Valor da Santa Missa – Parte II (Fé na Eucaristia)


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Na celebração da Santa Missa, ao final da consagração, o sacerdote pronuncia estas palavras: “Eis o mistério da fé!”. E a assembléia, ao mesmo tempo em que se põe de pé, responde dizendo: “Anunciamos, Senhor, a Vossa morte e proclamamos a Vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” A Eucaristia é o mistério da fé e somente pela virtude teologal da fé podemos abarcar toda a riqueza que está presente nesse sacramento. Pelos sentidos humanos, nunca conseguiremos expressar, em sua essência, o que é o sacramento da Eucaristia.

É pela fé que aderimos às verdades cristãs. É pela fé que cremos que Cristo está presente na Eucaristia com Seu Corpo, Seu Sangue, Alma e Divindade. A participação na Eucaristia nos faz ver que “é, portanto, pela graça que somos salvos, mediante a fé. E isto não é a nós que se deve; é dom de Deus” (1). A Eucaristia é o grande dom que Cristo nos concede para que possamos crescer na fé e na santidade. Ao participar da Eucaristia, estamos testemunhando que cremos no Cristo Eucarístico, ao mesmo tempo em que professamos que sem Ele nossa vida carece de sentido e razão, pois “se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente (…) Quem realmente vive a fé com paciência e se deixa formar por ela é purificado por muitos revezes e fraquezas, e torna-se bom” (2). Todas as vezes que comungamos, estamos afirmando a Cristo que, apesar de nossas fraquezas e limitações, continuaremos buscando os meios que Ele nos outorgou para que também, em nós, a fé seja uma realidade vivencial em todos os momentos e em todas as situações.

“Verdadeiramente, a Eucaristia é um mysterium fidei, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceito pela fé” (3). Mesmo após a transubstanciação, permanecerão as aparências de pão e de vinho, mas com os olhos da fé, vislumbramos que o mistério – que excede a nossa limitada capacidade humana – mais uma vez se realizou. Pelo Seu infinito amor, Cristo Se faz nosso alimento. A Eucaristia, o alimento principal de nossas almas, é a mais fecunda fonte que nos oferece a possibilidade de realizar a justiça e a santidade. Aos olhos humanos, tudo parece uma grande insanidade, um ato de extrema loucura. Sabendo que somos passíveis de atos de infidelidade, Cristo não se cansa de nos advertir: “Minha Carne é verdadeiramente uma comida e Meu Sangue é verdadeiramente uma bebida!” (4). De joelhos diante do Santíssimo, saibamos dizer com fé: Senhor, eu creio que a Eucaristia é uma realidade sobrenatural e, baseado na Sua autoridade, continuarei dobrando meus joelhos diante de Sua presença, pois é através da Eucaristia que eu posso antecipar a realidade da vida eterna em meu ser.

Pela fé podemos afirmar que “a Eucaristia é o resumo e a súmula da nossa fé” (5). Somos convocados a crescer na fé até atingir a maturidade necessária que se expressa na entrega incondicional a Deus. Essa entrega incondicional se realiza na participação eucarística, pois, na Eucaristia, podemos descobrir quem somos nós dentro do projeto de Deus. É a reta participação eucarística que nos proporciona a descoberta da nossa própria identidade. Mediante a Eucaristia, engrandecemos nossas vidas e fortalecemos o ideal de concretizar o sumo bem no dia-a-dia. Somente atingindo a maturidade da fé, podemos perceber que “a Eucaristia evidencia algo de mais profundo e simultaneamente mais universal: a divinização do homem e a nova criação em Cristo; fala da redenção do mundo” (6). Pela Eucaristia, participamos da divindade de Cristo. Participando da Eucaristia, estamos colaborando generosamente no advento do bem e na concretização do Reino de Deus.

A Eucaristia é obra do Espírito Santo e é certamente a principal obra de Deus em favor dos homens. Assim como inúmeros contemporâneos de Jesus, devemos recorrer a Ele, pedindo que nos fortaleça na fé. “Adauge nobis fidem!” A fé nos dá a máxima certeza de que, participando da Eucaristia, venceremos tudo aquilo que ainda impede nossa adesão incondicional ao Cristo. A fé nos demonstra que, no coração da Igreja, Cristo nos deixou como sinal de Seu amor o sacramento da Eucaristia. A Eucaristia nos faz avivar a nossa fé. Podemos passar por inúmeras intempéries, mas da Eucaristia brotará a convicção de que, nas ansiedades e dificuldades, seremos sustentados por Jesus Cristo. A fé nos faz adorar o Cristo Eucarístico, por isso, “quando te aproximares do Sacrário pensa que Ele… há vinte séculos que te espera. (…) Aí o tens: é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Está escondido no Pão. Humilhou-se até esse extremo por amor de ti!”(7).

A fé nos faz perceber que, de um modo sobrenatural, Cristo transformou água em vinho, por ocasião de um casamento em Caná da Galiléia. Sendo o único e verdadeiro Deus, para Cristo tudo é possível. Sendo o Senhor da natureza, Ele transforma pão ázimo em Seu Corpo e transforma vinho em Seu precioso Sangue. A fé nos leva à percepção de que o mesmo sangue que escorria na Paixão de Cristo se faz presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Em oração, que saibamos recorrer a Maria, a Mãe da Eucaristia, Mestra da fé, para que nos ensine a superar as imperfeições que ainda possam existir em nossa fé.

Em um profundo ato de fé, que saibamos proclamar que “a Igreja Católica sempre conservou religiosamente, como tesouro preciosíssimo, o mistério inefável da fé que é o dom da Eucaristia, recebido do seu Esposo, Cristo, como penhor de amor imenso”(8). Ao nos oferecer a Eucaristia, Cristo nos diz: “Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”(9). Pela vivência da fé, todos os dias diante da Mesa Eucarística, notamos que nossa pertença a Cristo atinge sua plenitude na participação eucarística.

A Eucaristia é um mistério de fé que requer nossa aceitação e adesão e, por isso, é viável que cotidianamente saibamos fazer inúmeros atos de fé diante do Tabernáculo do Altíssimo. Não nos cansemos nunca de dizer ao Cristo Eucarístico: Senhor, eu creio, eu Vos adoro e eu Vos amo! “Senhor, creio, com firmíssima fé, que estais verdadeiramente presente no augustíssimo sacramento do Vosso Corpo e Sangue, como meu Deus e meu Senhor; e por esta verdade, estou pronto a dar mil vezes a minha vida. Creio, repito, que neste sacramento está presente o Vosso Corpo gloriosíssimo, mais brilhante do que o sol, eleito entre milhares, com aquela integridade, beleza e majestade com as quais estais nos céus e que nada de maior pode ser concebido. Ali está o Sangue outrora derramado por nossa salvação e pela redenção de todos. (…) Aqui está o compêndio de todas as Vossas maravilhas, aqui está o sumo prodígio que excede à inteligência de todas as criaturas; aqui está a verdade infalível, a qual, com a Vossa ajuda, professo de corpo e alma”(10). Senhor, diante da Mesa Eucarística, queremos sempre te pedir que a fé na Eucaristia aumente em nós a prática da caridade, estimule a fraternidade e favoreça a esperança em um mundo renovado pela vivência incondicional da fé.

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Notas:

1 – Efésios 2,8
2 – Cardeal Joseph Ratzinger, “O Sal da Terra”.
3 – Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”,15.
4 – João 6,55.
5 – Catecismo da Igreja Católica, 1327.
6 – João Paulo II, “Memória e Identidade”, capítulo 23.
7 – São Josemaría Escrivá, “Caminho”, 537 e 538.
8 – Carta Encíclica, “Mysterium Fidei”,1.
9 – João 6,56.
10 – Atos de diversas virtudes para antes da Missa do Cardeal João Bona.

Texto retirado do site: www.catedral.org.br

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