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Nossa Senhora do Domingo

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No dia 8 de junho de 1873, domingo, festa da Santíssima Trindade, eu tinha, como de costume, saído de casa, cedinho, mais ou menos às 5 horas, para trabalhar na minha vinha.

Por volta das 7 horas, dei uma descansada para comer alguma coisa, sentando-me numa pequena vala que separa minha pequena propriedade do terreno vizinho. Quando terminei a refeição, dispus-me a descansar um pouco, fumando o meu cachimbo. Eram 7:30h. Vi, então, surgir diante dos meus olhos, a uma distância de um a dois metros, uma figura feminina de estatura mediana, toda vestida de branco. Um cinto em franja, cingia-lhe a cintura; sobre a cabeça, destacada coroa, como se fosse a mitra de um bispo. Do alto da coroa, descia delicado véu branco, envolvendo-a até os pés, cobrindo-lhe as mãos, cruzadas sobre o peito. Os diversos ornamentos eram de uma alvura extraordinária. Ela aparentava ter entre 25 e 28 anos e parecia imersa numa atmosfera luminosa.

Ao vê-la, levantei-me, impulsionado por um primeiro movimento de estupor e dirigi-me a ela no dialeto da minha terra: – Quem sois?
Ela respondeu no mesmo patoá:
- Sou a Virgem Santa. Não tenhais medo.
Tranquilizando-me, suas palavras me inundaram de religiosa emoção. A Santa Virgem acrescentou:
- Vós estais com a enfermidade da vinha. Abandonaste Saint-Bauzille. É necessário que sua festa seja celebrada no dia respectivo. De hoje a quinze dias, deveis caminhar em procissão até a Igreja de Nossa Senhora; todo o cantão de Gignac, Montpellier e cidade de Lodève. Deveis trocar a Cruz antiga por uma nova. Deveis colocar nova Cruz e a imagem da Virgem, no limite extremo da vinha. Transmiti meu pedido ao vosso padre e ao vosso pároco, imediatamente. Dentro de um mês eu retornarei para vos agradecer.

Com essas palavras, a Aparição subiu ao céu, como um iluminado globo. Eu a segui com os olhos, até perdê-la de vista. 
 

A Virgem Maria subiu ao céu, perdendo-se dos olhos de Auguste Arnaud, que foi correndo para casa e contou ao pai o que lhe havia acontecido. Juntos, pai e filho seguiram ao encontro do pároco da aldeia que ouviu a narração, mas não lhe deu crédito. Parecia-lhe impossível que a Virgem Maria pudesse aparecer a um homem que profanasse o dia do Senhor, violando o preceito dominical.

Na segunda-feira, pela manhã, pai e filho foram procurar um marceneiro e lhe encomendaram uma cruz de madeira, provisória, que eles plantariam em sua vinha, enquanto aguardavam que o ferreiro da cidade de Montpellier, que eles já haviam contratado, confeccionasse uma bela cruz em ferro forjado, com ouro e prata, tendo a imagem de Nossa Senhora ao centro, conforme instruções recebidas do alto. Essa compra consumiu todas as economias de Augusto. Logo à noite, a cruz provisória foi colocada na vinha.

No dia 12 de junho de 1873, bastante empolgados, a família Arnaud, e alguns amigos que haviam tomado conhecimento da aventura de Auguste, se dirigiram a Santo Antonio. Eles nem se incomodaram por estarem perdendo um dia de trabalho! Decididamente, algo havia mudado em suas casas e em suas vidas…

No domingo, 22 de junho, a família inteira compareceu à paróquia Nossa Senhora da Graça, em Gygnac. Todos assistiram à Santa Missa e cada um pôde constatar que Auguste passara a manhã inteira na igreja, em oração. N dia 4 de julho, mesmo sem a participação do pároco, a bela cruz confeccionada em ouro e prata, foi entregue, e os Arnaud a colocaram na vinha, sob respeitosa e inflamada homenagem.

Obviamente, todos em Saint-Bauzille já estavam a par daqueles acontecimentos e, em vez de duvidar ou depreciar o jovem Arnaud, contra todas as expectativas, acreditavam piamente nele. E acreditavam, precisamente, pelos motivos que o desacreditaram junto ao Padre Costa: Auguste, não sendo um devoto, um beato, nem um cristão exemplar, mas apenas católico praticante, ninguém poderia supor que ele seria capaz de imaginar coisas como “historinhas” de aparições. Se ele quisesse zombar do mundo, não teria modificado a sua vida e nem teria queimado todas as suas economias, como acabara de fazer para comprar uma significativa cruz de ferro.

Levado por progressivo interesse e crescente impaciência o povo aguardava o dia 8 de julho, data anunciada de uma segunda aparição; o que inquietava a senhora Arnaud, esposa de Auguste, bastante preocupada com a hipótese de a Santa Virgem não aparecer e desacreditar irremediavelmente seu esposo. E ela o desconsiderava, dscontinuadamente. Quando ponderava e arrazoava o marido sobre seus receios, Auguste sorria e respondia, com segurança:
- Eu fiz tudo o que a Virgem Maria me pediu, portanto, Ela retornará.

 

Fonte: Um Minuto com Maria

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