Existem momentos delicados, especialmente dolorosos, em que nos custa entender e aceitar os desígnios de Deus. Muitas vezes nos perguntamos como Deus permite que uma pessoa querida morra ou que um filho enverede no caminho das drogas. As infidelidades que muitas vezes surgem no matrimônio e uma sociedade que cada vez toma uma atitude egoísta, pensando cada pessoa em si mesma, esquecendo-se dos outros. Parece uma situação estranha em relação ao que sempre temos escutado na Igreja: Deus é bom! Mas a cada dia somos surpreendidos por acontecimentos como o desastre do avião da Gol, o tsunami e tantos outros. Mas por quê?
Há tantas situações nas quais é difícil entender a Deus, como diz o Salmo 139: “Isso é uma ciência misteriosa para mim, ciência que não chego a entender, ciência tão alta que eu não compreendo”.
Diante da afirmação que Deus é amor e que faz bem todas as coisas, como podemos explicar o mal?
No livro do Gn 3,16-19 aparece claramente que o mal não foi querido por Deus, porém entrou no mundo por causa do pecado do homem.
Afirma o Servo de Deus, o Papa João Paulo II, no dia 24 de março de 1999: “Os projetos de Deus não coincidem com os dos homens, são infinitamente melhores, muitas vezes, porém permanecem incompreensíveis à mente humana”.
São Paulo, na carta aos Romanos, afirma: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus” (8, 28).
Recordo-vos agora a passagem dos discípulos de Emaús que voltavam desamparados, tristes, pois tudo tinha fracassado, o mestre havia morrido, as esperanças haviam acabado e Cristo lhes aparece dizendo: “lentos para entender e acreditar nos desígnios do Senhor”.
Por que também nós temos dificuldade em entender e aceitar certas situações conflitivas que nos levam muitas vezes à angústia? Isso sem contar com os que perderam a esperança.
Quantos aqui na nossa cidade enfrentam dificuldades com os filhos que estão envolvidos nas drogas? Quantos enfrentam o desemprego? Quantos buscam respostas simplistas e chegam a pensar que tais acontecimentos são maldições, mal olhado, macumba, feitiçaria etc.
Tudo que o Senhor permite na nossa vida tem um sentido salvador. É como um artista que tem em sua mente a peça que vai criar, mas diante de si só tem elementos insignificantes.
Lembro-me de uma pessoa que um dia me procurou e apresentou as suas criações. Fiquei admirado com a beleza dos seus muitos trabalhos e espantei-me quando soube que o material usado era lixo!
No evangelho segundo São João há a seguinte afirmação: “Eu sou a videira e vós sois os ramos… sem mim nada podeis fazer”. As podas que um agricultor faz numa planta são freqüentemente dolorosas. Assim age Deus na nossa vida: permite acontecimentos dolorosos a fim de que a vida se transforme num doce fruto.
Deus nunca se esquece de nós! “Ele é rico em misericórdia” (Ef 2, 4).
Coloquemo-nos em oração e aceitemos o convite que Cristo nos faz: quando quisermos orar, devemos entrar no quarto (coração), fechar a porta e rezar ao Pai em segredo.
Diante de tantos acontecimentos que hoje nós não entendemos possam eles nos levar a um encontro verdadeiro com Cristo.
Pe. Alessander C. Capalbo (Paróquia Santa Maria dos Pobres – Paranoá – Brasília – DF
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