| Nestes últimos dias, tenho-me deparado com diversas situações que estão ocorrendo em nossa querida cidade do Paranoá, preocupando-me, sobretudo, o fato de ver, com muita freqüência, algumas atitudes proselitistas ou até mesmo afirmações que não condizem com a experiência concreta de Cristo morto e ressuscitado. Estas expressões me levam a pensar que não posso me calar pactuando com o meu silêncio diante de afirmações como: “Deixe de sofrer”, “você daria um presente com o valor de um real para alguém? E para Deus?”. Ou até mesmo: “prometendo prosperidade para as pessoas que estão ‘dominadas’ pelo demônio”. Muitas pessoas de boa vontade estão caindo no conto destas falsas doutrinas. Diante de tal preocupação, decidi dedicar este artigo para esclarecer e para convidar todos os católicos de nossa cidade a dar testemunho de sua fé. Essa doutrina apresenta Deus como Aquele que tem obrigações ou o dever de nos dar dinheiro, tirar nossas dores, arrumar emprego, etc: “comece hoje, agora mesmo, a cobrar d’Ele tudo aquilo que Ele tem prometido” (…) “quando damos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir Sua Palavra, repreendendo os espíritos devoradores”. Tais expressões me levam a perguntar: Será que Deus é verdadeiramente isso? Afirma a Carta aos Romanos: ”Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Nós somos o “Seu Corpo”, os seus membros (cf. ICor 12,12); “Completai, então aquilo que falta à Paixão de Cristo”. São Paulo não quer afirmar que faltou alguma coisa ao sacrifício de Cristo, mas afirma que somos convidados a fazer presente na nossa vida as mesmas atitudes de Cristo. Acredito que tal doutrina proselitista deve conhecer ao menos um pouquinho dos evangelhos. Cristo em momento algum obrigou o seu Pai a fazer algo. “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, contudo faça-se a Sua vontade e não a minha”. E Deus permitiu que o Seu filho fosse levado à Cruz. A atitude do verdadeiro cristão é aquela que abandona sua vida nas mãos do Senhor. Se formos sinceros ou até mesmo usarmos um pouco da lógica, podemos perceber que o que faz o homem sofrer não é a falta de dinheiro, não é estar “endemoninhado” ou “amarrado” como afirmam, mas é sair da vontade de Deus. E qual é a vontade de Deus? Que você e eu sejamos felizes, que tenhamos Vida Eterna. Como é possível isto? Não buscando falsas explicações para os nossos sofrimentos, não escutando falsos profetas, mas professando a verdadeira Fé. E qual é a verdadeira Fé? Que Cristo morreu pelos nossos pecados, que ressuscitou e nos dá a possibilidade de vencermos a morte que muitas vezes habita dentro de nós. Este é o verdadeiro sinal, esta é a verdade: temos um Deus que nos ama, que nos perdoa e que não brinca conosco deixando que os “demônios amarrem a nossa vida”. A experiência mais profunda de Cristo é abandonar a sua vida à vontade de seu Pai. Você já pensou em abandonar a sua vida, a sua história, os seus traumas, as suas amarguras nas mãos do Senhor? Esse Senhor que te convida a isso não te cobra dinheiro, não é um “deus comércio”, mas um Deus que é Pai e que nos ama do jeito que nós somos. Espero que este pequeno artigo nos ajude a testemunhar a nossa fé frente a tal doutrina enganadora. Que tristeza ver pessoas caindo nesses contos! Amarram pequenas fitas no braço porque estão amarradas pelo demônio, tomam banho com o sabonete do descarrego… Tudo isso parece piada, mas muitas pessoas acreditam nesses contos enquanto outros se aproveitam de seus dinheiros. O nosso Senhor afirma: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados com o peso de vossos fardos (com a sua vida, com a cruz que tantas vezes pesa) e Eu vos darei descanso.” Venha conhecer esse Senhor que se dá gratuitamente, porque é Pai e, como é um Pai verdadeiro, não quer que nenhum de seus filhos se perca. Ajude-nos a dizer não a banalização da fé. Indique este artigo aos seus amigos.
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Pe. Alessander C. Capalbo |
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Com certeza nosso Deus está pronto a nos dá o que O pedimos, mas nós precisamos também dar a Ele o devido louvor, com uma vida de renúncia do pecado, da práticas abomináveis aos olhos d’Ele, enfim, colocá-lo como primícias em nossas vidas, assim, teremos não somente o que desejamos retamente nessa vida, mas também os tesouros do céu reservado para os nós filhos seus!