Visita oficial do Papa ao presidente da República italiana
CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org).- A Igreja e o Estado estão «dispostos a cooperar» para «promover e servir o bem integral da pessoa humana», afirmou Bento XVI no dia 4 de outubro, no Palácio do Quirinale, ao realizar uma visita oficial ao presidente da República italiana, Giorgio Napolitano.
O Papa chegou acompanhado de numerosas personalidades, entre elas, os cardeais Tarcisio Bertone, secretário de Estado; Giovanni Lajolo, presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano; Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana; Agostinio Vallini, vigário geral para a Diocese de Roma; Dom Fernando Filoni, substituto da Secretaria de Estado; e Dom Giuseppe Bertello, núncio apostólico na Itália.
A visita, explicou Bento XVI, «não é só um ato que se inscreve no contexto das múltiplas relações entre a Santa Sé e a Itália, mas assume, poderíamos dizer, um valor muito mais profundo e simbólico».
Após momentos de tensão como a chamada «questão romana» – resolvida com a assinatura dos Pactos de Latrão em 11 de fevereiro de 1929 –, acrescentou o Papa, hoje se pode «afirmar com satisfação que na cidade de Roma convivem pacificamente e colaboram frutiferamente o Estado Italiano e a Sé Apostólica».
Esta visita pretende, portanto, «confirmar que o Quirinale e o Vaticano não são colinas que se ignoram ou se enfrentam rancorosamente; são lugares que simbolizam o respeito mútuo da soberania do Estado e da Igreja, prontos para cooperar para promover e servir o bem integral da pessoa humana e o pacífico desenvolvimento da convivência social».
Tudo isso é «uma realidade positiva, verificável quase cotidianamente em diversos níveis, e que também outros Estados podem observar para extrair ensinamentos úteis».
Bento XVI recordou que a data de sua visita coincide com a memória de São Francisco, cuja eleição como padroeiro da Itália deriva «da profunda correspondência entre a personalidade e a ação do Pobrezinho de Assis e a nobre Nação italiana».
Como sublinhou João Paulo II em sua visita ao Quirinale em 4 de outubro de 1985, «dificilmente se poderia encontrar outra figura que encarnasse de forma tão rica e harmoniosa as características próprias do gênio italiano».
«Neste santo, cuja figura atrai crentes e não-crentes, podemos entrever a imagem da perene missão da Igreja», ou seja «propor a todos a mensagem de salvação do Evangelho» e «contribuir para a edificação de uma sociedade fundada na verdade e na liberdade, no respeito à vida e à dignidade humana, na justiça e na solidariedade internacional», afirmou Bento XVI.
A Igreja, acrescentou, contribui para a edificação da sociedade «de maneira pluriforme, sendo um corpo com muitos membros, uma realidade ao mesmo tempo espiritual e visível, na qual os membros têm vocações, tarefas e papéis diversificados».
«Especial responsabilidade» se reserva às novas gerações, considerando que emerge «com urgência» o problema da educação, «indispensável para o acesso a um futuro inspirado nos perenes valores do humanismo cristão».
«Só um sério empenho educativo permitirá construir uma sociedade firmemente unida, realmente animada pelo sentido da legalidade», declarou.
O Papa também expressou sua esperança em que «as comunidades cristãs e as múltiplas realidades eclesiais italianas saibam formar as pessoas, de modo especial os jovens, também como cidadãos responsáveis e empenhados na vida civil», «prestando especial atenção aos pobres e aos marginalizados, aos jovens em busca de ocupação e a quem está sem trabalho, às famílias e aos idosos que, com fadiga e empenho, construíram nosso presente e merecem por isso a gratidão de todos».
Do mesmo modo, expressou o desejo de que a contribuição da comunidade católica «seja acolhida por todos com o mesmo espírito de disponibilidade com o qual é oferecida».
«Não há razão para ter uma prevaricação em prejuízo da liberdade por parte da Igreja e de seus membros, os quais, por outro lado, esperam que lhes seja reconhecida a liberdade de não trair a própria consciência iluminada pelo Evangelho», afirmou.
«Isso será ainda mais fácil se nunca se esquecer que todos os componentes da sociedade devem empenhar-se, com respeito recíproco, em conseguir na comunidade aquele verdadeiro bem do homem, do qual os corações e as mentes das pessoas italianas, nutridas por vinte séculos de cultura impregnada de Cristianismo, são muito conscientes.»
O colóquio entre o Papa Bento e o presidente napolitano durou cerca de 30 minutos. No final, o pontífice se trasladou à capela da Anunciação, onde se ajoelhou em adoração diante do Santíssimo Sacramento.
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