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Uma presença escondida é descoberta através do Egito

1 comentário

“Do Egito chamei o meu filho”. Vemos neste versículo duas afirmativas implícitas: “No Egito, deixei meu filho” e “do Egito saiu o meu filho”. Na história da Salvação, o Egito foi ora lugar de refúgio, ora de libertação, ora fonte de crescimento e ora de rejeição.

Durante séculos, o Egito foi uma super-potência econômica, militar e cultural; até hoje são inesquecíveis seus famosos momumentos como as tumbas dos faraós, o papiro e a cultura por eles deixada. Nos períodos de carestia, ou seja de necessidade absoluta, onde nos povos vizinhos não havia nem mesmo alimento, foi a ele que muitos buscaram refúgio para salvaguardar suas vidas. Esse foi o caso de Abraão (Gn 12,10-20), de José e seus irmãos (Gn 37ss) e inclusive da Sagrada Família.

Também, foi o palco de grandes manifestações de Deus a seu povo; o Êxodo com suas pragas, a morte dos primogênitos e a travessia do Mar Vermelho, são fatos que continuam vivos até hoje na mente e no coração do povo judeu.

Agora vamos nos aprofundar nesses acontecimentos.

Primeiramente é importante saber que no Oriente Antigo, o modo de narrar os acontecimentos era diferente daquele que utilizamos hoje, focalizando os acontecimentos em si mesmos, suas datas e personagens. Para eles era necessário focalizar o sentido dos acontecimentos, sua ideologia, sua interpretação. Tudo isso para ilustrar melhor a presença de um personagem ou de uma divindade.

Com os autores Bíblicos não foi diferente, como pessoas humanas escreveram as passagens com a intenção de demonstrar a presença de Deus em cada fato.

Voltando ao passado, Israel estava situado entre duas grandes civilizações: o Egito ao sul e a Mesopotâmia ao norte. Segundo a cronologia que a Bíblia nos dá, os patriarcas foram para o Egito no século XIX a.C, alí permaneceu por 430 anos (Ex 12,40).

É essencial destacar o fato que os Patriarcas ( Abraão: Gn 12,10; depois José e os outros filhos de Jacó, inclusive Jacó mesmo: Gn 37ss) desceram ao Egito para sobreviver em tempo de carestia.

Além deles Jeremias e a Sagrada Família buscaram refúgio. Isso comprova que o país não é somente “Terra de Escravidão”, como se pode ver em outras passagens bíblicas.

José, filho de Jacó, vendido como escravo para o Egito, foi colocado como “chefe da casa do Faraó”, e em seguida pelo próprio Faraó, foi “estabelecido sobre todo o país”(Gn 41,40-41) com o objetivo de recolher víveres diante da carestia.

Na XVIII dinastia é atestado que, de fato, um alto funcionário foi “colocado à frente da grande Casa do Senhor das Duas Terras”, com tarefas especiais em certas circunstâncias de emergência.“e o Faraó tirou o anel de sua mão e o colocou na mão de José, e o revestiu com vestes de linho fino e lhe pôs no pescoço o colar de ouro. Ele o fez subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e gritava-se diante dele ‘Abrec’.

Assim foi ele preposto a toda a terra do Egito”. (Gn 41,42-43).

O fundo histórico, no qual é apresentado o modo como eram investidos os altos funcionários, foi escrito segundo uma perspectiva sapiencial, demonstrando que o Deus de Israel guia os acontecimentos humanos, dirigindo os homens e os fatos segundo o seu plano. A história de José é um dos relatos mais claros neste sentido.

Agora vamos avançar 430 anos na história. Um fato importantíssimo aconteceu: o povo estava sendo escravizado e Deus decide libertá-lo, para isso escolhe Moisés.

O primeiro prodígio operado através dele foi o bastão transformado em serpente. Foi encontrado um relato popular neo-egiziano no qual se fala de um crodilo de cera que jogado na água se tornou um animal verdadeiro.

O pedido dos israelitas de ir ao deserto para sacrificar ao Deus deles, encontra paralelos na prática egípcia. Temos diários onde estão narradas diversas permissões concedidas a trabalhadores; entre os motivos assinalados está o de “fazer uma oferta a deus”, ou “ao próprio deus”.

As próprias pragas referem-se a fenômenos naturais característicos do Egito. O relato bíblico enfatiza que essas acontecem exatamente no tempo predito por Moisés, em nome de Javé e em um modo extraordinário. Javé se demonstra assim, senhor do equilíbrio ecológico do país do qual eram responsáveis o rei e os deuses da dinastia.

Olhando séculos depois, vemos o grande rei Salomão empreendendo construções e inclusive organizando seu governo segundo o modelo egípcio. Mais tarde institui escolas, promove a literatura sapiencial, que encontramos na Bíblia, baseando-se também na maneira em que eram treinados os funcionários do faraó.

Esses são alguns exemplos de como a cultura egípcia influenciou o povo de Israel.

Mas onde está a importância de tudo isso? Você pode até se perguntar, o que eu posso aproveitar dessas coisas?

Deus se serve da história para se revelar. Através dos acontecimentos podemos ver seu amor e sua presença no governo das nações e de nossa vida. Ele inseriu o homem no mundo, por isso o produto de sua inteligência, sua criatividade e beleza não devem serem vistos como contrários a Deus.

Pelo contrário, vemos que ele se serviu daquilo que o povos vizinhos de Israel produziram de bom, para formar e conduzir seu povo. Da mesma forma, ele quer que estejamos cada vez mais inseridos no mundo, aproveitando aquilo que existe de bom, de justo, de louvável.

O místico não é aquele que se destaca do mundo, mas que nele com seu criador. Deus se revela nas coisas ordinárias, no trabalho, nos relacionamentos, nos acontecimentos.

Ninguém vê o ar que respira, porém sabe que ele está e que não pode viver sem ele. Da mesma forma, não vemos Deus na história, mas é possível constatar que ele está no meio de nós.

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  1. evandro morais disse:

    comecei estudar mais sobre religião,
    e vi que todas as religioes são na verdade uma colagem
    de religiões mais antigas,inclusive o cristianismo

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