica e etimológica, é considerado o primeiro dia da semana, seguindo o sábado e precedendo a segunda-feira, é um dia de oração e de descanso para a maioria dos cristãos e povos de todo o mundo.
A palavra é originária do latim dies Dominicus, que significa “dia do Senhor”. Existe, nessa mesma acepção, em castelhano (Domingo), italiano (Domenica), francês (Dimanche) e em todas as línguas de origem latina.
Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses dedicando este dia ao astro Sol o que originou outras denominações para este dia, em inglês diz-se Sunday, e no alemão Sonntag, com o significado de “Dia do Sol”.
Paganismo
Por ser Roma uma cidade cosmopolita(cidade onde reside pessoas de vários lugares) e
sede de um vasto império, afluíram a ela povos de diversas culturas, que incluíam na bagagem cultural inúmeras crenças, as quais eram recebidas e reconhecidas pelos romanos. Entre elas, teria-se associado às crenças dos latinos, sabinos e etruscos a reverência ao primeiro dia da semana.
Em outras línguas e países, ainda permanecem expressões oriundas de cultos pagãos e deuses mitológicos antigos, como aqueles oriundos dos babilônicos, com base no fato do domingo ser dedicado ao deus Shamash, o Sol (o senhor do culto solar) segundo as crenças daquele povo, bem como dos assírios e egípcios, que reverenciavam como deus maior o sol.
Cristianismo
Desde o cristianismo primitivo há divergências de opinião sobre a questão de o sábado ou o domingo deve ser observado como dia de descanso. A divergência não se aplica aos judeus, para quem o dia de descanso (Shabat) é incontestavelmente no sábado, nem para os muçulmanos cujo dia sagrado (jumu’ah) é em uma sexta-feira. A divergência entre a tradicional observância religiosa judaica do Shabat e ao respeito ao primeiro dia da semana aparece na Bíblia em Atos 20:7 onde os discípulos se reuniram no “primeiro dia da semana e partiram o pão” juntos. (Nos versículos anteriores, já haviam comemorado os dias de pão ázimo, incluindo a Páscoa, ou seja, estavam fazendo comunhão em memória a ressureição de Cristo no domingo).
A ressurreição de Cristo
Segundo os evangelhos, Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mateus 28:1, Marcos 16:2, Lucas 24:1, João 20:1). Oito dias mais tarde (isto é, o próximo domingo), Jesus apareceu-lhes uma segunda vez (João 20:26). No fim de quarenta dias, também no domingo, a Bíblia afirma que Jesus subiu ao céu, enquanto observava os discípulos (Atos 1:9) e dez dias depois, no início da festa de Pentecostes, a Bíblia diz que o Espírito Santo impregnou os discípulos de Cristo, que instituiram a Igreja Cristã (Atos 2:1), conseqüentemente no primeiro dia da semana.
Em Colossenses 2,16 está escrito “Ninguém vos critique por causa de comida e bebida, ou espécie de luas novas ou de sábados” afirmando que os primeiros cristãos já não observavam o sábado e nem certas restrições alimentares judaicas, e que por isso, tinham sido julgados por outros, que continuavam observando estas tradições. O próprio Jesus foi criticado por ter deixado de observar tradições alimentares (Mateus 9, 14) e sabáticas (Mateus 12: 1-8, Lucas 6: 1-8, Marcos 2:23-28).
A questão só seria encerrada em 325 d.C., com as orientações decididas no Primeiro Concílio de Nicéia, que estabelece universalmente o domingo como dia sagrado, o nome do primeiro dia da semana foi modificado de Prima Feria para Dies Domenica. Decisão mantida pela maioria das denominações cristãs até a atualidade.

O DOMINGO – PLENITUDE DO SÁBADO

O domingo se distingue expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, a cada semana, e cuja prescrição espiritual substitui, para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judeu e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Pois o culto da lei preparava o mistério de Cristo e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo:  Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas volta ram-se para a nova esperança não mais observando o sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida é abençoada por Ele e por sua morte. A celebração do domingo observa a prescrição moral naturalmente inscrita no coração do homem de “prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular sob o signo de seu beneficio universal para com os homens”. O culto dominical cumpre o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito retoma ao celebrar cada semana o Criador e o Redentor de seu povo.

A EUCARISTIA DOMINICAL

A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência.”" Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada Conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os Santos.”

Esta prática da assembléia cristã data dos inícios da era apostólica. A Epístola aos Hebreus lembra: “Não deixemos as nossas assembléias, como alguns costumam fazer. Procuremos animar-nos sempre mais” (Hb 10,25).

A Tradição guarda a lembrança de uma exortação sempre atual: “Vir cedo à Igreja, aproximar-se do Senhor e confessar seus pecados, arrepender-se na oração…Participar da santa e divina liturgia terminar a oração e não sair antes da despedida… Dissemos muitas vezes: este dia vos é dado para a oração e o repouso. E o dia que o Senhor fez. Exultemos e alegremo-nos nele”

A OBRIGAÇÃO DO DOMINGO

O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: “Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa”. “Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior.

A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exem plo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, Wikipedia

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