O papa Bento XVI encerrou sua visita ao Chipre este domingo, com o olhar voltado para o conturbado Oriente Médio, pedindo o fim do banho de sangue na região e destacando a situação dos cristãos.
Em uma missa celebrada em um ginásio esportivo perto da capital cipriota, Bento XVI rezou pelo sucesso de um sínodo de bispos do Oriente Médio, previsto para outubro, que tratará destes problemas.
Ele expressou a esperança de que o encontro “ajude a concentrar a atenção da comunidade internacional na situação dos cristãos no Oriente Médio, que sofrem por suas crenças, de forma que soluções justas e duradouras possam ser encontradas para os conflitos que causam tanto sofrimento”.
“Sobre esta grave questão, eu reitero meu apelo pessoal por um esforço urgente e concertado para solucionar as tensões atuais no Oriente Médio, especialmente antes que tais conflitos levem a maiores banhos de sangue”, afirmou.
A missa foi assistida por cerca de 10 mil pessoas, incluindo cipriotas e peregrinos de Síria, Jordânia e Líbano, muitos dos quais agitavam as bandeiras de seus países e do Vaticano.
Entre os fiéis havia trabalhadores imigrantes de Índia, Sri Lanka e Filipinas, que formam grande parte da comunidade de fiéis da Igreja Católica Romana no Chipre, de maioria ortodoxa.
As observações do Papa refletiram o tema do documento de trabalho para o sínodo, previsto para outubro, em Roma, que ele entregou para os bispos da região, reunidos após o culto.
Ao apresentar o documento, o Papa expressou a esperança de que os cristãos da região possam viver em “paz e harmonia com seus vizinhos judeus e muçulmanos”.
Destacando as “grandes provações” enfrentadas pelos cristãos e seu “inestimável papel”, Bento XVI disse esperar que seus “direitos possam ser cada vez mais respeitados, inclusive o direito à liberdade de culto e religião”.
Os mesmos temas constam do documento.
“Em uma região onde os seguidores das três religiões monoteístas têm convivido por séculos, os cristãos precisam conhecer bem seus vizinhos judeus e muçulmanos se quiserem colaborar com eles nos campos da região, da interação social e da cultura para o bem da sociedade como um todo”, diz o texto, que também alertou para obstáculos para se alcançar esta meta.
Referindo-se ao islamismo radical, o texto destacou que “estas correntes extremistas, claramente uma ameaça a todos, cristãos, judeus e muçulmanos, requerem ação conjunta”.
Também mencionou o conflito entre israelenses e palestinos, que se reacendeu recentemente com a tomada, por comandos israelenses, de uma frota internacional levando ajuda humanitária para Gaza, resultando na morte de 9 ativistas turcos.
“Os cristãos têm uma contribuição especial a fazer na área da Justiça, denunciando corajosamente a violência, não importa de que origem, e sugerindo soluções que só sejam alcançadas pelo diálogo”, ressalta.
“A ocupação israelense de territórios palestinos cria dificuldades na vida cotidiana, inibindo a liberdade de movimentação, a economia e a vida religiosa”, com o acesso a lugares santos só sendo liberado com permissão militar.
Além disso, destaca, “algumas teologias cristãs fundamentalistas usam a escritura sagrada para justificar a ocupação israelense da Palestina, tornando a situação dos árabes-cristãos uma questão ainda mais sensível”.
O texto expressa, ainda, a preocupação sobre as frequentemente difíceis situações sociais e econômicas na região, que forçam muitos cristãos a emigrar: “seu desaparecimento empobreceria o pluralismo que sempre foi característico dos países do Oriente Médio”.
A visita de Bento XVI ao Chipre é a primeira de um Papa a um país ortodoxo. O Sumo Pontífice encerrou a viagem com uma visita à catedral maronita de Nicósia. Antes de partir, dirigindo-se ao presidente Demetris Christofias no aeroporto de Larnaca, ele expressou ter esperanças de uma solução para a divisão do Chipre.
A ilha foi invadida pela Turquia em 1974, depois de um golpe grego-cipriota para tentar unir o país à Grécia. Até hoje, a região norte é ocupada por tropas turcas.
Fonte: Albion Land (AFP)
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