Qual o principal erro da Teologia da Libertação?


Print Friendly

Nas últimas semanas de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI condenou novamente a Teologia da Libertação (TL). Nas palavras do Pontífice a TL realiza uma interpretação inadequada da Bíblia, nega-se a pregar o evangelho, direciona a estrutura da Igreja para atividades que são incompatíveis com o cristianismo e o mais grave, elimina a fé que existe nos fiéis.

Oficialmente a TL procura exprimir a fé cristã num contexto social marcado pela pobreza e pela injustiça social. É preciso ter consciência que para a TL são os pobres que marcam o lugar da ação histórica e do encontro com Deus. Nesta perspectiva, a fé cristã só adquire substância histórica quando considera os pobres e excluídos como desafio incontornável e, portanto, é imperioso haver a opção preferencial pelos pobres. Ninguém, nem mesmo o Papa Bento XVI, condena ou critica a Teologia da Libertação por se dedicar a libertação dos pobres e demais grupos socialmente excluídos. Historicamente a Igreja cometeu erros, mas qualquer historiador ou sociólogo que tenha o mínimo de honestidade irá afirmar que a Igreja foi uma das instituições, na sociedade ocidental, que mais promoveram a integração humana e, por conseguinte, a emancipação dos injustiçados.

Aparentemente há uma contradição entre a condenação oficial da Igreja emanada principalmente pelo Papa Bento XVI e o discurso oficial da Teologia da Libertação.

Afinal, qual o principal erro da Teologia da Libertação?

Sinteticamente serão apontados três erros da Teologia da Libertação.

Primeiro, a TL afirma que o pobre é o lugar de Salvação e, por isso, a Salvação se dá por meio do pobre. Isso contraria gravemente os ensinamentos bíblicos e a doutrina da Igreja. Para a Bíblia e a para a Igreja o lugar da veracidade da teologia é toda a humanidade, com todos os seus grupos e segmentos sociais e, não apenas o pobre. Cristo veio para toda a humanidade e não apenas para os pobres, justamente porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3, 23). Jesus Cristo não é o Salvador apenas de uma classe social (o proletariado) e de um grupo social (os pobres), mas de toda a humanidade. Ele não salva apenas a vida material (comer, vestir, etc), mas salva o homem em sua totalidade (vida econômica, emocional, espiritual, estética, etc).

Segundo, em grande medida libertar o homem da pobreza significa oprimi-lo dentro de novas formas de sofrimento físico e espiritual. As populações da Europa e de outras partes do planeta que conseguiram se libertar da pobreza atualmente vivem sob o jugo de novas opressões (terrorismo, depressão, suicídio, individualismo, ditadura da mídia, morte da democracia, etc). Jesus Cristo sabe que o libertador de hoje fatalmente é o opressor de amanhã.

Terceiro, o real intuito da TL não é libertar o pobre. Se realmente a Teologia da Libertação desejasse libertar o pobre, ela não apoiaria abertamente regimes tirânicos como Cuba e a Coreia do Norte. O pobre não passa de massa de manobra dentro dos planos da TL. O que realmente ela deseja é implantar na América Latina um regime fechado nos moldes de Cuba. Na prática a Teologia da Libertação funciona como uma cabeça de ponte, ou seja, de um lado, é uma forma de ideias e doutrinas não cristãs entrarem dentro da Igreja. Entre essas doutrinas cita-se: o secularismo, o ateísmo, a defesa de um Estado totalitário e, por causa disso, a opressão de toda a população. A TL funciona como uma espécie de idiota útil, ou seja, deve legitimar o discurso opressor oriundo do totalitarismo. Sendo que essa legitimação é feita por meio da estrutura da Igreja e de uma indevida interpretação da Bíblia. Do outro lado, a Teologia da Libertação funciona, a nível latino-americano, como um grande palanque político da esquerda. Não é crime uma facção religiosa ter uma ideologia política. Muitos grupos religiosos adotam posições e ideias políticas. O grande problema é que a TL afirma defender o pobre. Na prática o que realmente ela deseja é angariar a simpatia e os votos dos pobres para a esquerda.

A Teologia da Libertação simplesmente ignora que historicamente foi a esquerda quem persegui e matou milhões de cristãos em todo o mundo. Grande parte dos sofrimentos que a Igreja sofreu nos últimos duzentos anos se deve à esquerda. A esquerda é a grande propagadora, a nível mundial, do ateísmo e de doutrinas anticristãs. Entretanto, tudo isso não interessa a TL. A Teologia da Libertação está mergulhada num mar de alienação, de totalitarismo e de doutrina marxista anticristã. O Papa Bento XVI está correto ao condenar essa facção teológica.

Por fim, é preciso afirmar que sem dúvida a teologia e, portanto, toda a Igreja devem estar preocupadas e empenhadas em combater a pobreza, principalmente a pobreza extrema que causa a morte física do indivíduo. A sociedade cristã não pode admitir a existência de pobres e de pessoas morrendo de fome. Entretanto, a luta contra a pobreza deve ser feita por meio da doutrina social da Igreja e não por meio da ideologia marxista, opressora e totalitária defendida pela Teologia da Libertação. Os países que a TL apresentam como modelos (Cuba, Coreia do Norte, Venezuela) não extinguiram a pobreza. Os modelos de homens propostos pela TL (Marx, Che Chevara, Fidel Castro, etc) são pessoas que trouxeram para seus países a morte e a destruição. Quem realmente deseja combater a pobreza deve ter como modelo Jesus Cristo, a Virgem Maria e os santos. Além disso, deve colocar em prática a doutrina social da Igreja.

Ivanaldo Santos é filósofo ( ivanaldosantos@yahoo.com.br ).

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/10661-qual-o-principal-erro-da-tl.html

Mais Reportagens:

11 Comentários

  1. LEONARDO RODRIGUES DA SILVA disse:

    A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO É A MAIOR E MAIS PERIGOSA HERESIA QUE JÁ SURGIU. ELA QUER MUDAR TODA A ESTRUTURA DA IGREJA CATÓLICA. SATANÁS TEM SE SUPERADO CADA VEZ MAIS NAS TENTATIVAS DE DESTRUIR A SANTA IGREJA. ELE QUE CONTINUE TENTANDO. JESUS NOS PROMETEU QUE AS FORÇAS DO INFERNO NUNCA PREVALECERIAM SOBRE NÓS SUA IGREJA. A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, MAIS CEDO OU MAIS TARDE ENCONTRARÁ SEU FIM.

  2. Alexandre disse:

    Não sou admirador da “Teologia da libetação” e jamais quero ser, pois vejo na mesma uma grande ameaça a Fé Católica, vejo que a mesma deixa as pessoas mais preocupadas com o material que um dia passara e faz com que as pessoas deixem a vida eterna de lado, sinceramente prefiro a RCC, pois ela sim é Verdadeiramente Católica, isso sem falar que os sermões de padres da “TL” são vazios, ruins, sem espiritualidade.

  3. Paulo Pisani disse:

    Muitos padres estão desobedecendo a ordem de seu chefe maior aqui na terra o nosso Papa, e frequentando diretórios esquerdistas como o PT, PC do B… entre outros e também defendendo TL. Função de padre é levar o evangelho, cansagrar a eucaristia, levar o perdão através da confissão… entre outras coisas, e para resumir tudo isso a função dos padres é salvar almas, portando senhores padres de esquerda, Vão salvar almas que vocês ganham mais.

  4. Cassio disse:

    A Teologia da Libertação é herética só se preocupam com obras não tem fundamento verdadeiramente católico, cristão e a maioria de seus membros não seguem nem a Bíblia, nem os ensinamentos da Igreja, são rebeldes e fazem muita coisa que contraria a lei de Deus e querem confundir os católicos eu infelizmente já participei desse movimento hoje participo ativamente de grupos de oração e eventos da RCC e da Tradição os quais eu vejo que tem embasamento teológico verdadeiro e para mim se completam e não são apenas falácias esquerdistas e libertinas sem fundamentos religiosos. A TL hoje para mim não passa de enganação não trás bons frutos e é pelos frutos que você reconhece a árvore(TL).

  5. regia lucia disse:

    fiquei encantada com o asunto,liberdade é algo que está dentro de nós,não é simplesmente idéias vazias que arrastam milhares de pessoas que agem e pensam aquilo, tão somente aquilo que lhe é imposto…

  6. hernandes disse:

    Sou um admirador da TL, e vejo que a igreja em si quer que todos sejam carismáticos, ou seja uma igreja sem o pé no chão. Basta ver alguns padres e a sua maneira de pregar, que só falam de problemas interiores. Desta forma geramos uma idéia pacifista.

    • Thiago Rocha disse:

      A Igreja é rica e o Espírito Santo é a fonte única de inspiração para os movimentos que acontecem dentro da Igreja, digo os verdadeiros movimentos…
      A Teologia da Libertação não é uma manifestação legítima, pois é totalmente contrária a doutrina da Igreja.
      Se alguém quer fazer essa prática do comunismo, faça fora da igreja e não nela.

      O Reino de Jesus não é nesse mundo, lembra? Ele disse isso a Pilatos…
      Todavia ele nos colocou nesse mundo como peregrinos e aqui temos que viver nossa vida normal, cumprindo sempre os mandamentos e em special o 1º de amar a Deus SOBRE todas as coisas.

      Quer agir na sociedade do jeito correto, sem incorrer em erro contra a doutrina da igreja, então pare de admirar e seguir a teologia da libertação e comece a conhecer a DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA.

      Obs.: A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA NÃO TEM A MENOR SEMELHANÇA COM A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, esta última é um completo erro desde suas bases.

    • ronan disse:

      concordo em termos com vc. é necessáriocontrabalançar asatitudes. a igreja nos é necessária ta\mbém para reabastecer nossa relação com Deus, desta forma poderemos conseguir o reino nesta terra. mas naum devemos esquecer que existimos em uma realiddade de conflitos e problemas sociais em que é necessária a ação human e cristã do povo!….

  7. mateus disse:

    mto bom!!!

Faça um comentário