CIDADE DO VATICANO – O papa Bento XVI disse nesta terça-feira que o “perigo mais grave” enfrentado pela Igreja atualmente não vem das “perseguições” externas, mas do mal que a “polui” a partir de dentro, sem fazer referência direta aos escândalos de pedofilia que envolvem padres.
Durante a missa de São Pedro e São Paulo, celebrada na Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que o maior dano para a instituição católica está naquilo que “contamina a fé e a vida cristã de seus membros e suas comunidades, atentando contra a integridade do Corpo místico, enfraquecendo a capacidade de profecia e de testemunho, enevoando a beleza de sua face”.
Citando o apóstolo Paulo, Bento XVI aludiu “a alguns problemas de divisões, de incoerências, de infidelidade ao Evangelho que ameaçam seriamente a Igreja”, e às “atitudes negativas que pertencem ao mundo e podem contagiar a comunidade cristã: egoísmo, vaidade, orgulho, apego ao dinheiro”.
“As divisões são sintomas da força do pecado, que continua a agir nos membros da Igreja mesmo depois da redenção”, lamentou o Santo Padre, apontando que “um dos efeitos típicos da ação do Diabo é exatamente a divisão no interior da comunidade eclesial”.
“A unidade da Igreja radica na sua união com Cristo, e a causa da plena unidade dos cristãos — sempre a procurar e renovar, de geração em geração — é o próprio sustento da sua oração e da sua promessa”, acrescentou ele.
“Há uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja. Liberdade seja dos laços materiais que tentam impedir ou coagir a missão, seja dos males espirituais e morais, que podem afetar a autenticidade e a credibilidade”, acrescentou o chefe de Estado do Vaticano.
Segundo o papa, o ministério de Pedro garante a liberdade à Igreja, tanto em relação aos “poderes locais, nacionais ou supranacionais”, quanto “no sentido da plena adesão à liberdade, à autêntica tradição”. “Assim que o povo de Deus se preservou de erros referentes à fé e à moral”, completou ele.
Na solenidade em homenagem aos dois padroeiros de Roma, Bento XVI entregou a 38 arcebispos metropolitanos, recentemente nomeados, o pálio sagrado, uma estola de lã branca que simboliza a comunhão com o Pontífice. Entre eles havia dois brasileiros, o arcebispo de Recife e Olinda, Antônio Fernando Saburido, e o de Belém, Alberto Taveira Corrêa.
Fonte/jbonline.terra.com.br;
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