Edwiges se prepara para o fim
Certa vez, uma nobre senhora chamada Myleisa visitou Edwiges e por muito dias ficou a conversar e trocar idéias com ela. Na hora em que Myleisa partia, Edwiges disse-lhe: “Myleisa, minha querida, aproxima-te e recebe meu beijo de despedida, pois, assim que partires, dentro de pouco tempo partirei para a eternidade.
Com efeito, pouco tempo depois Edwiges partia como previa.
Pouco antes da enfermidade que a levou à morte, Edwiges mandou chamar seu confessor, Frei Mateus, e pediu que lhe ministrasse o Sacramento da Unção dos Enfermos. As irmãs do mosteiro perceberam que o fim de Edwiges estava próximo, pois ela não fazia nada sem antes ter a certeza do que predizia.
Ficaram as irmãs muito desnorteadas, com receio de perder aquela que amavam como mãe. Irmã Adelaide aproximou-se de Edwiges e lhe disse: “Senhora, como está pedindo a Unção dos Enfermos, ferindo nossos corações, se a senhora está gozando de boa saúde? Este sacramento é para quem está em perigo de vida”.
Edwiges respondeu-lhe:
“Sei, Adelaide, que este sacramento é para aqueles que estão em perigo de vida. Mas convém considerar que o Sacramento da Unção arma o cristão com as armaduras espirituais contra as forças do Mal e deve ser recebido com extrema devoção. Embora pareça estar com saúde, muito em breve estarei entre os enfermos e temo que, agravando-se meus males não esteja em condições de receber este sacramento com a devida devoção. Quero estar bem preparada para ir ao encontro de Jesus”.
Cumpriu-se o desejo de Edwiges, foi-lhe ministrado o sacramento. Poucos dias depois, ela caiu gravemente enferma. Como estivera muito enfraquecida, sua filha que era abadessa no mosteiro proibiu que as freiras a visitassem, mas por inspiração divina, ela tinha conhecimento de tudo o que estava acontecendo. Mesmo não vendo o rosto das pessoas que entravam em seu quarto, chamava todas pelo nome.
Aproximavam-se os últimos momentos de Edwiges na terra. Ela já estava prestes a receber a recompensa pelo seu amor a Deus e ao próximo. Tinha combatido o bom combate e esperava a eterna glória.
De muitos modos o Senhor a consolava em seus sofrimentos, antes de levá-la ao Céus. Tudo estava preparado e Edwiges também estava. Era o momento definitivo com Jesus Cristo, por cujo amor ela desprezou todas as pompas deste mundo.
Foi no dia 15 de outubro de 1243. As irmãs do mosteiro não abandoram o quarto de Edwiges, sempre silenciosas. A abadessa Gertrudes e outras irmãs começaram a rezar com o salmista: “Eu espero no Senhor. A minha alma espera no Senhor, mais do que a sentinela espera pela aurora. Assim também, espera Israel no Senhor, porque com Ele está a misericórdia e com Ele abundante redenção”.
Então, Edwiges pareceu erguer-se do leito e depois deixou-se cair suavemente. A abadessa Gertrudes, com amor filial, fechou-lhe os olhos. Acabava de morrer nossa santa.
Santa Edwiges foi sepultada no mosteiro de Trebnitz, diante do alto de São Pedro.
Santidade e milagres
Mesmo antes do sepultamento de Edwiges, começaram a acontecer fatos que até hoje são tidos como milagres, que também serviram para o processo de canonização.
Conta-se que irmã Jutha, que tinha uma mão paralisada por causa de grande inflamação, ficou curada ao tocar o corpo da santa, ainda insepulta. Irmã Maria também sofria um mal incurável segundo os especialistas, e também ficou curada ao tocar Edwiges. De todas as partes ouviu-se falar que por sua intercessão realizavam-se curas de doentes. Cegos viam, mudos falavam, paralíticos andavam e endividados saíam de seus apuros. Muitos fatos foram atestados, com o juramento das pessoas que se viam curadas.
A Igreja ainda não tinha pronunciado oficialmente e o povo já havia canonizado Edwiges. Para o povo ela era a bem-aventurada Edwiges. Santa Edwiges.
Edwiges tinha uma piedade incomum e a sua oração contínua fez com que ela se voltasse para as coisas do alto. Apesar de sua condição social, era de uma humildade indescritível. Herdeira muito rica e possuidora de muitos bens materiais, nunca deixou de olhar para seus pobres. Usava sua riqueza para fazer bem aos outros. Foi modelo para todos em todos os sentidos e em todas as ocasiões. Foi glorificada por Deus em vida, glorificada por Deus na hora da morte e depois da morte. Se foi amada pelo seu povo em vida, depois da morte foi amada muito mais e venerada.
A canonização
Diante de inúmeros testemunhos, de tantos fatos, a Igreja começou um processo para examinar à vida, as virtudes, os fatos e a santidade da duquesa da Silésia e da Polônia.
Edwiges foi declarada Santa no dia 15 de outubro de 1267, durante uma Missa Solene, onde o sucessor de Pedro proclamou: “Por nossa autoridade, declaramos que Edwiges é Santa e será inscrita no catálogo dos santos. O dia 15 de outubro será o dia de sua festa”.
Como mais tarde foi canonizada outra grande santa da Igreja, Santa Teresa D’ávila, que havia morrido no dia 15 de outubro de 1515, a festa de Santa Edwiges foi transferida para o dia 16 de outubro.
Hoje, passados mais de setecentos e sessenta anos de sua peregrinação pela terra, a memória de Edwiges continua viva na devoção de uma multidão de devotos na Europa, na América e, especial, no Brasil, onde temos vários templos em sua homenagem.
Santa Edwiges, socorrei-nos sempre em nossas necessidades temporais e espirituais!
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