Encontrada Bíblia na ´língua de Jesus´


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Polícia do Chipre encontra Bíblia na língua de Jesus

6 de fevereiro de 2009

Reuters

Com agência Reuters

Autoridades do norte do Chipre acreditam ter encontrado uma antiga versão da Bíblia escrita em cirílico, um dialeto da língua nativa de Jesus. O manuscrito foi achado com supostos contrabandistas de antiguidades em uma batida policial na semana passada.

O objeto contém trechos da Bíblia escritos em letras douradas sobre velinos, papéis semelhantes a pergaminhos finos, que foram atados precariamente. Uma página traz o desenho de uma árvore e outra, oito linhas de escrita cirílica. A polícia turcocipriota acredita que o manuscrito possa ter 2.000 anos de idade.

Entretanto, especialistas estão divididos quanto à proveniência e autenticidade do  texto. “Creio ser mais provável que tenha menos de 1.000 anos”, disse Peter Williams, da Universidade de Cambridge e grande perito no assunto. O argumento é que o uso de letras douradas não é tão antigo.

Além disso, JF Coakley, especialista em manuscritos da Universidade de Cambridge e membro do Wolfson College, alegou, com base na análise das fotos da Bíblia, que o texto parece estar em linguagem cirílica oriental, com pontos nas vogais. Segundo ele, manuscritos assim não são encontrados antes do século XV.

O cirílico é um dialeto do aramaico, a língua nativa de Jesus, que foi utilizado em boa parte do Oriente Médio e da Ásia Central. Ele ainda é falado por cristãos sírios e continua em uso na Igreja Ortodoxa Síria do Chipre, enquanto o aramaico ainda é utilizado em rituais de cristãos maronitas no Chipre.

Os supostos contrabandistas, nove no total, estão sob custódia aguardando as investigações. Eles são acusados de contrabando de antiguidades, escavação ilegal e posse de explosivos. Com o grupo também foi encontrada uma estátua de orações e um entalhe em madeira de Jesus que, acredita-se, pertence a uma igreja no norte do Chipre, de domínio turco.

Fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/policia-chipre-encontra-biblia-lingua-jesus-420117.shtml

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Análise
A persistência do cristianismo

A importância, para o mundo ocidental, das mensagens de Jesus

As recentes pesquisas e descobertas arqueológicas sobre a época e o local em que Jesus Cristo – antes conhecido por Jesus de Nazaré – viveu têm revelado, ao longo das duas últimas décadas, que de um ponto de vista estritamente histórico o Nazareno foi mais um entre muitos profetas que pregaram pela região da Palestina durante o Império Romano. Para cientistas e estudiosos, não há relatos nem evidências físicas suficientes para comprovar de fato as grandes façanhas descritas nos quatro evangelhos do Novo Testamento. Os feitos de Jesus considerados milagres, os exorcismos, profecias e ensinamentos atraíam sim muita gente, mas é provável que não se tratasse de multidões. E todo o episódio da crucificação, sob uma ótica cética, não passou de um rotineiro ritual de sacrifício que os romanos reservavam não para inimigos especiais, mas para contraventores da lei originários de classes baixas, escravos ou estrangeiros.

Como explicar então a transformação de um humilde e obscuro profeta na peça central da fé que tem mais adeptos em todo o planeta – cerca de 2 bilhões de cristãos, ou um terço da humanidade? E por que o cristianismo vem resistindo com surpreendente vitalidade às mudanças dramáticas por que o mundo passou nesses dois milênios, tendo na verdade o papel de grande força escultora da civilização ocidental?

As muitas respostas possíveis para as duas perguntas devem, invariavelmente, considerar a originalidade absoluta da proposição básica de Jesus: a paz e o amor ao próximo. Trata-se de uma mensagem muito forte para o tempo em que o profeta caminhou pela Terra – tempo de divindades pagãs de moral duvidosa, em que se festejava o aniversário do filho do imperador lançando homens e mulheres às feras, por exemplo. No entanto, a mensagem não pode ser encerrada somente àquela época. Não há supostamente nenhum problema social no mundo individualista e esquizofrênico de hoje – dos conflitos no Oriente Médio à exploração do trabalho infantil em países pobres de Ásia e América Latina – que não poderia ser revisto – e até resolvido – se encarado sob a ótica da misericórdia e da caridade cristãs.

Jesus trouxe o ensinamento de que a misericórdia e a caridade são virtudes cardeais, e que não é possível agradar a Deus a não ser que nos amemos uns aos outros – não só à família, à tribo ou aos cristãos, mas também aos que estão fora desse círculo e porventura sejam nossos inimigos. A popular máxima que diz “se alguém lhe dá um tapa numa face, ofereça também a outra” (Marcos 6:29) é uma das normas revolucionárias propostas pelo Cristo. Não importa que a adoção da corajosa postura possa levar um seguidor do profeta a doses de sofrimento que beiram o insuportável – como muitas vezes os levaram, entre grandes personagens bíblicos e católicos fervorosos. No momento em que Jesus estabelece que todo o sofrimento será compensado em um mundo superior, junto a Deus, quem poderá atingir o fiel do lado de lá? Que força poderá derrotar um cristão se a luta com ele não se trava neste mundo, como se travava para os romanos? Eis aí uma idéia que, quando fielmente seguida, não permite que nenhum argumento ou violência demova alguém de sua fé. Não contente, o cristianismo ainda estabelece que a salvação está a um arrependimento de distância. Tudo e todos podem ser perdoados se arrependidos de seus pecados. A mensagem é universal, e os seguidores da crença aceitarão entre eles toda e qualquer pessoa que estiver disposta a seguir a palavra de Cristo, sem discriminação.

Ao contrário da auto-suficiência pretendida pelos romanos – e, por que não, pela civilização ocidental de hoje em dia com um todo -, Jesus pregava a mais absoluta comensalidade, sem distinções entre homens e mulheres, pobres e ricos, gentios ou judeus, poderosos ou párias. Foi em cima deste princípio que o cristianismo foi fundado – e somente por ele é que prevalece até hoje, mesmo que dividido entre incontáveis seitas, das quais o catolicismo é ainda o ramo mais forte. Os ensinamentos de Cristo talvez não tenham levado à fundação da primeira religião que era, acima de tudo, um instrumento de fraternidade. Mas foi a primeira a colocar como virtudes supremas a compaixão e a caridade que tantos cristãos praticam e praticaram.

A Paixão e a Ressurreição de Cristo, tão adoradas pelos cristãos quanto desacreditadas por seus detratores, devem ser vistas apenas como a confirmação da divindade de Cristo, para aqueles que nela decidirem acreditar. Contudo, sua pregação e a revolução ética que ela instaurou é que são os verdadeiros pontos de união entre os cristãos e, possivelmente, entre cristãos, membros de outras religiões e mesmo ateus.

Fonte: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/catolicismo/contexto_analise.html

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Antecedentes
O Cristo humano

Quem foi o profeta máximo da religião – de acordo com a história

Se existe algum motivo que justifica a longevidade e a predominância da fé dos dois bilhões de homens e mulheres que acreditam que o filho de Deus passou pelo planeta dois mil anos atrás, este motivo certamente não é a coerência e a veracidade da história de Jesus Cristo, que de uma forma ou de outra chegou a todos os cristãos que vivem no mundo hoje. As falhas nos registros são gritantes, e não há relíquias suficientes nem evidências incontestáveis que comprovem quem foi e o que realmente fez o profeta de Nazaré.

No entanto, a tenuidade das marcas que Jesus Cristo legou ao caminhar pela Terra nunca foi suficiente para demover os cristãos de sua fé – pelo contrário, ela se alimenta justamente dos grandes mistérios, entre eles a própria Paixão de Cristo, evocada diariamente nas milhões de missas celebradas ao redor do mundo. O que as lacunas na história do messias alimentam, muito mais do que qualquer descrédito entre os cristãos, é uma enxurrada de pesquisas sobre o assunto – desde os anos de 1980, quando tecnologias mais elaboradas passaram a ser empregadas nos estudos, houve um número considerável de manuscritos e sítios arqueológicos descobertos. Uma nova mentalidade na abordagem do assunto e um rigor crescente, além de certo otimismo que passou a contagiar os especialistas no setor, levaram a um crescimento de sua produção intelectual, com farta e renovada bibliografia.

Para estes pesquisadores, antes do Jesus teológico, do Cristo dos altares ou do salvador de cada um – nascido no recanto da intimidade onde brota, ou não brota, a fé – há o Jesus concreto, que viveu na Palestina num determinado período histórico. Sobre este Jesus, é possível afirmar com certeza quase absoluta que foi batizado por João Baptista no Rio Jordão, escolheu doze discípulos, pregou pela Galiléia durante menos de um ano e morreu crucificado. E só. O restante dos dados bibliográficos do mais importante personagem da história para um terço da humanidade é fruto de palpites e especulações que jamais revelaram – e talvez nunca revelem – a verdade dos fatos por completo.

A procura por traços concretos da existência de Jesus começou com os movimentos racionalistas da virada do século XVII para o XVIII, quando ganhou força a idéia de que qualquer dúvida ou mistério poderiam ser desfeitos pela ciência. Fora os Evangelhos, textos sagrados do cristianismo, a figura do profeta aparece citada apenas de forma cifrada ou pouco clara em obras escritas dezenas de anos depois de sua morte. E dentro deles, há um inegável caráter proselitista – seu objetivo não era exatamente o da reconstituição histórica. Antes, há a manifesta preocupação dos quatro evangelistas em convencer e converter aqueles que os lêem. Por essa razão, as raras descobertas arqueológicas que iluminam o período histórico de Jesus na Palestina são recebidas com grande curiosidade pelos estudiosos.

Em 2002, foi encontrada uma urna funerária de pedra gravada com a inscrição em aramaico “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Passada a excitação inicial com o que parecia ser a primeira prova não textual da existência física de Jesus, as dúvidas prevaleceram. O fato de a relíquia ter sido encontrada somente muito tempo depois de sua origem não permitiu que se obtivessem informações precisas sobre sua veracidade, e contribuiu para que a descoberta não fosse considerada definitiva.

Outro achado, desta vez um esqueleto de um jovem judeu crucificado, chamado Yehohanan, desenterrado nos arredores de Jerusalém em 1968, corrobora a tese da crucificação de Cristo, mas confunde sobre qual teria sido o real procedimento de sua execução. A análise da ossada de Yehohanan mostrou que suas mãos não foram pregadas à cruz: provavelmente, seus braços foram amarrados à barra horizontal, enquanto seus pés foram dispostos lateralmente à viga e atravessados por trás, na altura do calcanhar, por um pino de ferro. Supor que a morte de Jesus tenha sido semelhante significaria dizer que suas mão e pés não foram perfurados por cravos. Pior, as chagas com que é descrito nos Evangelhos e habitualmente representado não corresponderiam aos seus ferimentos reais.

Atribui-se, ainda, à imaginação dos artistas, e ao fato de o cristianismo ter se desenvolvido de forma mais pujante na Europa, o aspecto físico com que Jesus passou à história. Os longos cabelos castanho-aloirados, os traços esculpidos e os olhos claros não correspondem com o biótipo de um palestino do século I. O mais provável é que ele fosse moreno, de olhos escuros e cabelos crespos – bem diferente, portanto, não só do Jesus da iconografia, como da imagem impressa no Santo Sudário, relíquia máxima do cristianismo até hoje, exposta em Turim, na Itália.

Chega-se à conclusão que estas e outras questões são apenas algumas das centenas que movimentam os estudos históricos sobre Jesus nos dias de hoje. Embora conservem, em maior ou menor grau, boa dose de valor científico, elas não têm o poder de demolir a vigorosa verdade teológica construída pelo homem que mandou o apóstolo Pedro construir a sua Igreja. Por mais valioso que seja conhecê-la, a dimensão política de Jesus, entretanto, em nada ajuda a compreender a sua natureza essencial – a divina. Qualquer tentativa de contar a história de Jesus pondo de lado a confissão de que ele é o filho de Deus – e o próprio Deus também – seria equivocada. Significaria desprezar exatamente o fator que confere a ele sua importância absoluta e insuperável.

Fonte: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/catolicismo/contexto_antecedentes.html

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Perspectivas
Os desafios da Igreja Católica no século XXI

Como manter princípios e fiéis no mundo moderno individualista?

A moral e os costumes, a arte e a ciência, a política e até a economia, toda a bagagem cultural que a humanidade carrega hoje foi tocada e, freqüentemente, moldada pelo cristianismo. Não houve na história personagem mais influente do que o pregador que se dizia filho de Deus. Seus ensinamentos e a religião fundada em seu nome triunfaram por vinte séculos, enfrentando e vencendo crises com uma força que para os fiéis só pode ter inspiração divina. É uma história respeitável, para dizer o mínimo.

No entanto, o novo milênio iniciado há pouco traz desafios talvez ainda maiores para a sobrevivência e a predominância do cristianismo. Especificamente, apresenta grandiosos obstáculos ao seu braço mais vigoroso – e rigoroso -, a Igreja Católica. Como será daqui para a frente? Como serão a face e a voz de Jesus Cristo – e de sua Igreja mais antiga – num mundo em furiosa transformação tecnológica e de costumes?

O primeiro obstáculo apontado por especialistas não é novo, e nunca deixará de espreitar a cristandade em qualquer época e local: a chamada secularização, fenômeno pelo qual as crenças e instituições católicas deixam de pertencer a uma esfera puramente religiosa – ou mística – para ganhar contornos leigos, e, muitas vezes, filosóficos. A história cristã apresenta diversos exemplos concretos de secularização, da tomada dos bens da Igreja pela nobreza alemã protestante no século XVI até a pregação dos líderes da Teologia da Libertação no Brasil dos anos de 1960, quando a religião foi usada na formulação de teorias sociopolíticas.

Num sentido mais genérico, a secularização que preocupa o Vaticano é a tendência que as pessoas têm – hoje em dia mais do que nunca, talvez – de ignorar os ensinamentos da Igreja. A indiferença de quem ouve é o pavor de todos os doutrinadores. É muito comum encontrar fiéis que querem ser bons católicos sem ter de seguir à risca cada um dos ditames dos padres e sacerdotes. Eles se afirmam cristãos convictos ao mesmo tempo em que usam métodos anticoncepcionais, fazem aborto ou casam-se e divorciam-se ininterruptamente, por exemplo.

Soma-se a este problema interno as pressões exercidas por boa parte da sociedade ocidental – católicos e não católicos – para que a Igreja “se modernize”, seja mais coerente com situações corriqueiras nos dias de hoje. No passado, o Vaticano afastou as mulheres do sacerdócio e proibiu os padres de se casarem. Atualmente, isso começa a parecer para muitos devotos um dogma que engessa a fé em regulamentos ultrapassados. O fim do celibato clerical já chegou a ser apontado com uma saída para evitar escândalos como o dos padres pedófilos, que infestaram a igreja dos Estados Unidos e sabe-se lá mais de onde.

Num horizonte mais distante, há ainda os pedidos de aceitação do casamento gay – já legalmente realizado em alguns países. Dentro do catolicismo, a questão que não tem, ao menos hoje, muitas perspectivas de ser resolvida em breve. Certa vez, ao encontrar a diretora executiva da ONU, o papa João Paulo II afirmou a ela, com o dedo em riste: “Uma família é um marido, uma mulher e suas crianças. E o casamento é a única base de uma família. Os homossexuais e as lésbicas não são famílias”.

Como se não bastasse o efeito provocado no catolicismo por estas questões contemporâneas, a Igreja ainda se vê às voltas com o complexo desafio de manter a unidade da doutrina cristã ao mesmo tempo que faz aberturas na direção de outras crenças. Como admitir a existência de outros credos sem perder a fé na hegemonia de seus princípios? A bandeira do ecumenismo nunca foi tão levantada dentro e fora do Vaticano, o que levou o clero romano a repensar sua postura sobre o tema durante o século XX. Houve até acenos de conversas com os protestantes, numa suposta tentativa de restabelecer a unidade que uma vez existiu entre as duas correntes. No entanto, estes fracos sinais não escondem os problemas de convivência que existem – mais em alguns pontos do planeta do que em outros – entre católicos e judeus, ou entre católicos e muçulmanos, por exemplo.

O ambiente de ampla liberdade religiosa que predomina na maioria dos países cristãos – mais nos protestantes do que nos católicos – permitiu, por exemplo, que o islã construísse uma de suas maiores mesquitas em plena Roma dos santos e dos papas. Mas os cristãos têm de disputar espaço com o islamismo nos países onde ele predomina. A construção de qualquer templo que não seja uma mesquita é rigorosamente proibida nos países islâmicos. O islamismo não se contrapõe apenas ao cristianismo, mas ao pensamento ocidental como um todo. Tendo a Igreja Católica a importância que tem no mundo ocidental, ela será sempre uma das primeira instituições convocadas a discutir as querelas com os muçulmanos.

Todos os desafios atuais enfrentados pelo Vaticano foram mais do que prenunciados desde o fim do século XIX. A maior tentativa de reação aos “tempos modernos” do catolicismo foi a organização do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. O objetivo dessa grande assembléia religiosa proposta pelo papa João XXIII era dar impulso à dimensão pastoral da instituição, atenuando o papel inquisitório por ela desempenhado nos séculos precedentes. O norte dos debates foi o diálogo com o homem moderno e com as outras religiões, e suas resoluções foram a principal fonte de inspiração para todos os papas que o seguiram – o mais notável foi João Paulo II, que nunca se cansou de evocar o Concílio para justificar suas ações.

Diante de tantos obstáculos, a Igreja chega ao início do século XXI procurando afirmar-se como instituição capaz de dar conta de questões morais e políticas que extrapolam o plano da fé. Mas, principalmente, inicia o milênio pregando o apego à pureza doutrinária e à tradição, como estratégia para se impor a um mundo volátil e de frágeis valores morais. Foi o que fez João Paulo II, e ó que vem fazendo seu sucessor, Bento XVI. O tempo dirá se a decisão de seguir por este caminho é capaz de adaptar a religião à sua época ou se levará a Igreja a um indesejado isolamento.

Fonte: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/catolicismo/contexto_perspectivas.html

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Histórias da Bíblia serão contadas via celular nas Filipinas

Uma versão digitalizada do Novo Testamento em mangá, o estilo japonês de fazer histórias em quadrinhos, será transmitida via celular nas Filipinas.

A Conferência Episcopal das Filipinas vai divulgar a Bíblia através de celulares, usando frases e breves desenhos animados com histórias do Novo Testamento em forma de mangá, muito popular entre os jovens do país. O projeto foi realizado pela comissão episcopal para o apostolado bíblico, encarregada da divulgação do Livro Sagrado, visando uma difusão maior da mensagem cristã para o público mais jovem. “É um jeito de estar perto das novas gerações e do seu modo de comunicar, transmitindo a mensagem do evangelho, de uma maneira divertida, mesmo para quem não pode ir à igreja”, comentou o secretário da comissão, padre Oscar Alunday. Mensagem de textoO clero filipino decidiu usar novos métodos de evangelização ao examinar as estatísticas sobre o conhecimento da Bíblia no país. De acordo com uma pesquisa realizada em 2006 pela Sociedade Bíblica nacional, 60% da população filipina não lê a Bíblia, apesar do catolicismo ser a religião principal.

Dos 90 milhões de habitantes, 80% se dizem católicos. A ativação do serviço será feita por meio de uma mensagem de texto gratuita, O custo é de 8 centavos de euro e cada mensagem contém um texto, além de uma animação para os celulares que podem receber vídeos. Super-heróiNa Inglaterra, a história de Jesus Cristo apresentado como um super-herói em quadrinhos, está conquistando o público jovem.Manga Bible, lançado no ano passado, vendeu 30 mil cópias e foi definido como “brilhante e inteligente” pelo arcebispo de Canterbury, Rowan William. O autor dos quadrinhos é Ajinbayo Akinsiku, 42 anos, conhecido como Siku. Nos desenhos, Siku usa cores fortes e cenas de ação, em que Jesus Cristo aparece como um super-herói solitário e estrangeiro.

Tem cabelos compridos e veste uma túnica esvoaçante e às vezes aparece sombrio e até assustador. “Jesus não é bonzinho neste mangá. No deserto ele chega ser mais assustador que o diabo”, explica o cartunista.O Vaticano não se manifestou oficialmente sobre estas versões do Novo Testamento. O responsável pelo setor que se ocupa das comunicações sociais da Santa Sé, admitiu que não tem conhecimento destas duas iniciativas, mas considerou que elas podem ter um efeito positivo na divulgação da fé cristã. “Não vejo problemas em usar os meios de hoje para transmitir aos jovens conteúdos fundamentais, é positivo. Isso não quer dizer que tudo o que se faz seja ótimo porque há perigo de banalização da mensagem”, alertou o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Pontificio Conselho para as Comunicações Sociais.

Fonte: BBC Brasil

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