UNIVERSITÁRIOS BRASILEIROS SOFREM LAVAGEM CEREBRAL SEM PERCEBEREM


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A universidade do horror
por Daniel SantAnna em 28 de setembro de 2004

Resumo: Uma universidade nas áreas de comunicações, artes e humanidades deveria ser um local para debates, troca de idéias e informações sem preconceitos ideológicos. Mas não é isso o que acontece no Brasil.

© 2004 MidiaSemMascara.org

O que é hoje uma universidade pública nas áreas de artes, comunicações, humanidades? Deveria ser um espaço para o livre debate de idéias, o fluxo de informações sem preconceitos ou amarras ideológicas, a pesquisa científica no mais alto conceito da palavra. Mas não.

Tive a amarga oportunidade de freqüentar uma faculdade pública de artes, mas isso foi há cerca de 10 anos. Desde essa época, acompanho a situação e posso afirmar sem erro que a mesma só piorou. No início da década de 90, já se podia observar clara a ideologização do ensino superior em níveis preocupantes. A esquerda era consenso, e de cima para baixo. O controle, exercido sobre as mentes e corações de forma indireta: “bons trabalhos acadêmicos”, “boas manifestações artísticas”, eram aquelas engajadas segundo causas e ideário de esquerda. Estudantes que não se encaixassem eram gradativamente postos para escanteio. A pressão psicológica para a conversão vinha de diferentes formas: reserva por parte dos colegas, desprezo dos professores, escárnio disfarçado de “etapa em processo pedagógico”. Quem não era de esquerda ficava de fora da turma e não era convidado para as festas. Um ou outro universitário prestando serviço militar pelos cantos, como se doente fosse, fugindo do sarcasmo e do preconceito. Um simples sinal da cruz antes de uma partida de futebol de salão era visto como piada. Os cristãos assumidos, coitados, andando em grupos, como se quisessem se proteger dos leões à espreita. Objetivo impossível de se alcançar: estudavam na cova mesma.

Os professores dividiam-se em dois grupos claramente definidos: os engajados e os não-engajados. O problema, como de resto o tempo todo, é que os não-engajados jamais formam ou formaram um grupo de fato. São “individuais” demais, soltos demais, independentes demais. O resultado: os professores alinhados, via de regra os mais fracos academicamente, os piores mestres, dominavam a administração da escola, ditando seus rumos, resolvendo aqui e ali o rumo que a instituição tomaria. Sempre em grupo, sempre organizados. Não é à toa que chegaram ao poder.

Hoje, a situação não só permanece em linhas gerais, como piorou. Professores desinteressados repartem seu tempo com empregos paralelos, que lhes proporcionam um adicional de renda. Sem tempo para preparar aulas, para pesquisar, para orientar, para refletir, sentam em frente aos alunos para despejar-lhes diatribes. Falam mal da economia de mercado, do imperialismo e de George W. Bush. Os alunos, por sua vez incautos, despreparados, estando ali para aprender, não aprendem. Ouvem e, sem força para questionar ou discordar, para problematizar o que se conta como verdade, têm duas escolhas: ou se calam e vão cuidar da própria vida ou tratam de repetir as asneiras que ouvem de forma a integrarem e aumentarem o grupo. Em nenhum dos casos acrescentam nada à instituição.

Pesquisa-se, e muito, nas universidades públicas. Pesquisa-se para se chegar ao que de antemão já se tomou como verdade absoluta: vivemos uma era da informação onde trava-se o velho embate entre dominadores e dominados, entre potências e Terceiro Mundo. A religião é o ópio do povo. Hollywood manipula a indústria cinematográfica para dominar o mundo. Bons eram Bretch, Eisenstein. Nenhuma guerra vale a pena. Toda guerra é obra dos americanos. A televisão emburrece. O capitalismo mata a arte. Deus não existe. Marx persiste. E assim por diante. A sociedade mal sabe o que financia disfarçado no orçamento público de “pesquisa em humanidades”. Ninguém lê, ninguém toma conhecimento. As bibliotecas são quase bunkers protegidos pela burocracia. A inutilidade convertida em segredo de Estado.

O fenômeno é conhecido nos EUA, na França, mas aqui ainda permanece relegado aos porões de prédios que gabam-se de não possuir porões. Seus porões, contudo, são morais, são intelectuais. Autonomia universitária no Brasil, hoje, é algo como soberania nacional para uma ditadura. Só serve ao ditador. Como diria o filósofo francês André Glucksmann: “para cada ditador soberano, seu matadouro próprio”. O das universidades públicas hoje mata idéias, sonhos. Quem sabe, mais para frente não sirva de pretexto para matar coisas mais concretas. Ou pelo menos calar. Ou mandar cortar árvores para as FARCs. Vivemos tempos interessantes. Grupelhos contra indivíduos, ONGs contra livres pensadores, dogmas conta idéias. Consenso contra consciência. Conselhos contra pessoas. Professores da USP e da Unicamp compartilhando ideais e maquinações com Fidel, Chávez e George Soros, o homem que quebra países.

FONTE: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2680

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