Quando Deus é o centro da escuta do psicólogo


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Quando se escuta alguém, algo mais do que a técnica é preciso. A Psicologia é a ciência do ouvir e o profissional psicólogo ouve e tenta descobrir o encoberto ou o não-dito.

Existem muitos psicólogos que possuem um ouvir armado. Lêem tantas coisas, enchem-se de múltiplas teorias que encharcam seus silêncios com interpretações científicas eloqüentes e abstratas. Muitos psicólogos tratam de seus pacientes usando suas auto-suficiências de teorias humanas.
Mas, o que realmente as pessoas que procuram os psicólogos buscam? Buscam silêncios que não encontram em si mesmos, pois o sofrimento é barulhento dentro de todos nós. Essas pessoas buscam um olhar, uma palavra, um tempo de descanso de lutas que trava em suas histórias de vida.
As teorias humanas não dão conta do que está mais escondido na natureza humana. Os teóricos não explicam a instabilidade psicológica das pessoas porque se apóiam em si mesmos. Nunca a própria natureza humana poderá descobrir o que há na própria natureza humana, pois em um mesmo patamar se encontram teóricos e pacientes: o da humanidade.
Pensemos em dois peixes que se encontram no rio. Os dois tentam explicar um para o outro sobre as estrelas. Descrevem-nas, analisa-as, discursam sobre as mesmas, mas não atingem o não desvendado ou o que por fora do rio: os peixes estão numa mesma condição de peixes e não poderão ir além do turvamento de suas águas.
Da mesma forma, os teóricos que tentam explicar o psiquismo são como esses peixes que tentam explicar e descobrir coisas sobre o Homem. Suas teorias não ultrapassam as águas turvas de sua própria natureza humana.
Então, em quem se apoiar para que a escuta do psicólogo atinja o não-descoberto e as origens das situações de sofrimento?
Em alguém que ultrapassa todas as possibilidades humanas. Alguém que escuta o não-dito, enxerga o não-visto, descobre o mais escondido, percebe o não-desvendado. Como realizar todas essas coisas se não o Autor da existência desse próprio ser humano?
O autor é aquele que conhece sua obra por completo, pois os mínimos detalhes foram pensados. O Autor dos homens e das mulheres é Aquele que além de conhecer Sua obra por completo, a tornou semelhante a Ele. Esse Autor é o único que fez gratuitamente Sua obra em Sua imagem e Sua semelhança. O criado foi elevado à semelhança de Seu Criador: Deus, o grande Criador de todas as coisas, revelado por Jesus Cristo como Pai é esse autor divino e maravilhoso.
As teorias humanas não podem ser o centro da escuta do psicólogo, porque ninguém tecnifica a cura. Um psicólogo cheio de teorias e ateu é semelhante a um jarro decorado e cheio de areia seca, onde alguém coloca uma planta. A beleza do jarro decorado escondeu a infertilidade e o vazio do conteúdo desse objeto. Assim, o suposto requinte dos consultórios e das complicações de raciocínios esconde a infertilidade e o vazio de suposições acerca do ser humano que as teorias psicológicas – longe da Sabedoria de Deus – fazem acerca do psiquismo humano.

Continua na próxima edição
Fátima Bertini
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