Quatro milhões de mulheres fizeram aborto, no Brasil, nos últimos vinte anos


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O Papa Bento 16 quando esteve no Brasil deixou bem claro que ia defender radicalmente os valores cristãos. E já no seu primeiro discurso pregou o direito à vida. Para bom entendedor, o recado foi dado: não ao aborto.

Levando-se em consideração a sua decisão de excomunhão dos políticos mexicanos que aprovaram o aborto, fica claro que neste quesito a Igreja está fechada a argumentos e ao diálogo. Por isso, o aborto está condenado para ela.

E a Igreja está certa. É papel dela pregar a sociedade ideal, a busca pela convivência sem atritos, em que a vida seja concebida sob planejamento, recebida com aceitação e condições de dignidade.

É a crença em um Deus perfeito, em um mundo perfeito e no modelo de um amor incondicional à base do cristianismo.

A sociedade precisa se balizar em valores morais, como defendeu Bento 16. Se tudo o que a Igreja prega fosse praticado, a sociedade seria mais tolerante, respeitável e solidária.

Um relatório feito pelas universidades de Brasília e do estado do Rio de Janeiro concluiu que mais da metade delas é católica.

O relatório é fruto da analise de todos os estudos científicos publicados sobre o assunto, no país, nos últimos vinte anos. De acordo com os pesquisadores, o perfil das brasileiras que fizeram aborto surpreendeu.

Em sua maioria o grupo não é formado por adolescentes, mas por mulheres entre 20 e 29 anos. Mais da metade delas se declarou católica, e mais de dois terços já têm filhos.

A maioria optou pelo aborto como forma de planejamento familiar. Por amostragem, conclui-se ainda, que quase quatro milhões de mulheres interromperam a gravidez nas duas ultimas décadas, no Brasil.

O estudo também constatou que estas mulheres têm relacionamentos estáveis e o homem costuma participar ativamente da decisão.

Uma mulher, que pediu para não ser identificada, disse que foi pressionada pelo companheiro para interromper a gravidez. “Isso foi muito doído, porque a gente não tem apoio. Uma gravidez assim não é fácil”, diz ela.

O relatório também cita estudos que identificaram uma mudança na forma de fazer aborto. A partir da década de noventa, ao invés de procurar clínicas clandestinas ou aplicar injeções, as mulheres passaram a optar pelo uso de remédios e de chás que interrompem a gravidez. Métodos menos agressivos, mas que também oferecem riscos.

Segundo uma das coordenadoras do relatório, diante desses dados o país precisa dar um novo enfoque à discussão do aborto. “Esse debate sobre o aborto vai ter que vir, junto à um debate sobre o uso de métodos anticonceptivos e planejamento familiar”, afirma Deborah Diniz, coordenadora do Relatório – UnB.

O Ministério da Saúde e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil receberam os dados da pesquisa com preocupação. “Nós acolhemos com muita preocupação, mas com muita esperança de ajudar a comunidade, a sociedade, a reverter esta situação”, garante Luís Antônio Bento, padre da Comissão Pastoral da Vida e Família – CNBB.

“Qualquer mulher que faça o aborto é punida, ela é presa. Com isso, a gente não conhece o dado real do aborto”, diz Lena Perez, diretora adjunta do Ministério da Saúde.

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Fonte: Jornal Hoje

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2 Comentários

  1. Antônio Vargas disse:

    Verdade e liberdade – a aposta do papado
    Carlos Alberto Di Franco

    São Paulo (SP) – Recentemente, reli a encíclica Veritatis Splendor, texto obrigatório para quem tem o ofício, comprometedor e fascinante, de tentar iluminar a verdade profunda dos fatos e, ao mesmo tempo, defender aquilo que está no DNA da raça humana: a liberdade. João Paulo II, um papa dotado de extraordinária cabeça filosófica, pretendeu resgatar este “mundo desconjuntado”, como tristemente observava Hamlet. Na encíclica, o pontífice falecido advertiu para a “decadência do sentido moral” na sociedade e suas conseqüências dramáticas para a democracia.

    “Uma democracia sem valores se transforma com facilidade num totalitarismo visível ou encoberto”, afirma o texto com um realismo cortante. “A origem do totalitarismo moderno deve ser vista na negação da dignidade transcendente da pessoa, sujeito natural de direitos que ninguém pode violar; nem o indivíduo, nem a família, nem a sociedade, nem a nação, nem o Estado.” Trata-se de uma vibrante defesa da liberdade e dos direitos humanos.

    A democracia é, sem dúvida, o regime que melhor funciona. É o sistema que mais genuinamente respeita a dignidade da pessoa humana. Qualquer construção democrática, autêntica e não apenas de fachada, reclama os alicerces da lei natural. No respeito aos seus princípios está o melhor antídoto contra aventuras ditatoriais. Por isso, não obstante a força do marketing que apóia certas campanhas contra a vida, é preocupante o veneno antidemocrático que está no fundo de certos slogans do governo.

    Não se compreende de que modo obteremos uma sociedade mais justa e digna para seres humanos (os adultos) por meio da organização da morte de outros seres humanos igualmente vivos (as crianças não nascidas). Há um elo indissolúvel entre a prática do aborto, o massacre do Carandiru, a chacina da Candelária e outras agressões à vida: o ser humano é encarado como objeto descartável.

    Os argumentos esgrimidos em defesa dessas ações, alguns cruéis, outros carregados de eufemismos, não conseguem ocultar o desrespeito ao primeiro direito humano fundamental, base da sociedade democrática: o direito à vida. Situações traumáticas merecem compreensão e podem representar atenuantes, mas jamais devem justificar a eliminação de uma vida. O aborto, estou certo, é o primeiro elo da imensa cadeia da violência e da cultura da morte. Após a implantação do aborto descendente (eliminação do feto), virão inúmeras manifestações do aborto ascendente (supressão da vida do doente, do idoso e, quem sabe, de todos os que constituem as classes passivas da sociedade). Delírio premonitório? Penso que não. Trata-se, na verdade, do corolário de um silogismo dramaticamente lógico. A vida deixa de ser um fato sagrado. Converte-se, simplesmente, numa realidade utilitária.

    Uma das doenças culturais do nosso tempo é o empenho em contrapor verdade e liberdade. As convicções, mesmo quando livremente assumidas, recebem o estigma de fundamentalismo. Impõe-se, em nome da liberdade, o dogma do relativismo. Trata-se, na feliz expressão do cineasta marxista Pier Paolo Pasolini, da “intolerância dos tolerantes”, que, obviamente, conspira contra o sadio pluralismo democrático. Bento XVI denuncia, com razão, a ditadura do relativismo como um dos grandes desvios da cultura contemporânea. Ao comentar o pensamento do novo papa, René Girard, professor emérito de antropologia da Universidade de Stanford (EUA), sublinha que o “pós-modernismo é dramático ao dizer que não há valores absolutos, que não há uma verdade, que a linguagem não pode alcançar a verdade.” Bento XVI, à semelhança de seu antecessor, “sabe por experiência pessoal que sem religião as sociedades caminham para a ruína.”, conclui Girard.

    Qualquer pessoa sensata é capaz de intuir que os estragos causados pelo fundamentalismo relativista são dramaticamente evidentes. O dogma do subjetivismo não fraturou apenas a espinha dorsal da democracia ocidental. Na verdade, ele está no cerne da espiral de violência e insensatez que, diariamente, vai esgarçando as relações humanas. Por isso, a encíclica de João Paulo II, permeada de extrema coerência, é de grande atualidade. Ela propõe o urgente desafio ético de conjugar liberdade e verdade.

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  2. Sou contra o aborto….uma crinça inocente não tem culpa de nada…

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