O soldado protestante e o Ícone de Maria


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Corria o ano de 1939. Nossas tropas (alemãs) ocupavam uma cidadezinha não longe de Varsóvia. Extenuados após cansativa marcha forçada, nós nos instalamos numa casa burguesa. Tudo o que queríamos era dormir, apesar dos insistentes sibilos das balas e explosões das bombas estrondeando, por todos os lados, e cada vez mais frequentes e violentos…

De repente, um estalido medonho, o teto desaba… Uma explosão… Estilhaços de obuses… Uma terrível nuvem de poeira… Bloqueado, preso entre uma viga e cadeiras quebradas, lado a lado com alguns companheiros mortos, consegui me libertar e recuperar o ar…

A casa inteira transformara-se em escombros. Apenas um lanço de parede estava de pé, fixo, intacto. Tratava-se de um Ícone, a imagem da Mãe de Deus tão venerada pelos católicos. Tinha nas mãos um terço, e me olhava com ternura…

Eu sou protestante, e fui educado quase sem religião… Durante a expedição militar, notei que a maior parte de meus companheiros católicos tinham uma imagem da Virgem Maria ou um terço nas mãos, que desfiavam confiantes, nos momentos difíceis. Eu estava a observar a imagem quando uma segunda bomba ia se anunciando. Instintivamente, precipitei-me para aquele lanço que sobrara das paredes, arranquei o Ícone que lá estava e apertei-o junto ao meu coração. A bomba explodiu fragorosamente e seus estilhaços mataram três companheiros meus.

 

continua…..aguardem….

 

 

Saarbrucken, 22 de novembro de 1948 (segundo A. Dewald).
Relatado e traduzido por Frei Albert Plfeger, marista, em seu Florilégio Mariano, 1980

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