- “Ai de mim se não evangelizo”
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Num sábado na sinagoga de Damasco, quando ele pediu para falar, e para espanto e escândalo dos presentes, demonstrou pelo testemunho dos profetas que Jesus era o Messias, um clamor geral levantou-se contra ele, e houve muita discussão. Os doutores da Lei o atacaram furiosamente; e ele os enfrentou, pois “cobrava mais forças e confundia os judeus” (Atos 9, 22). Começou aí a luta encarniçada entre o Apóstolo e os judeus, que iria até o fim de sua vida.
Enfim, “passados bastantes dias, os judeus resolveram matá-lo”. Houve então a fuga aventureira de São Paulo, descido pelos discípulos ao longo da muralha, metido numa cesta e com a ajuda de uma corda (id, 9, 23-25, II Cor. 11, 32-33).
Livre do perigo, Saulo resolveu ir a Jerusalém para “conferir os evangelhos” com Cephas (Pedro), Tiago e João, “que passam por ser as colunas”.
Na santa cidade, Barnabé o conduziu e apadrinhou junto aos Apóstolos. Saulo contou o que tinha visto no caminho de Damasco, e como “pregara valentemente o nome de Jesus”. Pedro, Tiago e João, como “compreendessem a graça a mim dada, deram-nos as mãos, a mim e a Barnabé, em sinal de perfeito acordo, para que nós nos dirigíssemos aos gentios, e eles aos circuncisos” (Gal. 2, 9). Assim foi ele oficialmente encarregado do apostolado com os pagãos.
Em Jerusalém ele também “pregou com desassombro”, o que levou os judeus a querer tirar-lhe a vida. Saulo não se resignava a fugir facilmente das mãos desses judaizantes; mas eis que, “orando no templo, tive um êxtase” no qual apareceu Nosso Senhor Jesus Cristo, e disse: “Apressa-te por sair logo de Jerusalém, porque eles não receberão teu testemunho acerca de mim”. São Paulo tentou argumentar com o Divino Mestre, mas a ordem foi taxativa: “Vai, porque quero enviar-te a nações distantes” (Atos 22, 17-21). De lá foi para Tarso, onde ficou até que Barnabé foi procurá-lo e o levou consigo para Antioquia.
- Em Antioquia
Antioquia, da Síria, era a terceira maior cidade do Império Romano depois de Roma e Alexandria. Era a residência do legado imperial, destinada a ser a segunda mãe da jovem Igreja. Por 20 anos ela será a pátria escolhida pelo Apóstolo das Gentes, e o ponto de partida para suas grandes empresas.
Outrora, perseguindo os discípulos de Jesus em Jerusalém, Saulo havia provocado, sem o querer, a fundação da comunidade de Antioquia, pelo considerável número deles que lá se refugiaram.
Barnabé e Saulo permaneceram um ano na cidade. Desse apostolado em Antioquia nada se sabe. Foi lá entretanto que, pela primeira vez, os discípulos do Nazareno começaram a ser conhecidos por cristãos.
Saulo estava em pleno vigor da idade e na força do entusiasmo. Se a igreja de Antioquia já tinha tido antes um grande impulso, com os dois apóstolos cresceu ainda mais.
Os Atos falam muito rapidamente de uma viagem de São Paulo e São Barnabé a Jerusalém, para levar os donativos que os cristãos de Antioquia enviavam aos daquela cidade: “Barnabé e Saulo, cumprido o seu ministério, voltaram de Jerusalém trazendo consigo João, chamado Marcos” (12, 25).
Entretanto, costuma-se assinalar nessa rápida estadia o arrebatamento memorável que o Apóstolo teve, e que descreve com estas palavras: “Sei de um homem em Cristo que há 14 anos –– se no corpo, não o sei, se fora do corpo, também não o sei, Deus o sabe — foi arrebatado até o terceiro Céu. E sei que este homem — se no corpo ou fora do corpo, não o sei, Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis que ao homem não é lícito proferir” (II Cor. 12, 2-4).
- Primeira viagem apostólica
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A igreja de Antioquia se desenvolvia esplendidamente com seus apóstolos, profetas e doutores. Um dia, “enquanto celebravam a liturgia em honra do Senhor e guardavam os jejuns, disse o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamo” (Atos, 13, 2). Essa obra seria a primeira viagem apostólica de São Paulo. Os dois apóstolos tomaram consigo João Marcos e chegaram a Salamina (Chipre), e de lá a Pafos (Atos 13, 4-6). Ali residia o procônsul romano Sérgio Paulo, “varão prudente” que, sabendo da chegada dos dois apóstolos, chamou-os, “desejando ouvir a palavra de Deus”.
Mas um mago judeu, Barjesus, quis impedir o contacto do procônsul com os apóstolos. Por isso “Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, cravando nele os olhos, disse: Ó homem cheio de todo engano e de toda maldade, filho do diabo, inimigo de toda justiça! Não cessarás de torcer os retos caminhos do Senhor? Agora mesmo a mão do Senhor cairá sobre ti, e ficarás cego, sem veres a luz do sol por certo tempo” (Atos 13, 10-11). No mesmo instante o mago ficou cego, o que levou o procônsul a crer.
A partir de então, Paulo e Barnabé trocam de papéis. De agora em diante Paulo comandará; e Barnabé, reconhecendo-lhe a superioridade, humildemente segui-lo-á. E é também a partir dessa ocasião que, nos Atos dos Apóstolos, São Lucas começará a chamar o Apóstolo pelo nome com que foi imortalizado –– Paulo.
De Chipre, Paulo, Barnabé e Marcos foram a Perge, na Panfília, onde o último, por motivos ignorados, separou-se dos dois primeiros, desgostando São Paulo com essa atitude.
- Em Antioquia da Pisídia
A Panfília era uma província imperial de caráter militar, governada por um “propretor” ou general com mando. Seus habitantes tinham uma forte índole religiosa, com grande apego às superstições e aos cultos esotéricos dos pagãos. São Paulo e São Barnabé foram para Antioquia da Pisídia.
A pregação da palavra divina foi muito bem recebida pelos gálatas. O que provocou a inveja dos judeus, que começaram a insultá-lo e contradizê-lo. E proibiram-no de pregar na sinagoga. São Paulo tomou então uma determinação: daí em diante, evangelizará sobretudo os gentios.
Os dois Apóstolos começaram a pregar em casas particulares. Aos poucos o movimento cristão se estendeu para o campo, e assim numerosas aldeias e pequenas cidades foram contagiadas pela verdadeira Religião (Atos, 13, 49).
De Antioquia, São Paulo e São Barnabé partiram para Icônio. São Lucas registra o grande êxito da missão em Icônio, a sublevação do populacho da cidade. Os Apóstolos, após larga atividade, só a duras penas escaparam do apedrejamento (Atos, 14, 6-7).
A pequena cidade provincial de Listra, hoje desaparecida, era habitada por um povo bondoso, mas supersticioso e inculto. Um milagre operado aí pelo Apóstolo, curando um paralítico de nascença, fez com que aquele povo pagão tomasse Paulo e Barnabé por deuses, chegando a querer oferecer-lhes sacrifícios. “Porém, judeus vindos de Antioquia e de Icônio seduziram as turbas, que apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, deixando-o como morto” (Atos, 14, 18-19). O Apóstolo podia já dizer desde então: “Trago em meu corpo as marcas de Jesus” (Gal. 6, 17).
Fazendo o percurso inverso, São Paulo e São Barnabé retornaram para Antioquia da Síria (Atos 14, 27), onde juntou-se a São Paulo um jovem antioquenho, Tito, por quem o Apóstolo terá muito apreço, e será um de seus mais fiéis discípulos e enérgico auxiliar. Ele o chamou de “meu verdadeiro filho pela mesma fé” (Tito 1, 4).
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Fonte: Catolicismo
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