Seppuku ou Harakiri significa literalmente “cortar a barriga” ou “cortar o estômago”. Era cometido por guerreiros samurais. Ele é feito para “recuperar” a honra pessoal ou limpar o nome da família, caso essa honra fosse perdida em alguma atitude indigna, evitar ser sequestrado em um campo de batalha ou por pura lealdade ao daimyo(senhor feudal ) e acompanhá-lo eternamente.
O ritual seguia sempre a mesma ordem: o samurai banhava-se para ‘purificar’ seu corpo e a sua alma. A seguir vestia a roupa específica do seppuku, totalmente branca, tomava uma xícara de saquê(bebida alcólica a base de arroz), sempre em dois goles, e a seguir escrevia um ou dois poemas de despedida. Então deveria ajoelhar-se e enfiar sua tanto(tipo de espada), wakizashi(pequena espada) ou um punhal, na barriga, no lado esquerdo, e cortá-la então, até o lado direito deixando assim as vísceras expostas para mostrar sua ‘pureza’ de caráter e no fim puxar a lâmina para cima, fazendo assim um corte em cruz. O seppuku era horrivelmente doloroso, mas o samurai, de acordo com o seu código de honra, não podia demonstrar dor ou medo ao realizá-lo. Dentre os motivos para cometer seppuku está a falha ao servir seu senhor(daimyo) ou perda da honra por qualquer motivo. Se o senhor do samurai fosse derrotado na guerra e o samurai não cometesse seppuku, nenhum outro senhor iria contratá-lo.(estranho não? se ele se matasse não iria ser contratado do mesmo jeito?!) Nessas circunstâncias, ele estaria renunciando publicamente à classe dos Samurais e passaria a ser chamado de ronin(outra possível pronúncia é “Rounin”), cujo sentido literal é “homem-onda” pois, tal como as ondas do mar, viveria sem destino certo, normalmente realizando pequenos serviços para os senhores mais abastados ou ensinando a técnica da luta com espadas a quem se interessasse.
Seppuku é uma parte chave do Bushido, o código dos guerreiros samurais. Era utilizado pelos guerreiros para evitar cair nas mãos dos inimigos, ser usado por inimigo e para atenuar a vergonha que isso causaria. Os samurais podiam também receber ordens dos daimyo (senhores feudais) para que cometessem seppuku. Guerreiros que caíssem em desgraça também tinham permissão por vezes para cometer seppuku ao invés de serem executados. Como o principal ponto do ato era a restauração ou proteção da honra do guerreiro, os que não pertenciam a ordem dos samurais não eram obrigados e não se esperava que cometessem seppuku. Samurais mulheres somente poderiam cometer esse ato com permissão.
No livro The Samurai Way of Death, Samurai: The World of the Warrior, o dr. Stephen Tumbull menciona que o Seppuku era normalmente executado usando um tantō (espada). Poderia ocorrer com a preparação e na privacidade da casa do individuo, ou rapidamente em um local no campo de batalha enquanto os companheiros mantinham os inimigos a distancia.(Wikipédia)
Valores Culturais ou Valores Demoníacos?
“No mundo dos guerreiros, seppuku era um feito de bravura que era admirado em um samurai que
sabia haver sido derrotado, caído em desgraça ou mortalmente ferido. Significava que ele poderia terminar seus dias com os seus erros apagados e sua reputação não apenas intacta como engrandecida. O corte do abdômen liberava o espírito do samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa, lenta e desagradável de morrer. Não raro, o samurai, após abrir o ventre, permanecia vivo por horas ou mesmo dias, esvaindo-se em sangue e ao mesmo tempo sentindo uma dor indescritível. Por isso, algumas vezes o samurai que o fazia pedia a um companheiro leal que fosse seu assistente e lhe cortasse a cabeça antes que esta pendesse ou que demonstrasse não estar mais suportando a dor, o que seria considerado uma desonra tanto para o que cometeu seppuku quanto para o assistente. O assistente precisava ter um domínio magistral da técnica da espada para que fosse chamado a executar essa função, pois ao degolar o companheiro, a cabeça deste não podia rolar para o chão, o que seria considerado um desrespeito ao mesmo e a seus familiares. Assim, o corte executado pelo assistente só podia abrir a garganta do samurai, jamais romper suas vértebras. Daí a necessidade do companheiro que assistia o samurai suicida ser um exímio espadachim. Esse ato era chamado de kaishaku.” (Wikipédia)
Budismo, Xintoísmo e o Código Bushido
O Bushido foi formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas doutrinas e religiões formaram o código de honra do guerreiro samurai, conhecido por Bushido.
Em função das influências do Budismo, os samurais não temiam a morte, pois acreditavam na existência da vida após a morte: (ex: kamikazes) renasceriam no encargo de guerreiro em suas contínuas reencarnações. Os samurais também não temiam os perigos, uma vez que as técnicas de meditação do Zen foram usadas como um meio de limitar esse temor. Com os ensinamentos Zen, os samurais buscavam entrar em harmonia com o seu Eu interior e com o mundo à sua volta.
O Suicídio e o Japão Atualmente
texto retirado de : http://www.espacoacademico.com.br/044/44eueno.htm
“No ano 2004, quase nenhuma semana transcorreu sem alguma notícia sobre as bombas suicidas dos muçulmanos no Iraque ou Palestina, ou em Chechênia. Nós, os japoneses, vivemos em uma sociedade rica e geograficamente afastada dos acontecimentos no Oriente Médio e na Rússia, e muitos de nós vemos estas notícias das bombas suicidas como uma coisa estranha, ou como um jogo de vídeo game. Por outro lado, há alguns japoneses, especialmente os que são da geração que passou pela guerra, que vêem as notícias de forma diferente, traçando a figura dos bombardeiros suicidas aos “Kamikazes” do Japão, aqueles esquadrões de ataque aéreo do fim da segunda guerra mundial. De fato, um de meus colegas mais velhos outro dia veio conversar comigo, apontou para um item destes nas notícias, e sussurrou, melancolicamente, “essa é uma invenção japonesa.”
A sociedade japonesa já há muito tempo fornece materiais únicos para estudos sociais sobre o suicídio. Primeiramente, isto pode ser causado por causa do que se crê que é a nossa forma peculiar — de acordo com os observadores ocidentais– de cometer o suicídio, tal como, por exemplo, o Hara-kiri ou o Shinjyuu. O Hara-kiri era um privilégio das classes superiores, e concedido somente aos samurais (guerreiros) para protegê-los de serem executados por inimigos. Já o Shinjyuu, a forma de suicídio cometida entre pessoas íntimas, era mais comum entre os plebeus. Esta última forma de suicídio ia desde o suicídio de amantes, do qual desenvolvemos um gênero literário — tal como o que se encontra nas peças de kabuki de Monzaemon Chikamatsu, o mais famoso escritor de peças para kabuk — até outros suicídios por familiares tais como o boshi-shinjyu (suicídio de mãe e filho/a), o ikka-shinjyu (o suicídio de toda a família), os quais ocorriam em todas as classes sociais. Ao mesmo tempo, antes da emergência moderna dos problemas de abuso de crianças e de velhos no Japão por volta de 1990, nós temos narrado o tipo de suicídio familiar de forma não-criminalizada, com a ausência de punições para quem teve a idéia do suicídio, porque, de todas formas, esta é a pessoa que mata toda a família, incluindo a criança desprotegida, os pais velhinhos, e os familiares que estão doentes.
Já que o suicídio está bem incorporado nos padrões comportamentais japoneses, a prevalência do
suicídio não é assunto negligenciável. As últimas estatísticas da Agência de Polícia Nacional Japonesa diz que o número em 2003 chegou a 34.427 (27,0 por cada cem mil habitantes). Para cada cem mil pessoas, no ano 2000, a taxa no Japão foi de 34,1, comparado a 10,4 nos Estados Unidos, e 4,1 no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde e do Trabalho Japonês, depois da segunda guerra mundial, o Japão passou por três ondas de suicídio. A primeira onda teve seu ponto mais alto em 1958, com 23.641 mortes; a segunda alcançou o máximo em 1986 com 25.667 mortes. Atualmente, estamos no meio da terceira onda, que começou em 1998. Estas ondas são observáveis não somente em termos do número, mas também em termos da taxa por cada cem mil habitantes.
(…)
E a mesma coisa pode ser dita sobre as reportagens recentes sobre os pactos de suicídio ligados à Internet. Ao navegar pela database do Asahi Shinbun, um importante jornal japonês, usando palavras chave como “internet” e “suicídio”, pode-se descobrir que um incidente específico de pacto suicida primeiro ocorreu em outubro de 2000, mas foi noticiado sob a costumeira manchete de Shinjyuu. Embora as vítimas mal se conhecessem, suas histórias não mereceram a continuação da reportagem em dias subseqüentes. Em fevereiro de 2003, outro pacto suicida foi noticiado, e se tornou um marco para os pactos de suicídio pela Internet no Japão, devido à extensa cobertura jornalística. O artigo falava de um jovem e duas mulheres que se encontraram na Internet, e se mataram com gás, usando “briquetes.” O Asahi Sinbun e outros órgãos da imprensa continuaram fazendo reportagens com histórias novas a cada dia. Alguns outros pactos de suicídio com briquetes ocorreram em março, e foram seguidos por incidentes ocasionais do mesmo tipo até os dias atuais.
Sempre houve pessoas desejando estarem mortas, ou tendo pensamentos sobre a morte voluntária. Mas, antes, ninguém os encorajava diretamente a morrer. Nos meios de comunicação convencionais, se alguém diz ou escreve “eu quero morrer,” a resposta mais provável é “Espere, não morra!” Já na Internet, pelo contrário, qualquer um se sente livre para escrever o que quiser sob um nome falso. No momento em que alguém menciona intenções de cometer o suicídio, palavras inventivas aparecem imediatamente e alcançam o candidato ao suicídio. Palavras e expressões horríveis tais como “você é uma porcaria,” “você está morto,” “você não merece viver,” “o mundo estará melhor sem você” começam a se juntar. Estas frases curtas aparecem do nada, e até começam a percorrer páginas genuínas de consulta. No mundo pós-moderno da Internet, as palavras perdem sua ligação ao sujeito responsável por elas. Portanto, as páginas de suicídio pela Internet estão se tornando um campo fértil para o desenvolvimento de todos os tipos de comunicação negativa. Uma das páginas mais populares para a prevenção de suicídios teve que baixar a regra que os usuários só poderiam participar por no máximo meia hora, pra impedir que as emoções negativas se expandissem.
…
Fonte:
Wikipédia a Enciclopédia Livre
http://www.espacoacademico.com.br/044/44eueno.htm
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