Antigamente somente o Papa podia promover uma causa de canonização, mas hoje em dia, os bispos têm autoridade para isso. Portanto em qualquer diocese do mundo pode-se iniciar uma causa de canonização.
Para cada causa é escolhido pelo bispo um postulador, espécie de advogado, que tem a tarefa de investigar detalhadamente a vida do candidato para conhecer sua fama de santidade.
Quando a causa é iniciada, o candidato recebe o título de Servo de Deus, que é o caso de Irmã Dulce.

O primeiro processo é o das virtudes ou martírio. Este é o passo mais demorado porque o postulador deve investigar minuciosamente a vida do Servo de Deus. Em se tratando de um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. Ao terminar este processo, a pessoa é considerada Venerável. Como por exemplo o Papa João Paulo II

O segundo processo é o milagre da beatificação. Para se tornar beato é necessário comprovar um milagre ocorrido por sua intercessão. No caso dos mártires, não é necessária a comprovação de milagre. Irmã Lindalva passou a ser Venerável em 16 de dezembro de 2006, quando o decreto do seu martírio como serva de Deus foi promulgado. Agora é aguardada a cerimônia da beatificação, já que ela é dispensada de milagre.

Irmã Lindalva
Beata Laura Vicunha
O terceiro e último processo é o milagre para a canonização. Este tem que ter ocorrido após a beatificação. Comprovado este milagre o beato é canonizado e o novo Santo passa a ser cultuado universalmente.

Vaticano tenta aperfeiçoar processo de canonização
O Vaticano divulgou na segunda-feira novas diretrizes sobre os processos de canonização, tentando esclarecer e aperfeiçoar o veículo por meio do qual a Igreja Católica escolhe seus santos.

As instruções, dirigidas aos bispos, tratam desde o modo de identificar os possíveis milagres até detalhes mais mundanos e burocráticos, como o uso de computadores e de aparelhos de gravação para arquivar testemunhos sobre a vida de um candidato a santo.
- Estamos atualizando isso – disse o cardeal José Saraiva Martins, que comanda o órgão do Vaticano encarregado das canonizações – um processo complicado que, algumas vezes, pode se estender por séculos.
Segundo o Vaticano, as instruções esclarecem regras antigas e visam a eliminar alguns pontos considerados confusos em nível regional, onde os bispos dão início ao que se chama de “causas”, o processo de canonização assumido pela Santa Sé em um estágio posterior.
Em alguns casos, as dioceses se mostraram lenientes demais ao dar início a uma “causa” para santidade, disse Martins.
Alguns acusam o Vaticano há muito tempo de ter se tornado uma “fábrica de santos” por causa do grande número de canonizações e beatificações. As beatificações são o primeiro passo rumo à transformação de alguém em um santo da Igreja Católica.
Apesar de ter atualizado as regras, o Vaticano sinalizou estar ainda disposto a canonizar muitas pessoas. Martins apontou para a velocidade recorde com que o papa Bento XVI aprovou beatificações e canonizações desde que foi eleito, em 2005.
- As causas para beatificação não diminuíram. Pelo contrário, elas aumentaram – observou Martins.
Sob o pontificado do papa João Paulo II, no comando da Igreja Católica por quase 27 anos, quase 1.340 pessoas foram beatificadas e por volta de 500, canonizadas – mais do que a soma de todos os seus antecessores juntos desde que procedimentos do tipo começaram a ser realizados, em 1588.
O breve papado de Bento XVI já registrou quase um terço do número total do antecessor dele, com 577 canonizações e beatificações, afirmou Martins.
O atual pontífice também mandou que algumas das regras desse procedimento fossem ignoradas para acelerar o processo de canonização de João Paulo II e da irmã Lucia dos Santos, a última das três crianças pastoras que disseram ter visto Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, em 1917.
Lucia morreu em 2005, aos 97 anos.
Martins negou, porém, que Bento XVI venha a dispensar o processo padrão de revisão para anunciar a canonização de João Paulo II já no terceiro aniversário da morte dele – conforme gostariam muitos dos seguidores daquele papa.
- Não – disse Martin, sorrindo. – Não acho que isso seja muito provável.
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