Está se cumprindo a profecia de Fátima “cardeal contra cardeal, bispo contra bispo, padre contra padre”?


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Rezemos pelo Papa.

Tu és Pedro.

“O Vigário de meu Filho terá muito que sofrer, porque durante algum tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições. Será o tempo das trevas; a Igreja terá uma crise medonha.” Nossa Senhora de La Salette

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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A Guerra Púrpura

Cardeais iniciaram uma Guerra Mundial na Igreja

Estamos atordoados com os conflitos iniciados na Cúria e que escaparam para todo o colégio dos cardeais após o levantamento das excomunhões.

O Cardeal Ré acusa o cardeal Hoyos, o cardeal Kasper faz a mesma coisa, o cardeal Lehmann ataca todo mundo, o cardeal Hoyos se defende, o cardeal Schoenborn ajuda a minar a autoridade do Papa, o cardeal Cormac critica o ato do Papa (de forma muito discreta, é claro) etc. É um pandemônio só!

Agora é o cardeal Miloslav Vlk, da República Checa, que ataca a figura do eminentíssimo cardeal Hoyos (ele é o Judas da festa!) afirmando que o mesmo não cumpriu muito bem sua missão de alertar o Papa Bento XVI sobre as declarações do Bispo Richard Williamson e por não ter trabalhado com os cardeais Kasper e Ré na preparação da retirada das excomunhões. A pergunta óbvia seria: Kasper e Ré estariam dispostos a colaborar com o cardeal Hoyos nesse assunto?

Também o cardeal Cordes se manifestou nessa semana, apoiando e defendendo o Papa, criticando o cardeal Lehmann por sua “moleza” em acalmar os ânimos dos alemães sobre o assunto das excomunhões. Cordes afirma que Lehamann falhou ao mobilizar a mídia para o real significado do gesto do Papa e o resultado é a exploração do caso pelos meios de comunicação e a fúria espumante de muitos bispos e padres contra o Papa.

O colégio se partiu ao meio – pelo menos a parte que tem alguma influência significativa no comando da Igreja. Os cardeais latinos e africanos não emitiram qualquer parecer sobre o assunto. Os americanos estão, em sua maioria, com coisas mais urgentes na agenda, afinal o presidente é Barack Aborto Obama!

Fonte: igrejauna.blogspot.com/2007_07_01_archive.html

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10 Preguntas Frequentes Sobre Fátima

1. QUAL É A MENSAGEM DE FÁTIMA?

A mensagem de Fátima consiste em umas determinadas predições, pedidos, avisos e promesas em relação à Fé e ao mundo que foram comunicadas pela Santa Virgem Maria a três pastorinhos–Lucia, Jacinta e Francisco–numa série de aparições em Fátima entre Maio e Outubro de 1917.

2. PORQUE É QUE EU DEVO ACREDITAR NA MENSAGEM DE FÁTIMA?

Deve acreditar na Mensagem de Fátima, porque:

(1) Foi confirmada por um milagre público sem precedência, o Milagre do Sol, que ocurreu precisamente no momento em que Lúcia disse que ocurreria. Mais de 70,000 pessoas, incluso maçons, comunistas e ateus viram o sol, contrário a todas as leis cósmicas, girar no céu, lançar cores e descer à terra. O acontecimento foi noticiado em jornais pelo mundo fora, incluso no New York Times.

(2) Todos os Papas desde o Milagre de Fátima têm reconhecido que a Mensagem de Fátima é autêntica. Vários Papas foram a Fátima pessoalmente, incluso Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II. João Paulo II disse em Fátima em 1982 que “a Mensagem de Fátima impõe uma obrigação sobre a Igreja”.

(3) Foram feitos por Deus outros milagres autenticando a Mensagem de Fátima como vinda de Ele, não só na altura do Milagre do Céu, a 13 de Outubro de 1917, mas através dos anos até ao dia de hoje, milagres de conversões e de curas que a ciência não pode explicar por meios naturais.

(4) A Mensagem de Fátima prognosticou acontecimentos mundiais, o que prova que é uma profecia verdadeira.

3. QUE PROGNOSTICOU A MENSAGEM DE FÁTIMA?

A Mensagem de Fátima prognosticou correctamente em 1917 todos os seguintes acontecimentos:

(1) O fim da Primeira Guerra Mundial;

(2) O emergir da Rússia como um poder mundial que “espalharia os seus erros (incluso o comunismo) pelo mundo fora …promovendo guerras e perseguições à Igreja;

(3) A eleição de um Papa que se chamaria Pío XI;

(4) A emergência de uma segunda Guerra Mundial que seguiria uma luz estranha no céu.

A Mensagem de Fátima prognosticou também que se os pedidos da Virgem Maria em Fátima não fôrem honrados, muitas almas serão perdidas, “o Padre Santo terá muito que sofrer,” haverá mais guerras e perseguições à Igreja e “várias nações serão aniquiladas. A aniquilação de nações prognosticada em Fátima ainda não ocurreu, mas muitos temem que em breve acontecerá, porque a imoralidade e a corrupção cresce por todo o mundo.

4. QUE PEDE A MENSAGEM DE FÁTIMA?

Nossa Senhora disse em Fátima que Deus desejava establecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Disse que muitas almas seriam salvas do Inferno e a aniquilação das nações seria evitada se, a tempo, fosse establecida a devoção ao Seu Coração Imaculado, principalmente por estes dois meios.

1) A consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria pelo Papa junto com os bispos do mundo em uma cerimônia solene, e

2) o costume de receber a Santa Comunhão (e outras devoções específicas de aproximadamente 1/2 hora de duraçã o) em reparação pelos pecados cometidos contra a Santa Virgem Maria, no primeiro sábado de cinco meses consecutivos–um costume conhecido pelos Católicos como devoção do “Primeiro Sábado do mes”.

5. FORAM HONRADOS ESTES PEDIDOS DE NOSSA SENHORA?

Não, não inteiramente. Um número de fieis pratica a devoção do “Primeiro Sábado,” mas falta consagrar a Rússia ao Coração Imaculado de Maria em uma cerimónia solene e pública conduzida pelo Papa junto com os bispos católicos do mundo.

Em 1982 preguntou-se à última vidente sobrevivente de Fátima, Lúcia, que é agora uma freira clausurada vivendo em Coimbra, Portugal, se a consagração tentada pelo Papa João Paulo II tinha sido o suficiente. Respondeu que não foi o suficiente porque a Rússia não foi mencionada e os bispos do mundo não participaram. Outra consagração, tentada em 1984, tão pouco mencionou a Rússia nem involveu a participação de muitos dos bispos do mundo, e a Irmã Lúcia declarou imediatamente que esta consagração também faltou às requisições de Nossa Senhora.

6. QUE AVISA A MENSAGEM DE FÁTIMA?

Avisa que se os pedidos de Nossa Senhora de Fátima pela consagração da Rússia e pela devoção do Primeiro Sábado não forem honrados, a Igreja será perseguida, haverá outras grandes guerras, o Santo Padre sofrerá muito, e serão aniquiladas várias nações. Muitos países serão tiranizados por a ateus militantes Russos. De maior importância, se perderão muitas almas.

7. QUE PROMETE A MENSAGEM DE FÁTIMA?

A Mensagem de Fátima promete que se os pedidos de Nossa Senhora de Fátima forem realizados, “O Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao Mundo algum tempo de paz.”

8. N�O É VERDADE QUE A CONSAGRA��O DA R�SSIA FOI FEITA EM 1984 E QUE A “QUEDA DO COMUNISMO” PROVA QUE A CONSAGRA��O FOI EFICAZ E QUE A R�SSIA AGORA SE ESTÁ CONVERTENDO?

Não, não é verdade. Sabemos que não porque:

(1) A 25 de Março de 1984, depois da consagração do mundo, o Papa João Paulo II disse duas vezes que o pedido de Nossa Senhora que a Rússia fosse consagrada não foi cumprido.

(2) Pouco depois da consagração tentada em 1984, que não mencionou a Rússia nem involveu a participação dos bispos do mundo, a Irmã Lucia declarou que foi insuficiente porque não satisfez os requerimentos especificados por Nossa Senhora.

(3) Desde 1984 o estado espiritual e moral do mundo tem evidentemente piorado: nos últimos 14 anos tem havido 600 milhões de abortos, e têm surgido guerras por todo o mundo. A eutanásia e os atos homosexuais têm sido “legalizados”. Na própia Rússia acaba de passar uma lei que discrimina contra a Igreja Católica e a favor do Islã , do Budismo, do Judaismo e das igrejas Ortodoxas que ocuparam forçosamente as paróquias debaixo dos comunistas. Portanto está claro que a Rússia não está convertida à Fé Católica, como prometeu Nossa Senhora que aconteceria se o seu pedido fosse cumprido.

(4) Têm havido muito poucas conversões ao Catolicismo na Rússia nos últimos catorze anos. Em toda a Rússia hoje há só 300.000 católicos–muito menos de um porcento da população Russa. Em contraste, depois de aparecer Nossa Senhora em Guadalupe, México, no Século XVI, mais de 7 milhões de mexicanos se converteram do paganismo à Fé Católica dentro de nove anos e o México veio a ser um país católico.

9. POR QUE A MENSAGEM DE FÁTIMA É IMPORTANTE PARA MIM E PARA A MINHA FAM�LIA?

A Mensagem de Fátima é importante para si e para a sua família porque envolve a salvação de almas, paz no mundo e, se os pedidos de Nossa Senhora de Fátima não forem realizados, as consequências são a aniquilação de nações e a escravização de toda a humanidade debaixo dos ateus militantes da Rússia.

10. MAS A MENSAGEM DE FÁTIMA N�O É APENAS UMA REVELA��O PRIVADA QUE NENHUM CAT�LICO TEM QUE ACREDITAR?

Não, não é apenas uma mensagem privada. É uma revelação pública e profética dada pela Virgem María, Mã e de Deus. Não se deve confundir com a “Revelação,” ou como também se chama, o Depósito da Fé que acabou com a morte do último apóstolo. Mas uma revelação pública e profética não deve ser desprezada. A profecia da Virgem Maria foi confirmada por um milagre público e autenticada por uma linha inteira de papas. Além disso, as suas predições têm sido realizadas.

Portanto, enquanto que a crença em Nossa Senhora de Fátima, como um artigo de fé, pode não ser um requerimento estrito para os católicos, sería néscio negligenciar uma mensagem do Céu tão obviamente autêntica. Como ensinou São Paulo: “Não desprezar as profecias, mas provar todas as coisas; defender o que é bom.” (1 Thess. 5:20-21) A profecia de Fátima tem provado que merece a crença. Não a devemos desprezar, mas antes defender o que nos disse Nossa Senhora em Fátima.

Fonte: http://www.fatima.org/port/apostolate/pfaq01.asp

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Uma cronologia


do encobrimento de Fátima

Padre Paul Kramer,
B.Ph., S.T.B., M. Div., S.T.L. (Cand.)

Breve história das intervenções de Nossa Senhora de Fátima para trazer a verdadeira Paz a toda a humanidade, e da campanha incessante para impedir, silenciar, falsificar e obstruir a Sua Mensagem de Paz, Esperança, Júbilo e Salvação.

O ataque terrorista sem precedentes ocorrido na América a 11 de Setembro de 2001 e os relatos, credíveis, de que os terroristas islâmicos possuem não só bombas nucleares como armas biológicas e químicas, trazem imediatamente ao espírito o aviso de Nossa Senhora (veja-se a inserção sobre Fátima nas páginas 278-279): se a Rússia não for consagrada ao Seu Coração Imaculado, “várias nações serão aniquiladas”, e só por meio da Consagração da Rússia o Mundo poderá alcançar a verdadeira Paz no nosso tempo.

Mais de oitenta e seis anos volvidos sobre a primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, o Seu pedido de Consagração da Rússia continua por cumprir, e a Sua mensagem continua a passar despercebida.

E para cúmulo, enquanto o Mundo se dirige, cada vez mais, para um acontecimento apocalíptico final, certos elementos no Vaticano parecem mais determinados do que nunca a ligar a Mensagem de Fátima ao passado, e a perseguir aqueles que a continuam a proclamar.

Repare-se: logo no dia a seguir ao ataque terrorista de 11 de Setembro, 2001 que roubou mais de 3.000 vidas e aturdiu o Mundo inteiro – passado só um dia sobre este facto! – o Gabinete de Imprensa do Vaticano tornava pública uma condenação do Padre Nicholas Gruner e do seu apostolado de Fátima, e declarava que ninguém deveria assistir à conferência do apostolado (calendarizada entre 7 e 13 de Outubro de 2001) sobre a Paz no Mundo através da Mensagem de Fátima!

Será que estes funcionários do Vaticano têm mais medo de Fátima que do terrorismo mundial? Estarão eles mais preocupados com uma conferência sobre Fátima, a realizar em Roma, do que com a heresia e o escândalo que estão a dilacerar a Igreja pelo Mundo inteiro – e sob os seus olhares? É evidente que estes funcionários do Vaticano perderam todo e qualquer sentido das proporções, quanto à situação em que se encontra o Mundo e a Igreja a que presidem.

Apresentamos aqui os acontecimentos-chave na longa história de um grande e terrível paradoxo: os esforços de alguns homens para, actuando no seio da própria Igreja Católica, suprimir, reinterpretar e impedir o cumprimento dos desejos do Céu para se alcançar a verdadeira Paz no nosso tempo.

1929 – 1964

13 de Junho, 1929 – Doze anos depois das Suas aparições originais em Fátima, e em cumprimento do que aí prometera a 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima aparece de novo à Irmã Lúcia em Tuy (Espanha). Nossa Senhora, de pé sobre uma nuvem, junto ao Seu Divino Filho, Jesus crucificado, disse:

«É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do Mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la, por este dia de oração e reparação mundial.»

Agosto, 1931- É Nosso Senhor que Se dirige pessoalmente à Irmã Lúcia, dizendo-lhe, a respeito da Consagração da Rússia:

«Participa aos Meus ministros que, dado seguirem o exemplo do rei de França na demora em executar o Meu mandato, tal como a ele aconteceu, assim o seguirão na aflição».

21 de Janeiro, 1935 – A Irmã Lúcia escreve ao seu confessor, o Padre Gonçalves, respondendo às perguntas que este lhe fez: «Quanto à Rússia, parece-me que dará muito gosto a Nosso Senhor, trabalhando para que o Santo Padre realize os Seus desejos (…) (O senhor Padre pergunta-me) se acho bem que insista com o Senhor Bispo? Acho bem, e parece-me que será muito agradável a Nosso Senhor (…) Se se deve modificar alguma coisa? Acho que deve ser tal qual Nosso Senhor a pediu…»

Maio, 1936 – Nosso Senhor fala de novo à Irmã Lúcia e diz-lhe que a Rússia só se converterá quando for solene e publicamente consagrada ao Coração Imaculado de Maria, pelo Papa em conjunto com todos os Bispos. Em outra ocasião, é Nossa Senhora que diz à Irmã Lúcia que a Rússia iria ser um instrumento de castigo para o Mundo, a menos que, previamente, a conversão «dessa pobre nação» fosse obtida por meio da Consagração.

31 de Outubro e 8 de Dezembro, 1942 – O Papa Pio XII, sozinho, consagra o Mundo (mas não a Rússia) ao Imaculado Coração de Maria. Algumas semanas depois, Winston Churchill observa que “a roda da fortuna” tinha virado a seu favor; e os aliados começaram a ganhar a maior parte das batalhas contra os exércitos de Hitler. Na primavera de 1943, Nosso Senhor diz à Irmã Lúcia que a Paz no Mundo não virá desta consagração (embora a guerra tivesse sido abreviada): a Segunda Guerra Mundial continuará ainda por mais dois anos.

Setembro, 1943 – A Irmã Lúcia está muito doente. O Bispo de Fátima receia que ela venha a morrer e leve consigo para o túmulo o Terceiro Segredo de Fátima. (Veja-se a inserção nas páginas 278-279) Então, sugere-lhe que o escreva num papel e o guarde num envelope lacrado. Ela responde que não se atreveria a tomar uma tal iniciativa — mas que, se o Senhor Bispo tomasse a responsabilidade dando-lhe formalmente essa ordem, nesse caso ela obedeceria de boa vontade.

Outubro, 1943 – Depois de um mês de oração e reflexão, o Bispo de Fátima, Dom José da Silva, dá à Irmã Lúcia uma ordem formal, por escrito, para escrever o Terceiro Segredo. A Irmã Lúcia tenta obedecer imediatamente, mas, durante mais de dois meses, foi misteriosamente incapaz de passar ao papel o texto do Terceiro Segredo.

2 de Janeiro, 1944 – Nossa Senhora aparece de novo à Irmã Lúcia, e pede-lhe que escreva a terceira parte do Segredo que Ela lhe confiara em Fátima, em Julho de 1917 – e que ficou a ser conhecida como o Terceiro Segredo de Fátima. A Virgem pede a Lúcia que o Terceiro Segredo seja revelado ao Mundo, o mais tardar em 1960. Quando, mais tarde, perguntaram à Irmã Lúcia por que razão deveria o Terceiro Segredo ser revelado em 1960, ela declara: «Porque a Santíssima Virgem assim o quer,» e «Ele (o Terceiro Segredo) será mais claro nessa altura».

9 de Janeiro, 1944 – A Irmã Lúcia escreve ao Bispo de Fátima e diz-lhe que, depois de meses de incapacidade para o fazer (o que causou ao Senhor Bispo uma tão longa espera), pôde finalmente obedecer à sua ordem de pôr por escrito o Terceiro Segredo.

17 de Junho, 1944 – Como a Irmã Lúcia não deixaria que qualquer pessoa (excepto um Bispo) levasse ao Bispo de Fátima essa carta – de uma só página, contendo as palavras de Nossa Senhora no Terceiro Segredo -, por esse motivo não a tinha ainda entregue até esta data. Mas, neste dia, andava um Bispo de visita próximo do Convento de Tuy, e a Irmã Lúcia confia-lhe o Segredo a ele. De regresso e nesse mesmo dia, ele próprio o entrega a Dom José da Silva, Bispo de Fátima – que, embora com autorização para ler o Segredo, prefere não o fazer.

15 de Julho, 1946 – Em resposta a uma pergunta do Professor William T. Walsh, a Irmã Lúcia salienta que Nossa Senhora não pediu a consagração do Mundo (como fez o Papa Pio XII, em 1942), mas só e especificamente da RÚSSIA. «Se isto se fizer», acrescenta a Irmã Lúcia, Nossa Senhora promete «converter a Rússia; e terão Paz.»

7 de Julho, 1952 – O Papa Pio XII consagra, especificamente, a Rússia, mas não o faz em conjunto com os Bispos Católicos de todo o Mundo – porque, não lhe tendo sido dito que tal era necessário, não lhes pediu que participassem. A guerra na Coreia continua, e outras guerras lhe seguem.

2 de Setembro, 1952 – O Padre Schweigl, que fora enviado pelo Papa Pio XII em missão especial, vem a Coimbra (Portugal) ao convento onde se encontra a Irmã Lúcia, interrogá-la sobre o Terceiro Segredo. De volta ao Russicum, em Roma, o Padre Schweigl confia a um dos seus colegas: «Não posso revelar nada do que ouvi sobre Fátima no que respeita ao Terceiro Segredo, mas posso dizer que tem duas partes: uma fala do Papa. A outra, logicamente – embora eu não deva dizer nada -, teria de ser a continuação das palavras: Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé».

17 de Maio, 1955 – O Cardeal Ottaviani, chefe do Santo Oficio do Vaticano, é enviado por Pio XII ao Convento das Carmelitas de Coimbra, para interrogar a Irmã Lúcia quanto ao conteúdo do Segredo. O interrogatório do Cardeal Ottaviani será seguido por uma ordem para o texto do Terceiro Segredo ser transferido para o Vaticano.

Março, 1957 – Pouco antes de se efectuar essa transferência para o Vaticano, o Bispo Dom João Venâncio observa cuidadosamente à transparência, contra uma forte luz eléctrica, o envelope que contém o Terceiro Segredo, e repara que o Segredo tem, mais ou menos, 25 linhas, e que está escrito numa só folha de papel, com margens de 7.5 milímetros de cada lado.

16 de Abril, 1957 – O texto do Terceiro Segredo, lacrado no envelope original e colocado noutro envelope exterior, é transferido para o Vaticano. O texto é colocado dentro de um cofre, nos aposentos do Papa, como mostrou uma foto da época na revista Paris-Match.


A Mensagem de Fátima

nossa única esperança contra o terrorismo e a guerra

As aparições e a mensagem de Nossa Senhora de Fátima são uma luz de Esperança, Júbilo e Paz para o nosso Mundo perturbado. A nossa obediência à mensagem é a nossa única esperança para a Paz no Mundo e para que ele se liberte do terrorismo.

Deus operou o grande Milagre do Sol no dia 13 de Outubro de 1917, para ser uma prova segura de que toda a mensagem tem, de facto, a garantia da autenticidade e vem de Deus.

Esta mensagem profética começou durante a Primeira Guerra Mundial, quando o Papa Bento XV – depois de três anos de terríveis padecimentos, na maior guerra que o Mundo conhecera até então – suplicou, em grande angústia, à Santíssima Virgem, em oração pública no dia 5 de Maio de 1917, que lhe mostrasse, a ele e a toda a humanidade, o caminho da Paz. Ele bem sabia que os esforços humanos, por si só, nunca são suficientes.

E a resposta veio oito dias depois: a Virgem cheia de Graça confiou, em Fátima, uma mensagem que é «dirigida a todos os homens» – como diz o Papa João Paulo II.

A Senhora confiou esta mensagem a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Nossa Senhora apareceu uma vez cada mês, entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917; mais tarde, voltou a aparecer à Irmã Lúcia (a única dos três pastorinhos que ainda é viva) a 10 de Dezembro de 1925 e a 13 de Junho de 1929, para explicar melhor e completar os Seus pedidos para a Paz no Mundo (veja-se acima, na cronologia, o que se passou em 1929).

Nesse dia 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora confiou também aos pastorinhos (e à Lúcia, que era quem dialogava com a Virgem Santíssima) um segredo que deveria ser revelado mais tarde ao Papa e a todos os fiéis. Ora é este Segredo que contém a chave para a Paz no Mundo. O segredo divide-se em três partes: as duas primeiras foram reveladas pela Irmã Lúcia em 1941; a terceira parte deveria ser tornada pública mais tarde, como vamos ver neste apêndice.

Nossa Senhora prometeu: «Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz». Mas também mostrou que loucura seria ignorar a Sua mensagem: «Se não atenderem aos Meus pedidos, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.»

Ora, porque Deus foi publicamente insultado pela revolução russa de 1917 – que excluiu Deus da Rússia, e armou uma conspiração para lutar contra Deus e contra os Seus fiéis em qualquer lugar da terra – é que Ele insistiu, na Mensagem de Fátima, num acto público de reparação por este crime contra a Sua Divindade. E a 13 de Junho de 1929 – em Tuy (Espanha), onde a Irmã Lúcia se encontrava – Nossa Senhora de Fátima, na presença da Santíssima Trindade, explicou-lhe que Deus pedia a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. (Veja-se 13 de Junho, 1929; e também os acontecimentos de 1931, 1935 e 1936, anotados acima, na cronologia.)

É neste acto que Deus insiste, como Acto de Reparação pelo crime do ateísmo imposto pelo estado; caso contrário, os nossos pecados atrairão sobre nós as consequências da terrível apostasia, das heresias, dos vícios e pecados terríveis que assolam o Mundo. Este acto de obediência é a nossa única esperança de nos vermos livres de guerras e terrorismos, tal como é a nossa única esperança para obter a Paz para o Mundo – não por ser algo difícil de realizar, mas, precisamente, por ser tão fácil de cumprir, é que todos hão-de ver que a Paz que daí resulta se deve, inteiramente, a Deus e à intercessão da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria.

Na Mensagem de Fátima, Deus insiste que só «por este meio» é que teremos Paz e nos libertaremos do terrorismo e da guerra: porque Deus quer estabelecer no Mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria, para salvar do Inferno muitos pecadores.


26 de Dezembro, 1957 – O Padre Fuentes entrevista a Irmã Lúcia, que lhe fala de muitas nações que desaparecerão da face da terra e de muitas almas que irão para o Inferno, como resultado de ser ignorada a Mensagem de Nossa Senhora de Fátima.

1958 – O Padre Fuentes publica a entrevista com a Irmã Lúcia, com o Imprimatur do Bispo de Fátima que é amplamente lida, e cuja autenticidade ninguém questiona.

9 de Outubro, 1958 – Faleceu o Papa Pio XII.

2 de Julho, 1959 – Subitamente, a entrevista do Padre Fuentes com a Irmã Lúcia é denunciada como fraudulenta, em notícia anónima dimanada do gabinete da cúria de Coimbra. Durante mais de 40 anos, e até hoje, ninguém assumirá oficialmente a responsabilidade desta notícia.

8 de Fevereiro, 1960 – Apesar do pedido de Nossa Senhora a Lúcia e, mais tarde, das repetidas promessas do Bispo de Fátima e do Cardeal Patriarca de Lisboa, alguém no Vaticano anuncia anonimamente que o Terceiro Segredo já não será revelado e que, provavelmente, «ficará para sempre sob absoluto sigilo.» A notícia (divulgada pela agência noticiosa A.N.I.) descreve o texto do Terceiro Segredo deste modo:

«Acaba de ser declarado em círculos altamente fidedignos do Vaticano que é muito possível que nunca venha a ser aberta a carta em que a Irmã Lúcia escreveu as palavras que Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos, como segredo, na Cova da Iria.»

1960 – A Irmã Lúcia é oficialmente proibida de falar acerca do Terceiro Segredo, e não pode receber visitas, a não ser pessoas de família ou que conheça de há muito tempo. O seu próprio confessor de muitos anos, o Padre Aparício, regressa do Brasil e não lhe é permitido vê-la.

1961 – Apesar de apoiado pelo Cardeal Primaz do México e por Dom Pio Lopez, o seu próprio Arcebispo, o Padre Fuentes é destituído de Postulador da Causa de Beatificação da Jacinta e do Francisco, com base na tal notícia anónima, proveniente da cúria de Coimbra e datada de 2 de Julho de 1959.

Outubro, 1962 – O Vaticano – precisamente antes da abertura do Concílio Vaticano II -, entra em acordo com Moscovo nos seguintes termos: o Concílio não condenará a Rússia soviética nem o comunismo em geral; em troca, dois membros da Igreja Ortodoxa Russa assistirão ao Concílio como observadores, segundo o desejo do Papa João XXIII. Este acordo lança a [política da] Ostpolitik, segundo a qual o Vaticano fica impedido de se opor abertamente ao Comunismo (designando-o pelo nome), tal como fica impedido de condenar os regimes comunistas que perseguem os Católicos. A nova política do Vaticano é a favor do “diálogo” e das negociações com os comunistas – afastando-se, portanto, do ensinamento dos Papas Pio XII, Pio XI, São Pio X, Leão XIII e do Beato Pio IX acerca do dever que a Igreja tem de condenar e de se opor abertamente ao comunismo, bem como de se abster de qualquer colaboração com os comunistas, que tiram sempre partido de tal colaboração para mais infiltrar a sua guerra contra Cristo e a Sua Igreja.

21 de Novembro, 1964 – O Papa Paulo VI, durante as cerimónias de encerramento da terceira sessão do Concílio Vaticano II, consagra de novo o Mundo. Em harmonia com a Ostpolitik, não há qualquer menção à Rússia, com receio de que os comunistas se ofendam. A Paz no Mundo continua adiada. A guerra do Vietname prolonga-se até aos anos 70.

1965-1983

8 de Dezembro, 1965 – Encerramento do Concílio Vaticano Segundo.

1966 – No rescaldo do Concílio, o Bispo de Fátima, Dom João Venâncio, compreende então a necessidade e a urgência de defender a autêntica mensagem de Nossa Senhora contra os pérfidos ataques dos progressistas – todos eles discípulos do Padre Édouard Dhanis, um Jesuíta modernista. Para defender a Mensagem de Fátima dos revisionistas, em 1966, o Bispo encarrega o Padre Joaquim Alonso, um erudito Sacerdote claretiano, de elaborar uma história crítica completa das revelações de Fátima. Dez anos depois, o Padre Alonso terminará a sua obra, intitulada Textos e estudos críticos sobre Fátima. O total da obra apresenta 5.396 documentos, ordenados cronologicamente desde o início das aparições de Fátima até 12 de Novembro de 1974. Segundo o Abade René Laurentin que pessoalmente os consulta, os manuscritos do Padre Alonso eram «muito bem preparados» (isto é, rigorosamente compostos ou transcritos).

15 de Novembro, 1966 – Novas revisões no Código do Direito Canónico permitem que qualquer pessoa que pertença à Igreja Católica publique obras sobre as aparições marianas, incluindo as de Fátima, e sem necessidade de haver um Imprimatur. Assim sendo, de todo um bilião de Católicos existentes no Mundo, só a Irmã Lúcia – a única pessoa que recebeu a Mensagem de Fátima – continua proibida de revelar o Segredo de Fátima, apesar de Nossa Senhora ter expressado a Sua vontade de que o Segredo fosse revelado, à Igreja e ao Mundo inteiro, o mais tardar em 1960. E até hoje a Irmã Lúcia continua submetida a um voto de silêncio, e proibida de falar abertamente sobre Fátima, sem uma autorização especial do Vaticano especificamente do Cardeal Ratzinger ou do Papa.

1967 – São publicadas as Memórias da Irmã Lúcia onde ela revela o pedido de Nossa Senhora, em 1929, da Consagração da Rússia. Começa, de imediato, uma enorme campanha pública de recolha de milhares de assinaturas, pedindo ao Papa a consagração da Rússia.

11 de Fevereiro, 1967 – Numa conferência de imprensa, o Cardeal Ottaviani, que leu o Terceiro Segredo, revela que ele está escrito numa única folha de papel.

13 de Maio, 1967 – A Irmã Lúcia encontra-se com o Papa Paulo VI no espaço aberto do Santuário de Fátima, durante a sua visita e peregrinação àquele lugar. Na presença de 1.000.000 de peregrinos, ela pede para falar ao Papa. Chora quando o Papa a recebe mal e lhe diz apenas: «-Fale com o seu Bispo». De acordo com, pelo menos, um perito de Fátima, a Irmã Lúcia suplicou ao Papa Paulo VI que tornasse conhecido o Terceiro Segredo; mas ele recusou.

1975 – Depois de 10 anos dedicados a estudar os arquivos de Fátima, o Padre Alonso declara publicamente que a entrevista (publicada em 1957) do Padre Fuentes à Irmã Lúcia é um relato autêntico e cuidadoso das declarações desta, respeitantes ao conteúdo da Mensagem de Fátima.

1975 – Os 24 volumes, de oitocentas páginas cada, elaborados pelo Padre Alonso estão prontos para publicação. Esta obra monumental sobre a Mensagem de Fátima inclui, pelo menos, 5.396 documentos. O que acontece é que a tipografia é – literalmente – mandada parar pelo novo Bispo de Fátima, Mons. D. Alberto Cosme do Amaral, impedindo assim que a pesquisa que o Padre Alonso efectuara ao longo de dez anos chegasse ao grande público. Dos vinte e quatro volumes, só dois virão eventualmente a ser publicados (em 1992 e em 1999, respectivamente), mas apenas em edições alteradas.

16 de Outubro, 1978 – O Papa João Paulo II é eleito. Lê o Terceiro Segredo alguns dias após a sua eleição, segundo virá a declarar (em Maio de 2000) a “Associated Press”, pelo seu porta-voz, Joaquin Navarro-Valls – declaração que será desmentida por Monsenhor Bertone, da Congregação para a Doutrina da Fé, que afirma que o Papa nunca lera o Terceiro Segredo antes de 18 de Julho de 1981. Estas duas declarações em conflito sugerem a possibilidade da existência de dois textos distintos que falam do Terceiro Segredo in toto. Ao que parece, o Papa terá lido o texto do Segredo que foi guardado no cofre dos aposentos papais em 1957.

1980 – Em apenas três anos, e graças a uma ampla campanha patrocinada pelo Cardeal Josyf Slipyj, as subscrições públicas a favor da Consagração da Rússia reunem mais de três milhões de assinaturas – que chegam ao Vaticano.

13 de Maio, 1981 – O Papa João Paulo II é alvejado a tiro, neste dia aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima. Os disparos deram-se no preciso instante em que o Papa se volta para ver uma estampa de Nossa Senhora de Fátima, presa à camisola de uma menina. As balas falham o objectivo. O Papa reconhece que Nossa Senhora de Fátima interveio para lhe salvar a vida.

7 de Junho, 1981 – O Papa faz a consagração do Mundo, mas não da Rússia, quando está ainda convalescente dos ferimentos sofridos.

18 de Julho, 1981 – Segundo Monsenhor Bertone (que, como já foi dito, contradiz neste ponto o porta-voz do Papa, Joaquin Navarro-Valls), o Papa João Paulo II lê o Terceiro Segredo pela primeira vez.

12 de Dezembro, 1981 – O Padre Alonso morre. No entanto, pôde ainda publicar um certo número de artigos e opúsculos sobre Fátima. Aqui estão alguns extractos das conclusões mais importantes a que chegou na sua pesquisa sobre o Terceiro Segredo:

«No período que precede o grande triunfo do Coração Imaculado de Maria, sucederão coisas tremendas que são objecto da terceira parte do Segredo. Que coisas serão essas? Se “em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé,”… pode claramente deduzir-se destas palavras que, em outros lugares da Igreja, estes dogmas vão tornar-se obscuros ou chegarão mesmo a perder-se … »

«Seria, então, de toda a probabilidade que, nesse período ‘intermédio’ a que nos estamos a referir (depois de 1960 e antes do triunfo do Imaculado Coração de Maria), o texto (do Terceiro Segredo) faça referências concretas à crise da Fé na Igreja e à negligência dos Seus próprios Pastores.» O Padre Alonso fala ainda de «lutas intestinas no seio da própria Igreja e de graves negligências pastorais por parte das altas Hierarquias» e, mesmo, de «deficiências na alta Hierarquia da Igreja …»

«Falaria o texto original (e inédito) de circunstâncias concretas? É muito possível que não só fale de uma verdadeira ‘crise de fé’ na Igreja durante este período intermédio, mas ainda, como acontece com o segredo de La Salette, por exemplo, que haja referências mais concretas às lutas internas dos Católicos ou às deficiências de Sacerdotes e Religiosos. Talvez se refira, inclusivamente, às próprias deficiências da alta Hierarquia da Igreja.» «Por isso, nada disto é alheio a outros comunicados que a Irmã Lúcia tenha feito sobre este assunto.»

Significativamente, a Irmã Lúcia nunca corrigiu estas conclusões do Padre Alonso – quando nunca hesitou em corrigir outras declarações de Clerigos e de vários autores sobre Fátima, sempre que estavam enganados. Ora o Padre Alonso teve acesso tanto aos documentos como à própria Irmã Lúcia. Assim, o seu testemunho é de importância capital.

21 de Março, 1982 – A Irmã Lúcia encontra-se com o Núncio Apostólico, acompanhado por outro Bispo e pelo Dr. Lacerda, e informa-os dos requisitos para uma Consagração da Rússia que seja válida, de acordo com o pedido de Nossa Senhora de Fátima. Ora esta mensagem da Irmã Lúcia não é totalmente transmitida ao Papa pelo Núncio, porque o Bispo que o acompanhava lhe disse para não mencionar o requisito de os Bispos de todo o Mundo deverem participar na Consagração.

12 de Maio, 1982 – Na véspera da visita do Papa João Paulo II a Fátima, L’Osservatore Romano – o próprio jornal do Papa – publica um artigo do Padre Umberto Maria Pasquale, S.D.B., sobre uma das conversas que teve com a Irmã Lúcia e sobre uma carta que ela depois lhe escreveu a propósito do assunto da Consagração da Rússia. É aí que o Padre Pasquale revela ao Mundo que a Irmã Lúcia lhe dissera nessa entrevista, clara e precisamente, que Nossa Senhora de Fátima nunca pediu a consagração do Mundo, mas só a consagração da Rússia. O Padre Pasquale publica também a reprodução fotográfica de uma nota manuscrita, do punho da Irmã Lúcia, a atestar este ponto da conversa.

O Padre Umberto Maria Pasquale, Sacerdote salesiano bem conhecido, conhecia a Irmã Lúcia desde 1939 e, até este momento (1982), tinha recebido umas 157 cartas dela. Aqui está o seu testemunho pessoal, tal como foi publicado em L’Osservatore Romano:

«Gostaria de clarificar a questão da Consagração da Rússia, uma vez que tenho recurso à fonte. A 5 de Agosto de 1978, no Carmelo de Coimbra, tive uma longa entrevista com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia. A certa altura, disse-lhe: ‘-Irmã, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Se não puder responder-me, paciência! Mas se puder, ficaria muito agradecido se me esclarecesse um pormenor que também não parece claro a muita gente… Alguma vez Nossa Senhora lhe falou da consagração do Mundo ao Seu Imaculado Coração?’ ‘-Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria, em 1917, Nossa Senhora prometeu: Eu virei pedir a consagração da Rússia … para impedir que ela espalhe os seus erros pelo Mundo, que haja guerras entre várias nações e perseguições à Igreja … Em 1929, em Tuy, tal como tinha prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que chegara o momento de pedir ao Santo Padre que fizesse a consagração daquela nação (a Rússia)’ …»

Depois desta conversa, e no desejo de ter uma declaração por escrito da Irmã Lúcia, o Padre Pasquale escreveu-lhe, perguntando: «Alguma vez Nossa Senhora lhe falou da consagração do Mundo ao Seu Coração Imaculado?» O Padre Pasquale recebeu, então, da Irmã Lúcia, uma resposta escrita, datada de 13 de Abril de 1980. [Encontra-se, abaixo, uma cópia reproduzida].

Aqui vai a transcrição da secção pertinente da nota escrita pelo punho da Irmã Lúcia:

J+M

Rev. do Senhor P. Humberto,

“Respondendo à sua pergunta esclareço:

Nossa Senhora, em Fátima, no Seu pedido, só Se referiu à consagração da Rússia.”

… Coimbra 13 IV-1980
(assinado) Irmã Lúcia

12 de Maio, 1982 – Ainda neste dia, a Irmã Lúcia escreve uma carta, alegadamente «ao Santo Padre». O documento do Vaticano datado de 26 de Junho de 2000 apresentará uma reprodução fotográfica desta carta manuscrita, afirmando que ela foi dirigida ao Papa João Paulo II. Todavia, uma comparação cuidada deste manuscrito em português (do qual se mostra um excerto abaixo) com as versões fornecidas pelo Vaticano (em inglês, em italiano e também em português) revela que uma passagem crucial – prova de que esta carta nunca poderia ter sido escrita ao Papa – foi omitida em todas as 3 versões.

Mostramos abaixo, em reprodução fotográfica, o texto correspondente, na versão portuguesa, fornecido pelo Vaticano;

Das versões divulgadas pelo Vaticano, foi omitido intencionalmente o excerto sublinhado da já mencionada carta da Irmã Lúcia: «A terceira parte do segredo, que tanto ansiais por conhecer, é uma revelação simbólica …»

Este excerto omitido chama a atenção para o facto de a pessoa a quem se dirigia a carta continuar a «ansiar conhecer (o Segredo)» – o que é estranhíssimo, pois o Papa João Paulo II já o teria lido: ou em 1978, dias antes de se tornar Papa (segundo Joaquín Navarro-Valls, secretário de imprensa do Vaticano), ou no dia 18 de Julho de 1981 (segundo Mons. D. Bertone). Ora, se o Papa já leu o Terceiro Segredo em 1981, por que razão ansiaria conhecer o seu conteúdo em 1982? Além do mais, como poderia a Irmã Lúcia sequer afirmar que o Papa ansiava conhecer o Segredo, quando ele poderia obter o texto quer dos arquivos do Vaticano, quer do cofre dos aposentos papais, em qualquer momento que o desejasse?

E a mesma carta continua: «E se não vemos ainda, o facto consumado, do final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos.» Por que razão diria a Irmã Lúcia ao Papa João Paulo II, em 1982, que a profecia do Terceiro Segredo poderia não ter sido ainda cumprida, se ela já o tivesse sido totalmente, pela tentativa (falhada) de assassinato do Papa, a 13 de Maio de 1981 (como mais tarde o Cardeal Ratzinger e o Mons. Bertone afirmarão, a 26 de Junho de 2000)?

13 de Maio, 1982 – O Papa João Paulo II consagra o Mundo, mas não a Rússia, em Fátima. Os Bispos do Mundo não participam.

19 de Maio, 1982 - Em L’Osservatore Romano, o Santo Padre como explicação do motivo de não ter consagrado a Rússia especificamente, declara que «tinha tentado fazer tudo o que era possível, dentro das circunstâncias concretas.»

Julho/Agosto 1982 – A revista do Exército Azul, Soul, publica uma alegada entrevista com a Irmã Lúcia, na qual ela supostamente afirma que a Consagração da Rússia foi realizada na cerimónia de 13 de Maio de 1982.

1982-83 – Em comentário privado a amigos e familiares, a Irmã Lúcia nega repetidamente que a Consagração tenha sido feita. Tendo-lhe sido pedido, nos inícios de 1983, que o dissesse publicamente, a Irmã Lúcia responde ao Padre Joseph de Sainte Marie que precisa de ter a «autorização oficial do Vaticano» antes de poder fazer tal declaração.

19 de Março, 1983 – A pedido do Santo Padre, a Irmã Lúcia encontra-se de novo com o Núncio Pontifício, o Arcebispo Portalupi, com o Dr. Lacerda e, desta vez, também com o Padre Messias Coelho. Durante este encontro, a Irmã Lúcia confirma que a Consagração da Rússia não foi feita, porque nem a Rússia foi mencionada como sendo o objecto específico da consagração, nem os Bispos do Mundo nela participaram. Explica ainda que não o pôde dizer publicamente mais cedo, por não ter tido autorização do Vaticano.

Maio-Outubro, 1983 – Tanto o Padre Caillon como o Padre Gruner publicam vários artigos apresentando a entrevista publicada na revista Soul de Julho/Agosto 1982 como falsa.

1984

25 de Março, 1984 – Em Roma, diante de 250.000 pessoas, o Santo Padre consagra novamente o Mundo ao Coração Imaculado de Maria; e, logo a seguir, saindo do texto que preparara, reza: «Iluminai especialmente aqueles povos cuja consagração e confiada entrega Vós esperais de nós». Deste modo, o Papa reconhece publicamente que Nossa Senhora de Fátima ainda está à espera da Consagração da Rússia. (Veja-se a foto de L’Osservatore Romano na página seguinte).

26 de Março, 1984 – O jornal pontifício, L’Osservatore Romano, publica as palavras que, acima, demos a conhecer, exactamente como o Santo Padre as disse.

27 de Março, 1984 – Segundo foi noticiado no Avvenire, jornal dos Bispos italianos, em 25 de Março, pelas 4 da tarde, três horas depois de ter consagrado o Mundo, o Santo Padre reza na Basílica de São Pedro pedindo a Nossa Senhora que abençoe «aqueles povos para quem Vós Mesma estais à espera do nosso acto de consagração e de confiada entrega». Portanto, o Papa admite que a Consagração da Rússia ainda não se fez.

Maio, 1984 – O Padre Messias Coelho, perito de Fátima, escrevendo sob um pseudónimo, insiste publicamente em que a Consagração ainda não foi feita (Mensagem de Fátima, Número 158, Maio de 1984). Manterá firmemente esta posição até ao Verão de 1989.

10 de Setembro, 1984 – D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo de Leiria-Fátima, declara numa sessão de perguntas e respostas, na Aula Magna da Universidade Técnica de Viena de Áustria: «O conteúdo (do Terceiro Segredo) diz respeito, unicamente, à nossa Fé … A perda de Fé de um continente é pior do que o aniquilar de uma nação; e a verdade é que a Fé está continuamente a diminuir na Europa». As suas observações são publicadas na edição de Fevereiro de 1985 da revista Mensagem de Fátima pelo Padre Messias Coelho.

11 de Novembro, 1984 – É publicada na revista Jesus, das Irmãs Paulinas, uma entrevista do Cardeal Ratzinger com o título “Aqui está o motivo de a Fé estar em crise”. Essa entrevista, publicada com explicita autorização do Cardeal Ratzinger, afirma que a crise da Fé está a afectar a Igreja pelo Mundo inteiro. Ora, neste contexto, ele revela ter lido o Terceiro Segredo, e que o Segredo se refere aos «perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão e, consequentemente, do Mundo».

Deste modo, o Cardeal confirma a tese do Padre Alonso, de que o Segredo aponta para uma apostasia, generalizada a toda a Igreja. Na mesma entrevista, o Cardeal Ratzinger diz que o Segredo também refere «a importância dos Novíssimos (os últimos tempos/as últimas coisas)» e que «Se [o Segredo] não foi tornado público – pelo menos por agora – foi para impedir que a profecia religiosa viesse a descambar no sensacionalismo …». Além disso, o Cardeal revela que «o conteúdo deste ‘Terceiro Segredo’ corresponde ao que é anunciado nas Sagradas Escrituras e que tem sido dito, muitas e muitas vezes, em várias outras aparições de Nossa Senhora, a começar por esta, de Fátima …»

Ora bem: se, neste excerto da entrevista de 1984 (cf. a foto que na página 289 mostramos), o Cardeal Ratzinger diz que o ‘Terceiro Segredo’ contém uma «profecia religiosa» que não pode ser revelada «para impedir que viesse a descambar no sensacionalismo», já em 26 de Junho de 2000, o mesmo Cardeal Ratzinger afirma que o Terceiro Segredo se refere, unicamente, a acontecimentos já passados (a culminar na tentativa de assassinato do Papa, em 1981 – antes da entrevista de 1984) e que não contém profecia alguma referente ao futuro.

No dia 8 de Dezembro de 1983, o Papa João Paulo II escreveu a todos os Bispos do Mundo, pedindo-lhes que se reunissem a ele a 25 de Março de 1984, a fim de consagrarem o Mundo ao Imaculado Coração de Maria. Incluído na mesma carta, o Papa enviava a todos o texto da consagração que tinha composto. Ora, nesse dia 25 de Março de 1984, o Papa, ao fazer a consagração diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, afastou-se do texto que preparara, para incluir as palavras que acima destacamos e abaixo traduzimos. Como pode ver-se, foram publicadas em L’Osservatore Romano as palavras aí acrescentadas que indicam com toda a clareza que, nesse momento, o Papa sabia que a consagração do Mundo feita nesse dia não ia de encontro aos pedidos de Nossa Senhora de Fátima. Depois de fazer a consagração do Mundo propriamente dita (cf. alguns parágrafos acima), o Papa acrescentou as palavras que destacamos e que traduzimos: «Iluminai especialmente aqueles povos cuja consagração e confiada entrega Vós esperais de nós.» – o que mostra claramente que ele sabe que Nossa Senhora espera que o Papa e os Bispos Lhe consagrem, a Ela, certos povos: isto é, os povos da Rússia.


Reprodução da edição do dia 26 de Março de 1984 de L’Osservatore Romano, com tradução, ampliada, das palavras do Papa João Paulo II. Os oponentes da Consagração da Rússia, porque lhes convém, desde 1984 até hoje, calaram não só aquilo que o Papa, com efeito, disse, como também que ele não fez a Consagração da Rússia como fora pedido por Nossa Senhora de Fátima.


- Que terá acontecido para obrigar o Cardeal Ratzinger a alterar totalmente o seu testemunho anterior? Porque terá insinuado, a 26 de Junho de 2000, que o Terceiro Segredo poderia não ser mais do que o resultado da imaginação da Irmã Lúcia? Acreditará ele, realmente, na Mensagem de Fátima? Se não acredita, poderá a sua interpretação pessoal da Mensagem de Fátima ser de confiança?

1985 – 1988

Junho, 1985 – Esta mesma entrevista da revista Jesus de Novembro de 1984 é agora publicada num livro intitulado The Ratzinger Report (O relatório de Ratzinger) – onde, misteriosamente, foram, suprimidas referências cruciais respeitantes ao conteúdo do Terceiro Segredo. O livro é publicado em Inglês, Francês, Alemão e Italiano, e atinge mais de 1.000.000 de exemplares. Embora as revelações referentes ao Terceiro Segredo tenham sido, portanto, censuradas, o livro admite que a crise da Fé – que o Padre Alonso nos diz constar da profecia do Terceiro Segredo – já se despoletou, e envolve o Mundo inteiro.

Setembro, 1985 – Em entrevista à revista Sol de Fátima (uma publicação de amigos do “Exército Azul” de Espanha), a Irmã Lúcia afirma que a Consagração da Rússia ainda não foi feita, porque, mais uma vez, nem a Rússia foi, claramente, o objecto da consagração de 1984, nem o episcopado do Mundo participou.

1985 - O Cardeal Gagnon, entrevistado pelo Padre Caillon, reconhece que a Consagração da Rússia ainda não foi feita.

1986 – Maria do Fètal refere publicamente o que a Irmã Lúcia, sua prima, lhe dissera: que a Consagração da Rússia ainda não foi feita – afirmação que Maria do Fètal solidamente manterá até Julho de 1989.

1986-1987 – O Padre Paul Leonard Kramer escreve, em Junho de 1986, “The Plot to Silence Our Lady” (O plano secreto para calar Nossa Senhora) e, em Abril de 1987, como que em continuação do mesmo tema, o artigo sob o título “The (USA) Blue Army Leadership Has Followed a Deliberate Policy of Falsifying the Fatima Message” (O comando do “Exército Azul” dos EUA tem seguido uma política deliberada de falsificação da Mensagem de Fátima). Ambos os artigos expõem a entrevista falsificada de 1982, da revista Soul, e as subsequentes deturpações acerca da Consagração pedida por Nossa Senhora, emitidas pelo “Exército Azul” dos Estados Unidos.

20 de Julho, 1987 – Em breve entrevista fora do seu convento, aquando de uma saída para ir votar, a Irmã Lúcia confirma ao jornalista Enrico Romero que a Consagração da Rússia ainda não tinha sido feita.

25 de Outubro, 1987 - Também o Cardeal Mayer, numa audiência a um grupo de dez líderes católicos, reconhece publicamente que a Consagração ainda não tinha sido feita de acordo com o pedido expresso de Nossa Senhora.

FOTO DO EXTRACTO ITALIANO ORIGINAL
DA REVISTA “JESUS”


Aqui tem, leitor, a reprodução fotográfica da parte crucial da entrevista do Cardeal Ratzinger, tal como foi aprovada por Sua Eminência nos inícios de Outubro de 1984 e publicada no número de 11 de Novembro da revista Jesus, referente ao Terceiro Segredo. Logo em 1985, a revista The Fatima Crusader publicava essa entrevista em tradução inglesa, no no 18, Outubro-Dezembro; republicou-a mais recentemente, no 37, Verão de 1991, sendo a tradução acompanhada do texto original italiano em reprodução fotográfica. Este no 37 de The Fatima Crusader teve uma tiragem de um milhão de exemplares — e o conteúdo da entrevista sobre o Terceiro Segredo nunca foi contestado por ninguém. Veja-se a tradução portuguesa na próxima página.


26 de Novembro, 1987 – Por sua vez, num encontro privado, o Cardeal Stickler confirma que a Consagração ainda não foi feita, por faltar ao Papa o apoio dos Bispos. «Eles não lhe obedecem.», diz o Cardeal Stickler.

1988 – O Cardeal Gagnon ataca o Padre Gruner, por ter publicado o relatório do Padre Caillon que cita a sua declaração de 1985 em como a Consagração ainda não tinha sido feita. Embora o Cardeal Gagnon admita que é verdade ter falado com o Padre Caillon, e também não negue a verdade do que o relatório publica, diz que essa conversa não era para ser dada a público.

1989 – 1990

1989 – Mais de 350 Bispos Católicos respondem a uma carta do Padre Gruner, confirmando-lhe o seu desejo de fazer a consagração da Rússia juntamente com o Papa, tal como foi pedida por Nossa Senhora, em Fátima.

1989 – Segundo estimativas conservadoras, foi recebido no Vaticano, desde 1980, mais 1 milhão de assinaturas, em petições de súplica ao Papa para que, juntamente com os Bispos, faça a Consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria.

Julho, 1989 – Na presença de três testemunhas, o Padre Messias Coelho, no Hotel “Solar da Marta”, em Fátima, revela que o que se passa é que a Irmã Lúcia recebera uma “instrução” anónima proveniente de pessoas não-identificadas da burocracia do Vaticano, consistindo essa “instrução” em que tanto a Irmã Lúcia como as outras religiosas da sua comunidade têm de dizer agora que a Consagração da Rússia foi realizada na cerimónia de 25 de Março de 1984 – embora a Rússia nunca tenha sido mencionada, nem os Bispos do Mundo tenham participado.


Apresentamos aqui, pois, a entrevista tal como foi aprovada por Sua Eminência o Cardeal Ratzinger, nos princípios de Outubro.

A uma das quatro secções da Congregação (para a Doutrina da Fé) cabe ocupar-se das aparições de Nossa Senhora.

«-Cardeal Ratzinger, o Senhor Cardeal leu o chamado “Terceiro Segredo de Fátima”, aquele texto que a Irmã Lúcia enviou ao Papa João XXIII e que este, não o querendo revelar, ordenou que fosse depositado nos arquivos do Vaticano?» (Em resposta, o Cardeal Ratzinger disse:)

«-Sim, li-o.» (Uma resposta dada com tanta franqueza originou mais uma pergunta:)

«-Porque não foi, então, revelado?» (A isto, o Cardeal deu uma resposta sumamente esclarecedora:) «-Porque, de acordo com a apreciação dos Papas, não acrescenta nada de novo (literalmente: “nada diferente”) àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação: uma chamada radical à conversão; a absoluta seriedade da História; os perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão, e, consequentemente, do Mundo. E, também, a importância dos ‘novíssimos’ (ou seja, os últimos acontecimentos no fim dos tempos). Se [o Segredo] não foi tornado público – pelo menos por agora – foi para impedir que a profecia religiosa viesse a descambar no sensacionalismo. Mas o conteúdo deste ‘Terceiro Segredo’ corresponde ao que é anunciado nas Sagradas Escrituras e que tem sido dito, muitas e muitas vezes, em várias outras aparições de Nossa Senhora, a começar por esta, de Fátima, no seu conteúdo já conhecido. Conversão e penitência são as condições essenciais para a ‘Salvação’.»


Depois deste desenrolar dos acontecimentos, as diversas testemunhas (incluindo, como se afirma, a própria Irmã Lúcia) começam a negar as suas declarações anteriores de que a Consagração não tinha sido feita. Ora essas testemunhas tinham anteriormente afirmado, sem qualquer dúvida, que a Rússia não poderia ter sido consagrada conforme pedia a Mensagem de Fátima, por ter faltado a menção da Rússia pelo seu nome e ainda a participação dos Bispos de todo o Mundo. Começa agora um processo “revisionista” que altera o pedido de Nossa Senhora, mudando a Consagração da Rússia pela Consagração do Mundo. Ao mesmo tempo, forças poderosas pertencentes ao aparelho do poder do Vaticano começam a atacar o Padre Gruner e o seu apostolado, tentando suprimi-lo(s).

Julho, 1989 – Neste mesmo mês de Julho, o Núncio Pontifício em Portugal é substituído. Pouco tempo depois, e de acordo com a “instrução” anónima da burocracia interna do Vaticano, é a vez da Maria do Fètal alterar, subitamente, tudo aquilo que dissera, contradizendo todas as declarações anteriores respeitantes ao facto de sua prima, a Irmã Lúcia, estar convencida que a Consagração não tinha sido feita. Agora, é Maria do Fètal que afirma que a Irmã Lúcia está convicta de que a consagração do Mundo, em 1984, satisfez o pedido de Nossa Senhora de Fátima.

10 de Julho, 1989 – O Padre Gruner recebe uma carta (datada de 29 de Maio de 1989) do novo Bispo de Avellino, dizendo que o Cardeal Secretário de Estado do Vaticano tem enviado “sinais de preocupação” acerca do trabalho do Padre Gruner em promover a Mensagem de Fátima – trabalho que inclui, especialmente, a divulgação da forma correcta de consagração da Rússia, tal como foi pedida por Nossa Senhora de Fátima, e o pedido de que seja revelado, na sua forma completa, o Terceiro Segredo.

Em primeiro lugar, não há explicação possível para que a carta tenha levado um mês a chegar às mãos do Padre Gruner! No entanto o Padre Gruner responde com o devido respeito, chamando a atenção do Sr. Bispo para o facto de ter uma autorização escrita de Dom Pasquale Venezia, anterior Bispo da Diocese de Avellino, para estar no Canadá.

O novo Bispo parece desconhecer totalmente a autorização, dada ao Padre Gruner pelo seu antecessor, para viver fora da Diocese de Avellino enquanto se ocupasse do seu Apostolado de Fátima.

24 de Julho, 1989 – O Cardeal Innocenti escreve ao Padre Gruner, repreendendo-o por este recusar um “convite” para visitar o Núncio Pontifício no Canadá. Curiosamente, o Núncio nunca emitira qualquer ordem para o Padre Gruner o ir ver. O Cardeal Innocenti ameaça, inclusivamente, o Padre Gruner com uma possível suspensão, a menos que se incardinasse numa diocese canadiana; ou, então, que regressasse a Avellino até 30 de Setembro de 1989.

9 de Agosto, 1989 – Inesperadamente, o Bispo Fulton, do Canadá, envia ao Padre Gruner uma oferta de incardinação (que ele não solicitara), mas impondo-lhe, como condição, que cesse o seu trabalho de divulgação da Mensagem de Fátima. Como tudo leva a crer, tal oferta de incardinação seria resultante de pressão exercida pelo Cardeal Secretário de Estado do Vaticano sobre o Bispo de Avellino, impelindo aquele, por sua vez, a transmitir ao Bispo Fulton a intenção desejada.

21 de Agosto, 1989 – O Padre Gruner responde à carta do Cardeal Innocenti (datada de 24 de Julho de 1989 e recebida só depois do dia 14 de Agosto), salientando que não só o Senhor Cardeal não tem autoridade para interferir num assunto sobre o qual o próprio Bispo de Avellino não deu qualquer ordem directa, como também que ele, Padre Gruner, está a agir em conformidade com a Lei da Igreja. Por isso, o Padre Gruner apela ao Papa contra o abuso de autoridade por parte do Cardeal Innocenti. Depois disso, o Cardeal Innocenti nunca mais respondeu nem escreveu de novo ao Padre Gruner, tendo dado ordens a todos no seu gabinete para que não lhe fosse mencionado o nome do Padre Gruner, nunca mais.

1 de Setembro, 1989 – The Fatima Crusader (“A Cruzada de Fátima”) chama a atenção para o direito que cada Sacerdote tem de publicar a verdade sobre a Mensagem de Fátima. É de acordo com esta afirmação que a resposta (de dez páginas) do Padre Gruner ao Cardeal Innocenti é publicada neste número de The Fatima Crusader.

Finais de Agosto – Princípios de Setembro, 1989 – Dá-se o chamado “golpe de estado” em Moscovo – ou seja, o regime comunista segue um esquema anteriormente planeado com a intenção de enganar o Ocidente. Sabemos isso porque esse plano, parcialmente escrito em 1958, foi publicado em 1984 por Anatoliy Golitsyn, desertor da KGB e que fizera parte, em 1958, da sessão de planeamento. O seu livro New Lies for Old (Mentiras novas em vez das antigas) apresenta 148 acções, como estando previstas no plano dos comunistas russos na sua estratégia para enganar o Ocidente. Pelo ano de 1993, 139 dessas acções teriam já sido realizadas.

Esse plano – que Golitsyn revelou – viria a ser bem sucedido por conseguir enganar muitas pessoas que acreditam em Nossa Senhora de Fátima, levando-as a acreditar que as mudanças meramente políticas de 1989 faziam parte do Triunfo do Imaculado Coração de Maria, anunciado por Nossa Senhora. Mas, na realidade, as mudanças ocorridas na Rússia durante o período de 1989-2003 só vieram mostrar um aumento de perversão na sociedade russa – não a conversão da Rússia.

Ora, não é por mera coincidência que, em 1989 – no mesmo ano em que começa o astucioso e estratégico plano da Rússia -, começa também uma campanha organizada para abafar ou alterar a Mensagem de Fátima, que inclui intenções de silenciar o Padre Gruner e o seu apostolado, e começam a aparecer, subitamente, cartas da Irmã Lúcia escritas à máquina (ela, que não escreve à máquina!), a declarar que a Consagração da Rússia foi efectivamente realizada, em cerimónias onde nem sequer é mencionada a Rússia.

Agosto, 1989 – Novembro, 1989 – Notas e cartas feitas a computador e à máquina de escrever, supostamente assinadas pela Irmã Lúcia, aparecem subitamente, a contradizer redondamente todas as declarações que fizera, durante mais de 60 anos, acerca da Consagração. Ora estes escritos contêm erros factuais que a Irmã Lúcia nunca poderia ter cometido (e.g. a declaração falsa de que o Papa Paulo VI consagrou o Mundo ao Coração Imaculado de Maria, aquando da sua visita a Fátima, em 1967), bem como fraseologia que ela nunca tinha usado antes. Até hoje, a “Irmã Lúcia” nunca utilizara máquinas de escrever ou computadores (de que não se sabe servir …) para a sua correspondência, e, além disso, continua a escrever tudo o mais, inclusive as suas longas memórias, à mão.

29 de Janeiro, 1990 – Às oito e meia da manhã, em Fátima, a Maria do Fètal afirma ao Padre Pierre Caillon que «estava a inventar», quando anteriormente relatou a declaração da Irmã Lúcia (sua prima) de que a consagração do Mundo, em 1984, não fora em conformidade com o pedido de Nossa Senhora, que era sobre a consagração da Rússia.

11 de Outubro, 1990 – A própria irmã de sangue da Irmã Lúcia, Carolina, avisa, em Fátima, o Padre Gruner de que pouca ou nenhuma confiança pode ser posta em qualquer carta da Irmã Lúcia escrita à máquina, porque ela nem sequer sabe escrever à máquina.

22 de Outubro, 1990 – Um perito forense altamente reputado indica, em relatório escrito, que a assinatura da Irmã Lúcia que aparece numa carta escrita a computador, e com data de Novembro de 1989, foi forjada. Ora, já em Março de 1990, excertos dessa carta tinham sido publicados por uma revista católica Italiana que os fez circular amplamente, sendo citados como “prova” de que a Consagração tinha sido feita; aproveitada por diversos noticiários, a versão da revista italiana torna-se uma notícia fraudulenta divulgada pelo Mundo inteiro.

Novembro, 1990 – O Padre Gruner e a Cruzada Internacional do Rosário de Fátima lançam uma campanha, por todo o Mundo, para libertar a Irmã Lúcia da sua prova de silêncio de 30 anos, e para animar o Santo Padre a tornar conhecido o Terceiro Segredo de Fátima.

1991 – até ao presente

13 de Maio, 1991 – A Irmã Lúcia declina o convite para ir a Fátima durante a visita do Papa, mas é-lhe dada ordem para que vá, sob santa obediência. O Papa João Paulo II visita Fátima pela segunda vez, e tem um encontro de meia hora com a Irmã Lúcia. Depois desse encontro, nem o Papa nem a Irmã Lúcia fazem qualquer declaração acerca de a Consagração da Rússia ter sido feita – declaração que teria sido feita de imediato, se as “cartas da Irmã Lúcia” de 1989-90 (à máquina ou a computador) fossem autênticas.

O silêncio do Papa e da Irmã Lúcia acerca da Consagração da Rússia é por demais revelador: há um evidente desacordo entre a Irmã Lúcia e determinado sector do aparelho do Vaticano que tem tentado, por todos os meios, sugerir que a Consagração da Rússia já foi feita – pelo que não há mais nada a dizer (ou a fazer); e embora a Irmã Lúcia tenha, alegadamente, concordado em que a Consagração fora feita, o certo é que ela continua limitada pela ordem que lhe foi imposta, em 1960, de se manter em silêncio, pelo que não pode defender-se publicamente contra estes rumores – porque o seu silêncio forçado continua. Os 24 volumes do Padre Alonso, com 5.396 documentos inéditos sobre Fátima, continuam ainda proibidos de serem publicados.

8 de Outubro, 1992 – Realiza-se a Conferência para a Paz, da The Fatima Crusader. De imediato, L’Osservatore Romano publica declarações falsas e enganadoras do Cardeal Sanchez e do Arcebispo Sepe, que sugerem ser necessária uma autorização eclesiástica para se realizar a Conferência – quando tal não é necessário segundo a Lei da Igreja. Falsidades semelhantes são publicadas, também, na imprensa portuguesa entre 7 e 9 de Outubro. Apesar disso, mais de 100 Bispos aceitam o convite e o custo das viagens para virem a Fátima à Conferência para a Paz. Porém, enquanto 65 Bispos a ela assistem realmente, outros 35 são “persuadidos” a não assistirem, por acção do establishment anti-Fátima e de certos membros da Secretaria de Estado do Vaticano.

10 de Outubro, 1992 – Uns ‘servidores’ do Santuário de Fátima dão uma tareia ao Padre Gruner, tendo um deles mais tarde confessado que actuou sob as ordens do Reitor do Santuário, Mons. Luciano Guerra. Quatro meses depois, Mons. Dom Alberto Cosme do Amaral, é aposentado do seu cargo de Bispo de Fátima; mas o Mons. Luciano Guerra continua como Reitor do Santuário.

11 de Outubro, 1992 – A Irmã Lúcia dá uma entrevista (que levanta dúvidas) perante o Padre Pacheco, o Cardeal Padiyara, Mons. D. Michaelappa e um motorista, o Senhor Carlos Evaristo – da qual, mais tarde, o Senhor Evaristo publica uma versão alterada e que ele próprio admite ter sido «reconstruída». Entre outras falsidades, essa “entrevista” contém a afirmação da “Irmã Lúcia” de que Mikhail Gorbachev, ajoelhado diante do Santo Padre, lhe pediu perdão pelos seus pecados – declaração que foi denunciada como uma falsificação total pelo porta-voz do Papa, Joaquín Navarro-Valls. É então que o Padre Pacheco se apressa a, publicamente, repudiar o facto de a “entrevista” ser considerada falsa.

Frère François, um erudito de Fátima, chegou à conclusão de que a “entrevista”, premeditada pelo Reitor do Santuário, tinha a finalidade de acabar com as petições para que se fizesse a Consagração da Rússia. Hoje, finalmente, a entrevista totalmente desacreditada do Senhor Evaristo já não é mencionada como “prova” da alegada afirmação da Irmã Lúcia de que a Consagração tinha sido feita.

1992 – É publicado (com muitas alterações) o primeiro volume dos documentos críticos do Padre Alonso sobre Fátima, ficando os outros 23 volumes fechados a sete chaves.

31 de Julho, 1993 – Um Bispo ilustre da Índia dá credenciais escritas do seu desejo de incardinar o Padre Gruner – o que, aparentemente, iria fazer abortar qualquer tentativa dos mandatários do poder estabelecido anti-Fátima do Vaticano de forçar o Padre Gruner a regressar a Avellino, em Itália.

3 de Novembro, 1993 – O Bispo de Avellino, Mons. D. Antonio Forte, confessa ao Padre Gruner que está a ser impedido de lhe aprovar a transferência para fora da sua Diocese, porque tanto o Cardeal Sanchez como o Arcebispo Sepe, da Congregação do Clero do Vaticano, não o permitiram. O Cardeal Sanchez e o Arcebispo Sepe estão a ‘manobrar’, juntamente com o Secretariado de Estado do Vaticano, no sentido de silenciar o Padre Gruner e o seu apostolado – actuações que violam a jurisdição do Bispo de Avellino e que não tem fundamentação no Direito Canónico. Nenhum outro Sacerdote, em toda a Igreja Católica, está a ser sujeito a este tipo de intervenção, e só por causa de uma transferência de uma diocese para outra.

13 de Janeiro, 1994 – Mons. D. Antonio Forte diz ao Padre Gruner que nada tem contra ele; e quando o Padre Gruner lhe pergunta o que deve fazer, o Bispo diz-lhe que volte para o Canadá.

14 a 31 de Janeiro, 1994 – O Cardeal Sanchez, o Arcebispo Sepe e Mons. D. Antonio Forte estão a congeminar, contra o Padre Gruner, as últimas “jogadas” deste “xadrez da incardinação”: mandam-lhe procurar outro Bispo; então, obstruem-lhe a incardinação por vários Bispos; e, ao mesmo tempo, recusam-lhe a excardinação de Avellino. Só falta o “xeque-mate”: declaram que, como o Padre Gruner “falhou” por não ter conseguido ser incardinado em outro lugar, só lhe resta agora voltar a Avellino ou, então, ser suspenso do sacerdócio.

31 de Janeiro, 1994 – Em carta enviada ao Padre Gruner, Mons. D. Antonio Forte acusa-o de ser um Sacerdote vagus (errante), por não ter saído do Canadá e regressado a Avellino – embora, 18 dias antes, o próprio Mons. D. Forte tivesse dito ao Padre Gruner que voltasse para o Canadá. Este comportamento inacreditável, que vem explicado em Fatima Priest (O Sacerdote de Fátima), continua ainda hoje, e está ainda sob apelação nos tribunais do Vaticano e perante do Papa.

Outubro, 1994 – O Secretário de Estado do Vaticano e os Núncios Pontifícios escrevem aos Bispos de todo o Mundo, dando-lhes instruções no sentido de não assistirem à segunda Conferência para a Paz, da Cruzada de Fátima, que iria ocorrer no México. Além disso, são-lhes negados os visas, e outros obstáculos são postos no caminho de mais de 100 Bispos católicos que aceitaram o convite para essa Conferência.

1995 – Numa comunicação pessoal a um certo Professor de Salzburgo, Áustria, chamado Baumgartner, o Cardeal Mario Luigi Ciappi – nada mais nada menos que o teólogo pessoal do Papa João Paulo II – revela que: «No Terceiro Segredo é predito, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará pelo cimo.»

12 de Julho, 1995 – A primeira Carta Aberta ao Papa é publicada em Il Messaggero, um importante jornal diário de Roma. Preenche duas páginas inteiras, e protesta publicamente contra o violento abuso de poder, posição e prestígio, por parte dos burocratas anti-Fátima do Vaticano, entre 1992 e 1994. É assinada por dois Bispos, e por milhares de Sacerdotes e leigos. O Papa não reage (ou é impedido de reagir), embora circule a notícia, em privado, de que Sua Santidade leu essa Carta Aberta.

Novembro, 1996 – A terceira Conferência para a Paz, da Cruzada de Fátima, teve lugar em Roma e, de novo, todos os Bispos foram convidados a assistir, com todas as despesas pagas. Apesar da constante repetição das mesmas falsidades que, em 1992 e 1994, foram postas a circular por certos membros do establishment anti-Fátima no aparelho do poder do Vaticano – em acção combinada com pressões, exercidas pelo Cardeal Gantin, por vários Núncios Pontifícios e por outros burocratas do Vaticano, para não assistirem à Conferência -, apesar de tudo isto, mais de 200 Bispos, Sacerdotes e leigos chegam a participar.

20 de Novembro, 1996 – A acusação canónica apresentada pelo Padre Gruner contra o Cardeal Sanchez, o Arcebispo Sepe e seus cúmplices é colocada nas mãos do Papa, tal como se vê em fotografia reproduzida em Fatima Priest e publicada, a 2 de Abril de 1998, em Il Messaggero.

26 de Fevereiro, 1997 – Coralie Graham, editora da The Fatima Crusader, envia ao Cardeal Gantin uma carta registada que contém sete perguntas pertinentes, respeitantes à ilegalidade das suas tentativas de proibir tanto Bispos como Sacerdotes de assistirem à Conferência para a Paz. Passados já mais de 6 anos, essa carta (que é inteiramente respeitosa) nunca obteve resposta.

2 de Abril, 1998 – Uma segunda Carta Aberta, de duas páginas, é publicada, em italiano, em Il Messaggero. Desta vez, são recolhidas assinaturas de 27 Bispos e Arcebispos, de 1.900 Sacerdotes e Religiosos e de mais de 15.000 leigos. Milhares de cartazes ostentando a Carta Aberta são afixados à volta do Vaticano durante este ano de 1998.

Entretanto, o caso canónico do Padre Gruner continua a seguir pelo sistema de tribunais do Vaticano. Pormenores dos procedimentos “arquitectados” e de uma injustiça absurda são dados a conhecer em Fatima Priest. Durante o processo, o Arcebispo Grochelewski, agora juiz principal no caso (depois de o Cardeal Agustoni ter sido forçado a recusar esse lugar, por parecer ter, sobre o caso, um juízo já formado), reconhece que, na realidade, o caso não é sobre a incardinação do Padre Gruner, mas sim sobre aquilo que ele diz (acerca de Fátima). Este é o real motivo dos numerosos e ilícitos procedimentos sem precedentes contra o Padre Gruner, embora isso não conste (por escrito) em lugar algum dos autos. É sabido que um princípio básico da justiça natural é que todo o acusado tem de ser informado das acusações precisas feitas contra ele, para se poder defender. Então, pôr o Padre Gruner em tribunal por uma alegada “ofensa” referente à sua incardinação, quando o verdadeiro assunto é aquilo que ele diz acerca da Mensagem de Fátima, é ridicularizar este princípio legal.

Outubro, 1998 – As várias mentiras, insinuações e acusações contra o Padre Gruner são sumariadas num longo documento acusatório. Quem o prepara e promulga é um Promotor de Justiça nomeado expressamente pelo aparelho do poder do Vaticano, para preparar um sumário (supostamente “imparcial”) das posições canónicas de ambas as partes. É dito ao Padre Gruner que não pode sequer ter uma cópia deste documento “imparcial,” a menos que preste um juramento de completo sigilo. Este estranho pedido é emanado do próprio Tribunal. (Uma cópia desta exigência do tribunal em guardar sigilo está disponível a qualquer Bispo que a peça.) Como o Padre Gruner se recusa a prestar esse juramento de sigilo, vê-se obrigado a examinar o documento do Promotor na presença do seu advogado canónico – que, para esse efeito, tem de ir de Roma ao Canadá e, depois, regressar a Roma com o documento, sem deixar uma cópia.

10 de Outubro, 1998 – O documento do Promotor revela, pela primeira vez, a existência de umas 20 cartas que circulam em segredo contra o Padre Gruner e o seu apostolado. Essas cartas, cheias de falsas interpretações e de mentiras mais que evidentes, provêm de certos membros da Congregação do Clero, do Secretariado de Estado do Vaticano e até mesmo da Congregação do Cardeal Ratzinger, e vêm já desde os inícios dos anos oitenta.

10 de Dezembro, 1998 – Apesar dos obstáculos (quase impossíveis de transpor) e de um tempo muito limitado para a resposta, o Padre Gruner entrega para apreciação uma resposta canónica de oitenta páginas ao documento do Promotor, a refutar, de modo conclusivo, todas as suas alegações: o documento do Promotor nunca mais é mencionado pelo Tribunal.

Dezembro, 1998 – Por correio registado, o Padre Gruner pede que lhe enviem cópia daquelas cerca de 20 cartas, dimanadas, contra si, da Congregação do Clero e do tribunal – cartas que nunca lhe são fornecidas. É nas suas costas que continuam a circular mentiras que impedem grandemente os seus esforços de persuadir os Bispos de que a Consagração da Rússia tem de ser feita de maneira correcta, para evitar a aniquilação de nações, tal como adverte Nossa Senhora de Fátima.

Agosto, 1999 – O Padre Gruner fornece ao Bispo de Avellino uma nova prova documental que demonstra que ele está incardinado: não em Avellino, mas em outro lugar.

3 de Setembro, 1999 – A Signatura Apostólica publica uma decisão, pós-datada como tendo sido de 10 de Julho de 1999. A manifesta carência de fundamentos de que a decisão dá provas é demonstrada quer por um capítulo de Fatima Priest, “A Law For One Man” (Uma lei para um só homem), quer por documentos anexados à refutação que o Padre Gruner fará a 14 de Outubro de 1999 (reproduzido também em Fatima Priest, edição de 2000) – a que a Signatura Apostólica não dá qualquer resposta. Entretanto, sendo pressionado, o terceiro advogado canónico do Padre Gruner acaba por se voltar contra ele (o mau comportamento dos dois primeiros canonistas é igualmente pormenorizado em Fatima Priest). É útil saber que, para defender 400.000 Sacerdotes católicos na Signatura, são só permitidos 16 canonistas; daí, ser fácil exercer pressão sobre estes advogados, ameaçando-os de lhes ser impedido o acesso a esse Tribunal.

12 a 18 de Outubro, 1999 – A “Conferência para a Paz” promovida pelo apostolado em Hamilton, Ontário (Canadá), é sujeita às mesmas formas de perseguição, de abuso de autoridade e de falsidades calculadas – as mesmas que impediram as anteriores conferências do apostolado sobre Fátima. Assistem alguns Bispos e Sacerdotes, mas em número reduzido: é que foi muitíssimo difícil divulgá-la junto de Sacerdotes e Bispos, devido à campanha do Vaticano para denegrir a reputação do Padre Gruner e do seu apostolado. Tomam parte da Conferência mais de 300 pessoas, na sua maioria, leigos.

22 de Novembro, 1999 – O Padre Gruner envia ao Papa uma segunda acusação canónica, registada, e da estação de correios do Vaticano. Esta queixa envolve o nome dos Cardeais Agustoni, Innocenti e Sanchez, os Arcebispos Sepe e Grochelewski, e Mons. D. Antonio Forte.

Dezembro, 1999 – O segundo volume dos manuscritos do Padre Alonso é finalmente publicado, mas tremendamente modificado. Os outros 22 volumes continuam por publicar (passados 25 anos), embora em 1975 estivessem já totalmente prontos para imprimir.

20 de Abril, 2000 – O Padre Gruner invoca a lei 1506 do Direito Canónico, segundo a qual o Papa é obrigado a aceitar as acusações canónicas contra os referidos Cardeais e Bispos. Assim, as acusações são consideradas aceites sob o Direito Canónico – em Maio de 2000, quando tinha já passado o prazo limite. Apesar de obrigado a responder pela lei que ele mesmo promulgou, o Papa não o faz, quando até mesmo ele deve obediência à Lei prevalecente da Igreja, até ao momento em que ele próprio venha a promulgar uma nova lei que substitua a anterior.

13 de Maio, 2000 – Durante as cerimónias de Beatificação dos Pastorinhos Jacinta e Francisco, o Cardeal Sodano anuncia que o Terceiro Segredo de Fátima será revelado. (Já anteriormente o Secretariado de Estado tinha tentado afastar de Fátima as cerimónias de Beatificação, deslocando-as para o Vaticano e incluindo-as numa cerimónia de beatificação de grupo que envolvia outros Beati sem qualquer relação com as aparições de Fátima.)

Todavia, o “Terceiro Segredo” que é revelado é uma versão enganadora, pois o Cardeal Sodano afirma que ele consiste numa visão, na qual «o Papa cai por terra, como morto». Ora, o verdadeiro texto da visão (que será revelado no mês seguinte) afirma que o Papa é assassinado. O Cardeal Sodano está claramente a preparar o caminho para uma “interpretação” errada, segundo a qual o culminar do Terceiro Segredo se deu em 1981, com o atentado (frustrado) contra a vida do Papa, e que todos os acontecimentos profetizados no Segredo – e passo a citar: «pereçam pertencer já ao passado».

5 de Junho, 2000 – Neste dia o Cardeal Castrillón Hoyos assina uma carta ameaçando o Padre Gruner com uma «excomunhão», para a qual não há qualquer fundamento. A carta é entregue em casa do Padre Gruner por um emissário do Vaticano, no dia 21 de Junho, às 10 horas da noite. E esse emissário, enquanto se dirige para a sala de estar do Padre Gruner, mente ao dizer que trazia boas notícias “do Santo Padre”.

26 de Junho, 2000 – Numa conferência de imprensa, o Vaticano publica um texto que, segundo afirma, é a totalidade do Terceiro Segredo: o texto descreve uma visão na qual o Papa (um «Bispo vestido de Branco») é assassinado por um pelotão de soldados que o abatem a tiro, estando ele ajoelhado aos pés de uma grande cruz de madeira situada no cimo de um monte, e depois de ter atravessado uma cidade meio arruinada e cheia de cadáveres. À execução do Papa segue-se a execução de muitos Bispos, Sacerdotes e leigos.

As perguntas abundam. (Veja-se o artigo de Andrew Cesanek em The Fatima Crusader, nº 64.) Uma dessas perguntas é: -Por que razão é que o relato da visão, dado a público, não contém palavras de Nossa Senhora? Até porque o próprio Vaticano, ao anunciar que o Segredo não seria revelado em 1960, se referiu às «palavras que Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos como segredo.» Esse relato da visão omite as palavras que vêm imediatamente a seguir a: «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.» – frase que a Irmã Lúcia incluiu na sua quarta memória como parte do texto integral do Terceiro Segredo de Fátima. Ora, essa frase acerca do dogma da Fé em Portugal é misteriosamente “despromovida” a nota de rodapé no comentário do Vaticano sobre o Segredo, tendo sido ignorada tanto pelo Cardeal Ratzinger como por Mons. D. Bertone, co-autores do comentário.

Na parte do comentário que redigiu, o Cardeal Ratzinger declara, especificamente, que ele e Monsenhor D. Bertone seguem a “interpretação” do Cardeal Sodano: i.e., que a Mensagem de Fátima (e o Terceiro Segredo em particular) se relaciona inteiramente com acontecimentos que, agora, pertencem ao passado. Assim sendo, o Cardeal Ratzinger afirma que o facto de o Papa ter escapado à morte em 1981 é o que a visão representa: o Papa a ser morto. Até os próprios meios de comunicação social leigos reconhecem a falsidade desta interpretação.

O texto da visão agora dado a público não contém nenhum dos elementos descritos pelo Cardeal Ratzinger na entrevista, misteriosamente censurada na revista Jesus, de 1984: nada se diz sobre «os perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão, e, consequentemente do Mundo», nem sobre «a importância dos ‘novíssimos’», nem sobre o que está contido em «várias outras aparições de Nossa Senhora» aprovadas pela Igreja, nem sobre as profecias «anunciadas nas Sagradas Escrituras». Além disso, enquanto em 1984 (três anos depois do atentado à vida do Papa) o Cardeal Ratzinger diz que o Terceiro Segredo contém «uma profecia religiosa», agora vem afirmar que não se trata de profecia nenhuma, mas apenas de uma descrição de acontecimentos do passado, que culminam na tentativa de assassinato de 1981.

Ainda por cima, o comentário do Cardeal Ratzinger escandaliza gravemente os Fiéis, ao afirmar que o Triunfo do Coração Imaculado de Maria não é mais do que a vitória do amor sobre as bombas e as armas, e que a devoção ao Coração Imaculado de Maria nada mais significa do que fazer cada pessoa a vontade de Deus, adquirindo para si, deste modo, um ‘coração imaculado’. Quanto à conversão da Rússia ao Catolicismo e à difusão por todo o Mundo da devoção ao (único) Imaculado Coração de Maria, nem sequer são mencionados no comentário do Cardeal Ratzinger.

A única “autoridade” acerca de Fátima a que Ratzinger se refere é o Padre Édouard Dhanis, S.J., um Jesuíta modernista que gastou vários anos a insinuar a dúvida sobre os elementos proféticos da Mensagem de Fátima no que diz respeito à Rússia. Dizia ele que esses elementos da Mensagem eram invenções piedosas da Irmã Lúcia. Resta dizer que o Padre Dhanis se recusou a estudar os arquivos oficiais de Fátima ou a consultar outros documentos privados que estariam à sua disposição, só para não ter que desdizer a sua falsa tese. Seguindo os erros do Padre Dhanis, que reduzem Fátima a uma piedade genérica sem qualquer profecia de acontecimentos futuros, o Cardeal Ratzinger conclui a parte do comentário da sua autoria afirmando que toda a Mensagem de Fátima se resume a: oração e penitência.

Depois, a pasmosa afirmação de Mons. D. Bertone, assessor do Cardeal Ratzinger na elaboração deste comentário (parcialmente reproduzida na foto acima, extraída do folheto do Vaticano A Mensagem de Fátima), mostra quão profundamente tanto Mons. Bertone como todo o establishment anti-Fátima caíram no erro e no revisionismo. Diz ele que a promessa de Nossa Senhora, de que seria concedido aos homens um período de Paz, estava dependente de ser tornado público o Terceiro Segredo – o que é falso. O que Nossa Senhora disse foi que seria concedido ao Mundo um período de paz, quando a Rússia tivesse sido consagrada ao Seu Coração Imaculado e, consequentemente, se tivesse convertido. Quem não tivesse visto, impressas, as palavras de Mons. D. Bertone, teria duvidado que qualquer teólogo católico ou qualquer elemento do Clero, em plena lucidez, avançasse uma interpretação tão falsa e tão grave da Mensagem de Fátima: em vista do actual estado do Mundo, a afirmação de Mons. D. Bertone de termos chegado ao fim de «um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade» toca as raias da mais completa tolice. Pensará ele que vivemos hoje uma época de paz e de tranquilidade?

Além de tudo isto, Mons. Bertone chega a afirmar, na sua parte do comentário, que «é sem fundamento» qualquer pedido de Consagração da Rússia. Como única prova daquilo que afirma, cita uma pretensa “carta da Irmã Lúcia” dirigida, em 1989, a um destinatário não identificado – “prova” que se destrói a si mesma por (falsamente) declarar que o Papa Paulo VI, aquando da sua visita a Fátima em 1967, consagrou o Mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria, coisa que nunca aconteceu. E a Irmã Lúcia nunca poderia ter cometido um tal erro, uma vez que assistiu, na totalidade, à breve visita a Fátima do Papa Paulo VI.

Por incrível que pareça, a Irmã Lúcia foi a única pessoa que não participou na “revelação” pública do Terceiro Segredo, a 26 de Junho de 2000: ainda não lhe é permitido falar, embora se diga publicamente que a Mensagem de Fátima foi totalmente revelada e que agora já não há mais nada oculto; nunca foi pedido o seu testemunho (que seria crucial) sobre a Consagração da Rússia, embora tanto os Cardeais Sodano e Ratzinger, como o Mons. D. Bertone e outros membros do aparelho do poder do Vaticano tivessem estado em Fátima semanas antes, e lhe pudessem ter falado acerca do assunto. Só a carta de 1989 – que, como vimos, não merece crédito algum – é a única evidência em que, expressamente, assenta a confiança destes funcionários do Vaticano para a sua pretensão de que a Consagração foi, realmente, feita. Ora, é curioso verificar que até hoje, nunca ninguém pediu à Irmã Lúcia para declarar a autenticidade desta carta.

Ao concluir esta conferência de imprensa (26 de Junho de 2000), o Cardeal Ratzinger menciona o Padre Gruner pelo seu nome, afirmando que ele tem de se submeter ao «Magistério da Igreja», quanto ao que foi afirmado a respeito de Fátima e da Consagração da Rússia. No entanto, não há qualquer afirmação do Papa no sentido de ele próprio ter proclamado a Consagração como já feita e dada por concluída. Também o Papa não assume qualquer papel nem nesta conferência de imprensa de 26 de Junho, nem no comentário de Ratzinger/Bertone: logo, não se trata de um documento do Magistério da Igreja (da função doutrinal do Papa, ou do Papa juntamente com todos os Bispos em união com ele) – pelo que ninguém tem a obrigação de acreditar na interpretação de Ratzinger e Bertone. Aliás, o próprio Cardeal Ratzinger o admite.

11/12 de Julho, 2000 – O Padre Gruner continua a oferecer resistência à infundada ameaça de excomunhão feita pelo Cardeal Castrillón Hoyos, e publica a resposta que lhe dirige. É de notar que o Padre Gruner é o único Sacerdote a sofrer um ataque público tão directo por parte de um Cardeal do Vaticano; e que, por outro lado, o Vaticano fecha os olhos aos inúmeros Sacerdotes que, em todas as nações, espalham heresias e se entregam a comportamentos inexprimivelmente escandalosos.

14 de Julho, 2000 – O Padre Gruner tem notícia de que o Cardeal Castrillón Hoyos dá ordens a vários Núncios para que, de todo o Mundo, chovam falsas acusações flagelando o Padre Gruner: o Núncio das Filipinas, por exemplo, faz circular a mentira de que o Padre Gruner forjou documentos do Secretariado de Estado do Vaticano, para implicar o Vaticano na aprovação do seu apostolado – coisa manifestamente absurda. Todas estas mentiras são refutadas na declaração publicada pelo apostolado. (Veja-se Fatima Priest.) O Padre Gruner pede repetidamente ao Cardeal Castrillón Hoyos que se retracte, quanto à falsa acusação que lhe fez de ter falsificado documentos. O Cardeal não faz mais do que ignorar esses pedidos e, em vez de se retractar, apenas altera a acusação transformando-a num alegado “uso inapropriado” de documentos genuínos, recusando-se, assim, a admitir que a acusação anteriormente feita tinha sido uma mentira. Todas as acusações do Cardeal Castrillón Hoyos se encontram refutadas na resposta do apostolado; no entanto, ele recusa-se a retractar qualquer uma das suas falsas alegações.

15 de Julho, 2000 – O número 64 de The Fatima Crusader é publicado pelo Padre Gruner. Este número demonstra que o texto do Terceiro Segredo que foi revelado a 26 de Junho está incompleto. (Veja-se, especialmente, o artigo sobre a existência de dois textos, por Andrew Cesanek. Há cópias disponíveis deste artigo em Italiano, Inglês, Espanhol, Frances e Português, no site de Fátima na Internet: www.fatima.org. Veja-se também o capítulo 12.)

8 de Agosto a 16 de Outubro, 2000 – O Cardeal Castrillón Hoyos não só se recusa a retirar a ameaça de excomunhão, como, a meados de Outubro, diz que vai entregar o assunto a uma «mais alta autoridade». Recusa-se a identificar quem seja essa «mais alta autoridade», mas é evidente que se trata do Secretário de Estado do Vaticano.

31 de Agosto, 2000 – Padre Gruner apresenta ao Santo Padre um segundo memorando, acerca da sua queixa canónica e do recurso ao Papa contra os Cardeais Innocenti, Sanchez e Agustoni, os Arcebispos Sepe e Grochelewski, e Mons. D. Antonio Forte, ao abrigo da Lei 1506 do Direito Canónico, com o fundamento de abuso de poder e violação do devido procedimento canónico. A acusação faz notar que (a menos que / e até que o Papa promulgue uma nova lei) o próprio Papa é obrigado, pelas leis que já promulgou, a ouvir o caso.

8 de Outubro, 2000 – Uma nova consagração do Mundo, mas não da Rússia, é realizada no Vaticano, numa cerimónia chamada uma “dedicação”. Embora os propagandistas anti-Fátima digam que a Consagração da Rússia é impossível, cerca de 1.400 Bispos e 76 Cardeais estão, a esta data, reunidos no Vaticano, e podem facilmente mencionar a Rússia pelo seu nome durante a “dedicação”. Na verdade, alguns Bispos pensam que é exactamente isso que vão fazer; mas o texto da dedicação, tornado público só na véspera da cerimónia, a 7 de Outubro, não faz qualquer referência à Rússia. Menciona, sim, uma «dedicação» do Mundo, «dos desempregados», «da juventude que busca um sentido para a vida» e outros objectos de «dedicação» – tudo e todos, menos a Rússia.

30 de Novembro, 2000 – A revista Inside the Vatican revela que um Cardeal, referido como «um dos conselheiros mais próximos do Santo Padre» confessa que Sua Santidade foi aconselhado a não mencionar a Rússia em qualquer cerimónia de consagração, porque isso ofenderia os Ortodoxos Russos. Deste modo foi confirmado, por um prelado do Vaticano, que foi a Ostpolitik e a diplomacia do Vaticano que impediram a Consagração específica da Rússia.

20 de Dezembro, 2000 – A esta data, o Padre Gruner acaba a redacção de uma queixa canónica, que dirige a Sua Santidade o Papa João Paulo II, contra o Cardeal Castrillón Hoyos, por crimes contra a Lei da Igreja; e pede formalmente, utilizando a devida fórmula canónica, a demissão do referido Cardeal do lugar que ocupa. Para tanto, invoca os Cânones 1405, 1406 e 1452 §1, ao abrigo dos quais o único juiz competente em tais casos é o Papa, e que o Papa é obrigado a decidir a queixa.

16 de Maio, 2001 – Como um reflexo do crescente cepticismo de milhões de Católicos, Madre Angélica declara, nesta data, no programa (em directo) que mantém na televisão nos E.U.A., que não acredita que o Vaticano tenha revelado a totalidade do Terceiro Segredo:

«Com respeito ao Segredo, acontece que eu sou uma daquelas pessoas que pensa que não nos foi revelado na totalidade. Já lhes digo! Claro que cada um tem o direito à sua própria opinião, não é, Senhor Padre? Pois esta é a minha opinião. É que eu acho que [o Terceiro Segredo] é assustador. E penso que a Santa Sé não iria anunciar qualquer coisa de que não há a certeza que aconteça, mas que talvez vá acontecer. Então, que fará [a Santa Sé] se tal não se realizar? O que eu quero dizer é que a Santa Sé não possui, em si mesma, os meios que lhe permitam fazer profecias.»

30 de Agosto, 2001 – O Centro de Fátima envia uma carta a milhares de jornalistas e líderes mundiais, contendo o seguinte aviso, à luz da Mensagem de Fátima:

«Virá um dia, e mais cedo do que se pensa, em que as bombas começarão a explodir, mesmo nas regiões ‘pacíficas’ do Mundo.»

11 de Setembro, 2001 – Terroristas tomam de assalto dois aviões e lançam-nos de encontro às torres gémeas do World Trade Center, em Nova York, provocando o seu total desmoronamento. Outro avião, igualmente desviado, vai despenhar-se sobre o Pentágono. Mais de 3.000 pessoas são mortas, no acto terrorista mais sangrento que o Mundo jamais viu. Este acto de guerra é uma prova cabal de que a Consagração da Rússia, que Nossa Senhora prometeu traria a Paz ao Mundo, ainda não foi feita – embora o establishment anti-Fátima insista que a Mensagem de Fátima já foi plenamente cumprida com a consagração do Mundo em 1984, e que o triunfo do Imaculado Coração de Maria está iminente.

12 de Setembro, 2001 – Pondo a claro a sua estranhíssima obsessão pelo Padre Gruner e pelo seu apostolado de Fátima, o Gabinete de Imprensa do Vaticano, pressionado por certos funcionários, publica, logo no dia a seguir ao pior ataque terrorista da História, uma “Declaração” a todo o Mundo, dizendo que o Padre Gruner foi “suspenso” do sacerdócio, e que ninguém deve tomar parte numa conferência para a paz relacionada com Fátima e organizada pelo apostolado em Roma, de 7 a 13 de Outubro de 2001. Mais se afirma que essa “Declaração” foi divulgada por «um mandato de uma mais alta autoridade». O artigo indefinido uma, cuidadosamente inserido na frase «uma mais alta autoridade», indica claramente que a “autoridade” em questão não é a mais alta “autoridade” da Igreja – ou seja, o Papa. A expressão “uma mais alta autoridade” é a voz subtil do Vaticano, na pessoa do Secretário de Estado – o Cardeal Sodano. Mas em toda e qualquer circunstância, dentro da lei da Igreja, um “mandato” emanado por um anónimo é nulo e sem qualquer força legal.

Mais: a “Declaração” não fornece bases para a dita “suspensão” do Padre Gruner, não havendo outra fundamentação que não seja a acusação, falsa, de que ele não se esforçou por conseguir encontrar outro Bispo que o quisesse incardinar, pelo que deve “regressar” a Avellino, após 23 anos. Esta “falha” que é apontada ao Padre Gruner é exactamente a mesma que a burocracia do Vaticano tinha engendrado aquando da sua interferência (sem precedentes) nas ofertas de incardinação apresentadas, ao longo dos anos, por uma série de Bispos – todos eles amigos do Padre Gruner e desejosos de encorajar o seu trabalho de apostolado.

O aviso proveniente do Vaticano afirma que esta Conferência de Roma, não «goza da aprovação da autoridade eclesiástica» – declaração, evidentemente, calculada para enganar, pois estes funcionários do Vaticano sabem perfeitamente que não é precisa aprovação nenhuma ao abrigo da Lei da Igreja (Cânones 212, 215, 278, 299), que garante o direito natural de Clerigos e leigos se associarem para discutirem assuntos preocupantes no seio da Igreja. Por incrível que pareça, os funcionários do Vaticano nunca tomaram medidas tão drásticas; ou, melhor, nunca tomaram quaisquer medidas para impedir as inúmeras conferências ou outros encontros que constantemente e por toda a parte se realizam, no seio da Igreja, por iniciativa de Sacerdotes, Religiosas e leigos – e que divergem abertamente da sã doutrina Católica. Quer isto dizer que estes mesmos funcionários parecem ver na Mensagem de Fátima a maior ameaça à Igreja actual.

O facto de o Vaticano aumentar a perseguição ao Padre Gruner apenas algumas horas depois de milhares de Americanos terem sido chacinados num ataque terrorista sem precedentes demonstra – para além de qualquer dúvida – a total perversidade da oposição à Mensagem de Fátima por parte de certos elementos da burocracia do Vaticano: nem a propagação de heresias, nem os inúmeros escândalos sexuais que têm envolvido membros do Clero durante os últimos quarenta anos, nunca provocaram uma tal reacção destes mesmos elementos do Vaticano, de quem, por obrigação e dever, se espera que protejam a Igreja dos seus verdadeiros inimigos. É um mistério de iniquidade que o primeiro imperativo destes funcionários do Vaticano, embora no meio do derramamento de sangue e da apostasia que se multiplicam pelo Mundo inteiro, se tenha tornado a supressão da Mensagem de Fátima – o único meio pelo qual esse derramamento de sangue e essa apostasia podem ser evitados.

13 de Setembro, 2001 – O Centro de Fátima responde à “Declaração” publicada pelo Gabinete de Imprensa do Vaticano, fazendo notar, entre outras coisas, que o Padre Gruner parece ter sido o único Sacerdote que, na memória viva da Igreja, foi denunciado publicamente ao Mundo devido a uma “ofensa” não especificada, por «uma mais alta autoridade» – que, afinal, ninguém sabe quem é.

21 de Setembro, 2001 – Depois de ter recebido uma «chamada telefónica eclesiástica» de alguém da burocracia do Vaticano (como depois confessou em privado), uma funcionária da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma, envia uma carta a avisar que não atenderão ao contrato com o apostolado para obter facilidades para a Conferência para a Paz no Mundo, de 7 a 13 de Outubro de 2001, em Roma – recusando-se, assim, a honrar o seu contrato escrito. Tudo isto menos de três semanas antes do começo da Conferência, e depois de o apostolado ter gasto mais de 100.000 dólares em publicidade e preparativos diversos. Pressionada para que dê uma explicação para esta dissolução do contrato, a Universidade Católica do Sagrado Coração responde que tinha (subitamente, surgiu-lhe essa urgência imprevisível de organizar uma «inspecção estrutural» das condições que poderia oferecer – inspecção que decorreria, precisamente, durante a semana prevista para a Conferência do apostolado!

28 de Setembro, 2001 – O Padre Gruner recebe uma carta datada de 24 de Agosto de 2001 directamente do Bispo Dziwisz, secretário pessoal do Papa, que é reproduzida fotograficamente, assim como a sua tradução portuguesa, na página seguinte. Nesta carta, o Bispo Dziwisz deseja calorosamente ao Padre Gruner o melhor êxito para a já próxima Conferência, em Roma, sobre Fátima e a Paz no Mundo, e a expressar a sua pena por não estar presente na Conferência devido ao Sínodo dos Bispos – a ocorrer exactamente ao mesmo tempo. Ora a expressão de apoio e os desejos de bom sucesso dirigidos ao Padre Gruner pelo Senhor Bispo Dziwisz – que tem exercido as funções de secretário pessoal do Papa João Paulo II há já uns bons 35 anos e que, para o Santo Padre, é como um filho – demonstram bem que a denúncia (sem fundamento) do Padre Gruner, publicada a “mando de uma mais alta autoridade” em 12 de Setembro de 2001, nunca poderia ter sido emanada da Casa Pontifícia. Logo, resta o Cardeal Sodano como a única outra “mais alta autoridade” que poderia ter instigado tão infundada denúncia.

25 de Outubro, 2001 – O Cardeal Ratzinger admite haver uma “desestabilização [d]o equilíbrio interno da Curia Romana” devido ao conteúdo de uma carta da Irmã Lúcia dirigida ao Papa (logo a seguir ao ataque terrorista de Nova York, a 11 de Setembro) respeitante ao Terceiro Segredo e aos perigos que ameaçam o Mundo e a própria pessoa do Papa. Ratzinger não nega explicitamente a existência desta carta. Ora o facto de o admitir indica que a onda de cepticismo que envolve a revelação feita pelo Vaticano da alegada Terceira Parte da Mensagem de Fátima se estende, visivelmente, ao interior da própria Cúria.

Dezembro, 2001 – O Padre Gruner dá uma entrevista à Directora da The Fatima Crusader num artigo intitulado “Não dispare sobre o mensageiro”. Destaca-se a seguinte declaração: «A lei de Deus e a própria lei da Igreja Católica (o Direito Canónico) dizem claramente [vejam-se os Cânones 221, 1321, 1323] que, na Igreja Católica, nenhum Sacerdote pode ser castigado com punição alguma se esse Sacerdote não cometeu um acto criminoso, ou uma transgressão da lei ou de algum preceito da Lei Eclesiástica. Uma vez que o Padre Gruner jamais cometeu um tal crime ou transgressão, é absolutamente claro e certo que o Padre Gruner não está suspenso a divinis. Qualquer um, mesmo um Cardeal, que diga que o Padre Gruner está suspenso, ou está mal informado ou é mal intencionado.»


Castel Gandolfo, 24 de Agosto de 2001

“Reverendo Padre:

“Na carta do passado dia 10 de Julho convidou-me V. Rev.ª a participar na Quinta Conferência para a Paz no Mundo que terá lugar em Roma, de 7 a 13 de Outubro.

“Agradeço-lhe vivamente e até este momento mantenho a esperança de que esta reunião, que aborda um tema tão importante como a Paz no Mundo, seja coroada de grande êxito.

“Não me será possível estar presente nesse evento porque, nessa altura, o Sínodo de Bispos estará a decorrer aqui, no Vaticano.

“Com cordiais saudações, e na esperança de que Nosso Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora de Fátima, conceda a todos todo o Bem que desejam.”

(Assinado)                             (Bispo) † Stanislaw Dziwisz


20 de Dezembro, 2001 – Em resposta ao crescente cepticismo público sobre a totalidade da revelação do Terceiro Segredo pelo Vaticano, é subitamente o próprio aparelho de Estado do Vaticano que sai a público com uma “entrevista” secreta da Irmã Lúcia, supostamente conduzida pelo Arcebispo Bertone – e efectuada mais de um mês antes (a 17 de Novembro) no Convento das Carmelitas em Coimbra. Essa “entrevista” consiste – unicamente – no relato de Bertone, em Italiano, sobre aquilo que a Irmã Lúcia supostamente terá dito em Português. Segundo o que diz Bertone, a Irmã Lúcia terá dito que a Consagração do Mundo feita em 1984 foi “aceite pelo Céu” (com que fundamento foi “aceite” é que ela não disse), e que “tudo tinha sido publicado”.

Essa “entrevista”, que Bertone afirma ter-se prolongado por duas horas, contém apenas 44 palavras alegadamente provindas da boca da Irmã Lúcia, respeitantes aos assuntos em controvérsia (a Consagração da Rússia e o Terceiro Segredo). Não é facultada qualquer transcrição ou outro registo independente dessa “entrevista”, tornando impossível determinar com precisão que perguntas terão sido feitas à Irmã Lúcia durante um interrogatório de duas horas à porta fechada, ou qual o contexto em que se encontram inseridas essas tais 44 palavras que ela alegadamente pronunciou durante essas duas horas – das quais não há qualquer registo gravado. [As inúmeras circunstâncias suspeitas desta “entrevista” secreta encontram-se analisadas no artigo intitulado “Deixem-nos ouvir a Testemunha, pelo amor de Deus!”, do Dr. Christopher A. Ferrara, no Número 70 do The Fatima Crusader (Primavera de 2002). Veja-se também o Capítulo 14 deste livro.]

Janeiro de 2002 – Apesar de o Vaticano ter afirmado que o Terceiro Segredo foi publicado na íntegra, a Irmã Lúcia continua sob a ordem de não falar em público da Mensagem de Fátima sem prévia autorização do Cardeal Ratzinger ou, pessoalmente, do Papa. E como o Mundo se precipita na violência e na falta de Deus, a Consagração da Rússia continua por fazer. Por isso, a aniquilação das nações está suspensa da balança e o Mundo prepara-se para a guerra. Na altura em que se está a imprimir este livro, em Agosto de 2003, a ameaça de guerra cresce cada vez mais e a Irmã Lúcia continua, ainda, obrigada ao silêncio.

Qual é o estado da questão?

É este o estado da questão, mais de 86 anos depois de a Mensagem de Fátima ter sido confiada aos três pastorinhos pela Mãe de Deus:

  • O pedido, tão simples, da Santíssima Virgem, de que a Rússia como nação – e não o Mundo, nem os desempregados, nem a juventude à procura de significado – seja consagrada ao Coração Imaculado de Maria, ainda tem que ser honrado. Esta não-realização é tão inexplicável como a dos Reis de França, em 1689, perante o pedido de Nosso Senhor para a Consagração de França ao Seu Sacratíssimo Coração. Todavia, esta não-consagração da Rússia trará consequências infinitamente mais ruinosas do que as que aconteceram à França durante a Revolução Francesa.

  • Somos testemunhas de uma tentativa sistemática de alterar a Mensagem de Fátima, para eliminar qualquer referência à consagração ou à conversão da Rússia, e para reduzir a Mensagem a um simples relato de eventos passados e a uma chamada de atenção para a piedade individual. Este revisionismo de Fátima é acompanhado de facto por um “saneamento” que parte da própria Igreja: quer por meio de chamadas à “obediência,” para negar a verdade, quer por meio de ameaças de excomunhão, quer pelo assassínio do carácter de qualquer pessoa que contradiga a “linha do partido” do Secretariado de Estado do Vaticano, quando afirma que Fátima pertence ao passado e que a Consagração da Rússia não deve ser mencionada nunca mais.

  • A suposta revelação do Terceiro Segredo pelo establishment anti-Fátima do Vaticano provoca mais perguntas do que aquelas a que responde. A visão ambígua de «um Bispo vestido de Branco», relatada em quatro páginas e tornada pública a 26 de Junho de 2000, não tem qualquer semelhança com o documento de uma só página que contém «as palavras que Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos como segredo» – um documento que foi visto por várias testemunhas e que foi descrito, com considerável pormenor, pelo Cardeal Ratzinger, em 1984. A “interpretação” da visão pelo poder anti-Fátima instalado no Vaticano – de que o assassinato do “Bispo vestido de Branco”, bem como de muitos outros Bispos, Sacerdotes, Religiosos e leigos, por um bando de soldados, representa o atentado fracassado contra a vida do Papa João Paulo II, por um só assassino – é francamente difícil de acreditar e, obviamente, inventada para abrir caminho à “linha do partido” de que a Mensagem de Fátima pertence ao passado.

  • Entretanto, passados quase 20 anos depois da alegada “consagração” de 1984, o que vemos na Rússia? Há dois abortos por cada recém-nascido vivo, e a população diminui cerca de 700.000 almas por ano; Vladimir Putin assinou um pacto de amizade com a China vermelha; a Rússia tornou-se um centro mundial de produção de pornografia infantil; a Igreja Católica é rodeada por restrições legais insustentáveis e está proibida de pregar a conversão ou, ainda, de ter Sacerdotes e Bispos permanentes e residentes no país (só lhes sendo permitido ficar por prazos de três meses). Sugerir que uma nação que faz tais coisas começou já a sua conversão por meio da Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é uma pretensão tão blasfema como absurda.

  • Como os revisionistas de Fátima continuam a insistir que a Mensagem de Fátima pertence ao passado, as guerras encarniçam-se por todo o globo e o Mundo vai descendo, cada vez mais rapidamente, a um abismo de corrupção total. O ataque contra a América a 11 de Setembro de 2001 é um aviso extremo de que o Mundo se está a aproximar, mais e mais, daquela aniquilação de várias nações que Nossa Senhora de Fátima anunciou seria o resultado de não obedecer ao Seu pedido de Consagração.

  • Houve sempre quem se tenha oposto à Mensagem de Nossa Senhora sobre a Paz no Mundo, através da consagração e conversão da Rússia; por isso, se rejeitaram os avisos que a Senhora de Fátima deu ao Mundo em 1917. Já ao tempo das Aparições, é bem conhecido o caso da prisão brutal dos três pastorinhos, pelas autoridades representantes do governo português. Igualmente bem documentadas são as perseguições impiedosas que, em todo o Mundo, têm sofrido os que acreditam em Fátima, sob regimes comunistas e maçónicos.

Menos familiar a muitos, todavia, é a luta, dentro da própria Igreja, por causa da Mensagem de Fátima e da sua importância – que perdura e tem toda a actualidade nos nossos dias. Apesar da aprovação oficial das Aparições de Fátima, ainda hoje existe, dentro da Igreja, um grupo pequeno mas poderoso que age activamente no sentido de suprimir a Mensagem completa de Nossa Senhora.

No entanto, milhões de almas olham ainda para a Mensagem de Fátima com Fé e com esperança, e continuam a acreditar que a Mãe de Deus não veio à nossa terra em vão. Unidas numa grande cruzada, mais de CINCO MILHÕES de pessoas têm dirigido petições ao Papa, para que faça a Consagração da Rússia, e a divulgação pública e completa do Terceiro Segredo.

Apresentámos esta cronologia na esperança de dar a todos os Católicos, e a outras pessoas de boa vontade, a oportunidade de julgarem os factos por si próprios. Não incluímos nenhum testemunho sem fundamento, nem documento algum cuja autenticidade seja questionável.

Encorajamos vivamente todos os que procuram a luz salvadora da Mensagem de Nossa Senhora de Fátima a juntarem-se a nós, pedindo ao Santo Padre, o Papa, e a outros líderes da Igreja que libertem a Irmã Lúcia da obediência da sua pesada ordem de silêncio que dura há mais de 43 anos, para que possa dar a público o Terceiro Segredo de Nossa Senhora de Fátima na sua totalidade.

Pedimos piedosamente a sua ajuda: leve esta informação à sua família, amigos e associados, e chame-lhes a atenção para a sua tremenda importância – que não poderia ser maior: ou a Paz para o Mundo, ou a aniquilação de várias nações; ou a salvação de milhões de almas, ou a condenação desses milhões de almas por toda a eternidade.

Como sempre, Deus deixa nas nossas mãos a decisão: a escolha entre o Bem e o Mal. Ele nos dará a Graça para actuar, mas não nos obriga a fazer o que é justo: porque fazer o que é justo é a nossa obrigação como Católicos, diante de Deus. Façamos a justiça, respeitando a Mensagem do Céu que desceu a Fátima – para a nossa salvação, dos nossos entes queridos, da América, das nossas Pátrias e do Mundo inteiro.

Em Jesus, Maria e José,

Padre Paul Kramer,
B.Ph., S.T.B., M. Div., S.T.L. (Cand.)

Fonte: http://www.devilsfinalbattle.com/port/appendix.htm

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-Deixem-nos ouvir a testemunha,


pelo


amor de Deus!

Poucas revelações haverá tão pouco convincentes como a versão, dada pelo Vaticano, sobre o Terceiro Segredo de Fátima. Aqueles que, em Junho de 2000, pensavam – ou esperavam – que o opúsculo A Mensagem de Fátima, da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), traria a leitura final desses acontecimentos, ficaram provavelmente surpreendidos com a recente efervescência na imprensa, a propósito de Fátima. Quando, afinal, não era caso para surpresas: é que durante cerca de quarenta anos, quase todas as tácticas – silêncio, intimidação, teologia perversa, desinformação – foram usadas para que ficasse sepultada a verdadeira Mensagem de Fátima. Mas a cortiça continua a baloiçar, mantendo-se à tona da água… O ataque terrorista do 11 de Setembro de 2001 [em Nova York] despoletou uma reacção em cadeia de histórias sobre a Mensagem de Fátima: tanto a imprensa como a Internet espalharam o burburinho de que o ataque fazia parte do Terceiro Segredo de Fátima que ainda não fora revelado na sua totalidade.

Que irritação para os criadores d’A Mensagem de Fátima (AMF)! Estes membros da CDF insistem em que a totalidade do Segredo está contida naquele opúsculo. E, é claro, o público não acredita neles: em parte porque, já de si, não são dignos de crédito; mas também porque existe uma certa percepção, um sentimento colectivo partilhado de que está iminente o nosso destino final. Sabemos desde há muito que uma “civilização do amor” é algo utópico e desprovido de sentido. Nunca existiu. É a verdadeira Mensagem de Fátima que implicitamente o confirma: o Inferno sim, existe; e muitas almas vão para lá «por não haver quem se sacrifique e peça por elas». E o ‘remédio’ posto ao nosso alcance pelo Céu – e que não é devidamente publicitado nos vários encontros inter-religiosos de oração – é a Consagração da Rússia e sua consequente Conversão, a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a reza do Terço. A autêntica Mensagem de Fátima não exige do Papa mais pedidos de perdão… é, antes, uma súplica para que Jesus nos «perdoe as nossas ofensas» e «[nos livre] do fogo do Inferno». Não estamos a viver um novo advento da Humanidade – estamos, sim, a bordo de um Titanic que vai adornando até se precipitar nas trevas do abismo; e o Mundo sente, iminente, a catástrofe – embora continue a acumular sobre si motivos que clamam por um Juízo Divino.

Ora, o 11 de Setembro de 2001 não só não impediu que o aparelho de estado do Vaticano implementasse a ‘decisão’ da Linha do Partido do Cardeal Sodano, segundo a qual Fátima “pertence ao passado”, como também – pelo contrário – fez com que se intensificasse ainda mais o esforço de impor à Igreja a interpretação-Sodano. Talvez o Sr. Cardeal (et al.) tivesse reconhecido que, com o ‘abanão’ do 11 de Setembro, alguns Católicos pudessem ‘acordar’ e dizer: “-Alto lá!… A Mensagem de Fátima não pode pertencer ao passado, porque aquilo a que assistimos não se parece, em nada, com o Triunfo do Imaculado Coração de Maria nem com o Seu prometido tempo de Paz.” Consequentemente, era preciso um “movimento de diversão” – mas concebido para reafirmar a credibilidade da Linha do Partido.

E foi assim que a 12 de Setembro de 2001, algumas horas apenas depois da derrocada das Torres Gémeas, o Gabinete de Imprensa do Vaticano emitia o seu mais importante relato oficial desse dia: uma “Declaração” da Congregação para o Clero respeitante – não aos ataques terroristas, nem aos horrendos escândalos que quase diariamente irrompem das fileiras do sacerdócio, nem à profusão de heresias e desobediências entre o Clero durante os últimos quarenta anos – mas sim respeitante ao Padre Nicholas Gruner, “o Sacerdote de Fátima”. Na Declaração afirmava-se ter a mesma sido emanada «por mandato de uma mais alta autoridade» – modo de o Vaticano se referir ao Secretário de Estado, o Cardeal Sodano, e não ao Papa (que é a mais alta autoridade).

A Declaração vinha pôr de sobreaviso todo o Mundo católico acerca de uma séria ameaça ao Bem da Igreja – ameaça de uma tal magnitude que a Congregação para o Clero nem podia sequer esperar que assentasse a poeira no local onde antes estavam as Torres Gémeas. E tal ameaça consistia numa conferência sobre Fátima e a Paz no Mundo, a decorrer em Roma, patrocinada pelo Apostolado do Padre Gruner.

Pois é verdade: a maior prioridade do Vaticano, passadas escassas horas do pior ataque terrorista da História do Mundo, era dizer a todos que não participassem numa conferência sobre a Paz no Mundo e sobre Fátima. E porquê? Porque, segundo a “Declaração”, a conferência «não gozava da aprovação da legítima autoridade eclesiástica». Todavia, quem redigiu tal Declaração sabia muito bem que, pela Lei da Igreja, não é necessária qualquer “aprovação” para se realizarem conferências para Clerigos ou leigos: o Código de Direito Canónico promulgado pelo Papa João Paulo II (Cânones 212, 215, 278, 299) reconhece aos Fiéis o seu natural direito de reunião e discussão de pontos polémicos ou que preocupem a Igreja de hoje, sem ser precisa a “aprovação” de ninguém. De facto, o Vaticano nunca emitiu qualquer anúncio sobre a “falta de aprovação” de inúmeras conferências – promovidas pelos que advogam a ordenação de mulheres e por um sem número de outras heresias -, mesmo se os participantes abusam desse seu direito natural causando graves danos morais à Igreja. Se entrarmos nesta linha de disparates, também poderíamos dizer, por exemplo, que a Conferência do Apostolado, em Roma, não tinha sido aprovada pela Associação Médica dos Estados Unidos. E o que tem a ver uma coisa com a outra?

Mas ainda não vimos o pior: a Declaração afirmava ainda que o Padre Gruner tinha sido “suspenso” pelo Bispo de Avellino. Mas devido a quê? Aparentemente, devido a nada, pois não foi apresentado nenhum fundamento para tal. No entanto, o motivo desta curiosa omissão era claro para quem quer que conhecesse os procedimentos canónicos do Padre Gruner: é que os ditos “fundamentos” eram tão despropositados que apresentá-los publicamente seria despertar publicamente o riso.

Como já referimos, o único pretexto alguma vez invocado para uma “suspensão” era que o Padre Gruner devia voltar a Avellino – Itália (onde fora ordenado em 1976), ou seria suspenso. E porquê? Por não ter encontrado um outro Bispo que o incardinasse na sua Diocese – mas o que a “Declaração” não diz é que, na realidade, houve três Bispos que se ofereceram, sucessivamente, para incardinar o Padre Gruner com autorização expressa para continuar com o seu Apostolado, e que todas essas três (eventuais) incardinações foram bloqueadas (ou consideradas “não-existentes”) pelos mesmos burocratas do Vaticano que agora vêm anunciar a eventual “suspensão”. Resumindo: o Padre Gruner foi “suspenso” por não ter “obedecido” a uma ordem à qual os seus próprios acusadores o impediram de obedecer. (Para já não falar no facto de o Bispo de Avellino não ter qualquer autoridade sobre o Padre Gruner à data de 12 de Setembro de 2001 – pois este encontrava-se então incardinado numa outra Diocese.)

Cerca de quarenta anos após o início da “Primavera” do Concílio Vaticano II, a Consagração da Rússia – não do Mundo, nem dos “jovens em busca de um sentido para a Vida”, nem dos “desempregados”, mas sim da Rússia – continua por realizar. O Mundo debate-se nas convulsões de guerras locais, do terrorismo islâmico e do holocausto do aborto, tanto assim que se torna agora mais claro que ele se precipita num apocalipse. Os fundamentalistas islâmicos, a quem os diplomatas do Vaticano preferem agora chamar «os nossos irmãos Muçulmanos», não só nos odeiam como desejam subjugar-nos ou matar-nos, de acordo com os ditames do seu Alcorão. Passados quase 40 anos de aprofundados e inúteis “diálogos ecuménicos”, as seitas protestantes estão ainda mais fracas do que no seu início, e os Ortodoxos estão mais convictos que nunca em rejeitar a submissão ao Vigário de Cristo na Terra. Gravemente ferida pela heresia e pelo escândalo, a Igreja, em várias dioceses pelo Mundo fora, perdeu toda a Sua credibilidade por culpa da corrupção dos Seus membros humanos. A nova orientação do Vaticano II é uma catástrofe; um ruinoso fracasso. Porém, no meio de tudo isto – morte, caos, heresia, escândalo e apostasia -, cada qual atingindo agora o respectivo apogeu, o Vaticano considerou como imperativo imediato alertar o Mundo para a “ameaça” do Padre Nicholas Gruner.

E assim foi. No dia que se seguiu ao 11 de Setembro de 2001, o Padre Gruner – que não cometeu ofensa alguma contra a Fé e a Moral, que sempre guardou os seus votos durante 25 anos de Sacerdócio, que nunca abusou nem de mulheres nem de ‘meninos de coro’ e que nunca roubou dinheiro nem pregou a heresia – foi publicamente condenado diante a Igreja inteira, numa Declaração que não apresentava qualquer fundamento para essa condenação, referindo apenas o “mandato” de uma anónima “alta autoridade” que nem teve a coragem e a hombridade de se apresentar pelo seu nome. Foi coisa que, em toda a memória viva da Igreja, nunca aconteceu a um Sacerdote católico e fiel. A obsessão do Secretário de Estado do Vaticano em destruir o Padre Gruner – símbolo da resistência à Linha do Partido – atingiu o nível da obscenidade.

-Porquê? Poderia tratar-se apenas de uma antipatia profundamente enraizada contra a Mensagem de Fátima e tudo o que Ela implica em relação à nova orientação da Igreja – que o Cardeal Sodano (amigo de Gorbachev) e os seus colaboradores implementam tão imutavelmente. Ao que parece, esta Mensagem perturba-os muito mais do que o actual estado da Igreja e do Mundo – que – é certo!- mudaria radicalmente para o melhor possível, se os perseguidores do Padre Gruner satisfizessem (apenas) os pedidos que Nossa Senhora fez em Fátima: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz.»

Mas não há dúvida de que o Cardeal Sodano calculou mal. Naquela condenação do “Sacerdote de Fátima”, infundada e tornada pública escassas horas após o 11 de Setembro, havia qualquer coisa que ‘cheirava a esturro’ – a ponto de muitas pessoas, normalmente inclinadas a aceitar a “Declaração” em si mesma, começarem a interrogar-se sobre ocasião tão grotesca e fora de propósito. Numa Igreja minada e caída em desgraça por Clerigos traidores surgidos em todas as nações, por que razão estaria o aparelho de estado do Vaticano tão preocupado apenas com este Sacerdote, que nem sequer vinha acusado de nenhuma má acção específica?

Fazer do Padre Gruner um ‘bode expiatório’ não seria mais bem sucedido do que os outros estratagemas anti-Fátima: contrariamente ao que desejariam alguns Prelados do Vaticano, a controvérsia de Fátima não pode ser reduzida à situação de um só Sacerdote. Nas semanas que se seguiram à “Declaração” contra o Padre Gruner, outros Católicos proeminentes começaram a expressar as suas sérias dúvidas sobre a versão-Sodano do Terceiro Segredo, segundo a Linha do Partido. Não foi só a Madre Angélica a pensar que o Terceiro Segredo «não nos foi revelado na totalidade.»

E foi então, a 26 de Outubro de 2001, que a história “rebentou”, como dizem os repórteres, quando o serviço noticioso Inside the Vatican (“Dentro do Vaticano”) (juntamente com diversos jornais italianos) lançou um artigo intitulado: “O Segredo de Fátima. Há mais a esperar?”. Dizia o artigo que: «Notícias recém-chegadas informam que a Irmã Lúcia dos Santos, a última vidente de Fátima ainda viva, já há algumas semanas enviou ao Papa João Paulo II uma carta alegadamente avisando-o de que a sua vida corre perigo. Segundo fontes do Vaticano, essa carta, que afirma que os eventos referidos no ‘Terceiro Segredo’ de Fátima ainda estão para acontecer, foi entregue a João Paulo II algum tempo depois do 11 de Setembro, pelo Bispo emérito [aposentado] de Fátima, D. Alberto Cosme do Amaral.»

Perguntado acerca da carta, o actual Bispo de Fátima, D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva «não negou que a Irmã Lúcia tivesse enviado uma carta ao Santo Padre, mas afirmou [traçando uma distinção verdadeiramente jesuítica] que “nenhuma carta da vidente exprime receio pela vida do Papa”». O Inside the Vatican revela também que «[Essas] fontes sugeriram ainda que a carta da Irmã Lúcia encoraja o Papa a revelar totalmente o Terceiro Segredo», e que a mesma carta «contém, segundo se diz, este aviso: “Em breve haverá uma grande convulsão e um grande castigo.”»

Ora o artigo do Inside the Vatican refere ainda outro encontro secreto com a Irmã Lúcia, atrás dos muros do convento – só que este não segue a linha Bertone/Ratzinger. Segundo o Inside the Vatican, o Padre Luigi Bianchi, Pároco diocesano italiano, «afirma ter-se encontrado, na passada semana, com a Irmã Lúcia dos Santos, na clausura do seu Convento das Carmelitas em Coimbra, Portugal.» Fazendo-se eco das suspeições da Madre Angélica, o Padre Bianchi «especulou sobre a possibilidade de o Vaticano não ter revelado a totalidade do Segredo para evitar criar pânico e ansiedade na população: para não assustar as pessoas.»

Quanto à “interpretação” do Segredo manifestamente ridícula, por Bertone/Ratzinger, como tendo sido uma profecia do atentado contra a vida do Papa João Paulo II, o Padre Bianchi afirmou que «A Mensagem não fala apenas de um atentado contra o Sumo Pontífice; fala, sim, de ‘um Bispo vestido de Branco’ que caminha por entre ruínas e corpos de pessoas martirizadas (…) Isto significa que o Santo Padre tem muito que sofrer, que várias nações irão desaparecer da face da terra, que muita gente morrerá, e que temos de defender o Ocidente de vir a ser islamizado. É o que está a acontecer nos nossos dias.»

O Inside the Vatican teve o cuidado de referir – tal como o The Fatima Crusader – que à Irmã Lúcia «não lhe é permitido falar com ninguém sem autorização prévia do Vaticano (…)». Nesta ordem de ideias, o Inside the Vatican para não se comprometer “jogou com um pau de dois bicos”, ao afirmar que «não fica automaticamente esclarecido se Bianchi recebeu tal autorização ou se contornou a necessidade de a obter, ou, sequer, se ele realmente se encontrou com a Irmã Lúcia, como afirma.» Seja como for, ninguém – nem a própria Irmã Lúcia – nega que houve de facto um encontro com o Padre Bianchi.

Que pelo menos algumas fontes do Inside the Vatican se encontram no interior da própria Cúria é-nos dado a entender pela resposta do Cardeal Ratzinger aos posteriores desenvolvimentos. O Inside the Vatican citou o Cardeal como tendo dito que os «recentes rumores acerca de uma carta não são mais que a continuação de “uma velha polémica alimentada por certas pessoas de credibilidade duvidosa”, com o objectivo de “desestabilizar o equilíbrio interno da Cúria romana e de perturbar o povo de Deus.”» Note-se, contudo, que nem o próprio Cardeal Ratzinger nega a existência dessa carta – da Irmã Lúcia para o Papa.

Aliás, a observação do Senhor Cardeal Ratzinger é muito reveladora. Como é que pessoas de “credibilidade duvidosa” poderiam desestabilizar o “equilíbrio interno da Cúria romana”? Se a sua credibilidade é assim tão duvidosa, a Cúria romana dificilmente poderia ser desestabilizada por aquilo que dissessem. E, afinal, quem são essas pessoas de “credibilidade duvidosa”? A peça do Inside the Vatican sugere que o Cardeal Ratzinger poderia estar a referir-se ao Padre Nicholas Gruner. E que pensar da Madre Angélica? E do Padre Bianchi? E que pensar do próprio Inside the Vatican, cujo editor, Robert Moynihan, é indubitavelmente uma criatura do aparelho de estado do Vaticano, como o próprio título da sua revista sugere? E que pensar daqueles milhões de Católicos que arvoram uma bem fundada suspeita de que Monsenhor Bertone e o Cardeal Ratzinger não estão a ser inteiramente sinceros quando afirmam que as profecias da Mensagem de Fátima – incluindo o Terceiro Segredo – “pertencem ao passado” e que, portanto, o seu aviso sobre tremendos castigos para a Igreja e para o Mundo não nos devem preocupar mais? Na verdade, que Católico consciente poderia acreditar em tal coisa, de todo o coração, dado o perigoso estado do Mundo nos dias de hoje?

Apesar de um bem concertado esforço para impor a Linha do Partido do Cardeal Sodano (o que agora incluía uma declaração – ao estilo soviético – de que o Padre Gruner deve passar a ser olhado como uma “não-pessoa” dentro da Igreja), milhões de Católicos por todo o Mundo continuam a pensar no que terá acontecido às palavras que se seguem à frase-chave «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.”» Porquê e o quê é que a AMF quis evitar, em relação a esta frase, retirando-a da Mensagem de Fátima e colocando-a numa nota de rodapé? O que aconteceu às palavras da Virgem Maria que estão por conhecer? Onde está a prometida conversão da Rússia? Porque é que não houve, até agora, um tempo de Paz para o Mundo, como a Santíssima Virgem prometeu?

Perante tais peguntas – que não se desvanecem – o aparelho de estado do Vaticano fez ainda outra tentativa de pôr um travão à especulação crescente sobre a existência de um encobrimento, antes de o escândalo transbordar e se tornar imparável. Com efeito, a afirmação do Cardeal Ratzinger acerca de uma Cúria desestabilizada indica-nos que a Linha do Partido ‘Anti-Fátima’ encontrava, agora, resistência mesmo no interior da Cúria Romana, talvez por ver a crescente desestabilização que grassa por todo o Mundo – o que dificilmente se enquadra na noção (de Ratzinger/Bertone/Sodano) de que as profecias de Fátima já pertencem ao passado.

Então, desta vez o estratagema bem poderia ser uma entrevista secreta feita à Irmã Lúcia, no seu convento em Coimbra (Portugal). A entrevista, feita a 17 de Novembro de 2001, foi conduzida pelo Arcebispo Bertone; mas – por qualquer razão que desconhecemos – o seu conteúdo manteve-se em segredo durante mais de um mês até que, a 21 de Dezembro de 2001, o L’Osservatore Romano publicou (na sua edição italiana) um breve comunicado de Monsenhor Bertone sobre essa entrevista, com o título “Encontro de Sua Excelência Mons. Tarcisio Bertone com a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Imaculado Coração”. A 9 de Janeiro de 2002 saía a público, na edição inglesa de L’Osservatore Romano, uma tradução em língua inglesa dessa entrevista.

A essência do comunicado era, segundo Mons. Bertone, ter a Irmã Lúcia dito que a consagração do Mundo feita em 1984 satisfazia o pedido da consagração da Rússia, e que «tudo foi publicado; já não há mais nada secreto». Ora, como demonstrámos no Capítulo 6, uma tal afirmação, oficial, contradiz tudo o que a Irmã Lúcia tem dito ao longo de quase setenta anos. Esta segunda declaração é apresentada como sendo a resposta da Irmã Lúcia a uma pergunta sobre o Terceiro Segredo – pergunta essa que, por muito estranho que pareça, não é fornecida.

Ora, quando qualquer jornal (ou revista) publica uma entrevista de uma pessoa importante, o que o leitor espera encontrar é, exactamente, uma série de perguntas completas seguida de outras tantas respostas completas, de modo a poder saber claramente – e no seu pleno contexto – aquilo que o entrevistado (ou, neste caso, a entrevistada) tinha para dizer pelas suas próprias palavras . Não foi assim neste caso. Embora sejamos informados de que Mons. Bertone e a Irmã Lúcia conversaram durante “mais de duas horas”, Mons. Bertone só deu a público – de toda a conversa – um resumo de sua autoria, ‘salpicado’ apenas de algumas palavras que são atribuídas à Irmã Lúcia. Não foi realizada qualquer transcrição, gravação sonora ou em vídeo daquela sessão de duas horas; e, de tudo aquilo que se afirma ter dito a Irmã Lúcia, só uns escassos 10% tinham a ver com a alegada finalidade da entrevista – nomeadamente, responder a dúvidas permanentes no espírito de milhões de Católicos quanto à Consagração da Rússia e quanto à totalidade da revelação do Terceiro Segredo, por parte do Vaticano.

Talvez já devêssemos estar acostumados a irregularidades suspeitas quanto ao modo como o aparelho de estado do Vaticano interage com a Irmã Lúcia, e esta “entrevista” – revelada com atraso e elíptica – não seria excepção. O comunicado de Mons. Bertone mostra bem como a Irmã Lúcia continua a ser tratada como se estivesse incluída no Programa Federal de Protecção às Testemunhas (vigente nos Estados Unidos). É certo que se trata de uma Freira de clausura. Mas uma entrevista é uma entrevista, e duas horas a falar são duas horas a falar. Então onde está a entrevista, e o que aconteceu às duas horas de conversa? E como se poderá harmonizar este curioso substituto da verdadeira entrevista com a afirmação de que a Irmã Lúcia já revelou tudo o que havia a dizer sobre a Mensagem de Fátima? Ora, se ela já contou tudo o que sabe, então não há nada a esconder. E se não há nada a esconder, por que razão não se publica tudo o que lhe foi perguntado e tudo o que ela respondeu naquele espaço de duas horas? Ou, simplesmente, porque não deixar que a própria Irmã Lúcia fale ao Mundo, dissipando todas as dúvidas que possam existir?

Porém, apesar da publicação da AMF que, supostamente, seria a última palavra sobre Fátima revelando tudo o que faltava ser conhecido, a Irmã Lúcia continuou ainda afastada dos microfones e de testemunhas neutras. Ela esteve completamente invisível durante o “momento da revelação” do Terceiro Segredo, em Maio-Junho de 2000, e continua invisível ainda hoje, mesmo se – assim reza a Linha do Partido – Fátima «pertence ao passado.»

Mas antes de abordarmos os vários pontos da “entrevista” de Novembro de 2001 – incluindo, na sua grande totalidade, as quarenta e quatro palavras atribuídas à própria Irmã Lúcia durante as alegadas duas horas de conversação acerca dos assuntos em controvérsia – deve notar-se que o comunicado de Mons. Bertone põe imediatamente em causa a sua própria credibilidade, com a seguinte asserção: «Continuando a discutir o problema da terceira parte do segredo de Fátima, ela [a Irmã Lúcia] diz que leu atentamente e meditou sobre o opúsculo publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé [isto é, A Mensagem de Fátima (AMF)], e confirma tudo o que aí se diz.»

Isto não poderia traduzir-se em outra coisa que não fosse uma decepção. Para começar, Mons. Bertone está a pedir aos Fiéis que acreditem piamente no seguinte:

  • A Irmã Lúcia “confirma” a alegação de AMF segundo a qual a visão contida no Terceiro Segredo incorpora imagens que a Irmã Lúcia «pode ter visto em livros de piedade», além das suas «intuições de Fé» pessoais. Por outras palavras: a Irmã Lúcia “confirma” que foi ela que arquitectou tudo aquilo.1

  • A Irmã Lúcia “confirma” os elogios que o Cardeal Ratzinger fez do Jesuíta progressista Edouard Dhanis, como “eminente conhecedor” de Fátima, embora Dhanis tenha desclassificado como sendo “invenções inconscientes” todos os aspectos proféticos da Mensagem de Fátima – desde a visão do Inferno à predição da Segunda Guerra Mundial, e até à Consagração e Conversão da Rússia. (Estes assuntos serão discutidos adiante com mais profundidade).

  • A Irmã Lúcia “confirma”, em suma, que ela própria pode muito bem ser apenas uma sincera e piedosa impostora, que mais não fez do que imaginar que a Virgem Maria veio pedir a Consagração e a Conversão da Rússia – o que torna absolutamente correcto que AMF tenha ignorado estes elementos-chave da Mensagem de Fátima, como se não existissem.

Mas observe-se tudo isto com sensatez. Quando um funcionário do Vaticano, seja qual for o seu estatuto, vem declarar à saída da reclusão de um convento que uma Freira de clausura, de 94 anos, “confirma tudo” o que está num documento de quarenta páginas – de que esse funcionário do Vaticano é co-autor -, qualquer espírito lúcido espera algo mais quanto à maneira como é feita a corroboração daquilo que se afirma. E mais ainda se esse documento de quarenta páginas sugere, embora com certa delicadeza, que a religiosa em questão arquitectou uma piedosa história que tem deixado a Igreja em suspense desnecessariamente durante mais de 80 anos.

Basta só este fundamento para podermos concluir que esta última entrevista secreta da Irmã Lúcia não é mais do que uma tentativa de manipular e explorar uma testemunha, prisioneira, a quem ainda é exigido um pedido de autorização para se dirigir aos Fiéis à sua vontade – e sem que as suas próprias palavras sejam ‘filtradas’. Mas a última vidente de Fátima continua sujeita a entrevistas à porta fechada, durante as quais está rodeada de manipuladores, que vêm depois relatar o seu “testemunho” parcelarmente e aos bocados: uma resposta sem a pergunta, uma pergunta sem a resposta. E agora pedem aos Fiéis que “engulam” a grande mentira que é acreditar que a Irmã Lúcia – escolhida por Deus para ser um dos pastorinhos videntes de Fátima – concorda com “tudo” aquilo que consta em quarenta páginas de um “comentário” neo-modernista que – tal como até o Los Angeles Times pôde verificar – «demoliu com luva branca o culto de Fátima»?

Embora seja claro – apenas com base nesta fundamentação – que a “entrevista” de 17 de Novembro de 2001 é altamente suspeita, mantém-se ainda a necessidade de o demonstrar mais amplamente, para que conste em registo histórico.

Para começar, a entrevista de Bertone foi expressamente orientada para esmagar a dúvida que crescia entre os Fiéis sobre a descarada campanha do Vaticano para empurrar a Mensagem de Fátima para a vala comum da História. Como o comunicado de Monsenhor Bertone admite:

Ainda não há muitos meses, sobretudo a seguir ao triste acontecimento que foi o ataque terrorista do passado 11 de Setembro, em jornais tanto estrangeiros como italianos têm aparecido artigos que referem presumíveis novas revelações da Irmã Lúcia, notícias sobre cartas a avisar o Soberano Pontífice, reinterpretações apocalípticas da Mensagem de Fátima.

Mais ainda: foi dado grande destaque à suspeição de que a Santa Sé não teria publicado o texto integral da terceira parte do ‘Segredo’, e alguns movimentos “fatimistas” têm continuado a repetir a acusação de que o Santo Padre ainda não consagrou a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Por esta razão foi considerado necessário organizar um encontro com a Irmã Lúcia (…)

É altura de relembrar que a Mensagem de Fátima contém não apenas promessas (se forem honrados os pedidos da Santíssima Virgem) como também avisos sobre as consequências de não se Lhe obedecer:

As Promessas:

Se a Rússia for consagrada ao Imaculado Coração,

  • o Imaculado Coração triunfará,

  • a Rússia converter-se-á,

  • muitas almas serão salvas do Inferno (mostrado aos três pastorinhos numa visão aterradora),

  • e será concedido ao Mundo algum tempo de Paz.

Os Avisos:

Se a Rússia não for consagrada ao Imaculado Coração,

  • a Rússia espalhará os seus erros por todo o Mundo,

  • promovendo guerras e perseguições contra a Igreja,

  • os bons serão martirizados,

  • o Santo Padre terá muito que sofrer,

  • e várias nações serão aniquiladas.

Apesar de podermos ter a certeza de que eventualmente as profecias de Fátima se hão-de cumprir – «Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao Mundo algum tempo de Paz» -, a questão que hoje se nos põe é se o Mundo terá primeiro de sofrer todos os castigos da profecia, incluindo o aniquilamento de nações – claramente sugerido pela cidade meio em ruínas, no exterior da qual o Papa é executado na visão do Terceiro Segredo. Recordemos ainda o facto para o qual a Irmã Lúcia (um ano após a tentativa de assassinato na Praça de S. Pedro, em Roma) alerta Sua Santidade o Papa, na suposta carta de 12 de Maio de 1982, e que vem reproduzida em AMF:

E se não vemos ainda, como facto consumado, o final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos2. Se não recuarmos no caminho do pecado, do ódio, da vingança, da injustiça atropelando os direitos da pessoa humana, da imoralidade e da violência, etc. E não digamos que é Deus que assim nos castiga; mas, sim, que são os homens que para si mesmos preparam o castigo.

Contudo, a entrevista de Bertone não conseguiu conter uma preocupação continuada e pública, por parte da Igreja, quanto aos avisos da Mensagem de Fátima. Bem pelo contrário, o que ancorava toda a posição de Monsenhor Bertone – bem como o próprio destino do Mundo – era a Linha do Partido-Sodano, à qual ele mostrava aderir fervorosamente ao dar a público em AMF (comentário de sua autoria) a afirmação absurda de que «A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo II de tornar pública a terceira parte do “segredo” de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade (…)». Portanto, a entrevista de Bertone tinha um objectivo: persuadir o Mundo de que a Paz hoje existe, e que a história em torno de Fátima acabou, podendo perfeitamente ser considerada como pertença do passado.

Examinemos, pois, as circunstâncias em que se deu a entrevista, segundo os padrões de credibilidade requeridos, inclusivamente, pelos tribunais civis e ateus para a aceitação das declarações de uma testemunha importante. Não pretendemos sugerir que a Irmã Lúcia devesse ser submetida a algo semelhante à indignidade de um julgamento civil; mas apenas que os proponentes deste último “testemunho” da “Irmã Lúcia” sejam confrontados com esses padrões mínimos de credibilidade, se nos pedem que acreditemos nele.

* 1ª circunstância suspeita: Embora a Irmã Lúcia esteja disponível para testemunhar pessoalmente, nunca foi chamada a depor pela parte que controla o acesso à sua pessoa, nomeadamente o Cardeal Joseph Ratzinger.

O comunicado de Bertone revela que a Irmã Lúcia não poderia sequer falar com o Arcebispo Bertone sem autorização do Cardeal Ratzinger – o que confirma aquilo que The Fatima Crusader tem vindo a afirmar desde há anos e que o artigo acima referido, no Inside the Vatican, igualmente aponta: a ninguém é permitido falar com a Irmã Lúcia, sem autorização do Cardeal. Esta restrição à liberdade de uma testemunha é assaz curiosa, uma vez que essa testemunha, ao que nos dizem, nada mais tem a acrescentar ao que já disse.

À luz dos padrões mínimos de fiabilidade nos processos civis, as testemunhas são chamadas a depor pessoalmente caso estejam disponíveis, de modo a que ambas as partes interessadas no caso, cujos direitos podem ser afectados por esse testemunho, tenham oportunidade de questionar a testemunha. Se uma das partes exerce controle sobre uma testemunha mas não a apresenta, os juízes de um tribunal civil fazem notar ao júri que pode concluir desse facto que o depoimento dessa testemunha teria sido desfavorável à parte em questão. Ora isto não é mais do que senso comum: qualquer das partes em litígio não teria dificuldade alguma em obter uma testemunha favorável; mas já lhe seria provavelmente bem mais difícil apresentar uma que lhe fosse desfavorável [porque só a prejudicaria].

Ora bem, a Irmã Lúcia está disponível para ser presente “à barra do tribunal da História” no caso de Fátima: não se encontra acamada, entrevada ou de qualquer modo incapacitada de aparecer em público. Bem pelo contrário, o comunicado de Bertone afirma que, à altura da entrevista conduzida em sigilo, a Irmã Lúcia «se encontrava em excelente forma, lúcida e cheia de vivacidade». Então porque é que esta testemunha, lúcida e cheia de vivacidade, que está disponível para testemunhar, nunca é apresentada pela parte que controla todo o acesso a ela? Porque é que o seu último “testemunho” foi obtido à porta fechada e apresentado, em segunda mão, num comunicado do Arcebispo Bertone?

O que aconteceria num tribunal civil, se uma das partes oferecesse um relato fragmentado do depoimento de uma testemunha-chave, podendo essa testemunha prestar depoimento prontamente e em pessoa? O júri concluiria de imediato que existia algo que estava a ser escondido. No caso de Fátima, a inferência que pode e deve ser esboçada é a de que a Irmã Lúcia foi afastada “da barra das testemunhas” porque o seu depoimento, vívido e incontrolável, iria contradizer a Linha do Partido de Sodano. Pudessem eles confiar que a Irmã Lúcia viria repetir a explicação oficial do “Partido”, então já há muito que ela teria sido trazida a testemunhar, pessoalmente e à sua vontade, perante a Igreja e o Mundo. Como assim não acontece, é Monsenhor Bertone (e não a testemunha) quem vem depor.

Mas, mesmo partindo do princípio de que a Irmã Lúcia estava acamada ou de qualquer outro modo incapacitada de testemunhar, as restantes circunstâncias da suposta entrevista não deixariam de levantar suspeitas no espírito de qualquer pessoa que estivesse no perfeito uso da sua razão. Mas prossigamos.

* 2ª circunstância suspeita : A entrevista a esta Freira de 94 anos foi conduzida secretamente pelo Arcebispo Bertone, figura de autoridade e com um motivo evidente para manipular a testemunha.

Num contexto do direito civil, presume-se haver uma influência indevida quando alguém, em posição de autoridade ou predomínio sobre uma pessoa muito idosa, obtém dela um depoimento – tal como um testamento ou uma procuração. Neste caso, o Arcebispo Bertone assume-se claramente como parte dominante, com a imponente autoridade de um título do Vaticano – enquanto a Irmã Lúcia, para além de muito idosa, é forçada pelos seus votos a submeter-se, em santa obediência, à vontade dos seus superiores, por quem esteve sempre rodeada durante aquela sessão de duas horas.

Além do mais, é óbvio que Mons. Bertone tinha a intenção de usar a “entrevista” para defender a sua credibilidade pessoal, perante o crescente cepticismo público face à Linha do Partido que defendia que Fátima estava já cumprida. Dados os recentes acontecimentos mundiais, o Arcebispo Bertone estava – obviamente – a sofrer de um descrédito substancial e progressivo, devido à sua inabalável (e indefensável) afirmação em AMF de que a decisão de tornar pública a visão do Terceiro Segredo «encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade (…)». Como simples ser humano que é, Mons. Bertone tinha todos os motivos para induzir a Irmã Lúcia a que lhe confirmasse a sua ridícula afirmação de que o Mundo alcançaria a Paz, devido à grande “realização” do Terceiro Segredo – em 1981, quando o Papa sobreviveu a um atentado. (Até Paul Harvey, leigo e comentador radiofónico, desprezou o mais claramente possível a “interpretação” do Terceiro Segredo AMF dada por Ratzinger/Bertone).

Nestas circunstâncias – Mons. Bertone conduzindo a “entrevista” e relatando depois os seus resultados -, era como um advogado de acusação que recolhe o relato de uma testemunha-chave para depois, deixando-a fora da Sala do Tribunal, vir prestar depoimento em seu lugar. Objectivamente falando, Mons. Bertone seria a última pessoa que devia ter conduzido a entrevista. A Igreja e o Mundo têm o direito de ouvir directamente o depoimento desta testemunha vital – em vez de receber relatos vindos de um interrogador parcial com segundas intenções.

* 3ª circunstância suspeita : O Comunicado de Bertone é extremamente breve, ocupando apenas um quarto de página de L’Osservatore Romano. No entanto, esse mesmo comunicado afirma que a entrevista se prolongou «por mais de duas horas.»

De que é que Bertone e a Irmã Lúcia teriam falado durante mais de duas horas, dado que o comunicado pode ser lido na íntegra em menos de dois minutos? À guisa de comparação, note-se que uma palestra de uma hora, proferida num ritmo normal de discurso, requereria aproximadamente uma transcrição de 14 páginas dactilografadas a um espaço; uma entrevista de duas horas teria requerido cerca de 28 páginas ou, aproximadamente, 14 mil palavras.

Contudo, o comunicado de Bertone referente a uma alegada entrevista de duas horas fornece apenas umas 463 palavras,3 supostamente da boca da Irmã Lúcia. E essas 463 palavras podem ser repartidas do seguinte modo:

  • 165 palavras: Uma transcrição, palavra por palavra, da opinião do Cardeal Ratzinger, em AMF (o comentário de Ratzinger/Bertone, de 26 de Junho de 2000), de que a frase «O Meu Imaculado Coração triunfará» (da qual, como já dissemos, o Cardeal notória e cautelosamente retirou as palavras «Por fim») não se referiria a acontecimentos futuros, mas sim ao fiat de Maria, há 2000 anos, ao consentir ser a Mãe de Deus.

Então agora pedem-nos que acreditemos que a Irmã Lúcia “confirma” que, quando Nossa Senhora de Fátima predisse quatro eventos futuros – «Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao Mundo algum tempo de Paz.» -, estava a referir-se à Anunciação, no ano 1º antes de Cristo! E, como seria de esperar, a ‘Lúcia de Bertone’ também “confirma” aparentemente a supressão, feita pelo Cardeal Ratzinger na profecia de Nossa Senhora, das palavras-chave “Por fim”.

Fazemos notar que a transcrição, palavra a palavra (e eram 165 palavras), de AMF inclui a citação parentética (inserida pelo Cardeal Ratzinger) do Evangelho de São João, 16:33. Ora bem: ou a Irmã Lúcia desenvolveu aos 94 anos uma memória fotográfica, ou alguém acrescentou à sua “resposta” essa transcrição (completa!) – que inclui esta citação parentética das Escrituras. (Ou talvez AMF a tivesse colocado diante da Irmã Lúcia, que, em “obediência” aos seus superiores, a devia ler em voz alta.)

  • 100 palavras: Sobre o significado do coração que a Irmã Lúcia viu na mão esquerda da Virgem durante as aparições em Fátima.

O comunicado de Bertone informa-nos de que há «um pormenor ainda não publicado» acrescentado pela Irmã Lúcia à Mensagem de Fátima. Isso pode até ser muito interessante; mas o que tem esse pormenor a ver com o assunto de uma entrevista que fez Bertone deslocar-se a Portugal, com base numa tão grande emergência?

Note-se ainda que o comunicado de Bertone anuncia este novo pormenor com grande alvoroço – para o que usa, inclusivamente, o itálico. E, de repente, a Irmã Lúcia torna-se de novo a vidente merecedora de total confiança – e como que se opõe àquela criança impressionável (segundo o Cardeal Ratzinger) que inventa coisas a partir do que leu em livros de devoção. Claro que tudo isto é uma “manobra de diversão”, de modo a afastar o pensamento de todos do assunto em causa.

  • 69 palavras: A Irmã Lúcia nega as declarações da imprensa segundo as quais ela está “muito preocupada com os recentes acontecimentos” e “já não consegue dormir, ficando a rezar noite e dia”.

Uma vez mais, isto ultrapassa o que é essencial. Mas, seja como for, a ‘Lúcia de Bertone’ dá esta resposta bastante leviana: “Como posso eu rezar durante o dia, se não descansei de noite?” Bem: é óbvio que ninguém afirmou que ela não dorme de todo. Outro tema de distracção do essencial.

Dizem que a Irmã Lúcia terá acrescentado: “Quantas coisas põem na minha boca! Quantas coisas fazem parecer que foram ditas por mim!” É verdade. Mas quem é que está a pôr falsas palavras na boca da Irmã Lúcia? Quem está a atribuir-lhe acções que ela nunca executou? Terão sido as testemunhas objectivas e imparciais a que nos referimos e que com ela falaram alguns momentos, abertamente e sem vigilância, ou terão sido as figuras de autoridade que rodearam a Irmã Lúcia durante a entrevista secreta (de 2 horas) de Bertone?

O leitor há-de reparar que a ‘Lúcia de Bertone’ nunca nega que está preocupada com os acontecimentos recentes. E quem, no pleno uso da razão, não o estaria? E – mais evidente ainda – ela nunca é inquirida sobre a carta urgente que dirigiu ao Santo Padre (denominamos este facto, na entrevista, como a omissão por demais reveladora nº 1) , nem sobre o seu encontro, face a face, com o Padre Bianchi, durante o qual (segundo Bianchi) Lúcia expressou dúvidas sobre a interpretação dada por Bertone/Ratzinger ao Terceiro Segredo (esta é a omissão por demais reveladora nº 2).

  • 39 palavras: O efeito que as aparições de Fátima tiveram na vida da Irmã Lúcia.

O que têm estas reminiscências a ver com o reiterado propósito da emergência de uma entrevista secreta no próprio convento da vidente? A Irmã Lúcia já tratou exaustivamente deste assunto nas suas volumosas Memórias. Foi então para obter só isto que um funcionário do Vaticano se deslocou a Portugal para um encontro de duas horas?

  • 34 palavras: A Irmã Lúcia nega ter recebido quaisquer novas revelações.

É realmente muito estranho que, ao mesmo tempo que a ‘Lúcia de Bertone’ nega ter tido qualquer outra revelação do Céu, declare no mesmo comunicado – e contrariamente a todos os seus anteriores testemunhos – que a Consagração do Mundo feita em 1984 «foi aceite pelo Céu». (Vejam-se as palavras que lhe são atribuídas mais adiante neste capítulo com o subtítulo “21 palavras sobre a Consagração da Rússia”). Como saberia ela tal coisa, não havendo quaisquer novas revelações?

  • 12 palavras: A Irmã Lúcia diz que a sua comunidade de Carmelitas rejeitou as fórmulas de súplica que o Apostolado do Padre Gruner está a fazer circular pedindo a Consagração da Rússia.

E que dizer disto, então? E da consagração da Rússia? Foi já feita ou não?

Até aqui contámos 419 das 463 palavras atribuídas à Irmã Lúcia, nas citações supostamente feitas palavra a palavra no comunicado. Restam apenas 44 palavras para responderem às perguntas feitas por milhões de Católicos.

É verdade. Por incrível que pareça, o tão apregoado comunicado de Bertone contém apenas quarenta e quatro palavras da “Irmã Lúcia” sobre a Consagração da Rússia e a revelação do Terceiro Segredo – assuntos que, supostamente, levaram Bertone a pôr-se a caminho, pressionado pela urgência, até ao Convento de Coimbra. Vejamos como essas quarenta e quatro palavras se distribuem:

  • 9 palavras a respeito (ao que parece) do Terceiro Segredo: “Tudo foi publicado; já não há mais nada secreto”.

A pergunta que levou a esta resposta não nos é facultada. Em vez disso, o comunicado de Bertone declara: «Para aqueles que possam imaginar que alguma parte do Segredo foi ocultada, ela respondeu:…» – seguindo-se as nove palavras acima transcritas.

«Respondeu» – a quê? Sobre o quê, exactamente, foi inquirida a Irmã Lúcia acerca da revelação, feita pelo Vaticano, da visão do Terceiro Segredo? Qual seria o contexto total onde se encaixam pergunta e resposta? E porque não foi a Irmã Lúcia inquirida sobre a única pergunta sobre que se questionavam milhões de pessoas em todo o Mundo: – Onde estão as palavras de Nossa Senhora que vêm a seguir à frase «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.»? Nós consideramos este ponto como a omissão por demais reveladora nº 3.

Repare-se ainda que nem agora, chegados que estamos ao verdadeiro núcleo da questão, nos é mostrada nenhuma pergunta em concreto, tal como:

  • - Quais as palavras de Nossa Senhora que vêm a seguir à frase «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.»?

  • -Nossa Senhora disse algumas palavras que expliquem a visão do ‘Bispo vestido de Branco’ que aparece no Terceiro Segredo?

  • -Ou incluirá o Terceiro Segredo um texto em separado que explique a visão do ‘Bispo vestido de Branco’?

  • -O que tem a Irmã Lúcia a dizer sobre o depoimento de numerosas testemunhas (incluindo o Bispo de Leiria e o Cardeal Ottaviani), de que o Terceiro Segredo foi escrito numa única folha de papel – opondo-se, deste modo, às quatro folhas de papel nas quais estava escrita a visão do ‘Bispo vestido de Branco’?

Todos estes pormenores foram cautelosamente suprimidos. Nem sequer nos foram dadas a conhecer as palavras da única pergunta que foi feita à vidente. Esta é a omissão por demais reveladora nº 4.

  • 14 palavras sobre a interpretação Bertone/Ratzinger do Terceiro Segredo: «Isso não é verdade. Eu confirmo totalmente a interpretação [do Terceiro Segredo] feita no ano do Jubileu».

Com estas palavras, a Irmã Lúcia está supostamente a negar as notícias divulgadas pela imprensa segundo as quais ela teria expressado, tanto ao Padre Luigi Bianchi como ao Padre José dos Santos Valinho, as suas dúvidas sobre a interpretação do Terceiro Segredo de AMF. Se, por um lado, Bertone nunca perguntou nada à Irmã Lúcia sobre a carta que endereçara ao Papa – segundo relata o Padre Bianchi -, por outro lado, ela também nunca negou ter-se encontrado pessoalmente com o Padre Bianchi no seu Convento (das Carmelitas) em Coimbra, nem que ambos discutiram a interpretação do Terceiro Segredo feita pelo Cardeal Sodano.

E espera-se, então, que acreditemos ter Lúcia concordado que o Terceiro Segredo foi plenamente realizado a 13 de Maio de 1981, com a tentativa falhada de assassinato do Papa João Paulo II – mesmo se ela própria, em carta dirigida ao Papa um ano mais tarde (a 12 de Maio de 1982), nada diz sobre o atentado, antes se opõe à Linha do Partido quando afirma que «não vemos ainda o facto consumado do final desta profecia»; e se, nessa mesma carta (é bom frisá-lo), a Irmã Lúcia não estabelece qualquer conexão entre a tentativa de assassinato e o Terceiro Segredo.

  • 21 palavras sobre a Consagração da Rússia: «Eu já disse que a Consagração desejada por Nossa Senhora foi feita em 1984, e que ela foi aceite pelo Céu.»

Alegadamente, tais palavras foram ditas pela Irmã Lúcia em resposta à pergunta: «O que tem a dizer sobre as persistentes afirmações do Padre Gruner, que anda a recolher assinaturas pedindo ao Papa que consagre finalmente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, coisa que ainda não foi feita?»

Primeiro que tudo, o facto de o Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé ter viajado até Coimbra para obter comentários sobre o Padre Gruner – que lhe serviriam para uma divulgação a toda a Igreja – é a plena demonstração de que o aparelho de estado do Vaticano considera o Apostolado do Padre Gruner como um foco de oposição (de primeira ordem) à Linha do Partido.

Mais ainda: o que quereria dizer a “Irmã Lúcia” com a curiosa afirmação de que a Consagração do Mundo fora “aceite” pelo Céu como sendo a Consagração da Rússia? Estará a “Irmã Lúcia” a afirmar, com seriedade, que o Céu “aceitou” uma conciliação imposta pelos diplomatas do Vaticano? Desde quando é que o Céu aceita um substituto, decidido pelos Homens, para um determinado acto ordenado por Deus? E mais: como poderia a “Irmã Lúcia” saber que o Céu tinha “aceite” tal consagração, se, segundo declaração de Mons. Bertone, ela também afirmou não ter havido nenhuma outra revelação celeste?

Ora bem: pode bem ser que Deus “aceite” a nossa recusa em cumprir com a Sua vontade – no sentido de que Deus nos concede a liberdade de Lhe desobedecer neste Mundo -, mas isso não significa que aquilo que Deus “aceitou” seja do Seu agrado.

E repare-se ainda: ao dizer que o acto de Consagração do Mundo de 1984 fora “aceite”, não estaria a Irmã Lúcia apenas a referir-se a uma simples “aceitação” (e mais nada para além disso), no mesmo sentido em que foi aceite a Consagração do Mundo de 1942, feita pelo Papa Pio XII, que veio encurtar a Segunda Guerra Mundial, mesmo não se cumprindo o pedido de Nossa Senhora de Fátima? Não estaria a Irmã Lúcia a tentar responder à pergunta de um modo que satisfizesse o entrevistador, Mons. Bertone – assinalando contudo que, embora tal “aceitação” pudesse conferir ao Mundo alguns benefícios, não se trataria daquele tempo de Paz que a Virgem de Fátima prometera, se o Seu pedido específico fosse honrado? Com efeito, onde está aquele tempo de Paz que a Senhora prometeu? O facto de não existir essa Paz só vem demonstrar que mesmo se o Céu “aceitou” a cerimónia de 1984 por aquilo a que ela se destinava, já, por outro lado, o Céu não considerou tal cerimónia como valendo pelo cumprimento do pedido específico de Nossa Senhora de Fátima. Portanto, é irrelevante a autoridade de que possam estar revestidos Mons. Bertone e os seus colaboradores do Vaticano: eles não podem, pura e simplesmente, declarar a existência de algo que os nossos próprios sentidos nos dizem que não existe – a conversão da Rússia e, por todo o Mundo, aquele tempo de Paz que se seguiria a uma correcta Consagração dessa Nação ao Imaculado Coração de Maria.

Seja como for, já demonstrámos exaustivamente que a Irmã Lúcia testemunhou repetidas vezes, em declarações amplamente divulgadas, que as cerimónias de Consagração de 1982 e de 1984 não eram o suficiente para honrar o pedido de Nossa Senhora, porque, em nenhuma dessas ocasiões, nem a Rússia fora mencionada nem houve participação do episcopado de todo o Mundo. Mas segundo a entrevista de Bertone, contudo, a vidente alterou radicalmente o seu testemunho, declarando agora que a cerimónia de Consagração de 1984 «foi aceite pelo Céu.»

O que significará, ao certo, «foi aceite pelo Céu» é um enigma para toda a gente. Será que o Céu decidiu “aceitar” qualquer coisa – menos o que Nossa Senhora de Fátima tinha pedido – depois de ter havido negociações entre o Céu e o Cardeal Sodano?

Mas o que é digno de nota é que a Irmã Lúcia não é questionada acerca das suas várias declarações anteriores em que ela afirmava o contrário, nem se lhe pede explicação sobre a sua suposta alteração de testemunho. Esta é a omissão por demais reveladora nº 5. Então, espera-se que acreditemos piamente que nada do que a Irmã Lúcia disse antes tem qualquer valor e que, só quando ela fala com Mons. Bertone, em segredo, é que diz a verdade sobre este assunto.

Bastante significativo é o facto de a ‘Lúcia de Bertone’ não nos dizer quando, onde ou a quem ela “já disse” que a Consagração de 1984 – por ela anteriormente declarada inaceitável – é agora aceitável. Porquê uma tal imprecisão, quando Mons. Bertone tinha agora uma oportunidade única de arrumar este assunto, apresentando um testemunho específico? Porque não lhe pediu ele, por exemplo, que autenticasse algumas das diversas cartas, escritas a computador, que começaram misteriosamente a aparecer em 1989, com a suposta assinatura da Irmã Lúcia – cartas que afirmam ter-se a Consagração da Rússia realizado em 1984?

E o mais suspeito de tudo é o facto de AMF, como já fizemos notar, assentar inteiramente numa destas estranhas cartas, datada de 8 de Novembro de 1989, como prova de que a Consagração fora já realizada. Fizemos também notar que a credibilidade dessa carta desfez-se por si mesma, com a falsa afirmação de que o Papa Paulo VI já tinha consagrado o Mundo ao Imaculado Coração de Maria durante a sua breve visita a Fátima em 1967 – consagração que nunca aconteceu. Porque é que Bertone não fez qualquer tentativa para autenticar esta carta, tão candentemente discutida, e ainda por ser a única evidência citada em AMF?

Em todo este relacionamento de factos, é muito significativo que o Apostolado do Padre Gruner tenha provado publicamente que essa carta (endereçada a Walter Noelker, cujo nome nem sequer é revelado em AMF) é uma fraude evidente. Essa prova foi dada a público no nº 64 da revista The Fatima Crusader, da qual circulavam uns 450 mil exemplares à data da entrevista de Bertone em Novembro de 2001.

Claro que Mons. Bertone sabia, certamente, que The Fatima Crusader tinha exposto o carácter fraudulento da referida carta de 1989; mas, apesar disso, ele não tratou de pedir à Irmã Lúcia que a autenticasse – provocando, desse modo, um considerável abalo à credibilidade do apostolado do Padre Gruner. Ora, esta aparente ‘falha’ poderia não ter sido um descuido, mas sim um modo de refutar que a posição tomada pelo Padre Gruner e pelo seu apostolado fora, em primeiríssimo lugar, a verdadeira razão de ter sido Mons. Bertone a conduzir a entrevista com a Irmã Lúcia.

Porque teria Mons. Bertone desperdiçado esta oportunidade dourada de usar a Irmã Lúcia – a sua “testemunha-vedeta” – para refutar a asserção do Padre Gruner de que a carta de 1989 tinha sido forjada? Obviamente, porque Mons. Bertone devia saber já que se tratava de uma fraude e, consequentemente, não se atreveu a pedir à Irmã Lúcia que a autenticasse durante a entrevista. Iremos considerar este facto como a omissão por demais reveladora nº 6.

Portanto, é esta a soma total – quarenta e quatro palavras – daquilo que a Irmã Lúcia terá dito durante uma entrevista de duas horas sobre uma das maiores controvérsias da História da Igreja. E é-nos pedido que aceitemos, como sendo o final da história de Fátima, estas 44 palavras de uma testemunha sempre ocultada – palavras que, supostamente, se destinavam a dissipar todas as dúvidas, perguntas e receios de milhões de Fiéis – mesmo se, manifestamente, a Rússia não se converteu, e a convergência das forças de violência e de rebelião contra Deus e contra a Sua Lei ameaçam acrescidamente a cada dia que passa.

* 4ª circunstância suspeita: Não foi disponibilizada qualquer gravação ou transcrição dessa entrevista.

Porque é que não foi apresentada nenhuma transcrição da entrevista, nem uma gravação áudio ou vídeo, nem qualquer outra reprodução isenta, de modo a mostrar com toda a precisão, que perguntas foram feitas por Mons. Bertone, que respostas (completas) deu a Irmã Lúcia, a própria sequência de perguntas e respostas e quaisquer comentários ou sugestões que, tanto Mons. Bertone como os restantes presentes, poderiam eventualmente ter feito à Irmã Lúcia durante as «mais de duas horas» em que estiveram juntos na mesma sala? Onde está aquela troca verbal que se pode ver em qualquer entrevista publicada?

Mais ainda: porque precisou Mons. Bertone de mais de duas horas para conseguir obter quarenta e quatro palavras da Irmã Lúcia sobre os assuntos em debate? Se admitirmos que a Irmã Lúcia precisou de 1 minuto para produzir essas 44 palavras – então, que mais disse ela e Mons. Bertone, o Padre Kondor e a Madre Superiora, nos restantes 119 minutos do encontro? Ter-se-ia feito recordar à Irmã Lúcia o seu voto de “obediência”? Ter-lhe-ia sido insinuado que toda a Igreja estava suspensa das suas respostas, por forma a pôr termo a esta controvérsia “divisiva”? Ter-lhe-ia sido sugerido que a sua lealdade “ao Santo Padre” requeria que ela aceitasse a Linha do Partido, mesmo se a (supostamente sua) carta ao Papa, de 1982, a contradiz? Ter-lhe-ia sido dito como era importante para a Igreja o facto de ela garantir a toda a gente que a Rússia já tinha sido consagrada, apesar de tudo o que, em contrário, ela dissera ao longo de toda a sua vida? Ter-lhe-ia sido dada a impressão de que, se assim não fizesse, estaria a contradizer o próprio Papa?

Ou talvez, tendo a Irmã Lúcia dado muitas respostas que não agradaram ao seu inquiridor, ter-lhe-ão feito – sempre e unicamente – as mesmas perguntas, repetindo-as e formulando-as de maneiras diferentes, até ela ter produzido as respostas “correctas”? Até que ponto terá a testemunha sido sujeita a semelhante pressão, mais ou menos subtil, durante as duas horas em que esteve, fechada numa sala, rodeada por imponentes figuras de autoridade?

Se nada houvesse a esconder, certamente Mons. Bertone teria feito com que uma entrevista tão crucial – com a única testemunha ainda viva das aparições de Fátima, ao tempo já com 94 anos – fosse gravada em áudio ou em vídeo ou, pelo menos, transcrita palavra a palavra por um estenógrafo, de modo a que as declarações da testemunha pudessem conservar-se no caso de ela falecer – o que, atendendo à sua idade, decerto sucederá num futuro mais ou menos próximo. Estamos, contudo, tentados a afirmar que não existe gravação alguma, nem transcrição, nem nenhum registo independente de toda a entrevista de Mons. Bertone – porque, ao que parece, há um medo terrível de deixar que esta testemunha fale à vontade, pelas suas próprias palavras, em resposta a uma série de perguntas, simples e directas. Das quarenta e quatro palavras da “Irmã Lúcia” que aparecem no comunicado de Bertone, cada uma delas é cuidadosamente ponderada, como que deixada cair de um conta-gotas.

É certo que o registo destas declarações era de um risco enorme. E se a Irmã Lúcia, com toda a coerência, desse as respostas “erradas”? E se as respostas que ela desse tivessem de ser ‘reconstituídas’ de entre perguntas dirigidas ou de subtis persuasões, quer do entrevistador quer dos outros assistentes? O que fazer com um registo que revelasse tais coisas? Como poderia ser afastado do público ou só parcialmente revelado? Como poderia ser escondido ou destruído, uma vez criado?

Sentir-nos-íamos felizes se se pudesse demonstrar que estamos errados. Talvez haja uma fita ou uma transcrição total dessa sessão de duas horas. Mas – se há – seria muitíssimo revelador que o Vaticano nunca a tenha apresentado.

* 5ª circunstância suspeita: O comunicado italiano é supostamente assinado por Mons. Bertone e pela Irmã Lúcia; mas a tradução em língua inglesa omite a “assinatura” desta.

Em primeiro lugar, porque é que a Irmã Lúcia assina o comunicado em italiano de Mons. Bertone sobre aquilo que ela alegadamente lhe disse em Português? Porque é que a Irmã Lúcia não faz nem assina o seu próprio testemunho, dado na sua língua materna? E se é mesmo verdade que a Irmã Lúcia falou com Mons. Bertone durante mais de duas horas, porque não preparar simplesmente uma transcrição fidedigna das suas palavras em Português – que ela assinaria -, em vez do tão conveniente comunicado de Mons. Bertone?

Além disso, por que razão foi omitida a “assinatura” da Irmã Lúcia da tradução inglesa do comunicado? Pensando bem, que documento deveria ser por ela assinado em primeiríssimo lugar? – o comunicado em italiano, ou o original português do mesmo documento (que, por sinal, ainda ninguém apresentou)?

E, em suma, que valor terá a “assinatura” da Irmã Lúcia aposta a um documento escrito numa língua que ela não fala – o italiano (a Irmã Lúcia não fala italiano), mas apenas nesta versão -, que cita parcialmente o seu testemunho, mas não apresenta as perguntas completas que lhe foram feitas nem as respostas completas que ela deu?

A conclusão – a que inevitavelmente se chega – é a seguinte: tanto Mons. Bertone como o próprio aparelho de estado do Vaticano não têm qualquer intenção de, algum dia, vir a autorizar a Irmã Lúcia a pronunciar-se à vontade, de uma forma completa e com as suas próprias palavras acerca dos assuntos fundamentais que ficaram ainda por esclarecer, referentes à Mensagem de Fátima. É isto mesmo que vem ao de cima com a circunstância suspeita que se segue:

* 6ª circunstância suspeita: O livro, de 303 páginas, recém-publicado pela Irmã Lúcia sobre a Mensagem de Fátima, omite por completo todo e qualquer assunto supostamente tratado na entrevista secreta de Bertone.

Em Outubro de 2001, a casa editora da Biblioteca do Vaticano publicou um livro da Irmã Lúcia intitulado Os apelos da Mensagem de Fátima. A Introdução, igualmente de sua autoria mas revista e aprovada pela Congregação para a Doutrina da Fé, insiste em que é intenção da Irmã Lúcia dar «a resposta e elucidação às dúvidas e perguntas que me têm sido dirigidas.» O Prefácio, do actual Bispo de Leiria-Fátima, observa do mesmo modo que a Irmã Lúcia «não conseguindo responder individualmente a todas as pessoas, pediu à Santa Sé autorização, que lhe foi concedida, para compor um escrito onde pudesse dar resposta, de forma global, às múltiplas interpelações recebidas.»

Pois a despeito do seu reiterado propósito, aquelas 303 páginas não abordam nenhuma das “dúvidas e perguntas” que prevalecem acerca da Mensagem de Fátima. Os erros da Rússia, o Triunfo do Imaculado Coração de Maria, a Consagração da Rússia que resultará na sua conversão, o período de Paz prometido pela Santíssima Virgem como fruto dessa Consagração e o Terceiro Segredo nem sequer são mencionados no livro – e muito menos discutidos. Nem mesmo a Visão do Inferno é mencionada no excurso da Irmã Lúcia sobre a vida eterna e a busca do Perdão de Deus. Em suma: o que o livro apresenta é uma Mensagem de Fátima exaustivamente expurgada, totalmente despida de qualquer dos seus elementos proféticos e admoestadores – precisamente para concordar com a Linha do Partido. A versão da Mensagem de Fátima que encontramos neste livro só muito dificilmente precisaria de um Milagre do Sol ‘para que todos acreditassem’.

Mas o que é verdadeiramente espantoso é que, quando a Irmã Lúcia é autorizada a escrever um livro (de 303 páginas) que trate das «dúvidas e perguntas» sobre a Mensagem de Fátima, ela nada esclarece dessas dúvidas e perguntas que milhões de pessoas continuam, efectivamente, a ter. Só quando é entrevistada – em sigilo e por um inquiridor pessoalmente comprometido que, por sinal, até é uma relevante figura de autoridade da Igreja -, é que é permitido à “Irmã Lúcia” alongar-se em torno destas dúvidas e perguntas. Mas, mesmo então, as suas respostas são fragmentárias e não vêm directamente da sua boca nem no seu próprio idioma. Em vez disso, elas são veiculadas através do Arcebispo Bertone que, das duas horas de conversação com a sua ‘testemunha em cativeiro’, nos oferece quarenta e quatro palavras relevantes.

Vejamos agora o somatório das circunstâncias suspeitas que rodeiam todo o contacto com a testemunha-chave do ‘Caso Fátima’:

  • Ninguém pode falar com a testemunha sem o consentimento de uma das partes do caso – a que controla todo o acesso a ela -, mesmo se e quando nos é dito que ela não tem mais nada a dizer.

  • Enquanto crescem as dúvidas em torno das versões oficiais do depoimento da testemunha, ela é sujeita – aos 94 anos – a uma entrevista secreta, orientada por uma imponente figura de autoridade, que vem então dar a público fragmentos de respostas a perguntas feitas, num comunicado ao qual é aposta a assinatura da vidente – mesmo não estando o comunicado escrito na sua língua materna.

  • Uma das versões do comunicado leva supostamente a assinatura da testemunha, logo abaixo da do seu inquiridor – assinatura que, por sinal, é retirada de outras versões onde só a primeira aparece.

  • O comunicado não fornece nem as perguntas completas feitas à testemunha, nem as respostas desta no seu contexto integral.

  • Das 463 palavras que o comunicado atribui à testemunha, só 44 têm a ver com o assunto em controvérsia – num total de duas horas de conversação!

  • Não é fornecida transcrição alguma, nem outro qualquer registo ou gravação isentos do depoimento da testemunha.

  • O depoimento, secretamente obtido e fragmentário, contradiz diversas afirmações anteriores desta mesma testemunha.

  • Nem a própria testemunha nem mais ninguém faz qualquer esforço para explicar qual a razão das suas anteriores (e agora alteradas) afirmações.

  • Durante a entrevista secreta com a testemunha, nenhuma tentativa é feita para obter a sua autenticação de “cartas” que lhe são atribuídas e cuja autenticidade é claramente posta em dúvida – nem sequer nenhum esforço para se obter a autenticação daquela “carta” em que o próprio inquiridor se baseou, unicamente, como sendo uma prova da alegada modificação do depoimento da testemunha [sobre a Consagração da Rússia].

  • O exame sigiloso feito à testemunha inviabiliza quaisquer perguntas específicas sobre as enormes (e bem conhecidas) discrepâncias do caso, das quais a testemunha tinha particular conhecimento – incluindo as seis omissões por demais reveladoras supra expostas.

  • E quando permitem à testemunha publicar um livro inteiro que trate das «dúvidas e perguntas» que lhe foram dirigidas a respeito da Mensagem de Fátima, esse livro não contém nenhuma referência a qualquer das dúvidas e perguntas que, na realidade, continuam a preocupar milhões de pessoas – dúvidas e perguntas essas que são, unicamente, abordadas numa entrevista secreta de que não existe qualquer transcrição ou outro registo verdadeiramente isento.

Tanto o Arcebispo Bertone como o Cardeal Ratzinger ocupam altos cargos na Igreja. No entanto, e com todo o respeito devido a esses cargos, nada consegue vencer a razoável suspeita que essas circunstâncias – e as já mencionadas omissões por demais reveladoras – não podem deixar de levantar num espírito capaz de raciocinar. Nenhum tribunal civil aceitaria o depoimento de uma testemunha tão rodeada por tantos indícios de não-fiabilidade. Ora, quanto à Igreja, é-nos lícito esperar, pelo menos, a mesma medida de transparência e de abertura que um juiz civil requereria. -Deixem-nos ouvir a testemunha, pelo amor de Deus!

E nós, com toda a imparcialidade, vemo-nos chegados a uma conclusão – que é óbvia para qualquer observador neutro desta misteriosa “manipulação” da Irmã Lúcia do Imaculado Coração: cada uma das razões observadas nos leva a crer que está a ser perpetrada uma fraude; está a ser falsificado o depoimento de uma testemunha-chave (na realidade, a última testemunha ainda viva). E uma tal falsificação fraudulenta é mais um elemento do crime sob escopo.

Mas porquê? Para além do motivo que já demonstrámos – o de promover a todo o custo a nova orientação da Igreja que colide com a Mensagem de Fátima -, acreditamos que um outro motivo existe ainda, pelo menos no caso do Cardeal Ratzinger. Fundamos tal conclusão no que já debatemos no Capítulo 8: a aprovação do Cardeal Ratzinger, expressa em AMF, do ponto de vista de Edouard Dhanis, S.J. – o neo-modernista “demolidor” de Fátima. Ao confirmar Dhanis como um “eminente conhecedor” de Fátima, o Cardeal Ratzinger torna evidente que ele (tal como Dhanis) mantém que os elementos proféticos da Mensagem referentes à Rússia e a tudo o mais – o que (recordemos) Dhanis apoucou, chamando-lhe «Fátima II» – são pouco mais do que congeminações de uma pessoa simples e bem intencionada, mas seriamente levada por ilusões.

Como vimos, o Cardeal Ratzinger mostra juntar-se à linha de pensamento de Dhanis ao afirmar, em AMF (o comentário Ratzinger/Bertone), que o Terceiro Segredo, no seu todo, poderia bem ser em grande medida uma mistificação: «A conclusão do “segredo” lembra imagens, que Lúcia pode ter visto em livros de piedade e cujo conteúdo deriva de antigas intuições de fé.» Ora, sendo isso verdade quanto ao Terceiro Segredo, também poderia ser ‘a verdade’ de toda a Mensagem de Fátima. Pois que outra conclusão teria o Cardeal a intenção de sugerir?

Relembramos a propósito que foi o mesmo Cardeal que reduziu o culminar de toda a Mensagem de Fátima – o Triunfo do Imaculado Coração – apenas ao -Fiat da Santíssima Virgem Maria, de há 2.000 anos (e nada mais)! Semelhantemente, o Cardeal desconstruiu a profecia da Santíssima Virgem de que «Para as salvar [isto é, salvar as almas do Inferno], Deus quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração.» Ora, segundo a interpretação do Cardeal (que decerto muito agradaria a Dhanis), a devoção ao Imaculado Coração de Maria não significa mais – e aqui novamente nos confrontamos com uma blasfémia – do que cada qual adquirir, para si próprio, um “Imaculado Coração”. Citando uma vez mais AMF: «Segundo o evangelho de Mateus (5, 8), o “imaculado coração” é um coração que a partir de Deus chegou a uma perfeita unidade interior e, consequentemente, “vê a Deus”. Portanto, devoção ao Imaculado Coração de Maria é aproximar-se desta atitude do coração, na qual o fiat - “seja feita a vossa vontade” – se torna o centro conformador de toda a existência.» É o Cardeal Ratzinger quem suprime as iniciais maiúsculas de “Imaculado Coração”, de modo a reduzi-Lo a um “imaculado coração” que qualquer um pode conseguir para si próprio, simplesmente por se conformar à vontade de Deus. Com esta exercitação de um claro e deliberado reducionismo da Mensagem de Fátima, o Cardeal completa o seu ‘saneamento’ sistemático de todo e qualquer pedacinho de conteúdo profético católico.

Encontrámos agora o exacto motivo adicional no ‘caso do Cardeal’: dada a sua evidente descrença nas autênticas profecias da Mensagem de Fátima – descrença que partilha com Dhanis, o único “estudioso” de Fátima por ele citado -, parecerá que o Cardeal Ratzinger não pensa sequer que está a cometer fraude absolutamente nenhuma. De facto, pode ser que ele acredite que a supressão do testemunho, total e livremente expresso, da Irmã Lúcia seja um real serviço que está a prestar à Igreja. Com esta afirmação, o que queremos frisar é que o Cardeal Ratzinger não acredita absolutamente nada nos elementos proféticos da Mensagem de Fátima: nem quanto à necessidade da Consagração e Conversão da Rússia, e do Triunfo do Imaculado Coração de Maria no nosso tempo, nem quanto às desastrosas consequências que haverá, na Igreja e em todo o Mundo, pelo facto de não se terem na devida conta, atentamente, estes elementos de profecia. Por conseguinte, o Cardeal consideraria que o facto de suprimir tais elementos seria suprimir certas falsidades perigosas que estão a “causar perturbação” entre os Fiéis – por muito que a Irmã Lúcia possa acreditar que tudo isso é verdade.

De tudo quanto o Cardeal tem afirmado se torna bastante claro que tanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé como Dhanis dão muito pouca – ou nenhuma – credibilidade ao testemunho da Irmã Lúcia, segundo o qual a Virgem pedira a Consagração e a Conversão da Rússia, de modo a vir a estabelecer-se no Mundo o Triunfo do Imaculado Coração de Maria. É evidente que o Cardeal não acredita que, através do Milagre do Sol, foi Deus Quem autenticou este testemunho para além e acima de qualquer dúvida. Pois a que outra conclusão pode chegar-se a partir da elogiosa confirmação, por parte do Cardeal, daquele mesmo “teólogo” que tentou desacreditar toda a profecia de Fátima?

Aqui temos, pois, um motivo secundário para tudo isto: no seu espírito, o que o Cardeal considera estar a fazer é proteger a Igreja da agitação, a “germinar” de há muito a partir de uma “revelação privada” – à qual ele, tal como Dhanis, não atribui grande peso. Assim, o revisionismo ou a supressão do testemunho da Irmã Lúcia sobre estes assuntos, do ponto de vista do Cardeal, nada teria de errado. Pelo contrário, o Cardeal poderá mesmo considerar que é esse o seu dever. E, se assim é, ele tem a obrigação (por essa sua posição de “chefia”) perante a Igreja e a Humanidade, de ser cândido sobre as suas verdadeiras intenções. Ao que parece, o Cardeal Ratzinger partilha da atitude de outros “iluminados” que povoam o interior do Vaticano e que pensam que os “simples Fiéis” são tão estúpidos que não compreendem o que é melhor para eles. E é isso que pode explicar a razão pela qual o Cardeal não se deu ao trabalho de revelar os seus preconceitos aos “não-iluminados” – esperando, antes, que todos eles confiem na sua “(cor)recta” interpretação.

Em suma, torna-se-nos impossível concluir outra coisa senão que a Mensagem de Fátima se encontra agora sob custódia daqueles que, pura e simplesmente, não acreditam nela e que querem vê-la terminada de uma vez por todas, tal como também deixaram a sua marca na nova política do Vaticano – do ecumenismo, do «diálogo inter-religioso», de uma fraternidade mundial de religiões e de uma «civilização do amor» conduzida pelas Nações Unidas.

Mas o Mundo precipita-se, cada vez mais veloz, na violência e na devassidão moral – enquanto, por seu lado, a não-conversão da Rússia, cada vez mais evidente, se ergue mais e mais, pedindo a presença de um Deus fulminador. Sob tais circunstâncias, devem os Fiéis leigos – do mesmo modo que os Sacerdotes e Bispos fiéis – continuar a insistir com as suas simples perguntas, bem como a rezar e a trabalhar para que chegue o dia em que os Homens que tomam as rédeas do Poder no Vaticano permitam, por fim, ao Papa que faça precisamente aquilo que a Mãe de Deus lhe pediu há 74 anos atrás. Queira Deus libertar a Igreja do mau governo que Ela tem – e bem depressa! Para que esteja próximo o dia em que nós, os Fiéis, possamos usar do direito conferido por Deus de pedir ao Soberano Pontífice que afaste dos cargos que ainda ocupam os acusados (e seus colaboradores) desta autêntica derrocada – solução que debateremos no último capítulo.

Os diários da Irmã Lúcia registam que em Rianjo (Espanha), em Agosto de 1931, ao falar do reiterado adiamento dos Seus ministros para a Consagração da Rússia, Nosso Senhor lhe disse: «Participa aos Meus ministros que, dado seguirem o exemplo do Rei de França na demora em executar o Meu mandato, tal como a ele aconteceu, assim o seguirão na aflição.»

Jesus disse-lhe ainda: «Não quiseram atender ao Meu pedido!… Como o rei de França, arrepender-se-ão, e fá-lo-ão, mas será tarde.» Em que medida será tarde, e quanto mais o Mundo e a Igreja terão de sofrer – isso depende daqueles que mantêm a Mensagem de Fátima sob custódia e controlam todo o acesso à última testemunha, ainda viva, dos Seus recados vindos do Céu.

E, em alguma medida, depende também de cada um de nós fazer por desmascarar e por se opor à fraude que está a ser perpetrada no Mundo, pondo em sério perigo milhões e milhões de almas, e ameaçando a Paz e a segurança de nações inteiras.

Foi por essa razão que escrevemos este livro.


Notas

1. Pelo contrário, como documenta o Padre Alonso, a Irmã Lúcia afirmou que «tudo quanto dizia respeito às aparições da Senhora não era já uma simples recordação, mas como uma presença impressa na sua alma como se fosse marcada a fogo. É ela própria quem nos chama a atenção para o facto de que tais coisas ficavam impressas na sua alma de tal modo que lhe seria impossível esquecê-las. Por isso, estas recordações da Irmã Lúcia são mais como recontos de algo que permanece inscrito e para sempre gravado no mais profundo da alma da autora. Ela aparece como alguém que “vê”, muito mais do que alguém que “recorda”. A facilidade dessa “recordação” é, de facto, tão grande que ela só tem de “ler” – tal como tudo se encontra – a sua alma.» Padre Joaquin Alonso, “Introdução”, Fátima contada pelas palavras de Lúcia, p. 13.

2. Cf. nota 48 do Capítulo 8.

3. Ocasionalmente, ao referir-se ou citando o comunicado de Bertone, este Capítulo por vezes utiliza a tradução inglesa, de Dezembro de 2001, dos Serviços de Informação do Vaticano, a partir do original italiano. Outras vezes, serve-se de L’Osservatore Romano, na sua versão inglesa de 9 de Janeiro de 2002. E, muito raramente, é também usada a nossa própria tradução, a partir da versão italiana.

Fonte: http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch14.htm

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O autêntico Segredo de Fátima morreu com a Irmã Lúcia?

Pergunta o Fatima Center

Fort Erie, 14 de Fevereiro de 2005Ao mesmo tempo que o Fatima Center lamenta a morte da Irmã Lúcia, a última sobrevivente dos videntes de Fátima, também pergunta se o verdadeiro Segredo de Fátima morreu com ela. Nos últimos 45 anos, ela esteve proibida pelo Vaticano de falar sobre o misterioso Segredo, e morreu ainda sob esta imposição de silêncio.

O Segredo devia ter sido revelado em 1960, mas o Papa João XXIII decidiu não o fazer. Em 26 de Junho de 2000, o Cardeal Ratzinger divulgou no Vaticano uma parte do Terceiro Segredo com a visão de um “bispo vestido de branco” que é morto a tiro por um grupo de soldados. Nessa mesma visão, também muitos bispos, sacerdotes e leigos são executados por esses soldados.

Segundo a interpretação do Vaticano, o Terceiro Segredo não é mais do que a profecia da tentativa de assassínio do Papa João Paulo II de 13 de Maio de 1981 por um só homem, Mehmet Ali Agca.

Inúmeras fontes, Católicas e não-Católicas, questionaram a autenticidade desta interpretação. Até o Washington Post de 1 de Julho de 2000 pôs em causa a interpretação que o Vaticano deu do Segredo, por não corresponder à visão apresentada. Em 13 de Maio de 1981, nem o Papa foi morto nem mais ninguém morreu, e não havia soldados a disparar contra quem quer que fosse.

O Padre Nicholas Gruner, Director do Fatima Center, é um especialista de Fátima de renome mundial. Dedicou mais de 27 anos do seu sacerdócio a divulgar a Mensagem de Fátima através da sua revista The Fatima Crusader, assim como pela televisão, rádio e Internet (www.fatima.org). E comenta: “A Nossa Mãe Santíssima queria que fosse divulgado todo o Terceiro Segredo. Mas tudo indica que ainda está por revelar o Segredo completo.”

O conteúdo da visão divulgada pelo Vaticano não concorda com as declarações das pessoas que leram o Terceiro Segredo. O Cardeal Mario Ciappi, Teólogo Papal, disse em 1995: “No Terceiro Segredo é predito, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará pelo cimo.” Em 1984, o Cardeal Ratzinger disse que o Segredo continha avisos sobre os “perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão e, consequentemente, do mundo”, mas em 2000 já não fez qualquer alusão a essa faceta do Segredo. Em 1980, o Papa João Paulo II, estando em Fulda, referiu-se a que o Segredo incluiria a profecia de “que os oceanos inundarão inteiramente certas partes da terra, e que, de um momento para outro, milhões de pessoas morrerão.” Da mesma maneira, este aspecto do Segredo não se encontra no comunicado do Vaticano de Junho de 2000.

A Irmã Lúcia foi proibida pelo Vaticano de falar publicamente de Fátima e do Terceiro Segredo. O Padre Gruner comenta: “A Irmã Lúcia era o único Católico do mundo que não podia falar publicamente sobre a Mensagem e o Terceiro Segredo sem autorização prévia do Vaticano. Desde a alteração do Direito Canónico em 1966 que todos os membros da Igreja têm liberdade de falar e escrever o que entenderem sobre a Mensagem de Fátima, excepto aquela que Deus escolheu para dar a mensagem à humanidade.”

Desde 1960 que a Irmã Lúcia esteve, de facto, sob uma lei de silêncio imposta pelo Vaticano. A sua última entrevista a ser publicada sem autorização prévia do Vaticano deu-se em 1957. Durante os últimos 15 anos, o Fatima Center fez uma campanha para que a Irmã Lúcia fosse libertada desta imposição de silêncio. Pediu repetidas vezes ao Vaticano que a autorizasse a confirmar ou negar publicamente todas as declarações que lhe foram atribuídas sobre o Terceiro Segredo e a Mensagem de Fátima. Nunca lhe foi dada esta autorização.

O Fatima Center continuará a promover a Mensagem de Fátima, na sua totalidade, e prosseguirá na sua campanha para que seja revelado o texto completo do Terceiro Segredo.

Contacto: The Fatima Center, Coralie Graham. Horas de expediente: 1-716-853-1822. Email: Fatimanews@lastmilenet.ca O tema do Terceiro Segredo está tratado em profundidade no livro O Derradeiro Combate do Demónio. Consulte o site da Internet do Fatima Center: www.fatima.orgFonte: http://www.fatima.org/port/news/021505lucyport.asp

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O Centro de Fátima Corrige
Erros Sobre
O Terceiro Segredo

As Aparições de Fátima não podem ser consideradas
como simples “Revelações Privadas”

O dia 7 de Junho de 2000 – FORT ERIE, ONTARIO, CANADÁ: O diretor de uma das maiores organizações católicas vem questionando as opiniões de um dos Cardeais de alto nível do Vaticano, com referência às aparições da Santíssima Virgem Maria aos três pastorinhos, há mais de 80 anos, em Fátima, Portugal.

Padre Nicholas Gruner, que dirige o Centro de Fátima situado em Fort Erie, com publicações que atingem mais de um milhão de pessoas no Canadá, Estados Unidos e no mundo inteiro, afirma que as declarações recentes do Cardeal Josef Ratzinger sobre Fátima, contradizem o ensino de especialistas de renome mundial, bem como as declarações de Papa João Paulo II.

Em Fátima, no dia 13 de Maio de 2000, fazendo alusão a Jacinta e Francisco, os Videntes de Fátima, o Papa João Paulo II disse: “Segundo o plano divino, ‘uma mulher vestida de sol’ (Apoc. 12:1) veio do Céu a esta terra visitar às crianças privilegiadas do Pai.” O Padre Gruner acrescentou, “Aqui no Centro de Fátima estamos perplexos com a afirmação do Cardeal Ratzinger de que seria livre, aceitar ou não as mensagens de Fátima, logo depois do Papa João Paulo II ter afirmado que Fátima é o cumprimento das profecías bíblicas e do plano divino.”

Em uma entrevista publicada no dia 19 de Maio no periódico italiano, La Reppublica, o Cardeal Ratzinger disse: “Os Católicos são livres de aceitar ou não as aparições de Fátima como autênticas. “Naturalmente, ninguém é obrigado a acreditar em aparições,” E continuou, “Repito, não estamos falando em dogmas de Fé.” O Cardeal disse isto numa entrevista sobre a intenção do Vaticano recentemente anunciada, de publicar nas próximas semanas o “Terceiro Segredo” mantido em siglio por tanto tempo.

O Padre Gruner cita várias autoridades eruditas, quem têm refutado a opinião do Cardeal, argumentando que as aparições de Fátima e as mensagens que transmite, devem ser levadas a sério por todos os católicos. Uma dessas autoridades, O Padre Joseph de Ste-Marie, que ensinou teología em Roma, por uma década, afirmou num artígo publicado em 1982: “Uma vez que o Papa julgou e reconheceu que uma profecia anunciada é, na verdade, de Deus, deve-se obedecer, não ao profeta, mas ao próprio Deus!

Outro especialista citado é o teólogo alemão o Bispo Rudolph Graber, que foi diretor-chefe da redação do “Fátima Journal” nos final dos anos 50. Numa conferência em 1965, o Bispo Graber disse: “Uma distinção cuidadosa deve ser feita entre revelações pessoais . . . e àquelas onde a mensagem se dirige a toda a humanidade. O primeiro pode ser ignorado com equanimidade, porém o segundo tem que ser levado a sério, E Fátima pertenece a esta segunda categoria.”

O Padre Paul Kramer, outro sacerdote católico do Centro de Fátima explicou: “O Céu tem que ser obedecido de uma forma absoluta, quando se tem certeza moral que o Céu falou. Assim, ainda que Fátima não seja um dogma de fé, não obstante, temos a obrigação moral de acreditar na mensagem e obedecer inteiramente aquilo que Deus manda, através do pedido de Nossa Senhora. Desta maneira, o Santo Padre declarou, em Fátima no dia 13 de Maio de 1982, na presença de um milhão de pessoas. . . “que a mensagem de Fátima impõe uma obrigação sobre toda a Igreja e é dirigida à raça humana inteira.”

Comentando estas palavras de João Paulo, o Padre Gruner acrescentou: “Se o Papa não tivesse feito esta declaração, a crença na mensagem de Fátima poderia ser rejeitada, segundo o capricho individual.”

Opiniões similares sobre a obrigação do Católico em aceitar a mensagem de Fátima foram expressas por outras autoridades muito críveis,” continuou o Padre Gruner, “incluindo o Pere Balic, Presidente da Academia Mariana Internacional de Roma, e o falecido Cardeal Cerejeira, então Patriarca de Lisboa e Primaz de Portugal, anteriormente responsável de Fátima.

Outra razão pela qual Fátima não pode ser refutada, diz o Padre Gruner, “é pelo grande Milagre do Sol no dia 13 de Outubro de 1917, quando o sol dançou no céu durante 12 minutos. Este milagre público, anunciado três meses antes, foi visível por 70.000 pessoas, incluindo, ateus e o redator do periódico português ‘O Século’ que relatou tudo em sua edição do dia 15 de Outubro de 1917.”

“Este milagre endossa a verdade da mensagem de Fátima e nos dá a certeza moral de que a sua Mensagem é verdaderamente de Deus. Quando 70.000 pessoas são convidadas, três meses antes, para presenciar um milagre público, que sem duvida, aconteceu na hora designada, temos a certeza moral de que o Céu, na verdade, falou,” concluiu o Padre Gruner. “Não estamos tratando de uma simples ‘revelação privada’ em que estariamos livres de dar ou não, importancia!”

Por qualquer Contato: Padre Nicholas Gruner,
(716) 853 -1822 O Centro de Fátima,
452 Kraft Rd., Fort Erie,
Ontario, Canada L2A 4M7

O Centro de Fátima, lar da Cruzada de Fátima, é o maior apostolado mundial que propaga a Mensagem completa de Fátima, pela divulgação do Terceiro Segredo e pela Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Os meios usados para transmitir ao público, aquilo que Nossa Senhora está pedindo, inclue também toda a Mídia: Imprensa, Internet, Radio e a Televisão. Para mais informações a respeito do Terceiro Segredo, e para saber 1.)o que o Cardeal Oddi e o Papa João Paulo II falaram anteriormente sobre o seu conteúdo, 2.) as declarações do Padre Joseph de Ste-Marie e o Bispo Graber sobre a obrigação de obedecer à Mensagem de Fátima, 3.) uma entrevista com o Padre Paul Kramer que explica a necessidade de levar a todos o conhecimento de uma reprodução fotográfica do texto original do Terceiro Segredo escrito com o próprio punho e letra da Irma Lúcia e, 4) um relato fatual do Milagre do Sol do 13 de Outubro de 1917, favor acessar. . . www.fatima.org/port

Fonte: http://www.fatima.org/port/news/pthirdsecret04c.asp

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O Derradeiro Combate do Dem�nio

Como continuam a circular por toda a Igreja diversas controvérsias e escândalos, e cada Católico é livre de decidir qual a resposta, interna ou externa, mais adequada a esta crise, devemos ter o cuidado de resistir a duas tentações muito sérias e entre si relacionadas.

A primeira é a tendência a perder a perspectiva correcta sobre o estado actual do Corpo Místico de Cristo, dando uma importância indevida a certos efeitos particulares dessa crise (abusos sexuais entre o clero, escassez de vocações, catequese de má qualidade, aparecimento de dissidentes, etc.) ou tendo uma visão limitativa da região geográfica afectada (p. ex. �é um problema só da América, mas Roma há-de salvar-nos em breve�). Esta tentação pode ainda manifestar-se no desejo de aceitar uma situação ou condição mais representativa(s) de um estádio anterior do problema – ou até mesmo de lutar por ela(s) – de preferência a uma verdadeira solução.

A segunda tentação, relacionada com a primeira, é a de saltar para a mesma trincheira dos modernistas, relegando implicitamente a ordem sobrenatural para um plano inferior ao da ordem natural. Tal tendência pode manifestar-se quando as acções temporais se tornam prioritárias em relação à oração e ao sacrifício, ou quando se considera e dá maior ênfase ao aspecto meramente físico do comportamento imoral de um sacerdote do que ao aspecto espiritual. Resvalar em semelhante erro e arrastar consigo sacerdotes (que se tornam dissidentes) para terrenos estritamente racionais ou naturalistas é caminho para a derrota certa e leva, previsível e directamente, às mãos do Demónio. Especialmente dentro de uma cultura naturalista – cuja perigosa filosofia, conduzida pela idolatria do �progresso� e da �descoberta�, invadiu a Igreja (o tal �pensamento mundano� de que fala o Papa Paulo VI) – pode ser difícil manter uma perspectiva católica adequada.

Por vezes, quando se é apanhado nas disputas e nas tristezas da versão americana do Catolicismo, é útil erguer o olhar para além das trincheiras e fazer um inventário, tanto das verdadeiras causas como do alcance e dos objectivos de uma guerra maior. Foi essa oportunidade que me foi dada, quando o carteiro me trouxe um exemplar de O Derradeiro Combate do Demónio – livro que oferece uma perspectiva diferente de qualquer outra.

Uma Visão Católica da História

�Suponha, caro amigo, que o Comunismo foi somente o mais visível dos instrumentos de subversão usados contra a Igreja e contra as tradições da Revelação Divina (�) As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé, na Sua liturgia (�) Chegará um dia em que o Mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus (�) Nas nossas igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: �Para onde O levaram?’ (�) Ouço à minha volta inovadores que querem desmantelar a Capela-Mor, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os Seus ornamentos e fazê-La ter remorsos do Seu passado histórico.�1 (ênfase minha, neste e noutros textos)

Um dos mais espantosos depoimentos dados a público no último século incluía estas palavras do Cardeal Eugenio Pacelli, então Secretário de Estado do Vaticano e futuro Papa Pio XII, tal como foram registadas pelo seu biógrafo, Monsenhor Roche. Aqui, não só 1.- o Comunismo é claramente identificado como um �instrumento de subversão a ser usado contra a Igreja� como ainda é feita uma grave advertência quanto 2.a.- à expansão do naturalismo (�a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus�) e quanto 2.b.- à alteração da Fé Católica, particularmente com respeito à �Sua liturgia� . Acrescidamente, 3.- todos estes aspectos se relacionam com �[A]s mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima�.

As aparições de Fátima detêm, na história da humanidade, um significado especial – significado que continua precisamente até aos dias de hoje. Através da História, certas ocorrências-chave têm sido grandemente influenciadas (e mesmo ditadas) por factores sobrenaturais; tanto assim é que qualquer análise que não tome em conta tais factores é incompleta ou imprecisa:

A história daquela dúzia de homens descendo da sala de cima (onde se escondiam) para enfrentarem corajosamente a perseguição e a morte certa, proclamando em várias línguas a Verdade do Nosso Divino Salvador, está incompleta sem a divina assistência do Espírito Santo.

A história de um general que venceu os seus adversários e, obtendo o controle do Império Romano, anunciou uma era de liberdade para a Igreja está incompleta sem as instruções do Céu que lhe foram reveladas em sonhos.

A história de toda uma nação que, submetida à idolatria pagã e a satânicos sacrifícios humanos, se converte em massa ao Catolicismo em poucos anos está incompleta sem a visita da Santíssima Virgem a um pobre camponês e sem a miraculosa dádiva que a Senhora concedeu a todo o país.

A história da Batalha de Lepanto, em que uma pequena armada do Ocidente da Europa alcançou a sua maior vitória naval contra hordas maometanas em número muito superior, está incompleta sem a Fé robusta de um Papa Dominicano e sem a fervorosa devoção ao Santíssimo Rosário que ele vigorosamente divulgou durante os anos anteriores.

A história de uma nação católica, outrora orgulho da Cristandade, que sucumbe às tentações modernas e sofre uma Revolução cujas ondas de choque continuam a fazer-se sentir por todo o mundo, está incompleta sem as revelações do Sagrado Coração de Jesus, que Nosso Senhor concedeu a uma freira de clausura.

E a história de uma era que começou com um ateísmo sistemático que torturava e matava dezenas de milhões de Fiéis – o que continua até hoje com uma Igreja dizimada, incapaz de se opor ao holocausto sem precedentes do aborto e que, unida a um mundo secularizado, luta por que seja reconhecido o seu �contributo para a cultura�, está lamentavelmente incompleta sem a referência à visita da Nossa Mãe Santíssima a Fátima e à Mensagem que a Senhora aí confiou aos três pastorinhos.

A Visita, o Milagre e a Mensagem

Naquele ano decisivo de 1917, poucos meses antes de a Revolução Bolchevista ter dominado a Rússia e, sob o nome de �comunismo�, ter estrangulado o mundo conhecido com violência, terror e intimidação, Nossa Senhora de Fátima revelou à Irmã Lúcia a necessidade da Consagração �[d]essa nação� ao Seu Coração Imaculado, e as consequências que adviriam do não cumprimento desse dever. Em vez de fazer uma análise dos factores sócio-políticos que contribuíram para a guerra, Nossa Senhora disse simplesmente que a guerra era o castigo dos pecados da humanidade.

Em vez de propor uma solução que envolvesse uma cooperação e um diálogo multinacionais, a Senhora afirmou que o remédio estaria em estabelecer, em todo o Mundo, a Devoção ao Seu Coração Imaculado. Em vez de discutir possíveis soluções naturais, o que Nossa Senhora ordenou foram soluções sobrenaturais: a Devoção ao Seu Coração Imaculado, a recitação diária do Terço do Santíssimo Rosário e a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados.

Desde então, especialmente depois do começo da Segunda Grande Guerra, as mensagens de Fátima têm vindo a tornar-se, para alguns, mais um embaraço e um obstáculo do que uma promessa de auxílio divino. Os dois pedidos específicos que acabaram por causar maiores problemas foram as instruções de 1.- como seria dada a conhecer a parte final da Mensagem de Fátima (o Terceiro Segredo) e 2.- o pedido de a) o Papa, b) em conjunto com os Bispos de todo o Mundo, c) consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Devido a uma urgência que tomou corpo durante os últimos vinte anos, à medida que as campanhas revisionistas das Mensagens de Fátima iam passando – desde um silêncio oficial e uma não menos oficial distracção sobre o assunto, até ataques abertos e excessivos -, o nível a que chegou o conflito entre certos membros da actual Hierarquia da Igreja posto a par da simplicidade da Mensagem da Nossa Mãe Santíssima a três pastorinhos acabou por se tornar um tema de filmes de Hollywood – alguns deles com elementos que pareciam ultrajantes demais para ser verdade:

Um segredo confiado à Igreja para ser revelado em 1960, no alvorecer de um Concílio revolucionário, mas que foi mantido em segredo por mais quatro décadas, para agora ser (só parcialmente) revelado e de uma maneira falha de consistência – o que deixou milhões de Católicos perplexos e chegou a ser descrito por cépticos ateus como �dando a suspeita de ter sido abafado�.

Uma política diplomática de �tolerância� e �diálogo� para com os outros governos e religiões que impede o Santo Padre de mencionar uma simples palavra (�Rússia�) com medo das consequências políticas.

Uma freira de clausura na casa dos 90 anos impedida de falar sobre Fátima com quem quer que seja – mas que, supostamente, dá a sua aprovação àqueles mesmos que atacam a credibilidade do seu carácter.

Uma organização que, embora enfrentando o problema de centenas de clérigos que se entregam às perversões mais repulsivas que a humanidade conhece, prefere dedicar-se, com todo o empenhamento e recursos, a perseguir aqueles (Sacerdotes e leigos) que não aceitam a sua versão revisionista da Mensagem de Fátima nem a sua �nova orientação� em geral.

Mas até as melhores tentativas de relegar Fátima para o passado, separando-a dos factos, estão condenadas ao insucesso. Havendo 1.- várias gerações de Católicos criados à Luz da História de Fátima – uma história simples e bela de uma Mãe que tanto amou os Seus filhos que desceu à Terra para lhes deixar uma mensagem de Esperança e os meios para a concretizarem -, é impossível pedir-se-lhes agora que a esqueçam ou que deixem que se altere a Mensagem que a acompanhava, desafiando o significado da Celeste Visita e do Milagre do Sol. Com 2.- igrejas, escolas e associações religiosas ostentando o nome de Nossa Senhora de Fátima, com 3.- a autenticação das Aparições pela Igreja, com 4.- a inserção de um novo dia festivo no calendário litúrgico sob esta invocação, com 5.- uma série de Papas que, sucessivamente, expressaram a sua devoção a Nossa Senhora de Fátima e, agora, com 6.- a Beatificação de dois dos videntes, as tentativas de reescrever esta importante Mensagem não podem e não irão prevalecer! E, note-se: A. se esses pedaços tão �inconvenientes� da Mensagem de Fátima não são autênticos nem merecedores de crédito, então porquê tantos apelos à oração e à penitência? Ou então, B. se nenhuma dessas revelações é fiável, porque é que a Aparição foi declarada autêntica ou espalhou devoção de imediato? Como a estação de televisão EWTN evidenciou:

�A declaração da Beatificação de Jacinta e Francisco Marto em 13 de Maio de 2000 representa a penúltima etapa para o reconhecimento oficial pela Igreja da sua santidade. Também acrescenta mais uma confirmação da autenticidade e do valor da Mensagem de Fátima�.2

Este embaraço que vemos em relação à Mensagem de Fátima é muito semelhante ao do clero modernista quanto a anteriores ensinamentos de Papas que foram Santos. Há Igrejas que têm o Seu nome, são invocados em orações, e as Beatificações que realizaram ficaram efectivas para sempre; no entanto, os Seus ensinamentos e os Seus motivos de Fé são desprezados como sendo �desactualizados�, num sacrifício aos deuses insaciáveis do �progresso�. Uma tal concessão teórica feita à Tradição Católica falha redondamente quando aplicada ao caso de Fátima: as palavras da Santíssima Virgem não podem ser �alargadas� nem reinterpretadas nem alteradas na sua sintaxe de uma maneira �mais pastoral�. É que, ou Nossa Senhora disse aquelas palavras ou não as disse – e ninguém pode separar a Sua aparição ou o Milagre do Sol da Mensagem em si. O ataque-relâmpago revolucionário para refazer a Igreja de acordo com as conveniências ou com a vontade do �homem moderno� choca desastrosamente com um obstáculo, no que respeita a Fátima – assunto que, mais do que qualquer outro, ensombra o clero inovador. E, embora os funcionários do Vaticano preferissem não ter nada a ver com a oposição a Fátima, o certo é que as suas tácticas não podem ser interpretadas de nenhum outro modo.

Apresentando o Caso

O Derradeiro Combate do Demónio tem três objectivos fundamentais. O primeiro é uma observação geral, não apenas da Mensagem de Fátima e da controvérsia em torno dela, mas da crise da Igreja como um todo. Ao contrário de obras que limitam o escopo de análise a um curto período de tempo ou a uma limitada região geográfica, esta análise cobre numerosos eventos ao longo de vários séculos.

Nunca tantos dados documentais tinham sido antes apresentados de um modo tão coerente. Desde os avisos do Papa contra o liberalismo e o modernismo até às novas atitudes e tácticas empregues pelo Concílio Vaticano II; desde os pormenorizados planos maçónicos para subverter a Igreja até à confirmação (feita por ex-comunistas) da existência real de infiltrações nos Seminários; desde as filosofias que dominaram a revolução católica dos anos 60 até aos escândalos homossexuais do clero de hoje; desde a não-revelação do Terceiro Segredo no tempo pedido por Nossa Senhora até à campanha de propaganda revisionista de Fátima – esta obra tudo relaciona e conglomera.

O segundo objectivo é ir delineando uma acusação formal contra os altos Prelados que, por palavras ou por obras, maliciosa e sucessivamente obstruíram a Mensagem de Fátima e impediram que fossem satisfeitos os pedidos de Nossa Senhora (em particular, a divulgação do Terceiro Segredo e a Consagração colegial da Rússia).

Este livro não hesita em revelar nomes e em pormenorizar acusações específicas contra os acusados, apresentando o caso ao julgamento da mais alta autoridade da Igreja.

Tal como o Abade de Nantes compreendeu há alguns anos (e mais recentemente o Padre Nicholas Gruner), não é provável que, num qualquer tempo próximo, venha a lume um juízo de valor sobre estes assuntos – e, neste caso, cada fiel Católico fica sem nenhum outro recurso, pois não tem autoridade para julgar os seus superiores. Nenhuma aparição pode substituir a Fé Católica ou a infalibilidade do Magistério (com efeito, um desvio em relação a qualquer uma destas entidades é razão para rejeitar a autenticidade de uma aparição), e muito menos pode ser usada como justificação ou desculpa para um cisma ou para usurpar a autoridade reservada ao Santo Padre. Ora, como os pedidos da Mensagem de Fátima não são de modo algum contrários à Fé Católica e estão, em si mesmos, relacionados com acontecimentos e devoções específicos, a divulgação da Mensagem nunca deveria ser vista ou tratada como um acto de subversão (À maneira de um aparte – e já que, infelizmente, ainda é preciso repeti-lo -, lembremos aos leitores que o facto de expressarem as suas preocupações sobre o assunto ou mesmo de fazerem acusações específicas contra os seus superiores hierárquicos não é julgá-los).

O último objectivo é o facto de este livro ser uma chamada à acção, sublinhando o que cada Católico pode fazer para divulgar a Mensagem de Fátima e se opor ao seu revisionismo. Diga-se muito a propósito que aquilo que se deve fazer primeiro e com maior prioridade é rezar e cumprir os pedidos de Nossa Senhora que dizem respeito a cada um de nós [dentro do seu estado de vida]. De nada serve acusar os outros de não serem fiéis à Mensagem de Fátima, se cada qual, pela sua negligência na oração e na devoção, fizer precisamente o mesmo.

Ramificações Apocalípticas

À primeira vista, o título do livro pode parecer um tanto inexacto. Qual a razão por que uma obra sobre a Mensagem de Fátima e a corrupção na Igreja se vai focalizar no combate apocalíptico entre o Bem e o Mal? Embora tivesse inicialmente achado que o título era inapropriado, nada estaria mais longe da verdade. Se tratarmos a controvérsia sobre Fátima apenas como algo respeitante à �Hierarquia da Igreja� ou à �filosofia moderna�, cairemos nas mesmas armadilhas que foram apontadas nos parágrafos de abertura deste meu artigo.

Ao abordar o combate entre o Bem e o Mal, não é o autor deste livro nem certas pessoas de credibilidade duvidosa que exageram, sem necessidade, a situação crítica que a Mensagem de Fátima nos apresenta. Referências apocalípticas como estas têm vindo a ser fornecidas por diversas fontes absolutamente credíveis.

Durante a cerimónia de Beatificação de Jacinta e Francisco Marto, no dia 13 de Maio de 2000, o Papa João Paulo II referiu-se por duas vezes ao Capítulo 12 do Livro do Apocalipse – primeiro citando o versículo 1º:

Por desígnio divino, veio do Céu a esta terra, à procura dos pequeninos privilegiados do Pai, �uma Mulher revestida com o Sol’ (Apoc. 12:1).�3

Escusado será dizer que a primeira parte deste versículo (�E um grandioso sinal apareceu no Céu��) poderia igualmente ter conexões com a história de Fátima. Depois o Papa refere-se ao versículo 4º:

�A Mensagem de Fátima é um apelo à conversão, alertando a humanidade para não fazer o jogo do �dragão’ cuja �cauda arrastou um terço das estrelas do Céu e lançou-as sobre a terra’ (Apoc. 12:4).�4

Tradicionalmente, o Catolicismo tem interpretado as �estrelas do Céu� desta passagem como uma referência aos Cardeais, Bispos e Sacerdotes da Igreja Católica. E finalmente, ainda a este propósito, é a Irmã Lúcia que vem citar a Fonte mais digna de crédito:

�Ela [Nossa Senhora] disse-me que o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é a batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, temos agora de escolher um dos lados. Ou somos de Deus ou somos do demónio: não há meio termo.�

Perseguidos por Fátima

Embora, sob certos aspectos, O Derradeiro Combate do Demónio possa alimentar alguma especulação (que não decorre directamente das fontes indicadas), os seus argumentos básicos e essenciais são sustentados por uma soma considerável de provas – evidências que (na maior parte ouvidas da boca de uma religiosa – hoje a Carmelita mais idosa de Coimbra / antes a pastorinha escolhida pela Mãe de Deus para transmitir ao mundo a Sua Mensagem) são, precisamente, o motivo pelo qual o caso de Fátima tem ensombrado (e continuará a fazê-lo) estes altos funcionários da Igreja que rejeitam quer a Mensagem em si, quer as virtudes sobrenaturais que ela representa. Não, esta Mensagem não desaparecerá! A I. suave história da Mãe adorável que visita três crianças humildes não pode ser desligada da II. visão do Inferno, do III. Milagre do Sol (aterrador, porque parecia que o sol vinha despenhar-se sobre a Terra), da IV. morte prematura de dois dos três pastorinhos ou dos V.- terríveis avisos de guerra, perseguição e destruição para a Igreja e para o mundo.

À medida que o século XX se aproximava do fim, fez-se uma minuciosa tentativa para impedir a História de Fátima de continuar a ensombrar as autoridades da Igreja e os subsequentes Pontífices. Fizeram-se todas as tentativas para impedir que os aspectos �menos agradáveis� da Mensagem de Fátima acompanhassem a Igreja na entrada no novo século. Foi isto mesmo que o Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, veio revelar:

Numa entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o Cardeal Sodano replicou, sublinhando que a Mensagem de Fátima dizia respeito �aos Papas do Século XX�. E agora que o século acabou, explicou ele, o Santo Padre não via qualquer razão para atrasar mais a sua revelação ao público. E também, disse, à luz das transformações históricas, �as visões simbólicas não contêm nada que seja agora misterioso.�5

HELP! NÃO ENCONTREI ESTA PASSAGEM… HELP! PROCURAR NO DCD. OU NA NET OU. – e foi reiterado por representantes da Congregação para a Doutrina da Fé, que, na sua interpretação não-obrigatória do texto, relacionaram Fátima, especificamente e pelo menos catorze vezes, com o século passado, tendo acrescentado as seguintes palavras, chocantes pelo seu hiper-optimismo e pela ingenuidade da observação:

�A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo II de tornar pública a terceira parte do �segredo’ de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade…�6

Por mais comunicações à imprensa, campanhas de relações públicas ou entrevistas secretas que se façam, nada mudará o facto de que a Nossa Mãe Santíssima veio avisar os Seus filhos de horríveis tragédias – tragédias essas que não fazem totalmente parte do passado e que englobam acontecimentos muito mais significativos e reais do que aqueles em que certas autoridades da Igreja querem que acreditemos.

Se acreditamos verdadeiramente em Nossa Senhora de Fátima, temos também de acreditar na Sua mensagem – na totalidade dessa Mensagem:

Vistes o Inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no Mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz. A guerra vai acabar; mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.�

�Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração, e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão Paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de Paz. Em Portugal, se conservará sempre o Dogma da Fé, etc. …�7

Fonte: http://www.devilsfinalbattle.com/port/revseat.htm

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O Derradeiro Combate do Dem�nio

Nota: O texto seguinte � uma recens�o a O Derradeiro Combate do Dem�nio, livro recentemente compilado e editado pelo Padre Paul Kramer.

Deus só raramente Se manifesta com sinais e milagres. O Evangelho de S. João conta que naquele tempo, em Cafarnaúm, um funcionário real tinha o filho doente e à morte; veio, pois, ter com Jesus implorando-Lhe que o curasse. Nosso Senhor primeiro admoestou-o, dizendo: �Vós, se não virdes milagres e prodígios, não acreditais.�; e só depois efectuou a cura que Lhe fora pedida – cura essa que confirmou também na Fé esse funcionário real e toda a sua família.

Poderemos hoje achar estranho que, de todas as pessoas que viveram quando Cristo andava pelo mundo e que testemunharam, ou ouviram contar, os milagres extraordinários que Ele operou, tenham sido tão poucas as que se tornaram Seus seguidores. Aquela admoestação que Nosso Senhor fez dirige-se à nossa fraqueza humana: nós pedimos �milagres e prodígios� – mas isso não garante que o nosso coração se volte para Deus.

Se virmos, no Êxodo, a narração da disputa entre Moisés e o Faraó, este aspecto é claríssimo uma vez mais. Moisés teme que os filhos de Israel não acreditem que Deus lhe aparecera. Então, o Senhor diz-lhe que lhes mostre alguns sinais, a fim de que o povo acredite: a transformação do seu cajado numa serpente e novamente em cajado; e a mão de Moisés coberta de lepra e de novo curada. Moisés mostra estes sinais ao povo – e o povo acredita.

Já a pessoa do Faraó é um caso mais complicado. Logo de início ele se recusa a seguir a vontade de Deus, libertando o povo de Israel. Depois, ao ver o milagre do cajado transformado em serpente, acha que os seus magos podem realizar prodígio semelhante: o sinal – como nos é relatado – não o tocou, pois Deus �endurecera o seu coração�. Em seguida, Moisés transforma em sangue as águas do Egipto; mas o Faraó continua inabalável. Então Deus envia mais castigos sobre a terra do Egipto, como um sinal: pragas de rãs, de moscas; de morrinha dos animais; de chagas purulentas; de granizo; de gafanhotos. O Faraó que, como vimos, �endurece o seu coração�, vê ao mesmo tempo que o Senhor Deus também lhe torna o coração endurecido – num perfeito equilíbrio entre os desígnios providenciais de Deus e o seu livre arbítrio. E continua com a sua recusa em fazer a vontade de Deus, deixando partir os Filhos de Israel. Então, Deus enviou grandes trevas sobre a terra do Egipto e a terrível punição da morte de todos os primogénitos. Mas o Faraó preferiu ver o seu reino devastado por tantos castigos a obedecer a um pedido muito claro, vindo de Deus.

Foram estes pensamentos que me vieram ao espírito depois de ler O Derradeiro Combate do Demónio, uma arrepiante mas apelativa novidade editorial, publicada e compilada pelo Padre Paul Kramer. Logo no primeiro capítulo desta obra, que é um verdadeiro marco no recente pensamento católico, o autor afirma claramente: �Deus não desperdiça milagres. Através de toda a história da salvação – de Josué até Moisés, até aos Doze Apóstolos e aos Santos da Igreja Católica ao longo dos séculos – Deus concedeu milagres com um único propósito: o de servirem como credencial divina, em prol de uma testemunha que invoca o milagre em Seu Nome. Quando Deus escolhe uma Sua testemunha e depois associa um milagre autêntico ao depoimento daquela testemunha, é para que nós saibamos, sem qualquer dúvida, que essa testemunha é digna de todo o crédito.� (p. 1)

Estamos a falar de um facto miraculoso do nosso tempo – o Milagre do Sol, ocorrido em Fátima a 13 de Outubro de 1917; a testemunha é a Irmã Lúcia. Este milagre foi um acontecimento extraordinário e, decerto, a mais espantosa ocorrência do século XX, de um modo tal que deixa na sombra qualquer das pequeninas realizações humanas, tais como caminhar na superfície da lua ou inventar uma certa �caixa mágica que mudou o mundo� e que hoje cada qual tem na sua sala-de-estar.

Estavam ali reunidas dezenas de milhares de pessoas, porque lhes fora dito que haveria um sinal do Céu naquele dia e que todos o haviam de ver. No céu, à vista de todos, o sol – �que podia ser visto directamente, sem qualquer dano para os olhos� (p. 5) – começou subitamente �girando sobre si mesmo vertiginosamente como uma roda de fogo preso� (p. 7), mudando de cor enquanto �desandava� (p. 6). De repente, parecendo desprender-se da sua posição habitual, começou a precipitar-se sobre a Terra, ameaçando esmagar toda aquela multidão. O povo gritava e lançava-se por terra – para de imediato, ao levantar os olhos, ver que o sol tinha voltado ao seu lugar habitual e que brilhava de um modo absolutamente normal. [�Tinha chovido toda a noite anterior� (p. 5)]; a roupa �de toda essa gente� (p. 7) e o chão estavam agora miraculosamente secos.

O Derradeiro Combate do Demónio abre com este espantoso milagre para, depois, relacionar brilhantemente este significativo evento da História da Igreja Católica (e, consequentemente, da História da Humanidade) com um outro momento definitório da História da Santa Madre Igreja no século XX – o Concílio Vaticano II. Se o Milagre do Sol é um grande sinal de Deus para selar a veracidade do testemunho e dos pedidos do Céu, tal como relatou a Irmã Lúcia no seu depoimento, então o Concílio Vaticano II pode ser visto como o triunfo de Faraó na Igreja – a vitória temporária de um grupo de governantes a quem Deus endurecera os corações e que, por si próprios, tinham também os corações endurecidos.

Consequentemente, a crise actual e o caos que progressivamente se instalou e que vemos abalar a Igreja Católica e o mundo podem, neste contexto, ser compreendidos muito simplesmente: são o castigo de Deus por causa da recusa (daqueles que detêm a autoridade) em cumprir com a vontade do Céu, tal como ela foi expressa por uma testemunha idónea. Estaremos nós no começo das pragas do nosso tempo? Esperar-nos-ão castigos ainda piores? Sofreremos nós as trevas e a morte?

A história de Fátima deveria ser bem conhecida pela maior parte dos Católicos. Uma grande obra sobre este assunto é The Whole Truth About Fatima (Toda a verdade sobre Fátima), estudo aprofundado, em três volumes, da autoria de Frère Michel de la Sainte Trinité. Agora, neste livro, é o Padre Kramer que parte de dois pontos básicos: I. o primeiro é o Milagre do Sol, que é descrito em pormenor e acompanhado de uma série de espantosos recontos, na primeira pessoa, de testemunhas visuais do acontecimento. II. O outro, que o autor relata ainda, é a oposição que �veio à tona’ desde o começo das Aparições de Fátima: o antagonismo evidenciado, à época, por a.- Artur de Oliveira Santos – que presidia não só à Câmara de Ourém, a cujo Concelho pertencia Fátima, como à recém-fundada loja maçónica de Vila Nova de Ourém. A sua militância anti-Católica começava a surtir efeito: �cada vez menos pessoas iam à Missa (�) havia mais divórcios e a natalidade diminuiu.� (p. 13). Iam a meio as aparições mensais de Nossa Senhora quando, a 11 de Agosto de 1917, o Administrador mandou que os três pequenos videntes, Lúcia, Jacinta e Francisco, se apresentassem a julgamento em Ourém, para se pôr fim àquelas mentiras. Era tão grande a fúria e a raiva do Administrador, diante daquilo que os três pastorinhos contavam, que ele chegou ao ponto de os ameaçar com uma morte horrível – �serem fritos �em azeite’� (p. 16) -, a menos que eles confessassem ser uns mentirosos.

A tenaz oposição à Religião Católica que um tal comportamento manifesta mostra bem o profundo ódio dos Maçons à Santa Madre Igreja. E o livro vai seguindo este antagonismo, quer através do movimento maçónico quer através da clara oposição religiosa evidenciada pelo Partido Comunista, na alvorada do século XX, em vários países e por todo o mundo. Aliás, b.- a Maçonaria tinha expressado as suas intenções de um modo bem explícito, na conhecida Instrução Permanente da �Alta Vendita’, uma agenda precisa e prática para a destruição da Igreja Católica. Também os testemunhos de alguns desertores das fileiras do Comunismo – como Douglas Hyde, a Sr.ª Bella Dodd e Anatoliy Golitsyn, antigo oficial do KGB (pp. 43-44) – confirmam que c.- os Comunistas tinham planos bem organizados para a destruição da Igreja Católica. Não há qualquer dúvida de que ambos os grupos actuaram em conjunto com vista à concretização dos seus nefastos objectivos. Com a finalidade de que esses planos de destruição fossem bem sucedidos, torna-se especialmente alarmante a intenção de colocar apoiantes seus no interior da própria Igreja, de onde mais facilmente poderiam �minar’ tão venerável Instituição.

É o que se torna francamente claro: o ódio que as forças (cada vez mais robustecidas) de Maçons e Comunistas tinham à Santa Igreja tornou-se num ódio pelas Tradições, Dogmas e Doutrinas da Igreja – d.- ódio esse alimentado por muitos daqueles Clérigos que eram, precisamente, as autoridades religiosas que tinham a seu cargo a protecção e a transmissão desses mesmos pilares da Fé. Por isso, quando essas autoridades religiosas tomaram conhecimento da Mensagem de Fátima (e dos pedidos que a acompanhavam), mostraram pouco interesse. Tempos volvidos, seriam os seus sucessores a arquitectar uma oposição feroz; e mais: na tentativa de ocultarem a sua oposição ao público em geral, iam �minando’ a Mensagem de Nossa Senhora ao mesmo tempo que fingiam amar e honrar a Mãe de Deus. Mas – e todas as provas o demonstram -, a verdade é que essas autoridades religiosas acabaram por odiar a Mensagem e os pedidos transmitidos em Fátima com a mesma veemência já demonstrada pelo Administrador de Ourém. Com efeito, para as suas mentes perturbadas e almas retorcidas, subverter os desejos do Céu tal como tinham sido expressos aos três pastorinhos seria a melhor maneira de subverter a Igreja.

O Derradeiro Combate do Demónio segue com rigoroso pormenor e documentação convincente os dois percursos das mensagens de Fátima e a corrosão dos alicerces da Igreja, até ambos se encontrarem à época do Concílio Vaticano II. Olhando para trás numa perspectiva dos últimos quarenta anos, todo e qualquer observador – com total sanidade de espírito – só poderia concluir que o assim chamado �novo Pentecostes� daquele Concílio Ecuménico dos começos dos anos sessenta não era senão um deliberado e devastador assalto à Igreja e à Fé Católicas. É desnecessário fazer uma compilação exaustiva das �ruínas sobre ruínas’, amontoadas pelas reformas do Concílio e pelo subsequente desmantelar de cada um dos aspectos da Fé Católica Tradicional, das suas crenças e ritos. Basta apenas ir pela rua fora até à igreja paroquial mais próxima (e fechada�) ou até ao novo espaço ecuménico de adoração; ou fazer algumas perguntas básicas a qualquer transeunte, jovem e ensinado nas aulas da Escola �Católica�; ou, ainda, ver os padres �flamejantes’ que o seminário local vai lançando para o exterior; ou, então, ir visitar o encontro mais próximo de praticantes de magia. A Fé Católica, como fermento presente no mundo, foi destruída quase por toda a parte.

Se o Concílio Vaticano II foi a bomba lançada no coração da Igreja, as Aparições e mensagens de Fátima deveriam ser o abrigo para a catástrofe. Esta obra documenta 1.- de que modo a Irmã Lúcia transcreveu a terceira parte da Mensagem transmitida em Fátima e 2.- de que modo foi ela transferida para Roma. As primeiras duas partes da Mensagem foram tornadas públicas. A directiva respeitante à Terceira Parte não podia ser mais clara. Quando D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, não desejando arcar com o fardo do conhecimento [do �Terceiro Segredo’], se recusou a ler o conteúdo do envelope selado, a Irmã Lúcia pediu-lhe – segundo as palavras do Cónego Galamba de Oliveira, tal como vêm citadas no livro – que lhe prometesse que �esta [carta] seria definitivamente aberta e lida ao Mundo ou por altura da sua morte, ou em 1960, conforme o que sucedesse primeiro�. (p. 25)

Em vez disso, o Vaticano decidiu suprimir esse documento. Poucas dúvidas haverá de que a Mensagem [o chamado �Terceiro Segredo’] se refere a uma apostasia na Igreja; sobre isso, este volume apresenta provas muito convincentes. Tê-lo revelado, de acordo com o claro desígnio do Céu, teria mudado o curso do Concílio e a própria história da Igreja no final do século. A bomba teria sido desactivada ou, então, os Fiéis teriam encontrado um refúgio, a partir do qual poderiam ripostar, no combate contra o inimigo.

Suprimida a Mensagem, o Concílio Vaticano II avançou mais livremente. E, à medida que avançava, aumentavam os ataques oficiais de Roma à Mensagem de Fátima:

�Embora a Igreja reconheça as aparições de Fátima,� – dizia em 1960 o Vaticano, anunciando no seu comunicado (anónimo) à imprensa que o Papa não divulgaria o Terceiro Segredo – �Ela não se compromete a Si própria garantindo a veracidade das palavras que os três pastorinhos dizem ter ouvido de Nossa Senhora� (p. 48).

E o autor do livro comenta:

Dizem ter ouvido? Poderia haver alguma dúvida sobre a veracidade do seu testemunho, depois do Milagre do Sol? Poderia alguém questionar terem eles recebido do Céu uma profecia autêntica, sabendo-se que, até então, se tinham cumprido todas as predições da Mensagem – desde o fim iminente da I Guerra Mundial até ao facto de se espalharem os erros da Rússia, desde a II Guerra Mundial até à eleição do Papa Pio XI?� (p. 48)

Isto não era senão o começo dos ataques. Desde a) pôr em causa a credibilidade dos videntes, as autoridades do Vaticano passaram a b) reduzir ao silêncio a Irmã Lúcia e a c) impedir ao público em geral o acesso e a consulta dos 5.000 documentos em 24 volumes que o Padre Alonso compilara entre 1965 e 1976. Lê-se nesta obra (p. 49): �O crime tinha começado.� Se a Irmã Lúcia afirmara que o �Terceiro Segredo’ deveria ser revelado em 1960, �porque, então, �seria muito mais claro’� (p. 49, p.ex.), essa clareza chegou em toda a sua crua e dolorosa realidade com o Concílio e os seus frutos – frutos esses que estão documentados e explicados desapaixonadamente sob cada um dos seguintes subtítulos, encerrando cada um deles uma parte do peso do erro e da violação das tradições – que, durante os quarenta anos que se seguiram, haveria de continuar a pesar, parecendo exaurir a própria vida da Igreja, deixando-A exangue: �Os �erros da Rússia’ infiltram-se na Igreja� (p. 49); �Os neo-modernistas triunfam no Vaticano II� (p. 51); �Uma �orientação’ completamente nova para a Igreja� (p. 58); �A Igreja �abre-se’ ao �diálogo’ com Comunistas e Maçons, seus inimigos� (p. 59); �A Igreja �reconcilia-se’ com o Liberalismo� (p. 60); �É abandonado o ensinamento de que a Igreja Católica Romana é exclusivamente a única e verdadeira Igreja de Cristo� (p. 62); �A Igreja já não procura a conversão e o regresso dos hereges e cismáticos� (p. 64); �O Reinado Social de Cristo foi abandonado� (p. 69); �A �Civilização do Amor’ substitui a conversão dos Pagãos� (p. 70). Qualquer bom Filho da Santa Madre Igreja não pode ler esta lista sem chorar! Isto é no que a Igreja do nosso tempo se tornou; este é o completo disparate que os Seus clérigos modernos proclamaram.

Não contente com a promulgação de tão novas e estranhas ideias, a Igreja pós-Vaticano II laborou também no sentido de destruir todo e qualquer vestígio da Igreja e da Fé Tradicionais. No capítulo 7º, �A demolição de bastiões�, podemos ler – à maneira de um chefe militar que lê as listas das baixas, depois de uma grande batalha -, a lista das destruições, tal como os reformistas a �escreveram’: �A Demolição da Liturgia� (p. 75); �A Demolição da Teologia� (p. 76); �A Demolição da Alma da Igreja� (p. 77). E, com base na exactidão da observação, não restam dúvidas de que nós estamos a testemunhar �A Paixão da Igreja� (p. 79).

Como poderia a Mensagem de Fátima ter evitado isto? E porque é que Ela representa uma tal ameaça para o Clero da Nova Ordem? É que �as mesmas doutrinas que foram alvo do ataque mais feroz� em anos recentes (p. 81), vemo-las espantosamente reforçadas nas palavras com que a Mãe Santíssima falou, em Fátima, aos pastorinhos:

  • �Falou da doutrina do Céu;

  • Falou da doutrina do Inferno;

  • Mostrou o Inferno aos pastorinhos;

  • Falou da doutrina do Purgatório;

  • Falou da doutrina da Divina Eucaristia;

  • Falou da doutrina do Sacramento da Penitência;

  • E também falou, indirectamente, da Realeza Social de Jesus Cristo, ao transmitir a ordem do Céu para que a Rússia fosse consagrada ao Seu Imaculado Coração e convertida à religião Católica – precisamente aquilo que os negociadores do Vaticano descreveram como uma �eclesiologia antiquada’ na Declaração de Balamand.� (p. 81)

Quem ler esta lista (e o modo como está apresentada) referente à Fé de Todos os Tempos, tem de concluir com a asserção salientada neste livro notável: �Há uma oposição fundamental entre a �nova’ Igreja, lançada pelo Vaticano II, e a Igreja de sempre, representada pela Mensagem de Fátima.� (p. 82)

As linhas de batalha estão claramente desenhadas: de um lado, a Igreja Católica Tradicional, uma Igreja resplandecente em toda a Sua Glória nas Aparições e Mensagens de Fátima e confirmada pelo Milagre do Sol; do outro, a Igreja da Nova Ordem do Modernismo, uma Igreja de novidades que abraça a mundanidade e o seu Senhor das Trevas, e se revela pelos seus escândalos, esterilidade e apostasia. Todavia, poucas dúvidas pode haver de que esta é uma verdadeira batalha – cujo poder de combate é superior a qualquer outro já conhecido. Trata-se de um combate espiritual, cósmico, não muito diferente do combate dos Anjos no Céu, quando Lúcifer começou por se recusar a obedecer – porque, segundo se diz, ele teria então compreendido que haveria de se submeter a um ser humano e, ainda por cima, a uma Mulher. O combate entre o Demónio e a Senhora está agora nas suas derradeiras etapas, e do seu resultado dependem milhões de almas. Porém, o resultado, já o conhecemos; foi também Nossa Senhora que disso nos informou, como parte da Mensagem de Fátima: �Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará� (p. 106, p.ex.) – o que significa que nós sabemos quem vencerá e quem será precipitado no Inferno, derrotado e entregue ao desespero.

Contudo, essa certeza teleológica não significa que o combate será rápido ou fácil: a ousadia feroz dos homens que hoje detêm o poder no Vaticano bem o demonstra à evidência. São pessoas agressivas e inflexíveis na sua oposição, que odeiam tudo a que Nossa Senhora de Fátima dá corpo e exprime. Grande parte do livro documenta este antagonismo e, ainda, até que ponto estão eles decididos a chegar para suprimirem a Vontade do Céu.

As afirmações falsas e as inverdades jorram como a poluição que enche de lodo uma corrente límpida. �A Consagração da Rússia já foi feita� – ouvimos dizer – �e a Rússia converteu-se.� Ora este livro prova a insanidade de tal asserção, ao documentar os horrores da Rússia dos tempos modernos (cf. pp. 88-90): desde a mais alta taxa de abortos no mundo (uma mulher russa fará, em média, oito abortos durante os seus anos férteis) até à subsequente baixa da taxa de natalidade; desde a mais elevada taxa de alcoolismo do mundo, até à ascensão do satanismo; desde uma homossexualidade à rédea solta, até ao facto de a Rússia se ter tornado um centro mundial de distribuição de pornografia infantil, e até mesmo ao ataque declarado, tanto aos Fiéis e ao Clero Católicos como à Igreja Católica. São estes, então, os frutos da Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria?

Uma outra enorme mentira deu-se no Verão de 2000, quando o Vaticano supostamente �revelou� a Terceira Parte da Mensagem de Fátima (o �Terceiro Segredo’), acrescentando-lhe a sua interpretação. O livro explica claramente que 1.- o texto apresentado pelo Vaticano como sendo o segredo de Fátima poderá ser, sim, um extracto de quatro páginas de um caderno de apontamentos da Irmã Lúcia; mas o que ele não é, de modo algum, é o conteúdo de uma só folha de papel, enviada, anos antes, para Roma e onde ela escrevera o Terceiro Segredo. 2.- Quanto à interpretação, esta era igualmente absurda: a visão de um �Bispo vestido de branco� a caminhar por uma cidade devastada e cheia de cadáveres até que, por fim, era morto a tiro, seria, na realidade, a. uma profecia do atentado falhado contra João Paulo II em1981.

Não contentes com este disparate, tentaram impingir outros ao público, como b. a possibilidade de a Irmã Lúcia ter imaginado todo o episódio depois de fazer algumas leituras espirituais, ou que c. todos os Católicos deviam calar a boca de vez, e nunca mais �respirarem’ uma só palavra sobre Nossa Senhora de Fátima e as Suas revelações. Esta intenção era tão visível que até um espírito inteiramente laico a podia entrever; assim, o Los Angeles Times de 27 de Junho de 2000 referiu-se àquela encenação com o seguinte cabeçalho: �A Igreja Católica revela o Terceiro Segredo: O principal teólogo do Vaticano desacredita �com luva branca’ o relato que uma freira fez sobre a sua visão de 1917, que alimentou décadas de especulações.�

Mas estiveram implicados outros, além do �principal teólogo� do Vaticano, neste insulto público aos fiéis católicos e à Mãe de Deus. Uma dos pontos altos deste novo livro é ele nomear com inteira justeza os quatro prelados que montaram uma verdadeira cabala contra Fátima, e estudar o papel que cada um deles desempenhou. São eles o Cardeal Angelo Sodano, o Cardeal Joseph Ratzinger, o Arcebispo Tarcisio Bertone e o Cardeal Dario Castrillón Hoyos. Estes prelados combinaram entre si �sufocar’ a Mãe de Deus, silenciar a Irmã Lúcia, obscurecer a Mensagem de Fátima e promover uma nova Igreja que se ergue em total oposição à Tradição Católica. Eles merecem ser denunciados; e deveriam ser obrigados a responder perante os Fiéis Católicos, antes mesmo de comparecerem diante do seu Criador e terem de se justificar perante Ele. A sua oposição põe em perigo não só a Paz no Mundo como também o destino de milhões de almas.

A conclusão que esboça esta obra, provocadora mas corajosa, é a de que a decomposição e a destruição da Igreja Católica durante os últimos quarenta anos tem um relacionamento directo com a supressão da Mensagem de Fátima – uma Mensagem que, obviamente, nos avisava acerca do assalto à Igreja, a ser levado a cabo por terroristas de ideologia liberal e que estava prestes a acontecer. Por isso eles tinham uma boa razão 1. para sepultarem o Segredo, 2. para atacarem aqueles que sobre ele atraíam o olhar do público, 3. para �cozinharem’ à sua maneira uma falsa mensagem que a substituísse 4. e que tivesse uma interpretação disparatada, táctica essa que seria tão prejudicial à Fé Católica como a sua falsa Igreja o tem sido. Eles não têm o mínimo interesse naquilo que Deus quis para a Sua Igreja e para o Seu povo, e que foi bem visível através de séculos de Santos e de Bispos, de mártires e de místicos – ou de simples almas católicas. Claro! Eles são liberais; sabem mais do que Deus Todo-Poderoso! Eles irão desmantelar o que é velho e construir o novo, vão quebrar os vitrais e descarnar os santuários, despedaçar os ritos e impor alternativas da moda. Eles não têm qualquer temor de Deus e, consequentemente, têm pouca sabedoria; foram as suas arrogantes congeminações que nos levaram a este triste estado.

Bem sabemos qual o estado da Igreja actual. Os Fiéis são poucos em número e os seus fihos são apóstatas, não tendo nunca aprendido a Fé nas Escolas ditas Católicas onde a alma morreu; a Hierarquia sofreu em silêncio uma epidemia de perversão, desencadeada por Seminários dominados por homossexuais; os Padres �agarraram’ as oportunidades oferecidas pela liturgia protestantizada para exporem as suas imaginações patéticas e vácuas num culto abastardado – missas Elvis, missas de abóbora, missas de palhaços, missas com violas, missas de motoqueiros, missas da Guerra das Estrelas, missas de seja-o-que-for� menos a Missa de Todos os Tempos, o sacrifício incruento de Nosso Senhor Jesus Cristo oferecido por um sacerdote devoto e santo num altar autêntico, em reparação ao Pai e pela salvação da humanidade. À medida que diminui o número das autênticas Missas, o sacrifício impuro do sangue inocente das mesas dos abortos tem inundado o mundo. O Príncipe das Trevas não consegue conter um sorriso demoníaco. Esta hora pertence-lhe.

Este relato verdadeiro e impressionante de uma traição tem um título bem apropriado. O Derradeiro Combate do Demónio está a decorrer; e o ano que passou deu-nos uma ideia do que ainda podemos esperar: terrorismo e colapso económico, caos social e horror cultural, loucura e desespero e morte. Nossa Senhora de Fátima anunciou: �muitas nações serão aniquiladas�. Sabemos que estamos à beira de vermos cumprida aquela terrível visão. E Roma responde, dizendo-nos para calarmos a boca e não voltarmos a falar de Fátima.

Deus abençoe o Padre Kramer e todos os Católicos piedosos que trabalharam em conjunto para trazerem a público esta obra, soberba e fundamental.

Porque ousaram falar, tiveram um papel de relevo na batalha que estamos a travar, e a sua arma, o paiol da Verdade Católica, não deixará de contribuir para a vitória final de Nossa Senhora. Não podemos ser espectadores; estamos todos – todas as almas deste mundo – no meio de uma ofensiva: leia este livro, divulgue-o junto dos amigos. Depois, cumpra o seu dever como soldado e apoiante da Santíssima Virgem, e use a arma decisiva: pegue no seu Terço, caia de joelhos e reze pela Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Então sim, quando isso acontecer, será um evento ainda mais impressionante do que o espantoso Milagre do Sol, e serão olhos bem mais estupefactos do que os daquela época que o hão-de contemplar.

Fonte: http://www.devilsfinalbattle.com/port/revwhite.htm

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Bem-Aventurados Jacinta e Francisco Marto de Fátima, pedimos a vossa intercessão. Ajudai-nos a obter a satisfação dos pedidos de Nossa Senhora de Fátima e ainda, 1) a divulgação do texto completo e autêntico do Terceiro Segredo de Fátima, 2) o advento do triunfo do Imaculado Coração de Maria

A PROMESSA DE PAZ DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A “trágica veleidade de poder e de iniquidade” não acabou!
Fátima não “pertence ao passado”!

Em 26 de Junho de 2000, quando o Vaticano publicou uma visão relativa ao Terceiro Segredo de Fátima, Monsenhor Tarcisio Bertone, num “comentário” que escrevera sobre o Segredo, fez a incrível declaração de que “A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo II de tornar pública a terceira parte do ‘segredo’ de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade…” Segundo o mesmo “comentário”, os acontecimentos preditos no Terceiro Segredo — ou seja, a própria Mensagem de Fátima no seu todo – “pertence ao passado.”

Mas passados apenas 16 meses, o Mundo foi testemunha do ataque terrorista mais sangrento da história, em Nova York, a 11 de Setembro de 2001. Nos meses que se seguiram ao ataque, vimos também uma violência cada vez maior no Médio Oriente e em muitas outras regiões do Mundo. É evidente que o Mundo está prestes a cair num mar de distúrbios civis a uma escala muito vasta; está talvez mesmo à beira de uma guerra mundial. Se considerarmos estas realidades, a declaração de Monsenhor Bertone — de que a era de “veleidades de poder e de iniquidade” chegou ao fim — é francamente ridícula.

Agora, mais do que nunca, o Mundo precisa de saber o conteúdo integral do Terceiro Segredo de Fátima. E todavia, está a ser escondida uma montanha de provas contidas num texto relativo ao Segredo — um texto que fala da visão de “um bispo vestido de branco.” Este texto contém, quase certamente, as palavras que Nossa Senhora disse a seguir à frase (incompleta) na Quarta Memória da Irmã Lúcia: “Em Portugal, se conservar á sempre o dogma da Fé, etc.”. O que quis a Irmã Lúcia indicar ao escrever aquele “etc.”? É evidente que estava a referir-se às restantes palavras de Nossa Senhora no Terceiro Segredo.

Para estar a par das muitas provas de que o Terceiro Segredo foi ocultado por certos membros das estruturas do Vaticano, peça-nos um exemplar gratuito do opusculo “Cronologia de um encobrimento” (ou procure-o na secção portuguesa do nosso sítio da Internet; veja o endereço em baixo).

Sabemos que o Terceiro Segredo tem de incluir palavras de Nossa Senhora que não fazem parte da visão publicada, e que estas palavras terminam com a frase cheia de esperança: “Por fim, o Meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao Mundo um tempo de paz”. Nossa Senhora pede a todos os Seus filhos que A ajudem a que isto se cumpra.

Pedimos-lhe que junte o seu nome aos de mais de cinco milhões de Fiéis Católicos que, respeitosamente, pedem ao Santo Padre que corresponda aos pedidos de Nossa Senhora — que esperam o seu cumprimento há mais de quarenta e dois anos. Peça que seja revelado o Terceiro Segredso na sua totalidade, incluindo o texto que falta. Por favor preencha a petição:

Fonte: http://old.fatima.org/port/porttspet.htm

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4 Comentários

  1. Por favor gostariamos de saber o terceiro segredo de nossa Senhora de Fatima e tambem por ser um desejo dela revelado a irma Lucia…Obrigado Fiquem com Deus e Nossa Senhora Amem..

  2. esta professia e mesmo verdadeira pode aterrorizae muita gente

  3. marcos novacki disse:

    gostaria de receber a ultima revelação de Nossa Senhora de Fatima, agradeço pela atenção, obrigado
    marcos da cidade de Itaópolis – SC.

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