Missa em Roma pelos 30 anos da mediação papal Chile-Argentina


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Os bispos chilenos que se encontram em Roma em visita «ad limina» comemoraram os 30 anos do início da histórica mediação de João Paulo II, na pessoa do cardeal Antonio Samoré, para resolver o conflito limítrofe entre o Chile e a Argentina.

O ato consistiu em uma missa celebrada na igreja Santa Maria da Paz, situada a escassos metros da Praça Navona, no coração da Cidade Eterna.

A Eucaristia foi presidida pelo presidente da Conferência Episcopal do Chile, Dom Alejandro Goic, e concelebrada pelo arcebispo de Santiago, Cardeal Francisco Javier Errázuriz, e pelo arcebispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, entre outros prelados.

Na cerimônia religiosa que coincidiu com o início do Advento, encontravam-se presentes – informou a sala de imprensa da Conferência Episcopal Chilena – os 31 bispos chilenos que atualmente estão em Roma, mais de 20 sacerdotes chilenos e argentinos e uma numerosa e participativa comunidade de chilenos residentes na capital italiana.

Entre as personalidades presentes, destacou-se o embaixador do Chile na Santa Sé, Pablo Cabrera Gaete; o embaixador do Chile na Itália, Cristián Barros Melet, e o embaixador da República Argentina na Santa Sé, Juan Pablo Cafiero. Todos eles acompanhados de suas respectivas esposas.

Em sua homilia, Dom Goic recordou como «a Argentina e Chile, povos crentes e chamados a ser irmãos, viviam há 30 anos uma controversa séria e difícil. Eu fui testemunha disso em minha cidade natal, Punta Arenas, em 1978. Pároco de uma populosa cidade, percebia a ‘psicose de guerra’ que o povo vivia em todos os setores e níveis. Sofria com a dor das mães e esposas que tinham seus filhos e maridos nas trincheiras dos limites fronteiriços. Podia perceber seu drama e suas angústias».

«E aí, nesse contexto, surge a voz e a palavra profética do sucessor de Pedro. Em 12 de dezembro de 1978, ele dirige uma carta aos presidentes da Argentina e do Chile, diante do encontro dos chanceleres de ambos os países, e lhes assinala que o diálogo não prejulga os direitos e amplia o campo das possibilidades razoáveis, honrando todos que têm a valentia e a prudência de continuá-lo incansavelmente contra todos os obstáculos. Será – continuava – uma solicitude abençoada por Deus e sustentada pelo consenso de vossos povos e o aplauso da Comunidade Internacional», memorou.

O prelado chileno sustentou que «conhecemos a história de paz, desde esse dia, graças a Deus». «Há 30 anos começou esse processo com o enviado de João Paulo II, o inesquecível, inteligente e venerado cardeal Antonio Samoré, que com seus colaboradores e ambas as chancelarias, e a oração de dois povos crentes e irmãos, conseguiram o dom da paz para o Chile e a Argentina. Foi um sinal eloqüente de Cristo, que veio através de sua Igreja para fazer a obra de paz. Hoje damos graças a Deus por este presente da paz a nossos povos da Argentina e do Chile.»

No momento das oferendas, foram levadas ao altar as bandeiras de ambas as nações, a bandeira da Itália e os símbolos da Eucaristia por um casal vestido com seus trajes típicos.

Embaixadores do Chile e da Argentina na Santa Sé

Antes de concluir a cerimônia, o embaixador do Chile na Santa Sé, Pablo Cabrera, destacou «a importância da intervenção diplomática da Santa Sé, 30 anos atrás, para alcançar a tão desejada paz entre dois povos irmãos».

Por sua parte, o embaixador da Argentina na Santa Sé, João Paulo Cafiero, finalizada a cerimônia, assinalou: «Graças a Deus, nossos povos saíram airosos nesses anos de uma difícil situação e graças a Deus tivemos um Papa como João Paulo II, que nos deu uma oportunidade de paz muito grande» A paz, concluiu, «não é somente a ausência de armas, mas é também um espírito de construção coletiva do sentido de nação e do sentido de um continente pacífico pelo bem de todos».

«Sempre se chega a tremer pensando no que pôde ter sido uma guerra entre a Argentina e o Chile, a quantidade enorme de perdas de vidas humanas e, ao mesmo tempo, a inimizade que cresceria entre os povos por causa de uma guerra. Graças a Deus, depois desse tratado de amizade, de colaboração, é outra a situação que surgiu entre nossos países e também nasceu uma fraternidade que nem sequer conhecíamos antes, graças à mediação do Papa», refletiu o cardeal Errázuriz.

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Fonte: Zenit

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