EM DEFESA DE D. ALDO CARTA ABERTA AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DA PARAÍBA


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EM DEFESA DE D. ALDO

CARTA ABERTA AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DA PARAÍBA

Prezados senhores dirigentes dos movimentos sociais da Paraíba

Saudações

Li o manifesto dos senhores de repúdio a D. Aldo Pagotto. Apesar de conhecer a ousadia de alguns movimentos sociais não imaginei que chegassem ao extremo de pedir a repreensão de um arcebispo da Igreja Católica por discordar dos senhores em pontos específicos de política e economia. Vejamos algumas acusações:

1. D. Aldo é acusado de agir “em desacordo com as orientações pastorais da própria CNBB – desacata inclusive orientações de dioceses da Paraíba”

Resposta

1. Como ensina o cardeal Ratzinger a CNBB – por mais méritos que possa ter em sua atuação, é um organismo burocrático, não faz parte da estrutura docente da Igreja. O bispo, senhor de sua diocese, responsável por seus fiéis diante de Deus, não tem nenhuma obrigação jurídica ou moral de seguir um posicionamento da CNBB que ele, em sua consciência, julga não estar correto, quer técnica, quer doutrinariamente.

2. Conforme a doutrina católica o princípio da colegialidade não impõe a nenhum bispo a obrigação de seguir a orientação de prelados de outras dioceses. “Os bispos são, cada um por si mesmo, princípio e fundamento da unidade nas suas igrejas particulares” (LG 23). O poder que possuem “é um poder próprio, ordinário e imediato”. (LG 27). (1).Ele deve estar em união com o Papa e em conformidade com o magistério da Igreja.

O conceito de colegialidade defendido pelos senhores nada tem a ver com o que é ensinado pela Igreja. Basta olhar o Catecismo de João Paulo II.

O pretenso espírito democrático expresso pelos senhores reflete outra coisa, aliás, errônea e perigosa: reflete o chamado centralismo democrático segundo o qual, quando uma assembléia decide um tema, não se pode mais divergir do que foi decidido. É o que vimos no episódio pelo qual o PT suspendeu os deputados Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) que continuaram criticando a descriminação do aborto mesmo após o partido ter fechado questão sobre este ponto. Para manter seus cargos tiveram que se desfiliar e procurar outros partidos.

É bom lembrar que o chamado centralismo democrático é o conceito marxista leninista de democracia. Nele não pode haver objeção de consciência. Obedece-se e pronto. É tirânico. Não tem nada de verdadeiramente democrático e menos ainda de católico.

2. Os senhores dizem que D. Aldo desrespeita a pedagogia de Jesus em favor dos mais necessitados

Resposta

Seria preciso provar que a posição do bispo em matéria da questão da propriedade está em desacordo com a doutrina social da Igreja. Não li nenhum argumento dos senhores neste sentido. Só há invectivas. Lembrem-se: ao acusador cabe o ônus da prova.

Sabemos que movimentos sociais como o MST defendem claramente o socialismo e pregam a abolição da propriedade privada dos meios de produção. O Sr. Stédile, que representa uma facção do movimento, defende inclusive, como ele declarou na TV e por escrito, que é necessária a reforma agrária em propriedades grandes, ainda que produtivas. Dá para entender, a partir disso, a manchete do artigo de D. Aldo.

É uma mentira que a aplicação do socialismo é mais favorável aos mais necessitados da sociedade. Isso só é “verdade” no mundo da propaganda manipuladora. O socialismo de Stalin levou à morte mais de 25 milhões de camponeses – os antigos kulaks – deportados para lugares terríveis na URSS. Qual o crime deles? Ter produzido muito!… Este foi o socialismo real. No que o socialismo do sr. Stedile difere do que concretamente existiu?

3. Conforme os senhores D. Aldo critica e desestimula as iniciativas que visem promover a justiça social, a dignidade e organização do Povo dos Pobres… as CEBs, a grande maioria das Pastorais Sociais e até padres comprometidos com a causa dos pobres.

Resposta

A Igreja sempre defendeu – e defende – toda atividade realmente a favor da justiça e da dignidade humana. Toda iniciativa que tenha esses objetivos – e que, portanto, devem estar conforme o direito natural e a doutrina social da Igreja devem ser apoiados e estimulados.

Ora, o que a assessoria de D. Aldo afirma – e tem razão – é que em nosso país muitos movimentos sociais afastaram-se da verdade para seguir ideologias relativistas e socialistas. Prova disso? Muito simples: o apoio dado por muitos movimentos sociais ao PNDH 3 proposto pelo PT; plano que defende a descriminação do aborto, aprovação da lei da homofobia, legalização da prostituição, união civil de homossexuais e muitos outros pontos que se chocam com a doutrina católica e o direito natural. É o que a CUT e o MST, que assinam o documento dos senhores contra D. Aldo, afirmam claramente no documento que citamos em nota. (2) O que há de católico nele? Nada. Muito pelo contrário.

Uma questão para os senhores, o que é mais: A vida ou a propriedade?

As encíclicas papais sempre criticaram violentamente os abusos do capitalismo. Sempre ensinaram que trabalho não é mercadoria. Sempre exigiram que o trabalhador fosse tratado com dignidade.

Todos sabem que os movimentos sociais criticam severamente o sistema econômico liberal. Certas críticas são verdadeiras; outras, absolutamente falsas.

A Igreja nos ensina que a propriedade é um direito natural secundário e a vida um direito natural primário. Este é superior àquele.

O homem comum sabe disso. Todo homem sensato, diante de um ladrão que o assalta, prefere entregar a carteira ou o carro do que correr o risco de perder a vida.

Ilógicos são aqueles que dizem defender a justiça ao promover a partilha (ou eliminação?) da propriedade e apóiam governos e outros movimentos que afirmam que a vida não é um direito natural inalienável. Pior: não só não se incomodam que se proponha a descriminação do aborto, mas ainda assinam declarações de apoio ao aborto.

Os movimentos sociais e pastorais da Paraíba podem mostrar a D. Aldo que o receio quanto à ortodoxia católica dos senhores é infundada. Basta promoverem grandes passeatas em favor da vida. Aliás, deveriam ter feito isso em Aparecida, no último dia 12 de outubro. Deveriam ter bradado contra todos os que defendem ou pregam a cultura da morte: PT, PSOL, PCdo B, e, porque não dizer, setores do PSDB e de partidos ditos liberais que rejeitam obstinadamente o direito natural.

Os senhores estão dispostos a fazer isso? Estão dispostos a lutar pelo principal direito humano? Se não lutarem pelo bem maior é porque o menor é falso. É só pretexto para afundar o Brasil num laicismo socializante fadado a aprofundar nossos males sociais e nos deixar ainda mais afastados de Deus.

Fonte:

OLIVEREDUC – Blog do Prof. Valter de Oliveira

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1 Comentário

  1. Tetê disse:

    D. Aldo Pagotto vê muito a frente, Ele teme que a República Federativa Brasileira, torne-se República Socialista Brasileira. E o direito líquido certo do cidadão pra onde irá?

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