EDUCAÇÃO DE SANTA MÔNICA
Foi criada por uma velha escrava de costumes exemplares, muito respeitada por seus patrões cristãos e, por isso, era responsável pela educação de suas filhas, entre elas Mônica. A escrava repreendia quando necessário, com santa e energética severidade, instruindo com discreta prudência.
Fora do horário das refeições, que tomavam muito sobriamente à mesa dos pais, ela não permitia que bebessem nem mesmo água, ainda que tivessem muita sede, para evitar que adquirissem maus hábitos. E acrescentava estas palavras sensatas : “Agora bebeis água, porque não tendes vinho em vosso poder, mas quando casardes e fordes senhoras da despensa e da adega, não mais gostareis da água, mas prevalecerá o vício da bebida”. Com esse método de instrução, dado com autoridade, refreava-lhe a gula desde tenra idade e submetia a própria sede delas às normas da temperança, de modo que não as atraía o que não era conveniente. No entanto, insinuou-se em Mônica, o gosto pelo vinho. Quando os pais, julgando-a sóbria, a mandavam, segundo o costume, apanha o vinho no tonel, ela mergulhava a caneca pela abertura superior e, antes de derramá-lo na garrafa, sorvia um pouquinho com a ponta dos lábios; não tomava mais, porque a isso se recusava suas inclinações. Não fazia isso por tendência à embriaguez, mas pela exuberância da juventude, que se manifestava através de atos impensados sobre as crianças. Acrescentado, porém, dia a dia, goles sobre goles, escravizou-se a um costume, de modo a esvaziar avidamente copos quase cheios de vinho, pois quem descuida as coisas pequenas insensivelmente cai nas maiores (Eclo 19,1).
Ausentes o pai, a mãe e as amas, Deus inspirou a outra pessoa uma expressão injuriosa, dura e pungente como ferro em brasa surgido das misteriosas reservas, que de um só golpe extirpou toda essa podridão. A empregada que tinha o costume de acompanhá-la à adega, discutindo um dia com sua jovem patroa, censurou esse vício, chamando insultuosamente de beberrona. Sentindo-se como que esbofeteada, Mônica reconheceu claramente a indignidade de seu comportamento, reprovou esse vício e livrou-se imediatamente dele. Assim como as adulações dos amigos nos pervertem, as censuras dos inimigos muitas vezes nos corrigem. A empregadinha, no momento da ria, queria irritar a patroa ao invés de curá-la, e o fez em segredo, ou porque simplesmente se encontravam sozinhas no lugar e momento da briga, ou talvez porque ela mesma se expunha a um perigo, se revelasse o fato tão tarde. Mas tu, Senhor, que tudo diriges no céu e na terra, fazendo a água das torrentes servir fins que queres, e regulando o curso turbulento dos séculos, curaste uma pessoa através da insensatez de outra.















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