Igreja promete dar atenção máxima às vítimas de abusos


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A Igreja Católica da Bélgica decidiu finalmente se manifestar sobre a série de escândalos de abusos sexuais. Nesta segunda-feira, o líder da instituição no país, arcebispo Andre-Joseph Leonard, determinou “disponibilidade máxima” para atender às vítimas e informou que uma das prioridades é criar um centro de “reconhecimento, reconciliação e cura” para ajudá-las a superar os traumas.

As medidas fazem parte de um esforço para retomar a confiança dos fiéis, três dias após a divulgação de um relatório que revela detalhes da violência contra crianças e adolescentes cometida por clérigos desde a década de 50. “Nós temos de ouvir os problemas, restabelecer a dignidade e ajudar a curar o sofrimento pelo qual estas pessoas passaram”, declarou o arcebispo, em coletiva de imprensa realizada na Bélgica.

Andre-Joseph Leonard admitiu a existência de uma crise profunda dentro da Igreja devido às acusações de pedofilia e disse que quer colaborar com a polícia no trabalho de investigação. “Queremos aprender as lições com os erros do passado. As reflexões e as conclusões que aparecem no relatório sobre abusos na Igreja vão ser levadas em consideração”, afirmou.

Denúncias – O relatório divulgado na última sexta-feira descreve centenas casos de abusos sexuais que teriam sido cometidos por padres, professores de religião e adultos que lideravam movimentos religiosos juvenis. Segundo o documento de 200 páginas, há denúncias em todas as dioceses e suspeita-se que 13 vítimas tenham cometido suicídio. A dimensão e a duração dos atos de pedofilia – que ocorreram principalmente entre as décadas de 1950 e 1980 – chocaram até mesmo os membros da comissão que investiga os casos.

Peter Adriaenssens, líder do grupo independente formado em 2000 pela Conferência Episcopal para apurar as denúncias, disse que não há indicações de que a Igreja tenha tentado sistematicamente encobrir os casos, ao contrário do que afirmava a imprensa local. Ele ressaltou, contudo, que as conclusões do relatório são um golpe para a entidade. As denúncias começaram a surgir após a renúncia do arcebispo de Bruges Roger Vangheluwe, que reconheceu ter abusado sexualmente de um sobrinho, entre 1973 e 1986.

FONTE:VEJA

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