As Cinzas da Teologia da Libertação
Parece que alguns esqueceram esta afirmação de Jesus Cristo: “Nem só de pão vive o homem” (Mateus 4). É urgente uma mudança de visão para reequilibrar a ação pastoral.
INTRODUÇÃO
Há alguns dias, me chegou a notícia da realização de mais um Congresso da Associação de Teólogos João XXIII, que é na verdade um evento de teólogos progressistas ou liberais onde o denominador comum é o ataque contra a hierarquia da Igreja. Nessa ocasião, a hierarquia foi acusada de estar desaparecida, em uma espécie de “inverno eclesial”. O evento comemorou também o 25º aniversário da dita Associação; entre seus fundadores e promotores encontram-se sacerdotes religiosos e diocesanos.
Em seus congressos, ao longo dos anos, participaram os principais promotores da Teologia da Libertação, inclusive alguns que representam as versões mais radicais dessa corrente teológica: o peruano Gustavo Gutiérrez, o bispo mexicano Samuel Ruiz, o catalão Pedro Casaldáliga, o ex-ministro sandinista Fernando Cardenal, J.L.Segundo etc. Da mesma forma, com idéias afins, não poderíamos deixar de mencionar outros promotores de maior ou menor relevo como Leonardo Boff (Brasil), Jon Sobrino (El Salvador), Hans Küng (Alemanha), Rosemary Radford Ruether (Estados Unidos), Julio de Santa Ana (Uruguai), Sergio Arce (Cuba), Maria-Pilar Aquino (México), Marcos Villamán (República Dominicana), Liliana Gallo (Colômbia), Eduardo de la Lerma (Argentina), Sixto García (Estados Unidos), Enrique Dussel (Suiça), Fernando Torres (Colômbia) Juan José Tamayo e J.M.Vidal (Espanha). Outros semelhantes são: Tissa Balasuriya, Marcelo Barros, Teófilo Caebestreno, Oscar Campana, Víctor Codina, José Comblin, Lee Cormie, Eduardo de la Serna, José Estermann, Benedito Ferraro, Eduardo Frades, Luis Arturo Garcia, Ivone Gevara, Diego Irarrazabal, João Batista, María e José Ignacio Vigil, Carlos Mesters, Pablo Richard, Luis Rivera, Paulo Suess, Luiz Carlos Susin, Faustino Teixeira, José María Vigil etc.
É, pois, aproveitando o 25º Aniversário de um dos meios de difusão da chamada Teologia da Libertação que compartilho as seguintes reflexões:
1. DA PANACÉIA À DECADÊNCIA. GRAÇAS A DEUS!
Creio que ninguém pode duvidar que houve contribuições positivas desta corrente religiosa para a Igreja. De fato, o Papa João Paulo II chegou a dizer para os bispos do Brasil que ela “era necessária”. Também não se pode negar o seu influxo no campo teológico e pastoral a nível mundial. No entanto, ao mesmo tempo, não podemos esquecer o que foi assinalado pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1984, então presidida pelo card. Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI, que afirmava:
“A presente instrução possui um fim mais preciso e limitado: atrair a atenção dos pastores, teólogos e todos os fiéis sobre os desvios e riscos de desvio, ruinosos para a fé e para a vida cristã, que implicam certas formas da Teologia da Libertação que recorrem, de modo insuficientemente crítico, a conceitos tomados de diversas correntes do pensamento marxista.
Esta advertência de maneira nenhuma deve ser interpretada como uma desautorização de todos aqueles que querem responder generosamente e com autêntico espírito evangélico à ‘opção preferencial pelos pobres’. De maneira nenhuma poderá servir de pretexto para aqueles que se entrincheram numa atitude de neutralidade e de indiferença perante os trágicos e urgentes problemas da miséria e da injustiça. Pelo contrário, obedece à certeza de que os graves desvios ideológicos que assinala conduzem inevitavelmente para trair a causa dos pobres.
Hoje, mais do que nunca, é necessário que a fé de numerosos cristãos seja iluminada e que estes estejam decididos a viver integralmente a vida cristã, comprometendo-se na luta pela justiça, liberdade e dignidade humana, por amor aos seus irmãos deserdados, oprimidos ou perseguidos. Mais do que nunca, a Igreja se propõe a condenar os abusos, as injustiças e os ataques à liberdade, onde quer que se registrem e de onde provierem, e a lutar, com seus próprios meios, pela defesa e promoção dos direitos do homem, especialmente na pessoa dos pobres” (Libertatis Nuntius, Instrução sobre alguns Aspectos da Teologia da Libertação).
Deste modo, o então Cardeal e atual Papa Bento XVI sintetizava a razão do documento, pois unido aos elementos positivos, já nessa época se manifestavam vários elementos contrários à fé cristã em algumas correntes dessa teologia.
Não há dúvida de que o influxo da Teologia da Libertação se deixou sentir no positivo e no negativo em muitas esferas eclesiais. Graças a Deus, os influxos negativos dessa corrente, em sua versão mais radical, estão se desvanecendo em razão das mudanças sócio-políticas ocorridas no mundo e dos diferentes mecanismos eclesiais que o magistério da Igreja adotou.
Alguns mecanismos eclesiais que ajudaram a diminuir o seu influxo negativo foram:
- A nomeação de bispos que estão em maior sintonia com o Magistério da Igreja e em comunhão com o Papa;
- A publicação de documentos orientadores sobre o tema, como a “Instrução sobre alguns Aspectos da Teologia da Libertação” e um outro chamado “Liberdade Cristã e Libertação”;
- A “Apostolos Suos”, de 1998, sobre “a natureza teológica e jurídica das Conferências Episcopais” para precisar seu papel e evitar maiores desvios;
- A “Ex Corde Ecclesiae”, de 1990, sobre as universidades e institutos de formação católica, para reforçar sua identidade ou catolicidade unidas ao Magistério;
- A “Instrução sobre a Vocação Eclesial do Teólogo”, de 1990, para demonstrar sua complementariedade ao permanecer unido ao Magistério eclesiástico;
- O “Catecismo da Igreja Católica”, que apresenta o que devemos crer, viver e celebrar de maneira orgânica e sistemática;
- Sobretudo, a “Dominus Iesus”, de 2000, que esclarece os elementos cristãos essenciais para se evitar o relativismo e o subjetivismo teológico e pastoral.
- A notificação direta, de 2006, “sobre os Erros nas Obras do pe. Jon Sobrino SJ”, o qual é um dos maiores promotores da Teologia da Libertação;
- Por fim, o documento “Respostas a algumas Questões acerca de certos Aspectos sobre a Doutrina da Igreja”, de julho de 2007.
Além disso, os sínodos, consistórios e visitas “ad limina” auxiliaram a reforçar a identidade e fidelidade ao Magistério da Igreja, tão atacado pelos “teólogos liberais” e sua teologia em “chave libertadora”. Antes vista como a grande solução (panacéia), passou à decadência e agora está quase que em estado vegetativo.
Teólogos renomados deixaram sua cátedra uma vez que sua “doutrina” ou “versão” do Evangelho na verdade não era compatível com a fé da Igreja. Graças a Deus, vemos reduzir cada vez mais seus promotores, revistas, ideólogos, congressos, associações, seguidores, bispos, lemas, teólogos etc.
Os elementos negativos de sua versão mais radical estão desaparecendo do mapa eclesial por “extinção” e não “poucas dores de cabeça”. Ao mesmo tempo, seus elementos positivos vêm sendo integrados, ainda que não da forma como deveria ocorrer.
Como disse muito bem o sacerdote Miguel Revilla acerca do 25º aniversário [da Associação]: “Que bom que seja celebrado entre eles e se felicitem mutuamente, deixando em paz os milhões de católicos que seguem o ensino do sucessor de Pedro e não o magistério progressista [da Teologia da Libertação]“. Deus respondeu à oração de um profeta de nossos tempos, o pe. Flaviano Amatulli, que denunciando os abusos de alguns pastores e líderes “libertacionistas” disse: “Senhor: liberta-nos dos libertacionistas!”. Graças a Deus, as ações anteriormente assinaladas e outras mais da parte daqueles que se mantiveram fiéis ao Magistério da Igreja reduziram os danos e seus promotores têm desaparecido da esfera eclesial. Porém, ainda restam algumas cinzas…
2. ONDE HOUVE FOGO, RESTAM CINZAS…
Esta é a razão principal deste artigo. Se onde houve fogo restam cinzas, é inevitável que onde houve um grande incêndio restem também uma quantidade ainda maior de cinzas.
E esse é o grande problema eclesial de nossos dias!
Mas neste caso devemos dizer também: “Onde houve gelo, o frio tende a cair”, parafraseando uma “teóloga” da libertação que no mencionado Congresso disse que havia um “inverno eclesial”. É indubitável que há lugares e ambientes onde isso ocorre, entretanto isso se dá precisamente – como consequências secundárias – pelo fato de muitos seminários, institutos e universidades católicas terem adotado, durante muito tempo, essa corrente teológica. Assim, ainda que esta não esteja mais presente fisicamente, restaram suas “cinzas” ou o “gelo”.
Entre os grandes problemas e desafios enfrentados pela Igreja atualmente, já não se enumeram os “teólogos da libertação ou liberais”, nem a corrente teológica por eles promovida. Não! O problema grave, de proporções internacionais, são as “cinzas” ou seqüelas que deixaram dentro de amplos setores eclesiais e que muitos não estão conseguindo perceber. Como missionário em diversos países de todo o continente [americano] nestes quase 18 anos, pudemos analisar o desenvolvimento e impacto da “Teologia da Libertação” e constatamos tristemente que as “cinzas” são maiores e mais graves do que alguns imaginam. E se queremos enfrentar [esses problemas] com visão cristã neste início de milênio, precisamos apontar [essas cinzas] e colocá-las de lado para que a luz de Cristo possa brilhar com plenitude.
3. PRIMEIRA CINZA: O EXCESSIVO HORIZONTALISMO DA FÉ
A partir do Concílio Vaticano II, novos ventos sopraram na Igreja, servindo para impulsioná-la a viver sua fé em conformidade com os tempos atuais. No entanto, ao mesmo tempo, surgiram grandes desequilíbrios em razão de uma má interpretação do mesmo, ou melhor, pela polarização de alguns aspectos teológico-pastorais. Entre estes, cabe destacar a sobrevalorização da dimensão horizontal da fé, polarizado pela Teologia da Libertação, onde a opção pelos pobres se converteu no eixo central do ser e do dever teológico-pastoral.
Quase imperceptivelmente, sem nos darmos conta, o valor positivo da projeção social do Evangelho ou promoção humana foi se convertendo no “eixo” sobre o qual gira a pastoral. A Teologia da Libertação, com uma “opção pelos pobres” baseada na luta de classes e em um reducionismo da salvação em favor da libertação, foi desaparecendo pelas causas já apontadas. Porém, a “cinza” ficou manifesta como se fosse algo positivo transformando-se em um excessivo “horizontalismo da fé”, atualmente muito mais perigoso e extenso em amplos setores eclesiais.
Já o papa João Paulo II e alguns bispos apontaram no documento “Igreja na América”, fruto do Sínodo [da América]:
“De outro lado, como assinalaram alguns Padres sinodais, deve-se perguntar se uma pastoral orientada de modo quase exclusivo às necessidades materiais dos destinatários não esteja defraundando a fome de Deus que têm esses povos, deixando-os assim em uma situação vunerável diante de qualquer oferta supostamente espiritual. Por isso, ‘é indispensável que todos tenham contato com Cristo mediante o anúncio querigmático gozoso e transformador, especialmente através da pregação na liturgia’” (nº 73, Exortação Apostólica Ecclesia in America).
É triste, mas é certo. Se uma meia-verdade pode produzir mais dano que uma mentira, um desequilíbrio pastoral permanente pode ser mais danoso que uma heresia, a qual é mais simples de ser detectada. Uma mentalidade simplista e ingênua poderia pensar: “Que mal poderia haver em se fazer uma opção pelos pobres, os órfãos, os imigrantes, os analfabetos, os oprimidos, os indígenas…? Que mal poderia surgir quando a pastoral é centrada em hospitais para enfermos, asilos para idosos, centros de atendimento para aidéticos, casas para mães-solteiras, entidades de assessoria legal para imigrantes, restaurantes para os pobres, escolas de alfabetização, escolas-oficinas de costura e carpintaria, fundações de assistência social, escolas católicas, órgãos de defesa dos direitos humanos, abrigos para mulheres mal-tratadas, dispensários médicos em zonas marginalizadas?
O que há de mal? Quase nada. Mas se formos ler de novo e com atenção, falta a razão principal de todo o anterior e o que distingue a Igreja de ser uma mera organização de promoção humana. Falta JESUS CRISTO! Todas as linhas de ação mencionadas acima podem ser adotadas também por um ateu, um muçulmano ou um seguidor da Nova Era. Um humanismo com verniz de Cristianismo.
Nada mal, porém…
Nada mal, se fôssemos uma organização de assistência pública.
Nada mal, se fôssemos um órgão governamental de promoção social.
Nada mal, se fôssemos um centro autônomo de prevenção ao câncer.
Nada mal, se fôssemos uma divisão da Cruz Vermelha.
Nada mal, se fôssemos uma organização não-lucrativa de assessoria legal.
Nada mal, se fôssemos uma fundação para o desenvolvimento social.
Nada mal, se fôssemos um instituto de liderança sócio-política.
Nada mal, se fôssemos apenas uma Organização Não-Governamental…
O problema não está em fazer o que foi apontado, mas que a realidade em muitas dioceses e paróquias de todo o continente é que existe um desequilíbrio pastoral, que se preocupa em cobrir as necessidades materiais, criando um vazio espiritual que está sendo preenchido pelas seitas e pela Nova Era. Como disse certo teólogo americano: “Em diversos lugares da América, a Igreja Católica fez opção pelos pobres… E os pobres fizeram opção pelos pentecostais”. Óbvio! O pobre e necessitado encontra refúgio para suas necessidades materiais na Igreja Católica, mas não encontra especialistas na mesma proporção para as suas necessidades espirituais; terminam, assim, procurando uma seita evangélica ou até mesmo um bruxo ou astrólogo para curar os seus males [espirituais].
Muitas “Martas” preocupadas com o material e poucas “Marias” aos pés do Mestre. Não se trata de acabar ou diminuir o primeiro, mas aumentar o segundo dada a grave urgência. A “primeira cinza” da Teologia da Libertação que deve ser varrida é “uma pastoral orientada de modo quase exclusivo para as necessidades materiais dos destinatários, que acaba por defraudar a fome de Deus que esses povos têm”, tal como indicou o documento “Igreja na América”.
Temos defraudado o homem de hoje, pois ao vermos tão de perto o sofrimento humano, desfocamos o valor do divino:
- Avançamos na projeção social da fé, mas perdemos na dimensão pessoal do Evangelho;
- Ganhamos na promoção humana, mas perdemos na promoção divina;
- Redescobrimos o valor do homem, mas esquecemos da supremacia de Deus;
- Melhoramos na ordem temporal, mas pioramos na ordem espiritual;
- Supervisionamos a ortopráxis, mas nos desinteressamos pela ortodoxia;
- Defendemos a vida humana, mas deixamos de defender a fé divina;
- Enriquecemos a prática da caridade, mas empobrecemos a ação pastoral;
- Falamos de libertação, mas silenciamos a salvação;
- Especializamo-nos nas necessidades materiais, mas viramos novatos nas necessidades espirituais;
- Valorizamos o corpo, mas descuidamos a alma;
- Pusemos os pés na terra, sim; mas nosso coração deixou de estar no céu.
Se você duvida disso ou pensa em duvidar, leia antes as notícias diárias da Agência Fides, fundada “para dar a conhecer as obras das missões”. Acesse durante 5 dias consecutivos as notícias divulgadas ali e em outros meios eclesiais e perceba como 4 entre 7 notícias dizem respeito a obras de promoção humana. Até os meios católicos estão vendo mais “notícia” nas questões sociais do que nas evangelizadoras.
Se faltam vocações e missionários ou se as congregações religiosas estão diminuindo, nem se fala. Sejamos honestos e deixemos de culpar o materialismo, o secularismo ou o hedonismo. O problema não vem de fora, mas de dentro. Nos setores onde caíram as “cinzas” da Teologia da Libertação vivida como uma sobrevalorização da promoção humana, ali é que se paga as conseqüências: algumas congregações de religiosos e religiosas, algumas dioceses, alguns seminários, algumas universidades “católicas” e alguns centros de formação. A infidelidade a Deus demonstrada por um desinteresse ao eminentemente espiritual tem um [alto] preço a ser pago.
Irmão sacerdote,
Irmã religiosa,
Irmão bispo,
Devemos pedir perdão ao homem atual por desfraudá-lo do bem supremo: o próprio Deus. Porém, sobretudo, pedir perdão a Deus, pois a medida do homem não se encontra no próprio homem, mas na altura de Jesus Cristo.
Não podemos calar a verdade sobre o homem, a verdade sobre a Igreja e a verdade sobre Deus. É por isso que as pedras (=seitas e Nova Era) estão gritando (cf. Lucas 19,40).
Se na sua diocese, instituto religioso ou paróquia isao não acontece, não se preocupe. Como dizemos no México: “Te digo, João, para que me entendas, Pedro”. O horizontalismo da fé é uma “cinza” da Teologia da Libertação que deve ser removida com urgência. Tal como o convite feito há alguns dias atrás por Sua Santidade Bento XVI: “…não apenas para os jovens, mas também para as comunidades e os próprios pastores de ‘tomar cada vez mais consciência de um dado fundamental para a evangelização: onde Deus não ocupa o primeiro lugar, ali onde não é reconhecido e adorado como o Bem supremo, a dignidade do homem se põe em perigo’”.
4. SEGUNDA CINZA: A PERDA DO SAGRADO
Como conseqüência lógica da “cinza” anterior, brota a segunda como efeito inevitável. A última página escrita pelos “teólogos liberais” se converte na cinza onde a dimensão vertical na teologia e na pastoral brilha por sua ausência.
É óbvio que ao desequilibrarmos a dimensão horizontal da fé [supervalorizando-a] acabamos infravalorizando o plano vertical da mesma. Por isso, hoje em dia é muito comum nas “homilias” não se falar do céu, da salvação, do purgatório, da conversão pessoal, do juízo, do pecado mortal, da imoralidade, do valor da Bíblia, dos sacrilégios, do adultério, da castidade, da vida eterna e muito menos do inferno e de Satanás. Novíssimos, postrimerias, realidades últimas ou escatologia – não importa o nome – isso e tudo o que cheira a “espiritual” está em último lugar na escala dos temas a ser pregados na homilia dominical; são esquecidos ou silenciados por não poucos sacerdotes, bispos e, sobretudo, pelos teólogos.
Os seguidores das cinzas da Teologia da Libertação radical chamam:
- “Fanático religioso” àquele que crê nos exorcismos;
- “Antiquado” ao sacerdote que passa horas no confessionário;
- “Espiritualistas” aos que promovem cursos para aprender a orar;
- “Fundamentalistas” àqueles que promovem o uso da Bíblia na pastoral;
- “Conservadores” aos que estimam em alto grau o sentido sagrado e sacrificial da Missa;
- “Retardados” àqueles que falam de Satanás como um ser espiritual;
- “Pré-conciliares” aos que decidem defender a fé;
- “Ignorante” aquele que fala da escatologia transcendente da Escritura.
Todavia, no ano passado, durante um congresso organizado pela Conferência dos Religiosos e Religiosas do Peru (CONFER), ramo local da Conferência Latino-Americana dos Religiosos e Religiosas (CLAR), foi lançado em Lima um duro ataque contra os novos carismas, espiritualidades e movimentos.
Em muitas dioceses, onde há líderes com essa forma de pensamento, são os movimentos eclesiais que sofrem os ataques, perseguições e obstáculos para o seu apostolado. Para eles, os piores são os cursilhistas, a Renovação Carismática, o MVC, os neo-catecúmenos, a defesa da fé, as oficinas de oração… Existem centenas de testemunhos e abusos conhecidos e vividos pessoalmente por sacerdotes ou líderes cuja única posição válida é a da Teologia da Libertação. Falam de “libertação” mas acabam sendo “opressores” no mesmo estilo do presidente Hugo Chavez.
Eis aí a grande “cinza” deixada pela Teologia da Libertação em seus 25 anos de vida. Imagine se tivesse durado 40 ou 50 anos… Sejamos honestos e sinceros; se queremos avançar, é urgente recuperar o valor inigualável do celestial. Ainda que a alguns isso lhes pareça “angelismo”, pouco importa a nós e pouco importa ao Papa. Importa a ti? Você deve decidir entre “agradar aos homens ou agradar a Deus” (Atos 5,29).
Com razão, ganha força a seguinte frase do agora Papa Bento XVI:
“Ter uma fé clara, baseada no credo da Igreja, costuma a ser rotulado como fundamentalismo”. Isso foi dito pelo Card. Ratzinger poucas horas antes de ser eleito sucessor de São Pedro.
Por que devemos nos queixar da falta de compromisso do leigo, da escassez de vocações sacerdotais, do materialismo reinante, da redução de membros da vida religiosa e da pouca atração da vida sacerdotal se naquilo que deveríamos ser especialistas – no sagrado ou religioso – o temos eliminado, expulsando-o como se fosse um estrangeiro indesejado? Nós mesmos, [sacerdotes], em muitos ambientes, lugares e setores eclesiais, temos visto o claramente sagrado como um obstáculo a mais.
Igualmente, há algum tempo atrás, disse o então Card. Ratzinger: “Esta Europa, cristã de nome, é há 400 anos, a cunha de um novo paganismo. A imagem da Igreja na era moderna está caracterizada fundamentalmente no fato de que se converteu em uma igreja de pagãos. Já não se trata, como outrora, de pagãos convertidos ao Cristianismo, mas de uma igreja de pagãos que se intitulam todavia cristãos, porém que na realidade se converteram em pagãos”. O mesmo podemos dizer da América e nada mais se pode esperar quando o sagrado é passado para o segundo, terceiro ou último plano. Como diria João Paulo II: “Se não há lugar para Cristo, não há lugar para o homem”.
Tampouco sobre este aspecto podemos deixar de mencionar Paulo VI quando disse:
“Não há verdadeira evangelização enquanto não se anuncia o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus. A história da Igreja a partir do discurso de Pedro na manhã de Pentecostes, se mistura e se confunde com a história deste anúncio. Em cada nova etapa da história humana, a Igreja, impulsionada continuamente pelo desejo de evangelizar, não tem mais que uma preocupação: a quem enviar para anunciar o mistério de Jesus? em qual linguagem anunciar este mistério? como expandir e chegar a todos aqueles que devem escutar? Este anúncio – querigma, pregação ou catequese – adquire uma posição tão importante na evangelização que, com freqüência, é na realidade um sinônimo. No entanto, não deixa de ser um aspecto” (Evangelii Nuntiandi nº 22).
Esquecer o importante para atender o urgente não é um bom princípio pastoral. É necessário voltar ao Deus que dá vida e sentido à missão da Igreja e a toda autêntica teologia.
“A finalidade da missão é uma humanidade transformada em uma glorificação viva de Deus, o culto verdadeiro que Deus espera: este é o sentido mais profundo da catolicidade, uma catolicidade que já nos foi doada e para a qual, no entanto, devemos avançar sempre de novo. Catolicidade não apenas expressa uma dimensão horizontal, a reunião de muitas pessoas na unidade; inclui também uma dimensão vertical: somente dirigindo nosso olhar a Deus, somente abrindo-nos a Ele, podemos chegar a ser realmente um” (Bento XVI, Homilia na Festividade de São Pedro e São Paulo, 29.05.2005).
Não seria por esta “falta” de olhar a Deus que isto ocorre: a pouca importância em visitar o Santíssimo; a falta de templos expiatórios onde sempre esteja exposto o Jesus sacramentado; o desaparecimento de muitos lugares de adoração noturna por falta de apoio do sacerdote e desinteresse das pessoas; a redução das vocações à vida religiosa; a ausência da “hora santa” em muitas paróquias ou a pouca assistência à mesma e a irreverência na Sagrada Eucaristia mediante os inúmeros abusos litúrgicos?
Como disse um irmão em Cristo: “Reconheçamos quão mal temos interpretado a criatividade e a participação que exige o nosso tempo. A Igreja de Nicéia, a Igreja de Constantinopla, a Igrela de Latrão, a Igreja de Trento e a Igreja do Concílio Vaticano II são as mesmas. A Igreja Católica, Apostólica e Romana não nasceu há meros 40 anos”. A Igreja de Cristo, como sua esposa (Efésios 5,25), nasceu de sua crucificação e não pode ser outra Igreja.
Irmão sacerdote,
Irmão bispo,
Perder o valor do sagrado é forçar as pessoas buscarem nas “amantes espirituais” (=seitas) o que não lhes manifestamos sobre a presença divina e salvadora de Jesus Cristo. O povo não está apenas sedento de paz e justiça; o povo está sobretudo sedento de Deus e o vazio deixado pelo materialismo, o consumismo e o capitalismo… Ou reajustamos a dimensão vertical da nossa fé, como diz o Papa, ou aumentarão as seitas e a Nova Era.
Recuperar o valor do sagrado e sobretudo o imenso valor da Missa é “unir o céu e a terra” (Ecclesia de Eucaristia nº 8).
Será esta perda ou diminuição do sagrado manifestado em sintomas como: o fato de que a grande maioria dos movimentos que têm surgido nas últimas décadas não foram fundados por sacerdotes nem religiosos; ou o fato de que os abusos na Eucaristia, assinalados no documento sobre as normas litúrgicas, manifestam esta perda do sagrado dentro do sacratismo.
Às vezes, na pastoral, se critica que muitas paróquias desenvolvem sua pastoral de forma “sacramentalista”, isto é, centradas no cultual ou relacionada com os sacramentos. No entanto, cremos que o problema é ainda maior, pois já nem sequer “nisso” somos especialistas, já que a queixa constante de muitos leigos é o pouco apreço ou desinteresse pelas “coisas sagradas” da parte de muitos sacerdotes. Talvez no caso do padre Pio, com sua incrível força de atração de milhares ou milhões para a sua obra, não é por seus “estigmas”, mas porque nele viram refletido o ideal de um sacerdote que viveu em plenitude seu sacerdócio, como deveria fazer qualquer outro sacerdote.
E em honra à verdade e em um ambiente de sã autocrítica, falemos a verdade: Não há crise de vocações sacerdotais. A partir da perspectiva que estamos abordando, trata-se melhor de uma crise de fé em muitos pastores, manifestada por uma sobrevalorização da dimensão horizontal da fé e uma queda da verticalidade da mesma. São “cinzas” da Teologia da Libertação que muitos ainda seguem sem perceber e já não podemos nos calar sob pena de sofrer outras conseqüências.
Uma prova simples e 100% infalível de que não existe uma crise de vocações é o fato indiscutível de que os institutos religiosos, seminários, dioceses e movimentos que reequilibraram a dupla dimensão da fé não sofrem de falta de vocações. Por que os Legionários de Cristo, Lumen Dei, Apóstolos da Palavra, Servidores da Palavra, Escravos da Eucaristia, Instituto do Verbo Encarnado, Servas dos Sagrados Corações, Opus Dei e inclusive o Neo-Catecumenato têm vocações sacerdotais nos mesmos lugares onde os outros não as tem? A resposta é muito simples para aquele que deseja a verdade: o fator comum entre eles é que a todo “sagrado” estão lhe dando seu justo valor na forma de viver, crer, celebrar e defender a fé. Reequilibraram a dimensão vertical e horizontal da fé. Ao contrário, há outros que não o fazem e pagam as conseqüências. Todos os acima mencionados e outros ainda desenvolvem uma grande obra de promoção humana, porém, removeram também as “cinzas” e manejam a dupla dimensão simultaneamente.
Não se pode querer ter vocações sacerdotais e religiosas sem se manifestar com clareza o divino da nossa fé. Não se pode colher onde não foi semeado. Evangelizar e sacralizar o sagrado, ainda que pareça ser redundante, é uma prioridade.
Temos assim o que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Aquele que pode, que entenda”; ou como dizemos no México: “Sapateiro, aos teus sapatos”.
5. TERCEIRA CINZA: OS LIBERAIS EM VIAS DE EXTINÇÃO
No início do artigo, mencionamos que um dado irreversível é o desaparecimento “por extinção” dos teólogos da libertação, pois não possuindo a semente da vida, não há quem queira seguir os seus passos. Embora eles aleguem que [estão desaparecendo] pela “perseguição”, na verdade [desaparecem] pela “extinção”, pois não há quem dê um passo a frente por algo que venha desaparecer.
No entanto, se queremos ser mais precisos e realistas, não devemos perder de vista que ainda existem alguns de seus seguidores em quase todo o mundo. Dois ou três em cada diocese já não declaram abertamente sua filiação à Teologia da Libertação para não prejudicar seus interesses pessoais. O grave, aliás, não é que sejam muitos. Não! O grave é que se encontram em postos chaves nas dioceses, seminários, institutos de teologia etc., e a partir daí, nem fazem nem deixam fazer, filtrando sutilmente sua ideologia.
Calar esta verdade não é típico de cristãos e deixá-la passar sem fazer nada é uma traição ao Evangelho. As características comuns dessas pessoas se manifestam de diversas maneiras e graus, porém geralmente são estas:
- Preocupam-se mais com a linguagem inclusiva do que pela sagrada Eucaristia.
- Atacam constantemente a hierarquia da Igreja.
- Falam de ecumenismo como se fosse indiferentismo.
- Se alguém fala contra a Teologia da Libertação, então é pior; a pessoa tem que sair dali pois acaba sendo vista como alguém pior que um herege.
- Se alguém não se alinha [com a Teologia da Libertação] é rotulada como retrógrado pré-conciliar.
- Os exemplos a serem imitados são Boff, Gutierrez, Sobrino, Casaldáliga… A pessoa pode falar mal do Papa, mas nunca pode falar mal destes outros, pois farão o impossível para expulsá-la da sua paróquia ou diocese.
- Formam círculos de isolamento entre seus companheiros afins. Isto lhes serve para proteção, mas também para atacar e não deixar entrar em sua esfera nenhum “papista”, qualificado desta maneira aqueles que estão em comunhão com o Santo Padre.
- Atacam pelas costas, pois perderam a capacidade de dialogar.
- Chamam todo grupo de CEB’s (=Comunidades Eclesiais de Base), quer uma comunidade de evangelização, quer um grupo de oração ou círculo bíblico… Fazem isto porque como já quase não existem nem crescem, dão essa aparência ao relatar que em sua diocese existem CEB’s.
- “Desmistificam” – segundo eles – a Palavra de Deus.
- Sentem-se defraudados pela eleição do Cardeal Ratzinger como novo Pontífice.
- Pensam nos pobres, mas vivem como ricos.
- Têm o escritório como lugar favorito para o apostolado.
- Pensam pelos pobres ao invés de deixá-los pensar por si mesmos.
- A falta da vivência da fé provoca nestes uma asfixia espiritual, pois ninguém dá o que não tem.
- Para eles, Ratzinger era um “atraso” e a “Dominus Iesus” uma contradição; agora alguns não sabem o que fazer ou se dedicam a outras tarefas.
- Sua teologia moral é questão de atitudes e o aborto e a homossexualidade coisas sem importância.
- Sua teologia tem como plataforma um disfarçada análise marxista da realidade, onde a “luta de classes” é o principal.
- Nos “possuídos” apenas vêem uma patologia psicológica; nos “estigmatizados”, uma projeção psicossomática; e nos “místicos”, indivíduos com sérios transtornos mentais.
- A Bíblia para eles é secundária e deve ser lida sob a chave libertacionista. Sua interpretação tende a considerar quase tudo como simbólico e o Magistério da Igreja é deixado de lado, pois dizem que não é infalível e por isso mesmo não deve ser obedecido.
- Nunca falam de Satanás e exorcismo; “Deus os livre disso!”.
- Amam a “libertação”, mas desconhecem a doutrina social da Igreja.
- Já não afirmam serem aderentes à Teologia da Libertação, mas seus corações e atos dependem dela.
Agora imagine estes irmãos, com algumas destas características, que continuam sendo reitores de seminários, diretores de institutos de teologia, superioras de comunidades religiosas, coordenadores da pastoral vocacional, professores de universidades católicas, vigários de pastoral, associados da pastoral juvenil, diretores espirituais em seminários, coordenadores ou secretários em órgãos diocesanos… Por isso estamos assim…
Oito exemplos disto:
A. Há poucos anos, teólogos liberais da Associação de “Teólogos” João XXIII redigiram uma carta em que pediam a renúncia do Papa João Paulo II. Eles mesmos atacam constantemente a hierarquia. O problema, todavia, é que muitos deles são professores em universidades católicas, em faculdades de teologia e em seminários, onde se “forma” ou “deforma” os sacerdotes desta época em que vivemos. Não é necessário pensar muito para se imaginar as conseqüências.
B. Também há alguns anos, um superior geral de uma conhecida ordem religiosa foi entrevistado por uma agência “católica” de notícias e disse: “A HERESIA atual é o abandono dos pobres, a injustiça etc.”. Ou seja, segundo ele, a missão eclesial é não deixar que haja pobres no mundo. Se assim pensa o superior geral, o que não pensarão muitos dos religiosos dessa Congregação espalhados pelo mundo e que “formam” os agentes de pastoral das paróquias…
C. Teólogos da libertação se reuniram na Universidade de Notre Dame para “refletir” sobre o fenômeno proselitista das seitas e seu crescimento. Sua conclusão foi: para as seitas não crescerem, dever-se-ia permitir a ordenação de mulheres sacerdotisas, admitir sacerdotes casados e considerar normal o homossexualismo praticado por alguns sacerdotes. Com essa espécie de “catedráticos” e “teólogos”, não fazem falta os inimigos!
D. Pouquíssimo valorizado é o sagrado em alguns setores eclesiais. Há alguns dias saiu a notícia de um bispo cujo “companheiro” homossexual o denunciou por alguns problemas ocorridos entre eles. O surpreendente neste caso não foi esse fato em si, mas alguns católicos que com toda a tranqüilidade afirmaram que isso fazia parte de sua vida privada e o que importava é que o bispo estava sempre comprometido com “as causas dos pobres”. Pelo visto estes irmãos em Cristo já não consideravam mais o sagrado, como também a moral. O importante para eles era “a Igreja dos pobres”, a “opção pelos pobres”, as “causas dos pobres”, o “pecado social”, a “injustiça social”… O resto podia ser desconsiderado.
E. Os livros escritos por teólogos desta linha, com seus concebidos erros e ataques ao Magistério da Igreja, são normalmente vendidos nas livrarias católicas de muitos países. Autores como Leonardo Boff, Clodóvis Boff, Gustavo Gutierrez…
F. Há alguns dias, um bispo austríaco renunciou, pois em sua diocese havia muitas queixas acerca de uma série de abusos que estavam ocorrendo na liturgia. O Vaticano anunciou que o bispo de Linz, mons. Maximilian Aichern, de 72 anos, renunciou a diocese que governava desde 1982. Sua renúncia foi aceita de acordo com a norma do cânon 40 do Código de Direito Canônico, que justifica esta renúncia em razão de “enfermidade ou outra razão grave”. A renúncia geralmente é feita após os 75 anos. De fato, há alguns dias um amigo nos informou sobre um certo professor de religião que ensinava e defendia em um colégio católico a homossexualidade como algo normal no Cristianismo.
G. Em diversos lugares do continente, existem institutos de teologia ligados às dioceses, onde há professores que apóiam esta corrente teológica embora os alunos tentem se fortalecer na fé, para lutar por sustentá-la apesar de seus mestres atacarem o Papa e o Magistério da Igreja. Às vezes, os próprios sacerdotes preferem não enviar os leigos comprometidos de sua paróquia. Agentes de pastoral “aprendem” erros como: o Magistério da Igreja não é importante; qualquer religião vale a mesma coisa; o importante não é evangelizar, mas erradicar a pobreza; [a Igreja] deve se atualizar e ordenar mulheres sacerdotisas; o homossexualismo não é um mal, mas uma opção de vida; a fé não precisa ser defendida, mas sim os pobres; a Bíblia serve apenas para a fé subjetiva; a Igreja Católica está repleta de erros…
H. Poucos meses antes da Conferência Geral dos Bispos em Aparecida (Brasil), um sacerdote que atua como comunicador em um escritório do Vaticano para a América Latina disse: “Da Igreja Católica, comunidade das comunidades, se espera excelência e exemplo em cada ação que humaniza a sociedade secularizada…. Não se trata de encarar a idéia de que nossa Mensagem de Salvação deve ser buscada pelos demais, já que é certo que a nossa missão é ‘ir evangelizar todos os rincões da terra’; este mandato divino se traduz em ser discípulos que utilizam os instrumentos que a Divina Providência nos colocou à disposição, assim como faria o Apóstolo das Gentes, Paulo de Tarso”. Assim, segundo este sacerdote e comunicador, o evangelizar pode ser “traduzido” em humanizar a sociedade e o porém é que muitos pensam como ele. Por isso estamos assim. Não há dúvida de que todos os sacerdotes, bispos, religiosos, professores de seminários e líderes leigos devem dar uma boa lida e estudada na carta magna sobre a evangelização: a “Evangelii Nuntuandi” (Para Anunciar o Evangelho), do Papa Paulo VI. Isto porque muitos conceitos básicos e fundamentais estão sendo deformados com graves conseqüências.
Por tudo isso, muitos sacerdotes preferem não enviar os fiéis de sua paróquia para esses “institutos católicos”. Óbvio, pois ao invés de formar… “deformam” a fé cristã. Não se esqueça, todavia, que restam alguns “liberais” em diversos graus por aí. Contudo, os que ainda existem continuarão promovendo um grande dano à Igreja. Oremos para que se convertam à plena comunhão com a Igreja, unindo-se ao Magistério eclesial do Papa, ou seja, Bento XVI. Ao mesmo tempo, é urgente que os bispos tomem conhecimento deste assunto, pois a eles foi confiado o rebanho, para conduzí-lo ao redil de Jesus Cristo.
6. AS SEITAS E A NOVA ERA: CONTAS A PAGAR MOTIVADAS PELO HORIZONTALISMO DA FÉ
Se para cada tese existe uma antítese; para cada ação uma reação; e para cada força centrífuga existe outra igual porém em sentido contrário chamada centrípeda, então os desequilíbrios na teologia e na pastoral produzidos pelas cinzas da Teologia da Libertação radical não fizeram por esperar.
Em relação ao avanço das seitas religiosas e da Nova Era, algo que precisamos sublinhar e que já está caindo em domínio público é o fato de que os vazios pastorais que possuímos estão sendo preenchidos pelas seitas fundamentalistas e pelo neopaganismo da Nova Era. São as contas que estão sendo cobradas de nós diariamente. Um antropocentrismo disfarçado de Cristianismo e uma perda do sagrado que esquece de colocar Deus no centro da fé não pode ficar sem pagar.
Muitos líderes católicos em todos os níveis têm se dedicado completamente à promoção humana e invertem os melhores recursos humanos e ecônomicos no seguinte:
- ajuda ao indigente;
- alimentação para os pobres;
- criação de oficinas de formação técnica;
- organização de cursos de alfabetização;
- criação de organismos diocesanos de assessoria aos imigrantes;
- apoio aos asilos de idosos;
- criação de instituições católicas de apoio jurídico;
- edificação de colégios católicos;
- criação de centros de apoio às mães solteiras…
Por acaso isto é ruim? Logicamente que não!
Pelo contrário, é excelente e deve aumentar muito mais. O problema grave é que na área pastoral e de evangelização não estamos nos mesmos níveis e é também onde deveríamos ser especialistas. Não são poucos os casos onde há um verdadeiro horizontalismo da fé, onde a pastoral e a evangelização ocupam o quinto ou sexto lugar de importância na paróquia e na diocese.
Faz-se urgente equilibrar as forças e isso depende em algo grau dos líderes: bispos, sacerdotes e leigos.
Uma forma muito simples de medir quais são as prioridades na pastoral é verificar quanto dinheiro se reverte para a promoção humana e quanto para a evangelização, tanto em nível paroquial quanto diocesano. O resultado tem sido inacreditável. Muitos líderes são especialistas em promoção humana e débeis em pastoral. A grande maioria do dinheiro revertido em muitos lugares vão para projetos de obras sociais. Existem dioceses onde há apenas um único centro de evangelização e 10 ou 20 obras de promoção humana: médicas, legais, assistenciais, educacionais, recreativas, sanitárias… Essas obras são más? Não! Porém o desequilíbrio é gritante, pois a pastoral profética ou evangelizadora não está na mesma proporção.
O líder católico é especialista em “caridade” e o líder protestante, em “evangelização”. Que maravilha! Por isso as seitas, apesar de todos os seus erros e absurdos doutrinários, continuam crescendo e não passam por problemas de falta de compromisso, falta de vocações, nem falta de recursos econômicos. Até os muçulmanos mais fundamentalistas estão crescendo em todo o mundo. Por isso, milhões de católicos têm abandonado a fé para ir fortalecer as fileiras do sectarismo. Ser líderes de visão é corrigir este aspecto, de outra maneira, alegremente continuarão a dizer: “Graças à Igreja Católica continuo a ter apoio legal, físico, alimentício e educacional; mas como também preciso de Deus, vou procurar aqueles que me o dão”. Como afirmou certo teólogo: “A Igreja fez a opção pelos pobres, mas os pobres fizeram opção pelos pentecostais”. A cidade de Chiapas, no México, é um exemplo disso e a verdade é que não são poucas as dioceses e paróquias onde a evangelização é mais pobre que os pobres. Nesses locais resulta que os especialistas no sagrado não são os líderes católicos, mas os pastores protestantes.
É urgente equilibrar este aspecto e “varrer as cinzas” acima mencionadas, se na verdade queremos acelerar o Reino de Deus na plenitude do Evangelho. Correções de fundo devem ser feitas, atentando para o que o Magistério da Igreja tem se pronunciado a respeito e aceitando a remoção das “cinzas”. Eis porque Jesus disse: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4,4).
Chegamos a um nível tão extremo que as fundações e organismos católicos estão dispostos a apoiar economicamente projetos sociais, educativos, legais, juvenis e até habitacionais (!), mas a grande maioria não está disposta e nem pensa em apoiar economicamente projetos pastorais e de evangelização, missionários, estações de rádio, programas de televisão etc.
Brilham por sua omissão!
Se você duvida, basta consultar o diretório de fundações católicas para ver quantas fundações apóiam obras de promoção humana e quantas apóiam a evangelização. Os principais recursos humanos, econômicos e espirituais não estão sendo empregados para a evangelização, para colocar o sagrado em primeiro plano. Não será por isso que não estão surgindo vocações para o seminário e a vida religiosa em muitos lugares? Não será isto uma das razões para o crescimento das seitas? Não seria isto um fator que impede o crescimento da comunidade ou que resulta no fechamento dos templos católicos? Você não acredita que a falta de especialistas no sagrado cause a falta de compromisso econômico e pastoral dos católicos?
Pessoalmente estamos convencidos que sim! Não pode o homem de hoje querer se aproximar das “coisas celestiais” se apenas escuta falar das coisas terrestres, mesmo quando estas se tratam de obras de caridade promovidas para ajudá-lo. De fato, as comunidades protestantes que mais trabalham no pastoral não conhecem nenhum dos problemas anteriores e, ao mesmo tempo, os institutos religiosos católicos que equilibraram [as dimensões vertical e horizontal da fé] também não lhes faltam vocações, nem contribuições em dinheiro.
Ao contrário, as igrejas do protestantismo histórico que também caíram [no erro de pregar] um evangelho social sofrem as mesmas conseqüências e todas elas estão diminuindo o seu ritmo de crescimento.
É indubitável que este tema das seitas e o excessivo horizontalismo da fé nos mostra que o crescimento das seitas às custas da Igreja Católica é uma “conta” que está sendo paga pela falta de equilíbrio pastoral, provocado em boa parte pelas “cinzas” da Teologia da Libertação.
As “cinzas” servem para nutrir as “algas” e estas são consideradas como os primeiros organismos vivos que apareceram sobre a terra. Seguindo esta analogia, a “cinza” de nos centrarmos no humano, esquecendo o divino, está se convertendo no “nutriente” para que o homem regresse às primitivas religiosidades pagãs, que ressurgem através da Nova Era.
Por favor, não se esqueça novamente do nº 76 das conclusões do Sínodo da América, quando fala dos desafios das seitas. Os bispos e o Papa afirmam aí: “De outro lado, como assinalaram alguns Padres sinodais, deve-se perguntar se uma pastoral orientada de modo quase exclusivo às necessidades materiais dos destinatários não esteja defraundando a fome de Deus que têm esses povos, deixando-os assim em uma situação vunerável diante de qualquer oferta supostamente espiritual. Por isso, ‘é indispensável que todos tenham contato com Cristo mediante o anúncio querigmático gozoso e transformador, especialmente através da pregação na liturgia’”.
Ser líderes de visão é começar a reequilibrar os níveis de promoção humana e evangelização. A Igreja existe para evangelizar (Evagelli Nuntiandi nº 14). Estabelecer as bases da fé é essencial. De outro modo, documentos eclesiásticos virão e irão, mas se as bases não estiverem bem construídas, pouco efeito causarão. Não devemos nos esquecer que a Cruz tem um madeiro horizontal que abraça tudo o que se relaciona com a humanidade, mas também tem um madeiro vertical, que une o homem com a Divindade. E essa cruz tem um Deus-Homem que se chama Jesus Cristo.
Já é tempo de “cristianizar a Cristologia”, para que resplandeça a imagem perfeita do homem perfeito, Cristo Jesus.
É urgente possuir idéias claras e distintas na pastoral.
Não esqueçamos o que muitos teólogos liberais esqueceram e nos legaram como “cinzas”. Lembremos sempre que: “Na mensagem que a Igreja anuncia há certamente muitos elementos secundários, cuja apresentação depende em grande parte das mudanças de contexto. Tais elementos mudam também. Porém, existe um conteúdo essencial, uma substância viva, que não pode ser modificada ou deixada de lado sob pena de desnaturar gravemente a própria evangelização” (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi nº 25). “A evangelização também deve conter sempre – como base, centro e cume de seu dinamismo – uma clara proclamação de que em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, se oferece a salvação a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia de Deus. Não uma salvação puramente imanente, à medida das necessidades materiais ou inclusive espirituais que se esgotam no quadro da existência temporal e se identificam totalmente com os desejos, as esperanças, os assuntos e as lutas temporais, mas uma salvação que ultrapassa todos esses limites para se realizar em uma comunhão com o único Absoluto Deus, salvação tanscendente, escatológica, que começa certamente nesta vida, mas que tem o seu cumprimento na eternidade” (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi nº 26).
Que meus estimados teólogos da libertação me desculpem, mas as cinzas que deixaram provocaram seqüelas muito graves e a melhor maneira de varrer essas “cinzas” é deixá-las a descoberto, para que os os pastores, que devem “vigiar e apascentar o povo de Deus”, tomem ações concretas para colocar Deus como o centro da nossa fé. A Constituição “Lumen Gentium” exorta os bispos para que “com vigilância apartem da sua grei os erros que a ameaçam” (25a) e convida os leigos para “difundir e defender a fé” (11a).
Recuperemos a identidade da nossa missão para sermos fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo.
“Queremos confirmar uma vez mais que a tarefa da evangelização de todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; uma tarefa e missão que as mudanças amplas e profundas da sociedade atual tornam cada vez mais urgentes. Evangelizar constitui, com efeito, a felicidade e vocação própria da Igreja, sua identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial de sua morte e ressurreição gloriosa” (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi nº 14).
Com efeito, se alguém tem ainda alguma dúvida, recordemos o seguinte, já que as “cinzas” da Teologia da Libertação têm provocado o aumento do problema em graves dimensões, a ponto de muitos nem sequer enxergarem o problema que há muito tempo foi denunciado pelos bispos e pelo Papa:
“Não há razão para esconder, com efeito, que muitos cristãos generosos, sensíveis às dramáticas questões que trazem consigo o problema da libertação, ao querer comprometer a Igreja no esforço de libertação, têm sentido freqüentemente a tentação de reduzir sua missão às dimensões de um projeto puramente temporal; de reduzir seus objetivos a uma perspectiva antropocêntrica; [de reduzir] a salvação, da qual [a Igreja] é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; [de reduzir] sua atividade – esquecendo toda preocupação espiritual e religiosa – a iniciativas de ordem política ou social. Se isto fosse assim, a Igreja perderia o seu significado mais profundo. Sua mensagem de libertação não teria qualquer originalidade e se prestaria a ser monopolizada e manipulada pelos sistemas ideológicos e partidos políticos. Não teria autoridade para anunciar, da parte de Deus, a libertação. Por isso, quisemos sublinhar na mesma alocução de abertura do Sínodo ‘a necessidade de reafirmar claramente a finalidade especificamente religiosa da evangelização’. Esta última perderia sua razão de ser se se deviasse do eixo religioso que a dirige: antes de mais nada, o reino de Deus, em seu sentido plenamente teológico” (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi nº 32).
Estimado irmão bispo, sacerdote ou religioso,
Reitores de seminários e professores de teologia,
Agentes de pastoral e leigos em geral,
O Papa Bento XVI em pouquíssimo tempo [de pontificado] tem dito verdades urgentes e valiosas para vivermos a fé com autenticidade. Um desses convites é “não apenas para os jovens, mas também para as comunidades e os próprios pastores”, de “tomar cada vez mais consciência de um dado fundamental para a evangelização: onde Deus não ocupa o primeiro lugar, onde não é reconhecido e adorado como o Bem supremo, a dignidade do homem se põe em perigo”.
O rumo pastoral deve ser corrigido e preciso, não se esquecendo que “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Jesus Cristo).
Deus te abençoe abundantemente. Não se esqueça que, para ser um autêntico cristão, devemos lutar para conhecer, viver, pregar, celebrar e defender a fé.
Fonte:
Por Martín Zavala M.P.D.
Tradução: Carlos Martins Nabeto
http://defiendetufe.org/site/content/view/73/2/
MPD, Martín Zavala. Apostolado Veritatis Splendor: TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: “NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM”. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4911. Desde 30/4/2008.
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Quero informar ao gerenciador do saite. se não me der o direito de resposta as acusações fundadas neste saite, eu vou processar e usar todos os meios juridicos.
Quero o meu direito de respostas as acusações contidas neste saite. desde ja agradeço.
Na lista dos teologos da libertação, vocês se esqueceram de colocar o nome de Júlio Lázaro Torma,ex presbitero,membro da Pastoral Operária,casado com uma modelo que é do movimento do Nazaré.
Júlio Lázaro torma é biblista e assessor de movimentos sociais no RS,Uruguay e Argentina
Te esqueceste de colocar o nome do ex padre Júlio Lázaro Torma, bíblista e assessor do movimentos sociais,atualmente mora no Uruguay
O que tem de padre covarde que prega que toda seita protestante e pentecostal é igual a igreja fundada por jesus na palestina no ano 30,eu fico impressionado com certos padres covardes como padre joãozinho,fabio de melo e
outros que tem medo de infrentar estas seitas protestantes e maçonicas.
Olá Repórter de Cristo Thiago Rocha,
Eu também sou Rocha, no Link do Portal COT sou o Repórter de Cristo Ezequiel Rocha.
Li a matéria: TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: “NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM”. Envio para os leitores bem intencionados e os que estão enganados pelas mentiras, minha reflexão sobre o que li e estas matérias que estou enviando.
A INTERVENÇÃO DO PE. FEDERICO LOMBARDI S.J. CONTRA OS LEIGOS, PADRES E BISPOS ADEPTOS DE TL.
Amigo Thiago (se quiser ser meu amigo),
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi S.J., afirma que os teólogos devem se vigiar e orar para não perderem a verdadeira fé e assim não se perderem em seus próprios pensamentos.
Leiam a censura que ele fez ao Pe. Jon Sobrino S.J.
Fique bem entendido que essa censura é valida para todos os padres e bispos adeptos do comunismo dentro da Igreja católica em forma de pastorais, tendo a principal causa desse mau na Teologia da Libertação.
Os artigos depois do texto do PE. FEDERICO LOMBARDI S.J. são os de pessoas que se disfarçam de católicas, usam termos católicos, para desviarem da verdadeira fé quantos puderem.
Observemos termos, palavras colocadas, vejamos como eles usam o nome de Jesus, e textos de documentos da Igreja para confundir. Usam textos bíblicos descontextualizados para explicar posturas de um grupo pastoral comunista, ateu, como se o que ensinam fosse doutrina da Igreja.
Eles falam e ensinam doutrinas sem consistência bíblica na doutrina católica, pois:
São ignorâncias disfarçadas de fé,
Usam o autoritarismo disfarçado de serviço,
A intransigência obscurantista disfarçada em educação conscientizadora.
O pior de tudo, estes ateus dentro da Igreja Católica fazem de tudo para terem a última palavra nas comunidades cristãs. E outras, se pudéssemos chamar de comunidades cristãs que são as comunidade de base, cebs, completamente infectadas pelo dogmatismo e sectarismo comunista de leigos, padres e bispos que prejudicam a Igreja por dentro com as idéias de Karl Marx.
Thiago,
Veja a Escola Flor do Cerrado contra a Igreja, defendendo os artigos comunistas do Pe. Jon Sobrino SJ.
Veja Site do qual PE- MANFREDO É PRESIDENTE. E uma lista de nomes de seus ajudantes, todos são pessoas que pensam como ele. Nesse site encontramos muita doutrina comunista através de seus escritores. Esse site que se diz católico oferece de tudo, menos a verdade da salvação. É só observar com o discernimento dos espíritos e se descobre a tramóia.
DOM DEMÉTRIO VALENTINI bispo de jales, São Paulo é adepto das idéias comunistas de Manfredo e Cia. Ltda.
FREI GILVANDER, outro frei dentre muitos que pregam o comunismo e não o cristianismo.
IVONE GEBARA, TEÓLOGA, para um bom observador as palavras dela dizem tudo.
AGENOR BRIGHENTI, DOUTOR EM CIÊNCIAS TEOLÓGICAS. DIRETOR DO ITESC. MIEMBRO DEL COMITÉ ORGANIZADOR DEL FORO, REPRESENTANDO A AMERÍNDIA. Com esse deve-se se ter muito cuidado, ele sabe usar palavras, termos, documentos da igreja, textos bíblicos para enraizar as idéias de Karl Marx, Pe. Manfredo, Frei Beto, Lonardo Boff, enquanto elogia a igreja.
PE. ALFREDO J. GONÇALVES, Sacerdote carlista e pároco da Parroquia Personal de los Migrantes, Ciudad del Este, Paraguai.
UMA DE SUAS FRASES PREFERIDAS É:
As mãos que manipulam e dão forma ao barro,
Serão capazes de manipular e dar forma aos próprios desejos;
É COMPLETAMENTE DIFERENTE DAS PALAVRAS DE JESUS QUE DIZ:
“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).
A lista de pessoas que não deveriam estar na Igreja é grande, se cuide.
Logo abaixo das palavras do PE. FEDERICO LOMBARDI S.J. depois desse artigo peçam a Deus o dom do discernimento do Espírito e leiam abaixo dele os artigos de membros atuantes dentro Igreja Católica que são comunistas disfarçados de católicos, entre leigos estão freis, padres e bispos.
Ezequiel Rocha
Católico até morrer
INTERVENÇÃO DO PE. FEDERICO LOMBARDI S.J.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15 de março de 2007 (ZENIT.org).- Os teólogos devem aprofundar sobre a humanidade de Cristo e sua solidariedade com os pobres, mas isso não deve obscurecer sua divindade, elemento fundamental do cristianismo, explica o Pe. Federico Lombardi S.J., ao comentar obras do Pe. Jon Sobrino S.J.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé ofereceu uma reflexão através dos microfones de «Rádio Vaticano», da qual também é diretor, após a publicação, nesta quarta-feira, da «Notificação» oferecida pela Congregação para a Doutrina da Fé.
O documento afirma que duas obras do Pe. Sobrino contêm «notáveis discrepâncias com a fé da Igreja», sobre questões como «a divindade de Jesus», «a encarnação do Filho de Deus», «a relação entre Jesus Cristo e o Reino de Deus», «a autoconsciência de Jesus Cristo» e «o valor salvífico de sua morte».
Para compreender o significado da «Notificação», o Pe. Lombardi recorda «a importância de uma adequada compreensão da natureza e da obra de Jesus Cristo como próprio coração da fé cristã».
«Jesus Cristo é para a Igreja o ‘mediador’ entre Deus e o homem, é o ‘pontífice’, ou seja, o construtor da ponte que permite aos homens voltar a estabelecer uma relação de amizade e de união com Deus, superando a distância, a impossibilidade de comunicação provocada por toda uma história de pecados.»
«Para ser mediador e ponte, Jesus Cristo deve apoiar-se firmemente tanto sobre a margem da humanidade como sobre a da divindade. Do contrário, a passagem de uma margem à outra fica interrompida, ou se torna insegura.»
«Desde os primeiros séculos do cristianismo, esta necessidade da ponte se afirmou com força e se defendeu com decisão frente a numerosas teorias que negavam um dos dois pilares fundamentais da ponte: ou a humanidade ou a divindade.»
«Ao negar um dos dois aspectos, se põe em jogo a própria salvação do homem, dado que falta a ponte concreta, real, através da qual o homem pode entrar em relação com Deus.»
«A reflexão teológica sobre Jesus Cristo deve ter levado em conta sempre estes dois aspectos, ambos essenciais, ainda que os diferentes contextos históricos e culturais influíram, assumindo tons e acentos característicos segundo as correntes teológicas e espirituais.»
«Com freqüência, o contexto da experiência cristã leva a insistir na solidariedade entre Jesus e os homens, em sua participação nas vicissitudes humanas: suas controversas, sua paixão, sua morte violenta são cruciais para o anúncio e para a acolhida do Evangelho por parte dos pobres, de quem sofre pela fé e pela justiça.»
«Quem vive sua fé participando das experiências mais dramáticas do povo, cultiva naturalmente uma sintonia espiritual profunda com a humanidade de Cristo e, se é teólogo, se vê movido a aprofundar em uma ‘cristologia desde a base’ que se fundamenta no pilar da ponte que está sobre a margem da humanidade.»
«Esta é certamente a situação do Pe. Sobrino, seguindo o sulco característico da teologia latino-americana, tão atenta ao caminho de libertação humana e espiritual dos povos do continente.»
«Não nos esqueçamos de que o Pe. Sobrino foi membro dessa equipe da Universidade Centro-Americana de San Salvador, na qual seis de seus membros foram barbaramente assassinados em 1989, precisamente por seu compromisso cultural em solidariedade com o povo salvadorenho.»
«Ao mesmo tempo, a insistência na solidariedade entre Cristo e o homem não deve obscurecer ou menosprezar a dimensão que une Cristo com Deus. Pois se Cristo não é ao mesmo tempo homem e Deus, a ponte está sem seu segundo pilar e a realidade de nossa comunicação com Deus é posta em dúvida de maneira radical.»
«Este é o problema que a ‘Notificação’ explica. Manifesta respeito pela obra de Sobrino e por suas intenções, mas considera que tem a obrigação de fazer notar que em algumas de suas obras certas afirmações sobre alguns argumentos cruciais, como a divindade de Cristo, a encarnação do Filho de Deus, a autoconsciência de Jesus Cristo e o valor salvífico de sua morte, põem em dúvida pontos verdadeiramente fundamentais da fé permanente da Igreja.»
«Em outras palavras, põem em dúvida a integridade e a estabilidade da ponte que permite a comunicação entre os homens e Deus, inclusive a dos pobres de todos os tempos», conclui.
Fonte: http://portalcot.com/reporter/porta-voz-vaticano-reflete-sobre-obra-do-pe-jon-sobrino-sj/
——————————XXX———————–
Cuidado com o que você vai lê abaixo.
Brasil: Para o irmão Pe. Jon Sobrino SJ* Escola Flor do Cerrado
Goiânia/Brasil, Março de 2007
Da Escola Flor do Cerrado – Animadores/as de Comunidades Eclesiais de Base da Região Centro-Oeste do Brasil (Goiás, Tocantins e Distrito Federal)
Para o irmão Pe. Jon Sobrino SJ.
Querido Pe. Jon Sobrino
FELIZ PÁSCOA!
Nós, participantes da segunda etapa da Segunda Escola Flor do Cerrado, reunidos em Goiânia para aprofundarmos sobre a Liturgia Cristã, à par dos acontecimentos sobre sua condenação por parte da Congregação da doutrina da fé, queremos expressar nossa solidariedade com você, suas opções, seus escritos de profunda fé. A leitura de seus livros sempre nos ajudou a descobrir o verdadeiro rosto de Jesus Cristo, no Galileu, Jesus de Nazaré e nos crucificados de hoje em nossa América Latina, no terceiro mundo que teimosamente sobrevive no sul de nosso planeta. Você sempre nos ajudou a seguir Jesus na caminhada como pobres e pequenos deste mundo e nesta Igreja a que pertencemos. Com sua ajuda conseguimos descobrir que, seguindo o Pobre de Nazaré, podemos construir uma Igreja diferente, possível, como toda novidade é possível a quem crê e luta.
Próximos da celebração do martírio de São Oscar Romero das Américas e do V CELAM, nos entristece e nos atordoa esta atitude antievangélica contra você, contra a Teologia da Libertação, contra a caminhada que o Espírito Santo suscitou historicamente em nossa Igreja Latino-americana… Afinal, atitude contra nós, cristãos empobrecidos…
Não desanime! Continue sendo você! Somos solidários com você e continuamos contando com sua firmeza e lucidez. Com você continuaremos fiéis ao projeto de Jesus, o Nazareno, Ressuscitado, que disse: “Estarei com vocês todos os dias” e dizer-lhe “FELIZ PÁSCOA”, tem hoje um significado mais pleno, pois vivamente você experimenta o julgamento, a condenação, a sentença do silêncio do túmulo… É hora da ressurreição!
*35 Lideranças de CEBs, participantes da Escola de Animadores “Flor do Cerrado”
fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=26941
O que é Adital
SITE DO QUAL PE- MANFREDO É PRESIDENTE
ADITAL, Agência de Informação Frei Tito para América Latina, é uma agência de notícias que nasceu para levar a agenda social latino-americana e caribenha à mídia internacional.
Quer estimular um jornalismo de cunho ético e social.
Quer favorecer a integração e a solidariedade entre os povos.
Desvenda para o mundo a dignidade dos que constroem cidadania;
Dá visibilidade às ações libertadoras que o Deus da Vida faz brotar nos meios populares;
Faz conhecer o protagonismo dos atores sociais que são nossas fontes de informação e são democratizadores da comunicação.
Ao escolher o nome de Frei Tito (de Alencar Lima) , morto em 1974, vítima da ditadura militar implantada no Brasil em 1964, fazemos uma homenagem a todas as pessoas que lutam em defesa da vida e da dignidade humana.
Como nasceu
Em dezembro de 1999, três entidades italianas – a Fundação “Rispetto e Paritá”, a Agência de Notícias “Adista”, a Rede “Radiè Resch” -, apresentaram ao Frei Betto a proposta de organizar uma agência de notícias que divulgasse para o mundo a vida e os processos sociais da América Latina e do Caribe. Em 2000, uma equipe começou a estruturar ADITAL, na cidade de Fortaleza, no nordeste brasileiro.
A produção de notícias da ADITAL destina-se aos jornalistas da mídia mundial (escrita, radial, televisiva, on-line) e a todos os setores da sociedade civil no mundo.
Hoje, além de uma ampla rede de correspondentes em diferentes países da América Latina e do Caribe, ADITAL recebe suas informações de pessoas e grupos que constroem cidadania em seus países:
São membros do Terceiro Setor; ativistas dos movimentos sociais e de redes de Direitos Humanos; lideres sindicais, trabalhadores urbanos e camponeses;
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No Brasil:
Frei Betto, frade dominicano e escritor;
Alfredo Gonçalves, Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz do Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), São Paulo;
Ana Maria de Freitas, coordenadora da AnotE;
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Jether Ramalho, sociólogo;
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Milton Schwantes, biblista;
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Na Itália:
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Durante 2006 ADITAL contou com o apoio de:
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Amigos e simpatizantes de vários países
fonte: http://www.adital.com.br/site/conteudo.asp?lang=PT&ref=quemsomos
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BISPO DE SÃO PAULO É ADEPTO DAS IDEIAS COMUNISTAS DE MANFREDO
Por uma Bolívia unida e justa
Dom Demétrio Valentini *
Adital –
No domingo passado tínhamos motivos de alegria e de esperança para a América Latina, com a eleição de Fernando Lugo como presidente do Paraguai.
Neste domingo dia 04 de maio nos deparamos com sérias apreensões sobre o futuro da Bolívia, que vive momentos muito tensos de implantação de uma nova ordem constitucional, com riscos de sérias divisões internas que não descartam a hipótese do esfacelamento da unidade nacional. Isto preocupa.
Concretamente, está marcado para este dia 04 de maio um referendum no Departamento de Santa Cruz, com a finalidade de aprovar os “Estatutos autonômicos”, em base aos quais o Departamento implantaria uma “autonomia de fato” em relação ao governo central do país.
Iniciativas semelhantes estão previstas para dentro de um mês em outros três departamentos, Tarija, Beni e Pando. Juntos os quatro departamentos representam dois terços do território boliviano, um terço da população, e sessenta por cento da produção nacional. Os dados configuram bem a fisionomia do problema: uma grande extensão de terra, com pouca população, mas com muita riqueza.
Neste contexto, salta aos olhos a inquietação sobre as verdadeiras finalidades destes “referendos autonômicos”, num momento em que se quer implantar uma constituição que expresse a determinação de fundamentar a unidade nacional em torno de um projeto que contemple a igualdade de todos os bolivianos, e a destinação das riquezas naturais para benefício de toda a nação.
Mesmo na suposição da validade de legítimas autonomias, num país de composição geográfica e humana tão diferenciada como a Bolívia, e dada por suposta a legitimidade de consultas populares, permanece a interrogação sobre os reais interesses dos promotores destes “referendos”, neste momento delicado de implantação de uma nova ordem constitucional que a Bolívia está vivendo.
Neste contexto, merece divulgação o manifesto apresentado de maneira ecumênica por igrejas e outras instituições e organizações sociais. Ele começa por uma citação bíblica que expressa de maneira muito apropriada o espírito do manifesto: “Façam todo o possível para viver em paz, para que não percam a unidade que o Espírito lhes deu” (Ef 4,3).
De acordo com este manifesto, a Bolívia vive “uma perigosa polarização discursiva e prática em diversas regiões”, que impede a serena manifestação da vontade popular.
Prossegue o manifesto dizendo: “Diante destes acontecimentos não podemos permanecer em silêncio, e expressamos nosso grito de unidade para todos os bolivianos e bolivianas, enquanto manifestamos também nossa rejeição a todo intento separatista, e convocamos para o diálogo e o debate pacífico para solucionar as diferenças existentes.”
Com os signatários deste manifesto, assumimos as apreensões que eles expressam, fazendo votos de que o povo boliviano encontre solução pacífica para as tensões que está vivendo neste momento.
Esperamos, sobretudo, que seja afastada toda tentação de recurso às armas, evitando com determinação toda ameaça de guerra civil neste querido país que expressa de maneira tão contundente a fisionomia latino-americana.
No pleno respeito à soberania da Bolívia, fazemos votos que este país encontre o caminho da superação dos seus problemas, na convivência pacífica entre todos os cidadãos, na busca responsável do seu legítimo desenvolvimento, e na legítima afirmação de suas diferenças regionais. Assim Deus o permita!
* Bispo de Jales, São Paulo.
FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32847
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FREI GILVANDER, OUTRO FREI DENTRE MUITOS QUE PREGAM O COMUNISMO E NÃO O CRISTINISMO
Brasil – Mundo acelerado: Algumas perguntas para reflexão
Frei Gilvander Moreira e prof. José Luiz Q. de Magalhães *
Adital –
Vivemos hoje em um mundo acelerado. O desenvolvimento da tecnologia, especialmente na comunicação e no transporte, faz com que as pessoas que têm acesso a esses avanços tecnológicos trabalhem mais, produzam mais. O computador, o celular, o avião e outras tecnologias, em lugar de nos permitirem mais tempo de ócio – logo de reflexão – convivência e cultura, fazem com que trabalhemos mais, e muitas vezes, ocupemos os postos de trabalho de várias outras pessoas, pois, se trabalhamos mais, fazemos o serviço do outro.
Essa correria alucinada nos envolve e nos torna estranhos a nós mesmos. Não conseguimos parar, nem nos fins de semana. Em vez de simplesmente pararmos, o que nos permite conviver, refletir, descansar, ocupamos o tempo livre com diversão e mais diversão. Não conseguimos parar. Talvez essa incapacidade momentânea de refletir sem preconceitos seja a explicação para convivermos com tantos absurdos. A mídia, especialmente a televisão e alguns semanários simplificam as soluções dos problemas, que, entretanto, muitas vezes se agravam, constroem mitos e condenam pessoas – sem julgamento.
Propomos aqui algumas reflexões em uma necessária pausa diária para mantermos nossa sanidade e nossa unidade interior:
Por que a imprensa comemora quando as empresas automobilísticas vendem mais automóveis?
Em São Paulo são licenciados 900 automóveis novos por dia. Em Belo Horizonte os engarrafamentos se multiplicam inclusive nos fins de semana. A razão para comemorar, segundo a mídia, está no fato de que mais pessoas podem comprar seu automóvel e isso reflete crescimento econômico com geração de emprego. (Para quantos? E que tipo de emprego? Com qual salário?). Entretanto a pergunta que permanece é a seguinte: Quanto tempo vai demorar para as metrópoles se inviabilizarem se continuarmos apostando no transporte individual? Em São Paulo presenciamos engarrafamentos diários, alguns ultrapassando 130 km de extensão. Este é um modelo de crescimento econômico “pra lá de insustentável”.
Por que comemoram a descoberta de enormes poços de petróleo quando o aquecimento global aumenta e compromete nossa vida?
O aumento de circulação de automóveis em todo o mundo reforça a devastação ambiental, a poluição do ar, das águas, da terra e dos seus filhos; derrubada de florestas, aumento de criação de gado etc. Tudo isso tem contribuído para o aquecimento global. O consumo de combustíveis fósseis tem dado, também, uma grande contribuição para esse aquecimento o que já vem causando catástrofes em diversos pontos do mundo e ameaça inundar cidades inteiras. Entretanto, assistimos à imprensa “oficial” comemorar a descoberta de novos poços. O fato mais contraditório, ilustrativo dessa aposta insana, foi a descoberta de uma monumental reserva de petróleo no Pólo Norte. Essa reserva poderá ser explorada em breve justamente pelo fato de a calota polar estar derretendo de forma acelerada. Ou seja: com o aquecimento poderão explorar mais petróleo onde antes o gelo não permitia e, com isso, acelerar o aquecimento que por fim, parece, irá nos afogar.
Por que tanta preocupação com a vida de embriões congelados, muitos inviáveis, e tão pouca preocupação com crianças famintas, abandonadas e miseráveis?
Os embriões congelados, se não forem utilizados para salvarem outras vidas, permanecerão congelados ou serão jogados fora. Muitos deles são inviáveis para gerar vida humana, uma vez que eles não são ainda pessoas. Muitos daqueles que se mobilizam contra a pesquisa com células-tronco embrionárias e fazem discursos inflamados pela “vida” não se ocupam da vida de milhões de pessoas que necessitam de vida digna. Se toda vida tem que ser respeitada, por que muitos não fazem nada pela pessoa humana que muitas vezes está necessitada e bate à sua porta?
Por que, mesmo pagando mais caro, cada vez mais, com serviços piores, com filas maiores e lucros exorbitantes, as pessoas continuam acreditando na eficiência privada?
É interessante o que a propaganda massiva é capaz de fazer na cabeça das pessoas. Outro dia chegando ao atendimento de urgência de um hospital privado, às 19h30, conversando com outras pessoas, na urgência pediátrica, muitos esperavam o atendimento há mais de quatro horas, com as crianças no colo. Entretanto não ouvimos nenhuma reclamação do tipo: “Esta ineficiência da saúde privada é um absurdo”. Em um hospital público, presenciando fato semelhante, ouvimos várias vezes a seguinte frase: “Tudo que é público não funciona”; ou: “Tem que privatizar tudo” e coisas do gênero. Comecei a observar e percebi a generalização do preconceito: nas enormes filas de Banco vimos uma pessoa esbravejar contra um Banco público; entretanto, não ouvimos nenhum comentário a respeito de uma fila bem maior em um Banco privado. E o mais interessante é o fato de que, com as novas tecnologias aplicadas ao sistema financeiro, nós trabalhamos para o banqueiro (fazendo todas as operações nas máquinas, após enfrentarmos fila diante de máquinas) e ainda pagamos para trabalhar, garantindo lucros absurdamente altos para essas instituições.
POR QUÊ …? Uma explicação para que as perguntas acima permaneçam, para muitos, sem respostas, podemos encontrar na geração da mentira ou na ideologia vigente, a qual constrói falsas verdades que encobrem a realidade. O fato de o poder econômico ou qualquer outra forma de poder dispor de mecanismos sofisticados de propaganda, capaz de encobrir fatos, distorcer a realidade e criar mitos e estórias para nos manipular é uma importante explicação histórica para entendermos o fato de como, em muitos momentos da história, milhões de pessoas foram mobilizadas para defender interesses que não os seus, para defender sistemas contra os seus interesses, contra seus filhos, contra as pessoas que mais lhes importavam. Por que muitas vezes agimos contra nós mesmos? Pelo simples fato de não enxergarmos ou muito pior: pelo fato de nos fazerem enxergar falsas representações do real. Pelo fato de nos impedirem de ver os reais jogos de poder encobertos de nossos olhos pela cortina de fumaça da mentira difundida aos quatro ventos por uma mídia comprometida com os interesses de poucos, mesmo porque, pertence a esses poucos muito ricos.
Belo Horizonte, 29/04/2008.
FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32840
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Brasil – O desrespeito à vida humana por membros da Igreja Católica Romana
Ivone Gebara *
Adital –
Se a Igreja Católica Romana continuar a educar os seus fiéis através de comportamentos de choque tais como os que estão acontecendo no Rio de Janeiro em relação ao aborto, estará incentivando a franca decadência dos costumes e a violência cultural.
Já imaginaram que daqui a pouco poderemos ter estátuas de pedófilos, e talvez alguns deles vestidos de batina expressando gestos de sexo explícito com crianças. Alguém de bom senso seria capaz de pensar que essas eventuais obras de plástico, fabricadas em série, expostas nos altares ou apresentadas no rito penitencial educariam os membros da Igreja e outros a não usar as crianças para suas fantasias sexuais? Ou talvez, poderiam apresentar slides com cenas de violência doméstica focalizando nas figuras masculinas que têm mutilado centenas de mulheres anualmente no Brasil. Poderiam até carregar nas cores e focalizar especialmente as cenas de sangue derramado. Acreditariam acaso estar educando os fiéis a combater a violência contra as mulheres?
A imaginação não me falta para tentar apresentar as mais diversas cenas, analogias e associações em relação ao caso atual dos embriões, aliás, de falso tamanho, expostos nos altares de algumas igrejas do Rio de Janeiro.
Sinto tristeza e vergonha que tenhamos chegado a este ponto. Sinto tristeza e vergonha dos comportamentos retrógrados da maior parte da hierarquia católica romana que não compreendeu os gestos de vida de Jesus de Nazaré e não aprendeu dos efeitos negativos dos comportamentos fascistas e ditatoriais que a Igreja teve ao longo de sua história em relação à ciência, às diferentes culturas e às mulheres. Sinto tristeza e vergonha da insensibilidade com que se trata um problema de saúde pública e da maneira como se usam os textos bíblicos descontextualizados para justificar posturas de um grupo como se fossem posturas da Igreja.
Como entender que o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, D. Antonio Augusto Dias Duarte afirme que a imagem do feto é singela e que a Igreja tem o direito de conscientizar a população? Por que não apresenta então os retratos das milhares de mulheres que morreram por abortos mal feitos. As imagens das mulheres mortas seriam menos singelas? Seriam impuras? Seriam acaso menos conscientizadoras?
Justificar estas ações de violência cultural, acobertadas pelo lema da Campanha da Fraternidade “Escolhe, pois a Vida” é ambíguo, contraditório e até certo ponto de má fé. Supõe que a hierarquia toda poderosa da Igreja, sem acolher um consenso mínimo entre a diversidade dos fiéis, visto que não acolhe as várias pesquisas de opinião pública e nem as reflexões de muitas mulheres, é capaz de afirmar o que é o melhor para as vidas humanas. Usa de sua autoridade e privilégio para fazer valer suas posições em desrespeito a um pluralismo real, necessário e salutar. Acredita com isso defender a vida sem pensar que a vida em geral não se defende de forma geral. Cada um de nós escolhe as vidas que vai defender de forma prioritária e as formas de defendê-las. Cada um de nós tem que arcar com a dose de contradição inerente a qualquer escolha. A instituição eclesiástica não foge à regra e, portanto está faz a mesma coisa. Fica claro quem defende em primeiro lugar. Por isso, vale a pergunta: por que o embrião e não a mulher? Não estaríamos ainda vivendo no mundo dos princípios abstratos, dos mitos de pureza sem conexão com a vida real? Estas e muitas outras perguntas são convites ao pensamento diante dos problemas reais de nosso tempo.
Como a Igreja hierárquica sempre fez e continua fazendo quando seus fiéis se desviam das normas que estabeleceu, creio que, o mínimo que se poderia esperar, é que não só o bispo D. Antonio Augusto, mas também, os padres e conselhos paroquiais que acolheram sua diretiva sejam considerados cúmplices do mesmo crime de violência cultural e de desrespeito simbólico aos corpos humanos. O mínimo que a presidência da CNBB deveria fazer é alertá-los e instá-los a retirar imediatamente de suas Igrejas os embriões de plástico. Além disso, se possível, convidá-los a pedir perdão publicamente por esse ato de terrorismo religioso, especialmente contra as mulheres e as crianças.
No caso dos embriões de plástico expostos nas igrejas do Rio não se trata de respeito às opiniões da Igreja ou à autonomia de cada diocese. Dar e respeitar opiniões inclui um limite ético. Estas ações vão além desses limites. A Igreja sempre usou do direito de opinar sobre várias questões sociais e, sobretudo ultimamente. Nesse caso particular como em outros semelhantes, que têm acontecido, trata-se de uma usurpação de poder, trata-se de uma instrumentalização das consciências, trata-se de uma violência praticada, sobretudo num momento em que os fiéis se reúnem para uma celebração da memória da vida de Jesus de Nazaré. Mais uma vez o desejo de poder, de influir nas decisões do Estado, de acreditar que seus princípios e suas propostas são as melhores para a vida em sociedade fortalece uma visão retrógrada do cristianismo e uma visão contraria ao pluralismo social. Além disso, distancia a Igreja Católica Romana de um possível discipulado entre iguais e da urgência de diálogo a partir das dores concretas de corpos concretos.
O que está acontecendo é vergonhoso e totalmente ilegítimo. AGUARDAMOS MEDIDAS DAS AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS assim como uma reação mais contundente dos FIÉIS e dos movimentos sociais. Não podemos mais aceitar que a ignorância disfarçada em fé, o autoritarismo disfarçado em serviço e a intransigência obscurantista disfarçada em educação conscientizadora tenham a última palavra nas comunidades cristãs. Em vez de usar a expressão “Escolhe, pois a vida” como álibi para manter sua luta contra o aborto terapêutico, poderiam simplesmente convidar os fiéis a respeitar as escolhas diferentes ajudando-os na construção de relações para além dos dogmatismos e sectarismos religiosos.
18 de março de 2008.
* Teóloga
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32172
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Brasil – Primeiro de Maio de 2008
Pe. Alfredo J. Gonçalves *
Adital –
As mãos que conhecem a matéria e suas leis,
serão capazes de conhecer o espírito e suas potencialidades;
As mãos que afagam os elementos da natureza,
serão capazes de afagar o corpo e a alma de cada pessoa;
As mãos que reviram a terra para o plantio,
serão capazes de revirar o terreno do próprio coração,
onde sementes novas poderão germinar;
As mãos que manipulam e dão forma ao barro,
Serão capazes de manipular e dar forma aos próprios desejos;
As mãos que transformam o metal e a madeira,
serão capazes de transformar os laços interpessoais;
As mãos que tecem o linho, a lã e o algodão,
serão capazes de tecer novas relações sociais e políticas;
As mãos que modificam as coisas e as relações entre elas,
serão capazes de modificar o intercâmbio entre povos e nações;
As mãos que lavam, purificam e remendam,
serão capazes de depurar os vírus e males do corpo social;
As mãos que executam projetos e sonhos de outros,
serão capazes de forjar e executar utopias próprias;
As mãos que constroem máquinas e erguem edifícios,
serão capazes de levantar do chão uma sociedade recriada;
As mãos que rompem leis e fronteiras,
chamando os pés a percorrer inóspitos caminhos,
serão capazes de mover o motor da própria história,
na busca e construção de uma cidadania universal.
As mãos que a partir do mármore, da pedra e da madeira,
das cores e dos sons, das palavras e das imagens,
dão forma e vida às mais belas obras de arte;
serão capazes de extrair o sentido profundo da existência
a partir da matéria bruta e informe do cotidiano;
Enfim, as mãos que trabalham,
serão capazes de criar, de sonhar e de amar.
* Sacerdote carlista e pároco da Parroquia Personal de los Migrantes, Ciudad del Este, Paraguai
fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32828
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Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (I)
Agenor Brighenti
Adital –
(Resumo sintético)
Introdução
Ao Pai, agradecemos a graça da fé e a missão que ele confia à sua Igreja (2), bem como a comunidade eclesial que nos acolheu e nos alimenta com a Palavra, os Sacramentos e testemunho de seus membros. Agradecemos a dedicação de presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, das mulheres, os que exercem sua profissão no mundo da política e da cultura. Agradecemos poder contribuir para a promoção dos excluídos (3). Daí a razão da alegria de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo (4).
Numa época de profundas e sucessivas mudanças, a Igreja é chamada com coragem, entusiasmo e criatividade a proclamar a mensagem do Evangelho, para que nossos povos tenham vida e a tenham em abundância, pois o Reino de Jesus é um Reino de Vida (5). As condições de vida de excluídos e ignorados, contradizem o projeto do Pai e nos desafiam a um maior compromisso em favor da cultura da vida (6). A evangelização é tarefa de todos. A missão não é tarefa opcional, mas integrante da identidade cristã (7) e exige conversão pessoal e conversão pastoral (8). Só seremos “comunidade missionária”, na medida em que respondermos aos grandes problemas da sociedade (9). Somos conscientes de nossos limites, sobretudo da insuficiência de agentes de pastoral, mas não esmoreceremos, pois somos animados pelo mesmo Espírito que impeliu os apóstolos à missão (10).
Capítulo I – A realidade que nos interpela
Nosso olhar sobre a realidade brasileira se dá em meio a luzes e sombras de nosso tempo. As grandes mudanças nos afligem, mas não nos confundem (12). A novidade das transformações é que elas têm um caráter global, afetando o mundo inteiro, configurando um tempo mais de mudança de época que época de mudanças (13). Neste novo contexto sócio-cultural, a realidade tornou-se complexa, ensinando-nos a olhá-la com mais humildade (14).
Situação sócio-cultural
Constatamos, hoje, o fenômeno de uma crescente fragmentação dos referenciais de sentido, gerando critérios parciais e múltiplos frente à vida, à religião e aos relacionamentos pessoais. Isto gera uma crise de sentido, levando as pessoas a sentirem-se frustradas, ansiosas e angustiadas (15). As tradições culturais e religiosas, capazes de unificar os diferentes fragmentos, estão de diluindo (16). A globalização, em lugar da segurança e do progresso prometidos, provocou um aumento sensível dos riscos, gerando uma situação de medo: medo de catástrofes ecológicas, de desastres químicos a atômicos, da violência e o terrorismo, do desemprego, etc. (17).
Diante das incertezas e do risco, as pessoas buscam uma satisfação imediata, sobretudo canalizada para o desejo de consumo, criando falsas necessidades. Confunde-se felicidade com bem-estar econômico e satisfação hedonista (18), gerando um clima de permissividade e de sensualidade, fundado na lógica do individualismo pragmático e narcisista. Como o passado perdeu relevância e o futuro é incerto, considera-se o corpo como referência da realidade presente, deixando-se levar pelas sensações (19).
Em meio a isso, entretanto, se pode vislumbrar a afirmação do valor fundamental da pessoa humana, de sua liberdade, consciência e experiência, bem como a busca do sentido da vida (20). Podemos perceber a presença do Espírito nos movimentos sociais, que se articulam em favor das grandes causas da humanidade – a luta contra as descriminações, a promoção dos direitos da mulher, a preservação da ecologia, a defesa dos direitos de culturas e etnias como a indígena e afro-descendente, a busca da justiça social e de “um outro mundo possível”, muitas delas motivadas pelo próprio Evangelho. Manifesta-se uma consciência planetária e a percepção de que fazemos parte de uma família universal (23).
Situação econômica
No seio da economia globalizada, nos moldes do capitalismo neoliberal, a dinâmica do mercado absolutiza a eficiência e a produtividade como valores reguladores de todas as relações humanas. Ao privilegiar o lucro e estimular a concorrência, gera a concentração do poder e da riqueza em mãos de poucos, como recursos físicos, monetários e de informação. A conseqüência mais drástica é o fenômeno da exclusão, aumentando das desigualdades e mantendo na pobreza uma multidão de pessoas (24). Surgem uma nova face da pobreza, estampada no rosto dos moradores de rua, migrantes, enfermos, drogados e prisioneiros, que são não simplesmente explorados, mas “supérfluos e descartáveis” (25).
Outra mudança é o desemprego estrutural, ameaçando a união dos trabalhadores e seu empenho nas lutas coletivas, bem como atingindo diretamente a dignidade de milhões de pessoas (26). O predomínio desta tendência concentradora da economia capitalista neoliberal, limita as possibilidades das pequenas e médias empresas, correndo-se o risco do monopólio dos grandes consórcios (27). As instituições financeiras e as grandes empresas nacionais e internacionais subordinam as economias locais, debilitando os Estados em projetos de serviço à população. As grandes indústrias extrativistas e a agro-indústria não respeitam os direitos das populações locais e não respeitam a ecologia, nem preservam os recursos naturais (28).
As populações rurais sofrem as conseqüências da pobreza, agravada pela falta de acesso à terra própria, de financiamento adequado, de condições de vida digna e de apoio à agricultura familiar. A falta de uma reforma agrária deixa a terra nas mãos de poucos e incrementa a violência a violência no campo (30). Fenômeno preocupante é o processo da mobilidade humana, causada, sobretudo, pela busca de trabalho e melhores condições de vida, privando o país de mão de obra especializada e, consequentemente, retardando sua independência sócio-econômica (31).
Os últimos anos vêm apontando, felizmente, para melhorais significativas como a caída dos índices de desemprego e o crescimento da renda e do consumo, que vêm impulsionando o crescimento da economia (32).
Situação sócio-política
A difusão do individualismo e, principalmente o crescimento do poder dos grandes grupos econômicos, têm enfraquecido a política, com riscos para a democracia. Há desencanto e desconfiança do povo nos políticos, nas instituições públicas e nos três poderes do Estado. Em contra-partida surgiram novos sinais de esperança como muitas organizações alternativas não governamentais e movimentos sociais sem vinculação partidária (33). Há uma crescente consciência da população em exigir melhorias e um esforço do Estado nos campos da saúde, educação, segurança alimentar, previdência social, acesso à terra e à moradia, criação de emprego e apoio a organizações solidárias (34).
É preocupante a deteriorização da convivência social pacífica pelo crescimento da violência, que banaliza a vida, tanto nas periferias das grandes cidades como no campo. Entre suas causas estão a exclusão, a idolatria do dinheiro, o individualismo e o utilitarismo, a deteriorização do tecido social, a corrupção no setor público e privado, o tráfico de armas, drogas, pessoas, paraísos fiscais e lavagem de dinheiro. Fator agravante é a falência do sistema penal e da saúde (35).
A ecologia
A rica biodiversidade do Brasil tem suscitado especial cobiça internacional e tem sido aceleradamente destruída. A devastação ambiental da Amazônia e agressões à dignidade, cultura dos povos indígenas por parte de fortes interesses e grupos econômicos se intensificam. O acervo de conhecimentos tradicionais sobre a utilização dos recursos naturais tem sido objeto de apropriação intelectual ilícita, sendo patenteados por indústrias farmacêuticas e de biogenética (36).
A isso se soma a agressão à natureza, à terra e às águas tratadas como mercadoria negociável, disputada pelas grandes potências. A situação é agravada, em contexto mais amplo, pelo aquecimento global, o esgotamento dos recursos naturais e pela exploração predatória da natureza, por grupos ávidos de benefícios próprios. Trata-se de conseqüências de um modelo de desenvolvimento econômico capitalista-consumista, que privilegia o mercado financeiro e prioriza o agro-negócio. Isto leva à expansão da pecuária extensiva e das monoculturas de soja, eucalipto, cana-de-açúcar, assim como projetos como o do biocombustível, em detrimento da agricultura familiar, da reforma agrária e de projetos populares como a construção de cisternas, por exemplo, no semi-árido do país (37).
A situação religiosa
A mentalidade individualista alastrou-se também no campo religioso. Cada vez mais, o indivíduo tende a escolher sua religião, num contexto pluralista. E mesmo quando adere a uma instituição religiosa, tende a escolher crenças, ritos e normas que lhe agradam subjetivamente ou se refugia numa adesão parcial, com fraco sentido de pertença institucional. Também procura fazer uma espécie de mosaico, justapondo à sua religião pessoal, fragmentos de doutrinas e práticas de várias religiões. Aumenta, igualmente, o número dos que se recusam a aderir a uma instituição religiosa, professando uma “religião invisível”, com pouca ou nenhuma prática exterior. Cresce também a atração por práticas esotéricas (38).
Constata-se a tendência à inversão de sentido da experiência religiosa. Em lugar de vivência de uma fé em relação a Deus e ao próximo, é vista numa ótica utilitarista, um meio de busca de bem-estar interior, de terapia ou cura de males, de sucesso na vida e nos negócios, nos moldes da denominada “teologia da prosperidade”. Neste contexto, a midia contribui para a banalização da religião, não só reduzindo-a à esfera privada, como a um espetáculo para entreter o público (39).
Em novas expressões religiosas, há igualmente a tendência generalizada, endossada por certos psicólogos, a afirmar a inocência dos indivíduos, de modo que ninguém deve se sentir pecador ou culpado. Outros grupos religiosos atribuem toda a culpa aos demônios e aos espíritos maus. Consequentemente, ninguém se sente responsável por corrigir o que está errado na sociedade, na qual convivem, estranhamente, muita religiosidade e muita criminalidade, busca de Deus e injustiça (40).
Muitas Igrejas mostram-se dinâmicas na procura de fiéis, chegando até o proselitismo. Diante disso, cabe uma avaliação da qualidade da presença católica junto ao povo, em geral, muito dependente do padre e da paróquia. Sobretudo quando o número de padres não tem crescido ao mesmo ritmo da população. Há dificuldade de presença, sobretudo nas periferias das grandes cidades, nas fronteiras agrícolas e na região Amazônica (45). Isso exige uma verdadeira conversão pastoral, em que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. Urgem iniciativas de auto-avaliação e coragem de mudar várias estruturas pastorais em todos os níveis, serviços, organismos, movimentos e associações (46).
Capítulo II – Discípulos e missionários em uma Igreja em estado permanente de missão
O projeto de Deus se realiza na humanidade, através de um Povo, o Povo de Deus. É vivendo e proclamando os valores do Reino de Deus que a Igreja se torna “sacramento universal de salvação” (47).
A comunidade missionária
A comunhão com a Trindade é o fundamento da comunhão de todos na Igreja. “A vocação ao discipulado é con-vocação à comunhão em sua Igreja” e à sua missão. Nossa fé é teologal em seu objeto e eclesial em sua realização histórica (48). Como membros da Igreja somos chamados a viver e transmitir a comunhão com a Trindade, convidando outros a participarem desta comunhão. Comunhão e missão estão unidas entre si – “a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão” (49).
A Igreja, “casa e escola de comunhão”, constitui uma unidade orgânica por uma diversidade de carismas, ministérios e serviços, em um mesmo Corpo, em vista da irradiação missionária da comunidade eclesial. Por isso, todos os organismos eclesiais devem “estar animados por uma espiritualidade de comunhão missionária” (50).
As exigências e os âmbitos da evangelização
Serviço-diálogo-anúncio-comunhão, nesta ordem, expressam a pedagogia da evangelização (52). O serviço, que pressupõe o conhecimento dos problemas, anseios, frustrações, alegrias e tristezas dos interlocutores, consiste na inserção social, em vista da libertação integral e da reconciliação. O diálogo é a abertura e escuta do outro, sempre portador de “sementes do Verbo”. O anúncio é a explicitação do testemunho cristão, enquanto proclamação clara da Boa Nova de Jesus Cristo. A comunhão é o resultado da fé em Jesus Cristo, suscitada, acolhida e partilhada, dando origem a uma comunidade de discípulos missionários (51).
O anúncio, mais propriamente a proclamação explícita da mensagem do Evangelho, é não somente o início, ainda que primeiramente implícito pelo testemunho, mas também o fio condutor do processo, que culmina na maturidade do discípulo no seguimento do Mestre. A comunhão é principalmente uma atitude de vida, muitas vezes silenciosa. A comunhão eclesial é condição para que o mundo creia (54).
As quatro exigências intrínsecas da Evangelização se operacionalizam pastoralmente, pela presença da Igreja nos três âmbitos de ação, que constituem tanto o espaço como as realidades onde o Evangelho precisa ser encarnado: pessoa – comunidade – sociedade. Não se trata de realidades estanques e isoladas, mas interligadas e complementares. Pessoas evangelizadas, ao se fazerem dom, transbordam na comunidade que, por sua vez, enquanto comunidade eclesial existe para o serviço de Deus na sociedade (54).
A vocação e a missão dos discípulos missionários
O discipulado implica a adesão à pessoa e à obra de Jesus Cristo, que é seu Reino, assumindo o “estilo de vida do próprio Mestre de Nazaré”, ou seja, um amor incondicional, solidário e acolhedor, até à doação da própria vida. A missão, que consiste em associar-se à obra de Jesus, é “parte integrante da identidade cristã”. Por isso, todo discípulo é missionário, pois “discipulado e missão são duas faces da mesma moeda” (57).
A missão começa por dar testemunho e anunciar Jesus Cristo vivo, fruto de um encontro pessoal. Este encontro não só traz felicidade, como impulsiona a proclamar e promover o Reino da Vida, que Deus quer para toda a humanidade. Este Reino abarca a totalidade da vida humana, incluindo “sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural”. Por isso, “a santidade não é fuga para o intimismo ou para o individualismo religioso, e muito menos fuga da realidade para um mundo exclusivamente espiritual” (58). A vontade do Pai é “incompatível com as situações desumanas” ou com as “graves desigualdades sociais e as enormes diferenças no acesso aos bens” (59).
Além disso, a salvação de Jesus Cristo diz respeito não só aos indivíduos. Deus quis nos salvar em comunidade, por isso, ela deve atingir também “as relações sociais entre os seres humanos”. Conseqüentemente, a evangelização abarca “a promoção humana e a autêntica libertação”. “O encontro de Jesus Cristo nos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé em Jesus Cristo”. Ser discípulo missionário é participar responsavelmente na construção de uma sociedade mais justa, na reabilitação da ética na política e no trabalho, por uma cultura da co-responsabilidade (59).
A missão segundo o tríplice múnus
A Igreja tem a responsabilidade de propiciar, em cada época, o acesso à Palavra de Deus, à celebração da fé e cuidar da caridade fraterna e do serviço aos pobres. Uma antiga tradição descreve esta responsabilidade segundo um tríplice múnus: ministério da Palavra, ministério da Liturgia, ministério da Caridade (60).
Ministério da Palavra. A proclamação da Palavra possibilita o acolhimento livre ao anúncio salvífico da pessoa de Cristo, no Espírito. “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa”, através da pregação do kerigma (61). Faz-se necessário, pois, “uma pastoral bíblica”, entendida como animação bíblica da pastoral. Entre as muitas formas estão a Lectio divina ou a leitura orante da Bíblia e os círculos bíblicos (63). Além disso, faz-se necessário o ministério da catequese dirigido a todos, não se limitando às crianças e jovens, mas tendo como prioridade a catequese adulta com adultos. Trata-se de uma catequese não ocasional, mas permanente (64). Aos leigos continuem sendo oferecidas oportunidades de formação bíblico-teológica. As escolas e universidades católicas não podem furtar-se a esta tarefa e, escola pública, à educação religiosa (65). Finalmente, o ministério da Palavra, pelo chamado do Espírito, revela-se no carisma da Profecia. Como em toda a sua história, nas últimas décadas, a Igreja foi interpelada e iluminada pelo testemunho de inúmeros profetas e mártires. Profecia e Martírio são legados da memória da Igreja, chamada a testemunhar, com coragem e liberdade, a Palavra que defende a vida e julga os poderes deste mundo (66).
Ministério da Liturgia. Conforme o Vaticano II, a liturgia é “o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força” (SC 10). Nela o discípulo realiza o mais íntimo encontro com o seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo (67). Em sentido estrito, a Liturgia é a celebração do mistério pascal, pela comunidade dos batizados, o que implica necessariamente um compromisso com a transformação da realidade, em vista do crescimento do Reino de Deus (68). Por isso, todos os membros da comunidade têm o direito e o dever de participar da ação litúrgica, externa e internamente, de maneira ativa, consciente, plena e frutuosa (69). Os Sacramentos são sinais da comunhão com Deus (71). O Domingo é a celebração do Mistério Pascal, que exige uma “pastoral do domingo”, seja pela participação na Eucaristia e, onde ela não é possível, pela celebração da Palavra. Nestas celebrações, onde for possível, distribua-se a Comunhão Eucarística (72). O Ano Litúrgico “revela todo o mistério do Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até à ascensão, ao pentecostes e à expectativa da feliz esperança da vida do Senhor” (SC 102) (73). Na piedade popular, o povo também encontra maneiras simples de expressar e viver sua fé e o compromisso missionário (74). A Liturgia das Horas é excelente escola e referência fundamental para a nossa oração, individual ou comunitariamente (75). A música litúrgica é parte integrante e significativa da ação ritual, que precisa estar intimamente vinculada ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico (76). O espaço litúrgico dever ser funcional, favorecendo o encontro entre as pessoas e com Deus, pois a arte, a arquitetura e a disposição e ornamentação dos espaços contribuem para que a Igreja celebre e manifeste o mistério cristão (77). A inculturação incide sobre a vida comunitária. As culturas devem ser levadas em conta na catolicidade com sua cosmovisão, valores e identidade, de modo que a liturgia possa recuperar as expressões as expressões culturais, o ritmo, o canto e a música, os instrumentos musicais, as vestes, os espaços, os gestos e símbolos pertencentes a um povo (78). Tudo isso, exige uma pastoral litúrgica, que leve em conta a realidade histórica, cultural, social, eclesial, de modo que todos os cristãos possam participar da liturgia de forma ativa. Isto inclui cuidados com a preparação, realização e avaliação das celebrações, ou seja, com a formação dos ministros e do povo (80).
Ministério da Caridade. Se as fontes da vida cristã são a Palavra e os Sacramentos, o centro é a caridade, o amor-doação, que vem do próprio Deus. “Toda a atividade da Igreja é a manifestação de um amor que procura o bem integral do ser humano” (81). O amor cristão tem duas faces inseparáveis: faz brotar e crescer a comunhão fraterna entre os que acolheram a Palavra do Evangelho e leva ao serviço aos pobres, ao socorro de todos os necessitados, sem discriminação. Daí a necessidade de “ratificar e potenciar a opção preferencial pelos pobres”, implícita na fé cristológica, e que deverá atravessar todas as estruturas e prioridades pastorais, manifestando-se “em opções e gestos concretos” (82). A “globalização fez emergir novos rostos da pobre”, pobres considerados como “supérfluos e descartáveis” (83). Como sujeitos de uma sociedade solidária, não podem ser tratados como objetos de caridade, de forma assistencialista e paternalista (84). O serviço da caridade deve promover a vida em todas as suas modalidades, incluída a natureza, pois a destruição dos ecossistemas, ameaça a todos, sobretudo os mais pobres, como os indígenas e camponeses (85). A opção pelos pobres exige, também, uma pastoral voltada para os construtores da sociedade, formando pessoas em níveis de decisão como empresários, políticos, formadores de opinião no mundo do trabalho e dirigentes sindicais. Finalmente, todos os fiéis, impulsionados pelo Espírito, precisam participar da vida política, de modo particular os leigos na vida pública, atuando como verdadeiros sujeitos eclesiais e competentes interlocutores, entre a Igreja e a sociedade (86).
A formação dos discípulos missionários
Diante da atual sociedade pluralista e secularizada, faz-se necessário reforçar uma “clara e decidida opção pela formação dos discípulos missionários, que são todos os membros de nossas comunidades” (88). Trata-se de um itinerário formativo, um processo que implica “uma aprendizagem gradual”, “um caminho longo que requer itinerários diversificados, respeitosos dos processos pessoais e dos ritmos comunitários”. Em outras palavras, a formação precisa ser “permanente e dinâmica, de acordo com o desenvolvimento das pessoas e com o serviço a que são chamadas a prestar, em meio às exigências da história” (91).
Pedagogicamente, contempla cinco aspectos: encontro com Jesus Cristo (pelo testemunho pessoal, o anúncio do kerigma e pela ação missionária da comunidade), conversão (resposta de quem crê e quer seguir Jesus Cristo), o discipulado (o amadurecimento no conhecimento, amor e seguimento de Jesus, pela catequese permanente e a vida sacramental), a comunhão (a vocação ao discipulado é convocação à comunhão na Igreja) e missão (a partilha da própria experiência da salvação aos outros) (92). Esta pedagogia, aterriza na ação pastoral em quatro eixos: experiência de fé (pelo encontro pessoal com Jesus Cristo nas Escrituras, na Liturgia, na oração pessoal e comunitária, na comunidade viva e no amor fraterno, nos pobres); vivência comunitária (em comunidades que propiciem acolhida fraterna, valorização de cada um, inclusão na vida comunitária, co-responsabilidade); formação bíblico-teológica (pelo aprofundamento da Palavra e dos conteúdos da fé); e compromisso missionário de toda a comunidade (ao encontro dos afastados e pela presença no mundo da cultura, das comunicações, das ciências, das relações internacionais, no mundo urbano) (93).
Em tempos em que a realidade se torna cada vez mais complexa, torna-se necessário considerar na formação o que é específico a cada vocação, ministério e serviço na comunidade eclesial e na sociedade (94). A formação de diáconos e presbíteros exige uma atenção especial, para que respondam aos desafios da realidade atual. Da formação permanente dos presbíteros depende, em grande parte, a necessária formação dos fiéis, não descuidando da formação ecumênica e interdisciplinar deles (95). A formação permanente e integral possibilitará aos leigos a descoberta de sua própria vocação e os motivará a assumir sua missão. Deve ser considerada como uma prioridade, integrada no plano orgânico diocesano de formação, pois “não é um privilégio para poucos, mas sim um direito e um dever para todos” (96). Há urgência em se investir na formação específica dos leigos e leigas, tendo presente as grandes questões que afetam o povo brasileiro, como as sócio-econômicas, políticas e de ordem ecológica, no diálogo com as culturas, de modo especial, a cultura urbana. Em cada um destes campos e muitos outros, faz-se necessário um conhecimento especializado e devidamente nutrido pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja (98). Finalmente, para um laicato adulto e maduro, é fundamental a organização e articulação dos leigos, de modo especial nos moldes do Conselho Nacional dos Leigos (99).
A espiritualidade dos discípulos missionários
A missão evangelizadora exige não só estruturas adequadas, mas também que os sujeitos sejam alimentados por uma espiritualidade missionária conforme a própria vocação, os dons, carismas e ministérios recebidos do Espírito para a realização do Reino. Técnicas e instrumentos são importantes, mas não substituem a ação do Espírito Santo (100).
A ação evangelizadora como serviço da missão e obediência ao Espírito, exige do evangelizador cuidar da própria competência, para que, por negligência, não venha a perder o Evangelho. “Nada substitui a experiência do Deus vivo, alimentada constantemente: da escuta da Palavra de Deus tanto no livro da Escritura quanto no livro da vida; a participação na eucaristia e demais celebrações; da oração generosa aberta a Deus e à sua presença na realidade humana; do abandono ao Espírito que precede a ação do evangelizador, assiste-o cotidianamente confortando-o nas dificuldades e mesmo nos fracassos; da doação de si mesmo no serviço aos demais.” (101).
(Continua)
* Doutor em Ciências Teológicas. Diretor do ITESC. Miembro del Comité Organizador del Foro, representando a Amerindia
fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=32811