Vida de Santa Edwiges – 2ª parte


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Edwiges no mosteiro

Edwiges foi se desprendendo das coisas materiais e dispôs de tudo o que tinha, retirando-se para os mosteiro de Trebnitz. Ocupou junto com criados e amigas algumas dependências dos fundos do mosteiro.
Tudo no mosteiro era pobre, desde o quarto às mobílias. A duqueza se fez pobre entre as monjas.
Henrique, esposo de Edwiges, fundou o mosteiro de Trebnitz. Depois que ele morreu, ela continuou sua obra. Fundou outros mosteiros e dotou-os de meios suficientes para a sua sobrevivência, com vultosas pensões. Visitava com freqûencia esses mosteiros e levava pessoalmente generosas esmolas. Passava dias entre as monjas e participava da vida religiosa dos claustros.
Com os diversos mosteiros de monjas, começou um novo processo de educação para as donzelas da época, principalmente das famílias nobres, que eram enviadas para serem educadas. Aprendiam as letras e os ensinamentos para serem boas donas de casa e saíam preparadas para fundar novos lares, com ótima bagagem literária e sólidos conhecimentos religiosos. Esses conventos tiveram muita influência na religiosa da região.

Vida austera e penitente

Santa Edwiges foi também muito austera e penitente. Não mortificava somente o espírito, mas mortificava duramente o corpo. Seus sentidos eram dominados pelas penitências. Jejuns e abstinências eram meios que a santa usava, como ela mesma dizia, para reprimir qualquer tentativa de carne sobrepor-se ao espírito. Jejuava quase todos os dias, só não o fazendo em dias festivos quando, normalmente, fazia duas refeições. Durante quarenta anos absteve-se de comer carne.
Certa vez seu irmão Ekelberto, Bispo de Bamberg, repreendeu-a pelos excessos de abstinências.
Outra vez, estando Edwiges doente, o legado apostólico da Polônia impôs-lhe que também se alimentasse de carne. Ela obedeceu, mas a obediência foi uma penitência maior ainda que a de não comer. Para compensar, Edwiges mandou que tirassem o sal e os temperos dos alimentos.
Aos Domingos, Edwiges alimentava-se de peixe e queijo, assim como nas terças-feiras. Às segundas e sábados apenas de legumes e temperos, e nas quartas e sextas jejuava a pão e água. No tempo do advento, na Quaresma e nas grandes festas cristãs, jejuava também a pão e água.
Perguntava um dia por que jejuava nas vigílias dos grandes santos ela respondeu: “Os santos são necessários para nós, e para que nos ajudem e venham em nosso auxílio na hora de nossa morte. Por isso devemos venerá-los. Além do mais, pelo jejum corporal, os vícios são reprimidos, o espírito elevado e as virtudes são mais facilmente praticadas. Por isso julgo necessário o jejum, a abstinência e a penitência”.

Uma santa carinhosa, paciente e forte

A santidade da qual se dizia carente, ela via em todas as outras pessoas. Tratava os pobres de maneira extremamente carinhosa, e chegou certa vez a lavar os pés de nove leprosos. Depois mandou vesti-los com roupas novas e fez com que se sentassem com ela à mesa para a refeição. Após servi-los do que tinha de melhor, deu-lhes boas esmolas  e despendiu-os  com palavras de alento.

Visitava os conventos com frequência para sentir suas necessidades, levando sempre provisões. Além de humilde, era de uma paciência muito grande. Nada tirava a sua serenidade, e enfrentava todas as dificuldades com admirável espírito, não perdendo a calma e jamais respondendo a alguém com aspereza.

Edwiges apresentava sempre o semblante sereno, mesmo nas maiores tribulações. Quando soube que seu marido caíra prisioneiro e estava gravemente ferido em poder do príncipe Conrado, com toda a tranquilidade e paciência disse: “Espero, pelo Senhor Deus, que logo o liberte e consiga se curar das feridas”. Em pouco tempo realmente veio acontecer como pedira.

Quando seu marido, após ser libertado por Conrado, veio a falecer. As monjas do mosteiro Trebnitz ficaram desconsoladas e, em desespero, Edwiges falhou-lhes: “Por que estão tão perturbadas? Por que não aceitaram a vontade de Deus? Isso não deveria ser próprio de vocês, minhas caras. O Criador pode dispor como lhe convém de suas criaturas. Sua providência deve sempre nos servir de consolo”.

Quando seu filho Henrique morreu, aconteceu a mesma coisa. Sem derramar uma lágrima, sem sinal exterior da grande dor que sofria, tinha palavras de conforto para sua filha e para a nora.

Amiga dos pobres

Edwiges tinha um amor muito especial pelos religiosos, pelos pobres, pelos prisioneiros e pelas as crianças desamparadas.

Lembrava-se muito do evangelho de São Mateus, capítulo 25: “Tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber; estive na prisão e me fostes visitar; era peregrino e me acolhestes; estava nu e me vestistes; adoeci e me visitastes”.  

Não perdia a oportunidade de servir a Deus e ao próximo. Aos leprosos tinha uma dedicação incomum. A todos dedicava muito carinho, chegando até a lavar as feridas das pobres vítimas da lepra, pois seu amor falava mais alto do que a doença.

Dedicava muito amor às pessoas enfermas, preocupava-se constantemente com elas, pois naquela época, na região, havia muita miséria.

Sempre visitava os prisioneiros, alegando que o amor e dedicação era possível salvar muitas vidas que estavam perdidas para Deus. Esteve ao lado dos menos favorecidos e dos endividados, lembrando sempre as palavras de Jesus. “Daí e vos será dado; perdoai e sereis perdoados”. E não somente dava como também perdoava àquele que lhe deviam.

Ela é invocada como protetora dos endividados, porque quando alguém estava preso, ou tendo dívida não conseguia saldá-las. Edwiges pagava em seu lugar e perdoava seus devedores; ela possuía muitos bens materiais.

Edwiges passou pela terra só fazendo o bem a todos.   

Santa Edwiges, socorrei-nos em nossas necessidades temporais e espirituas!

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